setembro 27, 2004

O regreso de Ali Farka Touré

Ali Farka Touré tinha-se retirado dos grandes palcos europeus mas, em 2005, irá lançar um novo álbum de originais, que está neste momento a ser gravado na sua aldeia natal de Niafunké (à semelhança do que aconteceu com o seu último álbum "Niafunké" de 99). O músico-agricultor irá efectuar uma mini tournée de uma dezena de datas. Antes, a 15 de Novembro deste ano, vão ser reeditados dois álbuns históricos - "Red" e "Green" editados originalmente em vinilo em 1979 e 1988 e que se encontravam há mais de uma década descatalogados. Para quem vê em "Radio Mali" um dos melhores álbuns de Ali Farka Touré, pela magia do tom hipnótico dos blues minimalistas e telúricos, este é um duplo CD obrigatório.

Publicado por Luís Rei às 03:51 AM

setembro 14, 2004

Regresso de Martin Carthy a solo

Depois de recentemente ter sido editado a mais recente criação da família Waterson: Carthy, o patriarca Martin Carthy edita novo álbum a solo intitulado “Waiting For The Angels”, seis anos depois de “Signs of Life”. É um dos discos mais aguardados da “rentree”. Eliza Carthy que, há cerca de dois anos editou o seu melhor disco de sempre a solo – “Anglicana”, assegura a produção a meias com Bem Ivitsky.

Publicado por Luís Rei às 01:25 PM

julho 28, 2004

Waterson: Carthy - Que regresso?

Se há discos que nos deixam ansiosos enquanto não os adquirimos, o novo e quinto álbum da família “real” da folk britânica, Waterson: Carthy – “Fishes & Fine Yellow Sand” é, seguramente, aquele que mais me impele para lhe pôr as mãos em cima. Primeiro porque o anterior "A Dark Light" foi, seguramente, o melhor dos quatro registos gravados pelo colectivo. Segundo, para confirmar se Eliza Carthy que editou, no mesmo ano, o seu melhor álbum a solo – "Anglicana", ganhou realmente juízo. Terceiro, para ver qual a margem de progressão de Tim Van Eyken, o “melodeon player” que nos fez esquecer a má disposição do casal Carthy & Waterson do malfadado concerto do Teatro Camões. Quarto, porque o tema de 90% das canções seleccionadas descrevem gente que nasceu “under a Bad Sign”. O disco já saiu há algum tempo pela Topic Recors, mas só agora é distribuído em Portugal pela Megamúsica. Bem hajam.

Publicado por Luís Rei às 06:36 PM | Comentários (1)

junho 24, 2004

2004, o ano do regresso dos Planxty

Eles eram únicos. Mágicos. Nem os próprios Chieftains, apesar de terem gravado muito bons álbuns, lhes chegavam aos calcanhares. Em 2004 reuniram-se para efectuarem uma tournée de doze concertos. Para os amantes da folk irlandesa, é uma notícia que causa tanta água na boca, como a reunião dos Bauhaus, dos Velvet Underground ou dos Pixies, para os adeptos do rock inteligente, incisivo, obscuro, artístico e criativo (não, não digo alternativo).

Os Planxty influenciaram toda uma série de bandas da designada folk celta. Donal Lunny, Andy Irvine, Liam O’Flynn e Christy Moore podem já não voltar a tocar juntos, mas deixaram um documento em CD e DVD capaz de nos fazer passar uma noite à porta de uma loja de discos, para o adquirirmos em primeira mão. Além de 18 clássicos em 80 minutos de concerto, o DVD inclui ainda um documentário (de 26 minutos) e várias entrevistas (de 30 minutos), além de 3 faixas de bónus.

Não vejo a hora de carregar no play.

