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outubro 29, 2005

Terra Pura - emissão nº2 - 29OUT05

Terra Pura - emissão nº2
29 OUT 05 (18h/20h)
repete 31 OUT 05 (10h/12h)

Para escutar na RIIST.

1ª hora


Manuel Luna

Nesta emissão da Terra Pura, matamos saudades do projecto Vai de Roda de Tentúgal, com passagem pelo primeiro (“Vai de Roda”) e último álbum (“Polas Ondas”). A banda do Porto convida Uxia para cantar em “Roupa do Marinheiro”. A galega, que é uma verdadeira amante dos portugueses e da nossa música, ainda recentemente subiu ao palco do Auditório Eunice Múñoz para homenagear as Cramol e participou também no espectáculo de Zeca Medeiros nos Recreios da Amadora, onde foi entregue, ao açoriano, o prémio José Afonso de 2004, pelo álbum “Torna Viagem”. Zeca Medeiros convida Carlos Medeiros (voz) e Tentúgal (berimbau, percussão e sanfona) para participar em “Atafona”. Carlos Medeiros prossegue a marcha, ainda nos Açores, com o clássico da Ilha Terceira, “Caracol”. Antes de irmos à Cantábria, breve passagem por Terras de Miranda. Os Galandum Galundaina estão a cantar de forma exemplar.
Manuel Luna, verdadeiro senhor da folk oriunda de Espanha, editou em 1988 um álbum revolucionário intitulado “Los Gallos de Londres”. Em 2004, etiqueta espanhola Resistência lembra-se de remasterizar e editar em CD um registo que só havia sido lançado em vinilo. Dá-lhe um novo nome: “Papelaria Rocio”. Os galos londrinos sobreviveram à gripe das aves e esse disco, assaz inovador para uma época estéril em catalogações e fusões, parece ter sido gravado há bem pouco tempo. No final da primeira hora, regresso ao Alentejo num enorme terraço com vista para o Norte de África, com Janita Salomé e a Ronda dos Quatro Caminhos.

Vai de Roda – Minha Roda está Parada / Quadrilha Mandada
Vai de Roda – Rosa das Rosas
Vai de Roda com Uxia – Roupa do Marinheiro
Zeca Medeiros – Atafona
Carlos Medeiros – Caracol
Galandum Galundaina – Redondo
Manuel Luna – Papelaria Rocio
Manuel Luna – Los Gallos de Londres
Manuel Luna – El Rabel de Pedro Madrid
Eliseo Parra – La Rama
Janita Salomé / Vozes do Sul – Extravagante / Cantar ao Sol
Ronda dos Quatro Caminhos + Amina Alaoui – Águia


2ª hora


Abbdullah Chhadeh e Andrew Cronshaw

Andrew Cronshaw é um músico completo. E um crítico musical também. Na Folk Roots, todos os textos sobre discos oriundos do norte da Europa, dos países do Báltico e da Península Ibérica, levam comummente a sua assinatura.
Os seus discos recriam a tradição inglesa à sua própria imagem, bucólica e intimista. A sua música reflecte uma natureza agressiva e bela que nos convida a apreciarmos as folhas de Outono que esvoaçam e os pingos de água que caem das estalactites.
Destaque para os dois últimos discos de Cronshaw: “Ochre”, de 2004, que conta um notável naipe de músicos convidados de onde se destaca a voz de Natacha Atlas, o alaúde e o qanun do sírio Abbullah Chhadeh e a lira do grego Mattahaios Tshourides; e “On The Shoulders of Great Bear”, que recria o universo da folk nórdica (Finândia, Estónia e Ingria), que reúne outro naipe considerável de músicos finlandeses (Heikki Leitinen, Hannu Saha, Jenny Wilhelms, Minna Raskinen, Kimmo Sarja).
Aproveitamos a viagem para nos fixamos no norte da Europa, com os noruegueses Utla (projecto do improvisador Karl Seglem), os suecos Lystra (de Simon Stålpets que actuou há bem pouco tempo em Portugal com Sérgio Crisóstomo, Luís Peixoto e Celina Piedade), (o génio) Ale Möller e Groupa. Voltamos à Finlândia para recordarmos mais outra antiga aluna de Leitinen. É Anna Kaisa-Liedes que fez parte de um notável colectivo de folk improvisada: Niekku.
Recta final com a diva britânica June Tabor, que estará presente no Sons em Trânsito, acompanhada na guitarra por Martin Simpson. O fecho com este notável executante de slide guitar, agora a pegar no banjo, para tocar a balada “House Carpinter” (também conhecida por “Demon Lover”), celebrizada pelo americano Clarence Ashley. Foi pena não termos tido tempo para escutar, de novo, a “House Carpinter” pela Handsome Family registada na Big Session da Oyster Band. Fica para a próxima.

