julho 30, 2003
O RETRATO DE MARI BOINE
NO CANAL ARTE (Hoje às 20h40)

Mari Boine é uma das artistas nórdicas que mais respeito. Enquanto criança, combateu a segregação cultural de um sistema de ensino norueguês que inferiorizava os costumes, as tradições e as diversas línguas dos Sami (não devem ser considerados Lapões – Lapp - porque é um termo pejorativo), que foram “empurrados para o tecto do mundo”, passano a habitar o norte da Noruega, da Suécia, da Finlândia e da Rússia. Já em adulta, revoltou-se contra os seus familiares “cristianizados”, por estes se oporem ao simples facto de ela recuperar uma tradição perdida dos Sami - o canto joik -, que os “colonizadores” cristãos consideraram ser uma criação do Inferno. O mesmo fizeram depois com o violino tatuado “harding fele”.
Apesar de profundamente enraizada no joik, a sua música é universal. Possui uma forte componente espiritual xamânica. É riquíssima do ponto de vista rítmico e harmónico. Álbuns extremamente bem gravados e que entram directamente na lista dos cem melhores discos de músicas de raíz, como “Eagle Brother” e “Unfolding”, revelam um espírito e um sentimento Sami, que interiorizou os ritmos e a magia sonora de outros mundos e de outras culturas ancestrais. A todo o seu carisma, junta-se o toque de violino arabizante de Hege Rimestad, o charango e as poderosas flautas andinas do chileno Carlos Quispe, as percussões tribais de Roger Ludvigsen e Gjermund Silset. No final dos anos 90, banda de Mari Boine separou-se da diva. Enquanto parte da sua banda trocou experiências com o quéniano Ayub Ogada (tiveram oportunidade de os ver ao vivo no Multimúsicas em Lisboa – que grande concerto!), Mari Boine ainda participou no projecto Vershi da Koreski do russo Alexei Levin. O ano passado surgiu num formato bem mais electrónico, não só no álbum “Eight Seasons”, como também atráves do álbum de remisturas, que reúne nomes tão ilustres quanto Bill Laswell, Jah Wobble e Nils Peter Molvaer.
O documentário do Arte será novamente emitido, no próximo dia 6 de Agosto, às 0h50.

In the earliest years of our Christian era, wondrous rumours of a wild and barbaric people in the farthest north spread even as far as Rome. So it was that in the year 98 AD Tacitus chronicled what he had heard of them. Far beyond the Germanic tribes lived these fenni. Horses nor houses, they had clad in skins; they did not cultivate the land but ate only what they could find growing wild, and their wild beasts and weather was a pitifully primitive hut made of twigs. They had no iron, and instead, tipped their arrows with bone. Thus armed, they went hunting; and the women hunted with the men and took their share of the kill.
From ‘People of Eight Seasons’ by Ernst Manker
Publicado por Luís Rei às 06:25 PM