O alinhamento

1) The Starting Gate;
2) The Good Ship Kangeroo;
3) Little Musgrave;
4) The Clare Jig;
5) As Andy Roved Out;
6) Si Bheag Si Mhor;
7) As Christy Roved Out;
8) The Dark Slender Boy;
9) Arthur McBride;
10) The Blacksmith - Black Smithereens;
11) The Kildareman's Fancy;
12) The Cliffs of Dooneen;
13) True Love Knows No season;
14) The West Coast of Clare;
15) Raggle Taggle Gypsy;

Bonus Tracks:

16) My Heart Is Tonight In Ireland;
17) Only Our Rivers Run Free;
18) O'Dwyer of the Glen

a formação

Donal Lunny - Bouzouki, Guitars, Bodhran & Vocals
Andy Irvine - Vocals, Bouzouki, Mandolins & MandolaLiam O'Flynn - Uilleann Pipes & Whistles
Christy Moore - Vocals, Guitar, Bodhran & Keyboards

Publicado por Luís Rei às 05:50 PM | Comentários (1)

março 02, 2004

Cuba sobrevive a Bush e continua a legislar

O segundo disco a solo da cubana Omara Portuondo é editado daqui por dois meses. As Crónicas da Terra há muito que ouviram cinco temas em avanço. É o prenúncio para mais um "papa-prémios", à semelhança do que aconteceu com “Buenos Hermanos” do ilustre Ibrahim Ferrer que, no passado dia 20 de Fevereiro, comemorou o seu 77º aniversário.

Costuma-se dizer que “quem não tem cão caça com gato”. Impedido de voltar a colaborar com músicos cubanos, em virtude das restrições impostas pela administração norte-americana republicana relativamente à cooperação entre cidadãos americanos e naturais de países “hostis”, Ry Cooder há muito que é uma carta fora do baralho para a editora britânica World Circuit. Rei morto, rei posto. Nick Gold, o grande patrão da, talvez mais emblemática de músicas além “anglófilas”, coadjuvado pelo brasileiro Ali Siqueira (cujo curriculum vitae compreende créditos de produção em discos de Tribalistas, Caetano Veloso e Carlinhos Brown), tomou conta da produção. Facto que não é novidade para este visionário.

Menos etéreo, mais terra a terra, os cinco temas escutados apresentam uma cantora de registo elástico, versátil, doce e intimista na interpretação de vários estilos. Da nebulosa “santeria exótica” de travo africano, passado por serenas e límpidas guarijas e boleros mexicanos, até ao ritmado son de Santiago de Cuba, de onde é natural o avô que todos nós gostaríamos de ter: o mestre Ibrahim.

Sem duetos vocais, sem convidados especiais de grande envergadura, o universo gira à volta de Omara. Este disco é a prova definitiva da sua maturidade como intérprete. Chamem-lhe diva cubana, por favor. Mas como não há grande artista sem um exímio “alfaiate”, os pormenores de produção amplificam toda a beleza que emana destes clássicos revisitados que soam a seda: a guitarra eléctrica de Manuel Galban a recuperar ambientes dos anos 50 / 60, quando este se encontrava à frente dos Los Zafiros e que Marc Ribot muito bem resgatou com os seus Cubanos Postizos; a doçura acústica da guitarra de sete cordas do brasileiro Swami Jr e do tres de Papi Oviedo; a gestão das orquestrações de cordas e dos clarinetes que surgem nos sítios certos, a espaços. E nem é preciso Orlando “Cachaito” Lopez puxar dos galões de inventivo contra-baixista, passando pela parte do disco que se encontra disponível, o mais discreto possível. Cuba sobrevive a Bush e continua a legislar.

Publicado por Luís Rei às 06:27 PM | Comentários (1)

agosto 07, 2003

OS TEMAS DE ‘OUMOU’ (2):

OS TEMAS DE ‘OUMOU’ (2): ‘DUGU KAMALEMBA’ (THE WOMANISER; THE SKIRT-CHASER)

This is a song about polygamy. Often the men who take than one wife are the womanisers. They try to seduce anything in a skirt. This was my first real open criticism of polygamy.

Oh the youth of Mali, Oumou Sangare is greeting you. Listen hard to what I have to say, be careful of the skirt chaser, they’ll marry you with all the sweet words of the world.
In Mali, the first wife is usually chosen from within the extended family. So he’ll say to her, the first wife, you are my sister! Even if I marry a second wife, you’re the best because we’re equal, we’re of the same blood. Then he brings a second wife into the home, and he says to her, you’re my favourite, why? You will make me beautiful children. The first onewas given to me by my family, but you are my own choice. The he marries a third wife, and to this new one he says, you are the lucky one in this household. So now there are three wives ar home. The he marries a fourth, and to her he says, you are the very last, and the best. The others are old now, you’re the youngest, that’s it, now I will never marry again! Of course this is true, since he can only have four wives by Muslim law. So this fourth one thinks she’s the best. Then all four wives bicker with each other. The womaniser always has fights at home among the wives.