Andrew Cronshaw / Natacha Atlas / Abbdullah Chhadeh / Mattahaios Tshourides – Sofia, The Saracen’s Daughter
Andrew Cronshaw / Jenny Wilhelms (Gjallarhorn) – Many Are The Cries and Shrieks of Woe
Andrew Cronshaw – The Shores of Turkey
Andrew Cronshaw / Heikki Leitinen – From the Shoulders of the Great Bear (Otavaisen Olkapäältä)
Utla (Karl Seglem) – Brodd
Lystra – Å Flickan Går I Ringen
Groupa – Vals Pä Sne
Anna-Kaisa Liedes & Utua – Usan Miun Vivien
Andrew Cronshaw – Lucy Wan
June Tabor – The Duke of The Athole’s Nurse
Martin Simpson – House Carpinter

Publicado por Luís Rei às 05:05 PM | Comentários (3)

outubro 22, 2005

Terra Pura - emissão nº1 - 22OUT05

Terra Pura - emissão nº1
22 OUT 05 (18h/20h)
repete 25 OUT 05 (10h/12h)

Para escutar na RIIST.

1ª hora:

Marlui Miranda - Tchori Tchori
Renata Rosa - Zunido da Mata
Comadre Florzinha - Grande Poder
Mawaca - Allundé Alluya
Segue-me à Capela - Alvíssaras
Moçoilas - Já Cá Vai Roubado
Música Tradicional / Vol 6: Terra De Miranda - Ana Balbina
Banda do Casaco com Ti Chitas - Nossa Sinhora d'Azenha
Amélia Muge - Nª Srª da Azenha
Chuchurumel - Maragato
Danças Ocultas - Esse Olhar (no fole)
Chango Spasiuk - El Boyero
Renato Borghetti - Redomona
Kepa Junkera - Bok-Espok
Alboka - Trixikoana

2ª hora:

Mu - Valsa do Mathias
Motion Trio - Train To Heaven
Richard Galliano - Improvisation sur le theme "Libertango"
Lars Hollmer - Karusell Musik / Ufflykt Med Dancykel
Accordion Tribe - 3/4 Suite
Tulikulkku - Mikonkatu Live: Suomussalmy Ryhmä (com Kimmo Pohjonen e Heikki Leitinen)
Ottopasuuna - Haulintu
KTU - Optikus
Kimmo Phjonen + Eric Echampard - Onde Blonde
Motion Trio - Pageant

Publicado por Luís Rei às 06:00 PM | Comentários (7)

outubro 21, 2005

[entrevista]Chango Spasiuk: voar no fole

Pôs o chamamé nas bocas do mundo. Depois de um espectáculo único no Porto, regressa a Portugal para participar no II Festival Internacional de Acordeão de Torres Vedras. Chango Spasiuk abre o evento no próximo dia 4 de Novembro.

