maio 16, 2005
Ao Fernando Magalhães
É difícil escrevermos sobre alguém que parte tão cedo, deixando rebentos que ainda não atingiram a maioridade.
É difícil escrevermos sobre alguém que, apesar de não ser um amigo de infância, está intimamente ligado à evolução dos gostos musicais de muita gente que descobriu a folk britânica, os nórdicos, o kraut, o rock progressivo, etc, etc, etc.
Como vamos viver sem o seu non sense, o seu humor, os seus textos, as suas listas?
Com esta triste notícia, não me sai da cabeça uma outra que me foi dada pela Inês Menezes há cerca de 10 anos: o falecimento de Luís Mateus. Nessa altura, a Ana Bravo, o Mário Dias, entre outros, organizaram um espectáculo com vários artistas em sua memória, no Coliseu dos Recreios. Foi arrepiante ouvir a “Marcha” de “Invasões Bárbaras” dos Gaiteiros de Lisboa. Espero que os seus colegas do Público, os amigos do Fórum Sons e as bandas que ele venerou, possam pôr de pé algo do género. Para ele e para a sua família.
Publicado por Luís Rei às 05:30 PM | Comentários (11)
fevereiro 02, 2005
Morreu Martyn Bennett...

... aos 33 anos. Vítima de cancro no sistema linfático. Uma notícia que me deixa bastante sensibilizado, uma vez que tive a oportunidade de o entrevistar em 97, para o programa "Terra Pura", na altura do lançamento do álbum "Bothy Culture". Conversa que me deixou impressionado pela simpatia e cultura geral deste canadiano que se mudou bastante cedo para a Escócia. A música tradicional de expressão gaélica perde um dos seus principais transgressores. Bennett era o homem do tecno folk, que juntava o som do seu violino e da sua gaita-de-foles (das terras altas) à música electrónica mais dançável. Se não ainda não conhecem a obra de Bennett, oiçam sem falta o álbum "Grit" de 2003.Disco que figurou nas lista dos melhores discos da zona europeia desse ano.
Publicado por Luís Rei às 03:19 AM | Comentários (1)
janeiro 09, 2004
Hukwe Zawose, tanzaniano, morre aos 65 anos
[1940-2004]
Ainda o ano mal começou e já fez desaparecer o autor de um dos meus álbuns preferidos da label de Peter Gabriel, A Real World: "Chibite". Um álbum tão espiritual quanto terreno onde está impresso não só toda a riqueza vocal polífonica de Hukwe Zawose.
Cantos da pastorícia de um antigo guardado de gado, acompanhado pela sonoridade hipnótica e minimalista da ilimba (lamelofone). Hukwe recentemente andou em digressão com Peter Gabriel e lançou um álbum de fusão e revisão do seu material à luz do experimentalismo ocidental, com o canadiano Michael Brook, homem da "infinite guitar".
Michael Brook: "Hukwe's voice and music always made me feel a sense of light, slightly giddy happiness. In person, his effect was similar, which makes his passing all the sadder. I'll miss his remarkable talent and humour, and feel honored to have known and worked with him."
Peter Gabriel: "I was devastated to hear of Hukwe's death. He was an extraordinary musician, singer and composer and made most of the most beautiful music we have ever put out on Real World Records."
Mais informação no World Music Central
Publicado por Luís Rei às 06:47 PM