Publicado por Luís Rei às 03:03 AM

OS TEMAS DE ‘OUMOU’ (1):

‘MAGNOUMAKO (AGONY)

Magnoumako means extreme suffering, agony. I wrote this song about my mother. About how she wept, how she was marginalized by society, how she was ignored, how she struggled. How can African woman hear this song without crying?
Women pass their entire lives suffering, they become pregnant in suffering, give birth in suffering, the child crawls in suffering, the mother suffers the upbringing of the child all on her own, then the child turns into a well-brought up adult, the mother is told to stay out of the child’s affairs, not to interfere with this marriage. Any money he earns goes straight the father not the mother. If she wants even a penny of it, she has to beg her husband. She has done everything for this child, but all the rewards and honour go to the father.
My mother was her own, struggling to make ends met, to bring us up well. Her tears were always running. There were six of us in one room. Sometimes at night she would look at us, and she’d begin to weep, because she had no means to feed us the next day… This is what I describe in the song. Then I address all the women of Africa, I say, you tighten your belt, you endure the pain, you become lost in dark thoughts, but hold on with both hands, because one day, there will be light in your life.
My mother can’t listen to this song, if it’s playing on the radio she says, OK turn it off now!! That’s enough!!! (Oumou Sangare entrevistada por Lucy Duran)

Publicado por Luís Rei às 02:44 AM

OUMOU SANGARE: A 'CANTORA-PÁSSARO' VOA


Oumou Sangare vai editar um novo disco no próximo dia 29 de Setembro, intitulado ‘Oumou’. Uma retrospectiva em duplo CD que contém doze dos melhores temas dos três álbuns editados pela World Circuit (‘Ko Sira’, ‘Moussoulou’ e ‘Worotan’) e mais oito temas inéditos. É uma verdadeira alegria ouvir de novo os pássaros a cantar.

O RETRATO. Oumou Sangare é a principal figura do wassolou, região do sul do Mali que significa também um estilo musical próprio e distinto do universo dos Griots.
As mais notáveis vozes do Wassoulou como Sangare ou mesmo Nahawa Dumbia, não nasceram em berço de artistas. São cantoras por opção própria e demarcam-se dos músicos profissionais da corte (os Griots) ao aprofundar problemas sociais próprios de uma sociedade islâmica.
Oumou Sangaré e todas as outras cantoras wassoulou são vulgarmente apelidadas de cantoras-pássaro. Na região do wassoulou acredita-se que certos pássaros podem comunicar a sua visão do mundo aos humanos. E Oumou Sangaré tem feito um trabalho notável nesse sentido, tendo sido recentemente distinguida pela UNESCO com um prémio musical.
Oumou Sangaré é um verdadeiro fenómeno no Mali. Uma artista de garra que fala ao ouvido dos homens aquilo que nenhuma outra mulher havia feito antes. Através da música, ela tem uma acção social preponderante, lutando pelos direitos civis das mulheres.
Poligamia, arranjo de casamentos, compra de noivas e excisão são alguns dos assuntos tabu abordados por Sangare nas suas canções. A cantora que admira a sociedade ocidental pelo facto de as mulheres poderem tomar decisões próprias e terem acesso à educação, não limita a sua acção social à música. Oumou Sangare já não gravava um disco há mais de sete anos, porque tem tido um papel activo na redes de trabalho com mulheres do Mali, auxiliando-as, por exemplo, a entrar no mundo empresarial.
Sobre a possibilidade de Oumou Sangare ser confrontada com o exílio, pelo facto de a sua acção ser demasiado progressista para uma sociedade islâmica, a cantora expressa-se através de uma parábola. Afirma que na língua nativa da tribo Fula, a palavra Mali significa hipopótamo. Segundo a cantora, este mamífero pode sair da água e partir em busca de comida, mas regressa sempre ao seu habitat.

Publicado por Luís Rei às 02:20 AM | Comentários (1)