Nem só de tango é pintada da tradição argentina. Há vida no domínio do fole para além do Mestre Piazzolla. Chango Spasiuk é, a par de Raul Barboza, um dos expoentes máximos do chamamé, a tradição rural que anima os bailes das regiões do norte da Argentina de Corrientes e Missiones. "Amigo íntimo" do vanerão, rancheira e milonga do Sul do Brasil.

Chango é acordonista há cerca de 20 anos. Já editou mais de meia-dúzia de álbuns na Argentina. Mas a Europa só o conhece há cerca de um ano, por via do primeiro lançamento internacional, "Tarafero de Mis Pagos", editado pela etiqueta alemã Piranha, que lhe valeu o prémio revelação dos "World Music Awards" da BBC Radio 3.

- O álbum "Tarefero de Mis Pagos", editado pela editora alemã Piranha, é o seu sétimo disco. Foi devido a este trabalho que a BBC lhe atribuiu o Prémio "newcomer". Não acha exagerado atribuírem um prémio revelação a quem já editou sete discos e a quem já tem mais de 20 anos de carreira?

- Creio que a BBC premiou-me não apenas por este disco, mas por uma série de situações que revelam a minha música e a minha proposta.
Tenho vinte anos de carreira, a história do chamamé é grande e profunda, mas sou novo nesse circuito europeu das músicas do mundo.

- O que é a conquista de um prémio desta natureza representa em termos de carreira musical? Mais concertos? Maior notoriedade?

- Mais uma oportunidade de alguém que nunca teve contacto com o chamamé prestar atenção a esta música e que a sinta como nova.

- O tango e o bandoneon de Astor Piazzolla são conhecidos em todo o mundo. O chamamé só agora se está a notabilizar por via do seu trabalho. Muito poucos são aqueles que conhecem a obra de Raúl Barboza. A que se deve esta sobre-exposição do tango e a ignorância quase total que os europeus têm do chamamé?

- Bom, historicamente o tango teve um desenvolvimento muito grande, durante todo o Século XX. Desenvolveram-se as orquestras, a dança, o cinema… no topo de todo este desenvolvimento, encontra-se Piazzola que, penso, esgotou todas as novas possibilidades estéticas desta música.
Toda a nossa música folclórica não tenha tido um desenvolvimento colectivo com essas características. Somente figuras individuais como Mercedes Sosa e Dino Saluzzi. Quanto à ignorância que existe na Europa relativamente ao chamamé, garanto-lhe que é uma questão de tempo. Talvez nunca chegue a ser uma música de massas. Na própria Argentina, existe um grande desconhecimento de todo este universo do qual se escuta apenas uma parte.

- Será que a pouca divulgação do chamamé tem a ver com o facto de este género musical ter sido desprezado pela gente dos grandes centros urbanos dado tratar-se de música rural e de indígenas (dos Mbya-Guaranis)?

- Pode ser.

- No chamamé que interpreta há semelhanças muito próximas com o tex-mex que o Flaco Jimenez toca, e com algum forró do nordeste brasileiro. A raiz é europeia, ambas são músicas rurais e de animação de bailes. O que é que as distingue?

- São músicas rurais, mestiças e que se dançam. O que têm em comum é o acordeão, desde o de botões ao de piano. Mas no chamamé há mais elementos africanos nos ritmos 6/8 e 3/4. Também convivem juntamente a alegria e a melancolia sem estarem separadas. Digo sempre que o chamamé é uma música desgarradamente alegre. Isto faz com que seja uma música menos linear.

- Há quem diga que consegue pintar a terra vermelha e toda a vegetação de Corrientes com o seu acordeão. Será que a sua música é o reflexo do meio-ambiente de onde é proveniente?

É impossível que uma só pessoa, um só acordeão, possam expressar todo um universo que compreende Missiones, Corrientes, Entre Rios, Chaço, Santa Fé, Formosa, Sul do Brasil e parte do Paraguai. Tão pouco, quero crer que sou o seu representante. Simplesmente, este mundo onde nasci e onde me criei, encontra-se dentro de mim e reflecte-se na minha música. Às vezes subtilmente, às vezes descaradamente.

