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julho 28, 2005

Próxima estação: FMM de Sines


Igreja de Sines | (c) Mário Filipe Pires

Arranca hoje o festival que possui, provavelmente o melhor cartaz de sempre de eventos ligados às músicas locais e ao confronto entre a tradição, o jazz e o pop / rock.

Nestes três dias, todos os caminhos vão dar ao Festival de Músicas do Mundo de Sines. Seja por Porto Covo, onde poderá começar por ver o projecto argentino 34 Puñaladas, seja pelo Castelo desta cidade alentejana onde teremos oportunidade de assistir a uma reunião interessante de talentos lusitanos: Cristina Branco que convida a Brigada Victor Jara e as Segue-me à Capela.

Na mesma noite (hoje) ainda haverá duas incursões pela Europa de Leste, com os Sérvios / Bósnios Mostar Sevdah Reunion (no Castelo) que apresentam repertório baseado em canções sevdalinkas, de raízes islâmicas que remontam ao tempo em que o Império Otomano dominava o território balcânico e pela banda cigana romena Mahala Raï Banda (que inclui um grupo de metais constituído por militares moldavos na reforma), já no palco da Avenida da Praia.

Os cabeças-de-cartaz da primeira noite, são um casal de cegos do Mali: Amadou & Mariam. No seu último disco, “Dimanche à Bamako”, a pureza dos os espíritos mandinga, dos ritmos wassolou e da alma dos blues do deserto do sul do Saara, são pervertidos pela produção de Manu Chao colocando o coração de África num caldeirão pop / disco / funk de coordenadas errantes.

A seguir a Mahala Raï Banda, por volta das 4 da manhã, Raquel Bulha e o escriba deste espaço, atacam os leitores de CD até ao amanhecer.

Outros motivos de grande interesse, durante os dias de

Publicado por Luís Rei às 01:42 PM

julho 23, 2005

Hoje há... Asian Dub Foundation, Ray Lema & Chico César, Waldemar Bastos

Publicado por Luís Rei às 05:24 AM

julho 22, 2005

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #500)

500 - Nasceu em Lisboa e já viveu em Barcelona. Lançou um álbum de "Ph"ados. Há quem lhe chame a "Amália Gótica" ou a "Nico Árabe". Podermos vê-la na próxima semana em Sines.

responder aqui


Publicado por Luís Rei às 02:55 PM

Hoje há... Ali Farka Touré

Publicado por Luís Rei às 01:00 PM | Comentários (1)

julho 21, 2005

Manecas Costa: resistir é (con)vencer

Quando Manecas Costa subir ao palco do Keil do Amaral irá, pela primeira vez, actuar num espaço apropriado ao seu estatuto internacional de vedeta africana. Em 2004, apenas efectuou dois concertos na zona da grande Lisboa: no Rock in Rio (pouco antes das duas da tarde) e na abertura da Festa do Avante. Como se pôde observar em ambos os concertos, Manecas Costa só não comeu a relva porque não pôde. É um virtuoso na guitarra. Esforça-se a cada segundo por dar um grande concerto e, por isso mesmo, exige de todos os músicos que o acompanham o mesmo empenho. Tem rodado com frequência na Europa, mas ainda mantém uma certa mágoa por ser um músico praticamente desconhecido no país que o acolhe, desde há década e meia.

Publico uma entrevista que fiz a Manecas Costa em Abril de 2004, antes a sua actuação no Rock in Rio, conjuntamente com as fotos tiradas por Mário Filipe Pires durante um ensaio da banda deste guineense. Alguns dos músicos focados pela objectiva do Mário não vão estar hoje à noite no Keil do Amaral. Este é um dos trabalhos conjuntos entre as Crónicas da Terra e o site Retorta. Fica a promessa de, para breve, apresentar outros projectos em igual parceria.


2003 foi o ano internacional de Manecas Costa. Apareceu na capa da “bíblia” Folk Roots (edição de Julho) e esteve com “Paraíso di gumbe” na lista dos 20 melhores discos desse ano. Álbum gravado na Guiné Bissau e editado pela etiqueta do programa “Late Junction” da BBC Radio 3. A produzi-lo esteve a experiente Lucy Duran, autora de um outro programa desse canal, “World Roots”, que contou com a ajuda dos engenheiros de som Jerry Boys.

