janeiro 28, 2004

Silvério “grande” Pessoa: Gosto mesmo deste gajo!

Na passada semana, o Movimento dos Sem Terra comemorou o seu 20º aniversário de existência. Assim que li a notícia, lembrei-me do músico e pedagogo nordestino Silvério Pessoa. Conheci-o no Womex de Berlim em 99. Recordo perfeitamente a sua entrada em palco, envolto na bandeira vermelha e preta do MST, enquanto líder dos Cascabulho de “Fome dá dor de cabeça”. Gosto da forma despudorada com que ele resgata a memória de Jackson do Pandeiro e aborda o forro na vertente o mais “pé de chinelo” possível. Depois da experiência com os Cascabulho, Silvério lançou dois projectos a solo a ter em conta: “Bate o Manca – Povo dos Canaviais”, obra que mantém um traço assaz regionalista, dedicado ao criador do coco, o Mestre Jacinto Silva; e o “Projecto Micróbio do frevo” que recria o carnaval pernambucado, com frevo, sambas e marchas dos anos 50, e elege como rei da parada o “sanfoneiro de boca” (Jackson, claro!). Segue-se um projecto de parceria com várias delegações do MST além Brasil. Já agora, espreitem o blog do Silvério Pessoa e a descrição que ele faz da sua digressão gaulesa, no Verão de 2003. Porque é que todos os músicos não escrevem diários como este?


A bandeira do MST, do qual sou aliado, nunca saiu do meu palco. Posso até ampliar esse palco como sendo meu coração, minhas atitudes. Tenho uma relação com a Pedagogia aplicada nos assentamentos, já participei de encontros com educadores e estamos sempre em contato. Paulo Freire norteia muito minhas idéias no campo educacional, assim como os pacifistas ativos, Ghandi, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Chico Xavier, D.Helder Câmara.
Então no MST encontro uma possibilidade de ter a pedagogia que seja transdisciplinar e síntese podendo ser aplicada nas escolas públicas. Como sou pedagogo, me sinto muito próximo desse trabalho. O Governo Lula é a grande esperança do Brasil, e nesse contexto a nova economia agrária, a reforma do campo é um novo momento para o povo que quer ficar no seu lugar e viver do seu trabalho.
Acredito que a grande esperança do Brasil é a agricultura. Concluindo, quero deixar registrado que em 2003 estaremos trabalhando para o lançamento do primeiro CD do MST -Coordenação Pernambuco, no qual eu e outros companheiros do movimento estamos em planejamento.
” Fonte: webzine A Ponte

Publicado por Luís Rei às 01:33 AM | Comentários (5)