- "Tareferos de Mis Pagos" é um álbum que, além de revelar toda a alma do chamamé e intensidade com nos transmite os cheiros, o calor e a humidade de Corrientes, procura inovar um estilo musical rural. Quando é que sentiu necessidade de dar arranjos mais sofisticados à música que sempre interpretou?

Foi uma busca pessoal e de caminhos paralelos. Num dos caminhos, sou uma ferramenta que cumpre uma etapa da história do chamamé, no outro tomo essa linguagem para expressar-me e ir atrás de necessidades pessoais e artísticas, que às vezes necessitam de arranjos complexos. Outras vezes de um desenvolvimento que se quer simples. Para mim, não há conflito entre tradição e vanguarda.

- Agora que tem uma carreira internacional mais intensa, o que é que mudou na direcção musical dos seus concertos para audiências internacionais?

- Nada mudou. O repertório e a formação continuam os mesmos: além do meu acordeão, há duas guitarras, dois cajons e percussão, um violino e um bandoneon. Estou mais atento e assumo com mais responsabilidade a oportunidade de mostrar esta música e de estar à altura das palavras de Atahualpa Yupanqui quando nos diz: “el arte es uma antorcha que usan los pueblos para ver la bellesa en el camino”.

- Vê-se num futuro próximo a participar num projecto multinacional e avant-garde, como por exemplo algo próximo de Accordion Tribe? Era capaz de aliar o seu acordeão com a electrónica, à semelhança do que o finlandês Kimmo Pohjonen tem feito nestes últimos anos?

- Estou sempre aberto a muitas coisas. Associa-se sempre vanguarda a algo de complexo e confuso. Para mim, vanguarda é poder fazer algo de construtivo para os que me rodeiam. Procurar algo que nos alimente e que seja intemporal. Como disse Kadinsky, “la obra que en el futuro en vês de decir yo fui… seguirá diciendo yo soy”.

Publicado por Luís Rei às 06:11 PM | Comentários (1)

DISCOGRAFIA ESSENCIAL (21): MAHMOUD AHMED - ERÈ MÈLA MÈLA

O Etíope Mahmoud Ahmed vai ao Sons em Trânsito. A avaliar pelo seu concerto do WOMAD de Reading deste ano, prevê-se uma noite memorável. Recupero um texto do Cláudio Pedrosa sobre uma pedra basilar em qualquer discografia essencial de artistas oriundos do continente africano.


Para muita gente, a Etiópia e a Eritreia apenas evocam a brutalidade do regime Mengistu e as imagens dilacerantes de seres humanos subnutridos que encheram ecrãs de televisão durante a década de 80. No entanto, durante os anos 60 e até meados da década de 70, a principal metrópole da antiga colónia italiana, Addis Ababa, assistiu à erupção de formas musicais que combinavam a tradição etíope com instrumentos ocidentais perfumando o ar nocturno da capital com sons tão singulares quanto fascinantes. Ao longos dos últimos anos, e coincidindo com a maior abertura política, Francis Falceto, um apaixonado pela Etiópia e pelas suas músicas, tem conduzido o trabalho exemplar e verdadeiramente abençoado de resgatar do esquecimento as gravações desta época de ouro e dos seus heróis desconhecidos, Mahmoud Ahmed, Muluqen Mellesse, Tlahoun Gessesse, a Ibex Band ou a Roha Band.

Editados em CD pela Buda Musique, os volumes da série Ethiopiques compilam as poucas dezenas de álbuns e centenas de singles editados entre 1969 e 1978 e prensados em lugares tão improváveis como Índia, Quénia, Líbano ou Itália. A jóia da coroa, Era Mela Mela, do superlativo Mahmoud Ahmed (vol. 7 da série Ethiopiques), sempre circulou como um segredo bem guardado. Nos anos 80 teve mesmo direito a uma oportuna edição em CD (extraída directamente do vinil) pela divisão da Crammed dedicada ás músicas do mundo.