A viver há treze anos nos arredores de Lisboa, Manecas Costa sente-se amargurado com a falta de interesse dos média e do público em geral que têm ignorado a sua repentina ascensão internacional. Além disso, o disco “Paraíso Di Gumbé” mal se vê nas lojas. E de concertos, nem se fala. 2004 reserva-lhe apenas uma actuação (em solo português) no "Rock In Rio".

Falámos com Manecas Costa num ensaio de preparação para uma digressão em Espanha, Mário Filipe Pires do site Retorta fotografou a banda guineense.

Apesar da sua pequena extensão de terra, a Guiné Bissau possui uma cultura musical muito diversificada, derivado das várias etnias que lá habitam. No entanto, há uma identidade nacional comum que trespassa toda a sociedade: o gumbé. O que é para ti o gumbé?

O gumbé é a forma de todas as etnias da guiné Bissau se encontrarem. Esta para a guiné Bissau como o reggae para a Jamaica. A história diz que os escravos jamaicanos trouxeram-no para cá. A Guiné tem praticamente uma mistura de estilos. Temos na Guiné praticamente tudo o que o Mali divulgou - djembe, kora, toncoro. - porque existe etnia muçulmana na Guiné Bissau (Mandingas, Fula). Isso fez com que a próprio músico da Guiné Bissau sinta uma mistura enorme. Na altura do projecto África Livre, já tocava músicas que têm a ver com o Senegal, com a Guiné Conacri. Coisas que ouvíamos na rádio. Bissau foi muito influenciado pela Guiné Conacri.

Na altura da guerra, o país sempre sofreu com cortes de energia. Apesar dos portugueses terem levado gira-discos, quando faltava luz, se estávamos num baptizado, num casamento ou numa reunião de amigos, tínhamos de inventar algo. Cortávamos um barril de vinho ao meio púnhamos água e a cabaça e continuávamos a festa. Não precisavas da energia elétrica, apenas de umas velas para ter o espaço minimamente iluminado. É a luta do gumbé com o gira-discos. É natural que se tenha tornado moda. A cabaça (tina), acompanhada de palmas, começou na cidade e a estender-se para o meio rural. Quando um Balanta toca broska sentes o gumbé e a marcação. O gumbé acabou por ter influência nos estilos mais rápidos. Foi a consequência de naquela altura não se poder cantar em crioulo. Era proibido. Foi uma luta de querer mostrar aquilo que era nosso. Vem premiar o José Carlos Schwartz, elogiar a coragem de valores como Ernesto Dabo, como Diogo Castro Fernandes. Eles é que incentivaram que era importante cantar numa língua nacional. Havia música mas não havia coragem de se fazer essa música. Tínhamos de ouvir fado, Beatles, etc.


O teu ensino de guitarra foi autodidacta e através de imitação de acordes das músicas que tocavas na rádio. Que músicas eram essas?

Tudo isso que estou a dizer. Fado, Beatles. Tínhamos uma rádio que emitia para todo o país. Era uma forma de nos fazer chegar tudo o que era bom ou mau. Não havia televisão, não havia nada. Essa rádio era uma forma de nos estarmos em contacto com o mundo. Mal vínhamos da escola, eu e o meu irmão íamos para ao pé do rádio e ouvíamos de tudo. Discos pedidos, etc.

“Paraiso Di Gumbe”, além de mostrar composições modernas, procura a pureza dos ritmos de Bissau. É também uma espécie de álbum de recolha. Daí ter sido fundamental gravar na Guiné Bissau?

O país tem uma cultura diversificada, muitas etnias, muita música. Cada etnia tem a sua forma de estar, a sua língua, o seu instrumento. Só temos que aproveitar a riqueza de cada etnia. Com “Paraíso Di Gumbe”, quis ir buscar várias formas de tocar de cada etnia. Os tambores que utilizei, não se encontram em lado nenhum. São tambores da guiné: Sabaró, Kutiriba, Bombolom, Droma. Os temas que tem mais a ver com aquele ambiente humano, sem a cadência metrónoma. O importante era deixar a música correr.
Este disco pretende acordar as pessoas. Quero mostrar o país que existe. Deu-me um orgulho imenso gravar na Guiné Bissau, por ser a primeira pessoa a trazer um estúdio móvel e a gravar no país. Espero abrir mais portas porque existem mais Manecas na Guiné Bissau.


