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julho 28, 2005
Próxima estação: FMM de Sines

Igreja de Sines | (c) Mário Filipe Pires
Arranca hoje o festival que possui, provavelmente o melhor cartaz de sempre de eventos ligados às músicas locais e ao confronto entre a tradição, o jazz e o pop / rock.
Nestes três dias, todos os caminhos vão dar ao Festival de Músicas do Mundo de Sines. Seja por Porto Covo, onde poderá começar por ver o projecto argentino 34 Puñaladas, seja pelo Castelo desta cidade alentejana onde teremos oportunidade de assistir a uma reunião interessante de talentos lusitanos: Cristina Branco que convida a Brigada Victor Jara e as Segue-me à Capela.
Na mesma noite (hoje) ainda haverá duas incursões pela Europa de Leste, com os Sérvios / Bósnios Mostar Sevdah Reunion (no Castelo) que apresentam repertório baseado em canções sevdalinkas, de raízes islâmicas que remontam ao tempo em que o Império Otomano dominava o território balcânico e pela banda cigana romena Mahala Raï Banda (que inclui um grupo de metais constituído por militares moldavos na reforma), já no palco da Avenida da Praia.
Os cabeças-de-cartaz da primeira noite, são um casal de cegos do Mali: Amadou & Mariam. No seu último disco, “Dimanche à Bamako”, a pureza dos os espíritos mandinga, dos ritmos wassolou e da alma dos blues do deserto do sul do Saara, são pervertidos pela produção de Manu Chao colocando o coração de África num caldeirão pop / disco / funk de coordenadas errantes.
A seguir a Mahala Raï Banda, por volta das 4 da manhã, Raquel Bulha e o escriba deste espaço, atacam os leitores de CD até ao amanhecer.
Outros motivos de grande interesse, durante os dias de
- Ver Lula Pena (que está para editar um disco há um bom par de anos) em palco;
- Depois dos Cubanos Postiços é sempre bom termos notícias de Marc Ribot
- As rancheras e a música mariachi revista à luz de um cabaret kitch pela potente voz “mezzo” de Astrid Hadad;
- a iniciação druídica pela música instrumental brasileira de Hermeto Pascoal;
- a electrificação da kora africana e a invenção do rock mandinga por Ba Cissoko
- o transe e o subir às montanhas marroquinas Rif com os aerofones da Master Musicians of Jajouka;
- Uma das novas aventuras de um dos mais subversivos e prolíficos acordeonistas europeus: Kimmo Pohjonen e o projecto KTU;
- A fantasia progressiva cantaga em gaélico pelos guerreiros da antiga Irlanda Kíla;
- A dança experimental e minimalista dos congoleses Konono nº1
Publicado por Luís Rei às julho 28, 2005 01:42 PM