Mahmoud Ahmed não esgota a diversidade da música etíope e da Eritreia mas é, indiscutivelmente, o seu expoente máximo: a “alma” de Addis, o mestre do “eskeusta” – um arrepio de êxtase sobre os ombros etíopes que atrai a pista de dança. Ere Mela Mela, gravado em Addis Ababa entre 1975 e 1978, com a Ibex Band, é um disco prodigioso que deixa o ouvinte sufocado entre o desejo irreprimível de obedecer ao groove sinuoso e o suspense conferido pelo dramatismo e intensidade da voz de Mahmoud Ahmed. O resultado pode ser comparado a um híbrido febril de James Brown e de Nusrat Fateh Ali Khan, ambos mesmerizados por uma diabólica orquestra de sopros, possuídos por saxofones e ritmos sinistros que desfiam melodias através da famosa escala de cinco notas longamente intervaladas que conferem um carácter impreciso à música.

Ere Mela Mela representa, afinal, soul music assimilada à tradição musical etíope. E pouco interessa o que Mahmoud Ahmed canta a partir do momento em que a sua voz se instala como um poderoso condutor de emoções. A libertação catártica de fantasmas é uma linguagem universal.

Num registo mais pessoal, Ere Mela Mela abriu de par em par a minha paixão pela música do mundo que, antes, estava apenas entreaberta por aperitivos como Buena Vista Social Club e Desert Blues. Mais do que combinar coordenadas mais ou menos familiares, a audição desta música era, de facto, uma viagem (no tempo e espaço) a um lugar irreconhecível e inverosímil: Addis Ababa, década de 70, entre noites passadas em bares fumarentos e misteriosos numa África soturna e inesperada. Apetece regressar vezes sem conta. (Cláudio Pedrosa)

Publicado por Luís Rei às 06:05 PM

Foles endiabrados na próxima emissão da Terra Pura

A emissão número 1 da Terra Pura que será emitida amanhã na RIIST, a partir das 18h, fará uma especial incursão pelo universo dos foles. Abordará o passado e o presente dos múltiplos projectos do finlandês Kimmo Pohjonen, que se encontra neste momento em digressão no nosso país. Regressamos às Danças Ocultas que, além de efectuarem um espectáculo especial no Sons em Trânsito descocam-se antes (dia 24 de Outubro) a Castelo Branco para participar na 58ª Coupe Mondiale (competição mundial de acordeão). Haverá ainda tempo para escutarmos o argentino Chango Spasiuk, o francês Richard Galliano, os polacos Motion Trio e os portugueses Chuchurumel que se apresentam, entre os dias 4 e 11 de Novembro em Torres Vedras, no II Festival Internacional de Acordeão.


Publicado por Luís Rei às 01:50 PM | Comentários (0)

outubro 20, 2005

O Fogo e o Gelo #1: O Porto está menos seguro

Rúbrica de opinião com o melhor e o pior da semana.