“Paraíso Di Gumbe” une também diferentes etnias como a Banjak e a Balanta (da qual tu pertences). Que diferenças existem entre ambas?

O Manjak é mais voz. É do norte do país. Gumbe era cantado mais para pessoas que iam à missa e já tinham a noção do que era um gira-discos. O Manjak identifica-se mais com o tambor de água, com palmas. O Balanta identifica-se mais com o corno. Celebra-se o carnaval todos os dias. É a nossa forma de estar. Vais a uma festa de broska e vês as pessoas a cantar alegremente, com guitarra na mão. Isto simboliza alegria, fim do colonialismo, do medo. Implica irmandade, amizade, namoro. É muito da forma africana de comunicar que não é conhecida.

Uma das referêrencias de broska, é o Tio de Broska que a Folk Roots aborda e que pertence à tua étnia (Balanta). Quem é ele?

O Tio de Broska é um grupo muito tradicional. Vejo nesse grupo uma simplicidade total e que ninguém olha para eles. Quando se fala em Guiné, só se fala de coisas más: golpes de estado, guerra, etc. Não há ninguém que possa pegar neles?

Como é que correu o processo de gravação na Guiné? Foi difícil levar montar o estúdio móvel e gravar o disco?

Uma das coisas bonitas que aconteceram foi a procura do sítio para gravar. A Lucy Duran e os Jerry Boys – aprendi muito com eles. Eles queriam um espaço onde havia uma ligação espiritual com o mar. Nós gravamos precisamente num bar / discoteca que fica nos arredores da cidade de Bissau. A preocupação deles era fugir ao barulho citadino e trabalhar num sítio inspirador.

Era como se a natureza entrasse pelos microfones e fosse gravada no disco?

Temos a ilha à frente do estúdio, sai-se da porta do estúdio e vê-se o mar. Gostei também de ver os Jerry Boys à procura do melhor som, colocando almofadas em sítios estratégicos para abafar o som. Foi impressionante. Ganhou-se muito com este projecto, porque trabalhei com pessoas muito experientes.

De quem partiu esta ideia de gravar o disco em Bissau?

Foi minha. Sempre quis gravar um disco na Guiné Bissau. Sei que a Lucy é das pessoas que sempre gosta de ir ao país de origem do artista que está a produzir. Já tinha esta ideia e aí houve um casamento de vontades. Nunca soariam assim se tivesse gravado este disco em Portugal ou em Inglaterra.

No disco, a harpa venezuelana substitui a kora? Como é que isso aconteceu?

Na altura queria gravar kora, mas começamos a ver o tema que escolhemos e, com a afinação do instrumento, sentimos que não era aquilo que queríamos. Achamos que a harpa podia resultar e resultou. Há um casamento de tambor de água da minha guitarra e da harpa venezuelana. Aquilo acabou por ter um certo impacto no projecto, porque uma das primeiras coisas que os média querem fazer é noticiar uma coisa nova.

Na reportagem que a Folk Roots elaborou durante a gravação do disco, leio que te querias libertar do “som de Lisboa”. Que som é esse? “zouk”? “kizomba”?

Sim. Quis evitar o zouk, porque a música da Guiné é muito rica. Penso que muitos dos projectos africanos que estão radicados em Lisboa perdem autenticidade ao querer por as pessoas a dançar. Mas isso é lá com eles. Não podemos ser todos iguais. A minha intenção é a de explorar ao máximo os ritmos que não são conhecidos: broska, gumbe, kussundé, djambadon, kundere. Há ritmos na Guiné que eu não conheço. Não se fez ainda nada para os recuperar.

Não existem discos de recolha?

Não há discos editados, mas existem gravações da Rádio Nacional. Cada vez que vou à Guiné, vou também recolher informação. Só eu sozinho a fazer isso, é complicado. Vivo cá em Portugal, mas não estou a tocar em Portugal propriamente. Vou ao Rock In Rio e é uma excepção.

A que é que se deve essa ausência em palcos portugueses?

Acho que deveria haver mais interesse ao nível dos empresários de espectáculos, ao nível de programação das grandes salas como o CCB ou a Culturgeste. Vivo cá há 13 anos e acho que deveria ter uma oportunidade de apresentar o projecto ao nível do país, da comunidade e, se calhar, de trocar experiências com músicos locais.

