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agosto 02, 2005
FMM de Sines #1 - Terra de Descobertas

Noite de Sábado no Interior do Castelo de Sines | © FMM/António Melão 2005
Nunca um slogan turístico traduziu tão bem a realidade de uma pequena cidade do litoral alentejano que tem só 642 anos de história e é só a cidade-berço de Vasco da Gama. Sines é, de facto, uma “Terra de Descobertas”. Há mais de quinhentos anos, dali partiram navegadores que tornaram África e Ásia bem mais perto da Europa. De há sete anos a esta parte, continuam a traçar-se rotas que têm desbravado mares, montanhas e estepes longínquas. Se há pormenor que caracterize o FMM de Sines, talvez o maior seja a capacidade que a programação tem de surpreender pela positiva a maior parte daqueles que vão à descoberta de sonoridades desconhecidas. Ao falarmos com boa parte da assistência que desconhece as terminologias “folk”, “world music”, “músicas do mundo” e os seus protagonistas, facilmente percebemos que a grande maioria diz ter visto bons concertos, apesar de não conhecer a maior parte dos projectos em cartaz.

Palco da Avenida da Praia às 4h da manhã | © FMM/António Melão 2005
Não é da boca para fora que pessoas como Álvaro Costa consideram o FMM de Sines como o melhor festival de música em Portugal (que vai da folk / world ao pop / rock). Senão vejamos:
- O FMM de Sines deixou, há muito tempo, de ser um festival restrito ao público das músicas tradicionais, para se tornar num ponto de peregrinação obrigatória dos principais festivais de verão;
- Mescla com mestria artistas da tradição com uma abordagem jazzística, experimental ou roqueira e artistas provenientes do art rock e do jazz que dão novas tonalidades às músicas locais, o que faz com que haja uma convergência saudável de públicos;
- Há um saudável gosto pelo risco por parte de quem faz o alinhamento dos três dias de festival, apostando por vezes em artistas praticamente desconhecidos como cabeças-de-cartaz (caso de Amadou & Mariam no primeiro dia);
- Nesta edição (e nas últimas) não houve projectos para encher cartaz. É tão forte quem fecha a noite como quem a abre;
- A organização tem a dimensão de um grande festival pop /rock de Verão, proporcionando os mais variados serviços, como gabinete de imprensa, catering para artistas, jornalistas e convidados e não está (ainda) infestado de “cromos” das “cadernetas” do social;
- A organização está atenta ao mais pequeno detalhe. Além do bom som e da largueza de palco que caracterizam os concertos do castelo, há ainda a realçar a disposição de ecrãs de alta definição dentro e fora do recinto, a colocação de hortelã e outras ervas no piso evitando o banho de pó habitual em outros espaços, a preocupação em renovar a imagem dos cenários, do logótipo e de todo o merchandising (que belas t-shirts laranjas, azuis, cremes e castanhas) alusivo ao FMM de Sines.

Na noite de Sábado, muita gente ficou à porta do Castelo sem bilhete de entrada | © FMM/António Melão 2005
Em suma, o FMM de Sines é um óptimo “case study” para um trabalho de Marketing que tente analisar a anormal afluência de um público (cada vez mais massificado e que, provavelmente, não é cliente habitual de concertos de música tradicional) que cresce assustadoramente de ano para ano.
Fica uma interrogação: - Como poderá o FMM de Sines crescer de modo a responder à crescente adesão de público que tem sobrelotado o Castelo e composto de sobremaneira a Avenida da Praia, de modo a não deixar ninguém de fora, sem se descaracterizar?
Publicado por Luís Rei às agosto 2, 2005 10:58 PM