Gelo: Fim do "Porto Seguro" na Rádio Nova

Durante a década de 90, o Porto foi, provavelmente, a Meca da folk (de inspiração europeia) em Portugal. A Invicta de há 15 ou 20 anos foi, provavelmente, a Braga da Música Moderna Portuguesa dos idos oitentas. Mas, enquanto a cidade dos arcebispos parecia confinada a ninho de interessantes projectos que, para se afirmarem, tinham necessariamente de vir a Lisboa tocar (nos concursos do RRV, de preferência), para se mostrarem à imprensa que se concentrava na capital, o Porto foi (e é) muito mais do que isso. Foi na cidade da foz do Douro que surgiram alguns dos mais interessantes projectos folk nacionais (com mais ou menos influenciados pelas Ilhas Britânicas e resto da Europa), como Vai de Roda, Toque de Caixa, Comvinha Tradicional e, até mesmo o projecto de covers irlandeses JIG, e continuam a nascer novos colectivos de grande valor, como Mandrágora, Mu, Roldana Folk (apesar dos altos e baixos) e, porque não, Galandum Galundaina. Apesar de serem de terras de Miranda, alguns dos seus elementos viveram e formaram-se no Porto. É para esta cidade que se muda um açoriano (Emiliano Toste) que, com o seu estúdio e a sua editora (Açor), tem feito um trabalho notável em termos de gravação e edição de novos projectos musicais. É nesta cidade que nasce um Festival que levou durante muitos anos a imprensa da capital a deslocar-se em massa para cobrir o mítico Intercéltico (o genuíno). Enquanto isso, o Folk Tejo de Lisboa nunca conseguiu impor-se.

É nesta cidade que surge a distribuidora – Mundo da Canção - que melhor trabalhou a folk das ilhas britânicas e nos abriu os olhos para a fertilidade das terras escandinavas e eslavas. É nesta cidade que vivem alguns dos mais entusiastas divulgadores destas músicas como Avelino Tavares, Mário Correia e Carlos Feixa, que se lançaram na imprensa escrita (desde os primórdios da Memória de Elefante) e na rádio, com o Eurofonias e o Outras Músicas.

Tudo isto para dizer que, nestes últimos anos, a Invicta sempre esteve bem servida ao nível da divulgação musical, sobretudo no meio rádio, por via dos textos e da selecção musical do Mário e do Carlos, na Rádio Nova. Mas, a partir de Março de 2003, entra em acção a direcção comandada a partir da “capital do império” (conforme Júlio Machado Vaz) lhe chama. A alergia desta para com a diversidade e os programas de autor faz com que o “Outras Músicas” consiga (mesmo assim) sobreviver num outro formato de rubrica de 5 a 10 minutos aos fins-de-semana (duas vezes ao Sábado, duas vezes ao Domingo).

Por que não faz sentido encontrarmos uma pequenina árvore num terreno seco, sem vegetação, o melhor é mesmo “cortar-se o mal pela raiz”. Conforme o Carlos Feixa nos conta, “ por razões que se prendem com a nova grelha de programação, acaba aqui o Porto Seguro”. A rubrica despede-se com “Todo cambia” de Mercedes Sosa. Como somos pessoas cheias de esperança, vamos pacientemente esperar que o tal “sistema global” possa “cambiar”. E ainda há quem se lamente com o facto de a Terra Pura fugirar na grelha de uma rádio de “grandes audiências”. Felizmente, o nosso “corazón” tão “libre” como o da diva argentina que se encontra gravemente doente.

Fogo: Noites folk no Contagiarte

[continua]

Publicado por Luís Rei às 01:03 PM | Comentários (2)

outubro 15, 2005

Terra Pura - emissão nº0 - 15 OUT 05

Terra Pura - emissão zero
15 OUT 05 (18h/20h)
repete 17 OUT 05 (10h/12h)

Para escutar na RIIST.

1ª hora:

Danças Ocultas - Folia
Danças Ocultas - Dança II
Zeca Medeiros - Casca de Banana
Emiliano Toste - Fofa
Eliseo Parra - Que Me Lo Llevan
Taqtequete - Pàjarus
Eliseo Parra - Galandum
Galandum Galundaina - Dona Tresa
Roldana Folk - Cirigoça
Realejo - Õ lô Ô lô
Dazkarieh - Senhora da Azenha
Mandrágora - E Pia O Mocho
Mu - Nupcial Croata
Monte Lunai -

1ª hora disponível para download

2ª hora:

Mad Sheeer Khan - Stone Free (Jimi Hendrix)
Albert Kuvezin - When The Levee Breaks (Led Zeppelin)
Kronos Quartet + Asha Bhole - Koi Arya Aane...
Culture Musical CLub - Mpunge
Kokanko Sato - Woman Feku
Kélétigui Djabaté - Djarabi
Kimi Djabaté - Mbafola
Kimi Djabaté - Terike
Cheikh Lô - Sénégal - Brésil
Cordel do Fogo Encantado - Tempestade
Emmanuel Jal + Abdel Gadir Salim - Nyambol
Lo'Jo - Dans La Pousseière du Temps

2ª hora disponível para download

Publicado por Luís Rei às 04:35 PM | Comentários (11)

outubro 13, 2005

Chango Spasiuk e Richard Galliano no II Festival Internacional de Acordeão

O mestre argentino do fole e do chamamé, Chango Spasiuk, abre o II Festival Internacional de Acordeão de Torres Vedras, que decorrerá entre os dias 4 e 11 de Novembro no Teatro Cine desta localidade. No dia 6, Celina Piedade que vemos habitualmente acompanhar Rodrigo Leão, Uxu Kalhus, Pula-lhe-o-Pé, Cravo e Ferradura, entre outros projectos, apresenta-se em nome individual. No dia 9, dividem o palco do Teatro Cine os polacos Motion Trio e Julieta Silva integra o projecto Chuchurumel. A fechar (dia 11), mais um nome de peso: Richard Galliano que se apresenta com Michel Portal.

Publicado por Luís Rei às 05:21 PM | Comentários (2)

outubro 12, 2005

Uxu Kalhus regressam à Ribeira

Enquanto o álbum de estreia não sai, contentem-se com mais uma actuação ao vivo dos Uxu Kalhus no Mercado da Ribeira, esta sexta-feira, 14 de Outubro. Oportunidade para ouvirem o D'artacão, "I Will Survive", "Gasolina" e "Starway To Heaven" colados a um vira dub ou a um malhão hard'n'heavy. Mais uma longa noite que, além de prometer casa cheia e actividade pela noite dentro (menos de 3 horas de espetáculo será impossível), vai acabar com os barris de cerveja (para alegria do Kim).

Publicado por Luís Rei às 06:01 AM | Comentários (0)

outubro 10, 2005

Estocolmo é já ali

Ainda me recordo do enfado que foi (para os dançarinos) o baile na Ribeira (que ocorreu o ano passado) com a dupla Simon Stålspets (mandola) e Sérgio Crisóstomo (violino). Assim que ouviam falar em “polskas”, bufavam, punham um ar de criança desesperada porque a mãe estava a obrigá-lo(a) a comer a sopa. A aceitação da famosa dança sueca é agora outra. Os Fomp, num espectáculo memorável, deram a volta a todos aqueles que se deslocaram ao Entrudanças em Entradas (Castro Verde). “And the next tune is a”, diziam os FOMP; - “POLSKAAAAA!!!”, diziam alto e em bom som os convivas que usavam o nome da dança como cântico de futebol, de forma a não deixar a banda sueca descansar.

Simon regressa a Portugal para mais duas actuações no espaço Sete às Nove do CCB. A primeira – hoje – mais clássica, com o Quarteto Svindel. A segunda – amanhã – com o Stockholm Lisboa Trio que, como o próprio nome indica, ganhou um novo elemento relativamente ao duo que se apresentou o ano passado. À mandola de Simon e ao violino de Sérgio, acresce o bandolim de Luís Peixoto (músico dos Dazkarieh).

Publicado por Luís Rei às 02:00 PM | Comentários (0)

o regresso da "Terra Pura", 10 anos depois da primeira emissão

O programa "Terra Pura" que emitiu aos domingos de manhã na XFM, entre 1995 e 1997, vai ser reactivado na rádio on-line do Técnico (sábados, 18h / 20h, com repetição às segundas-feiras, 10h / 12h) e numa rádio local do Algarve (Rádio Clube de Alcoutim, domingos 22h24h), com possibilidade de se estender a outras rádios de outros distritos.

O programa será repartido em duas partes: a primeira de divulgação de música dos países lusófonos e hispânicos (Portugal, Brasil, Cabo verde, Angola, Moçambique, Espanha e Resto da América Latina); a segunda referente ao resto do mundo (Europa do Norte e de Leste, Médio Oriente e toda a Ásia, África, América do Norte, Oceania).

Espero ir colocando as gravações dos programas ali na coluna da direita, onde se encontra a emissão experimental dedicada à música do Mali.

Publicado por Luís Rei às 01:59 AM | Comentários (6)

outubro 05, 2005

O novo álbum dos Gaiteiros de Lisboa


Os Gaiteiros de Lisboa estiveram durante a semana passada, na Escola Superior de Comunicação Social, a gravar novo álbum. O sucessor de “Macaréu”, apresenta mais um compositor, Paulo Marinho, que se junta ao lote dos três habituais: José Manuel David, Carlos Guerreiro e José Salgueiro.

Mafalda Arnauth, que canta um fado com letra de Flobela Espanca, “Os Versos Que Te Fiz”, Manuel Rocha que toca violino no tradicional açoriano “Chamarrita” e em “Capa Chilrada” e o clarinetista italiano Fausto Córneo, são os convidados apresentados no futuro disco dos Gaiteiros de Lisboa. De fora ficou Vasco Casais cuja nickelharpa (instrumento internacionalmente conhecido através de Olof Johansson dos Väsen) foi substituída pelo violino do músico da Brigada Victor Jara (e acompanhante de Zeca Medeiros) numa das composições de Carlos Guerreiro, “Capa Chilrada”.

Neste disco, haverá como já vem sendo hábito, temas escritos por Amélia Muge: “É O Fim Da Picada” e “Nem Fraco Nem Forte”; composições próprias com destaque para um tema de percussão de aproximação tímbrica e sonora ao Japão; e a re-intrepretação da tradição portuguesa com “llaços” mirandeses e canções no nosso cancioneiro: “Se Fores ao Mar” e Freiras de Santa Clara”.

O disco deverá sair em edição de autor, em Março de 2006.

As Crónicas da Terra e a Retorta (sítio onde poderá encontrar mais fotos da sessão) assistiram às gravações.


Publicado por Luís Rei às 08:24 PM | Comentários (0)

outubro 03, 2005

Ana Sousa Dias entrevista Ali "Farka" Toure


Ali Farka Toure fotografado pelo Mário no Africa Festival

É já daqui a pouco, por volta das 23h30, que teremos oportunidade de assistir à única entrevista que o maliano Ali "Farka" Touré concedeu aos média portugueses. A eleita foi Ana Sousa Dias que dá a conhecer a maior lenda viva da música africana no seu habitual programa de entrevistas, "Por Outro Lado", na 2:.

Deixo-vos a sinopse que se pode ler no site da RTP: "Ali Farka Touré, o músico mais conhecido do Mali considera-se, principalmente, um agricultor e criador de gado e por isso o preocupou a seca que observou nos campos portugueses, que sobrevoou à chegada a Lisboa. Nesta entrevista, Ali Farka Touré, sempre com o chapéu de cowboy que a agente americana lhe ofereceu, fala das colheitas, dos espíritos do rio Niger, de hipopótamos. Mas fala também da religião islâmica, das viagens e da música - a dele próprio e a de John Lee Hooker ou Ray Charles. Eleito há seis meses presidente da câmara de Niafunké, onde vive, Ali Farka Touré, que frequentou apenas a escola corânica, conta como já construiu seis escolas, vários centros de saúde e um sistema de irrigação para transformar os campos da sua região, permitindo que pela primeira vez as pessoas possam comer saladas e outros vegetais."

Publicado por Luís Rei às 10:01 PM | Comentários (4)