O álbum tem tido uma grande projecção internacional. Concertos não te faltam na Europa. Mas o disco passou completamente despercebido em Portugal, onde praticamente não tocas. Vais este ano actuar apenas no Rock In Rio. Que leitura fazes deste “quadro”?

Como diz o meu amigo Vasco, é um país em que a própria música portuguesa irá acontecer, mas não está a acontecer actualmente. Para conseguir um espectáculo numa sala como a do CCB, tenho de trabalhar muito lá fora primeiro. Tem que haver pessoas com interesse em nós, em divulgar a música africana de expressão portuguesa. Porque os francófonos estão bem inseridos. Quando o Youssou N’Dour num espectáculo diz “Merci”, ele é pago para isso. É pago por divulgar pelo mundo a língua francesa.

Não haverá também uma certa dificuldade de integração dos guineenses na sociedade portuguesa? Olhando para outros bons músicos como o Kimi Djabate, o Maio Coope, parece-me que vivem muito guetizados. Coisa que não acontece com os cabo-verdianos.

Penso que uma das coisas bonitas dos cabo-verdianos é terem tido um projecto cultural. Grupo como Tubarões, Voz de Cabo Verde, músicos como Luis Morais, Paulinho Vieira, deram alma à música de Cabo Verde e tiveram apoio do seu governo. Na Guiné Bissau, depois da independência, houve mais atrapalhação do que ajuda em criar um projecto. Isto tem a ver com a criação de uma rede, de informar as pessoas sobre o que vai acontecer.

A divulgação música africana em Portugal, conforme está a ser feita actualmente, dando ênfase sobretudo ao zouk e derivações programadas, não prejudica um projecto como o teu?

Acho que até a Renascença e a Rádio Comercial deveriam passar mais músicas de qualidade, como a Cesária, o Ali Farka Touré ou o Toumaní Diabaté. Há discos que poderiam ser passados uma vez por outra. Eu pergunto porque é que não há programas que passem estas músicas. Isto entristece-me.
Existem coisas estranhas na RDP África que eu tenho de respeitar. Não sei se passam a minha música ou não. Às vezes, ouves coisas que desvalorizam a música africana. Estamos a falar de uma música que não se sabe o que é em termos poéticos, de arranjos e de produção. Passam porque têm de passar. Deveria haver uma pré-selecção mais exigente na programação musical. Hoje toda a gente canta e quer aparecer na RDP África. Apesar de tudo é uma rádio que acaba por ser útil à nossa comunidade.

Quando gravaste este disco, houve também a intenção de sair fora do universo dos ouvintes da RDP África. Este seria um disco para apreciadores de músicas do mundo. A grande questão é a de que deves ter chegado à conclusão que há poucos apreciadores de músicas do mundo.

Sem dúvida. As pessoas não sabem que sou capa de revista em Inglaterra. Não sabem que este disco foi editado no Japão. O que me entristece bastante é ter aprendido a língua portuguesa, viver cá, ter casado cá, ter os meus filhos a viver cá e não tocar cá.
O meu nome está a ser feito lá fora. Seria extremamente importante haver empresários em Portugal que pesquisassem novos artistas e ajudassem a construir. Penso que a Lusofonia ganha muito com a Cesária, com a Mariza e comigo.

Em Portugal os políticos não incentivam os músicos a tornarem-se maiores. Será isso?

Sim. Ainda bem que falas isso. E os media também não. A minha produtora perguntou-me como é possível nunca ter sido chamado para ir ao programa do Herman.

Isso acontece com outros músicos da Lusofonia, como por exemplo o Guto Pires.

Quando a Lucy estranha com isso, fico mais triste.

Penso que houve alguns erros no processo de distribuição do disco. Se calhar, a Harmonia Mundi não seria a distribuidora mais indicada para o distribuir em Portugal.

Concordo plenamente. Como sou músico, não gosto de me meter no trabalho das editoras, mas acho que a BBC já chegou a essa conclusão. Não funcionou bem em Portugal.

Tens consciência de quantos discos vendeste cá?

Não. Penso que não deve passar dos 2 ou 3 mil discos. Vendi mais discos do outro projecto, “Fundo di Mato”, que tinha algumas kizombadas.

A questão é que esse disco foi dirigido ao público africano e apareceu nas discotecas africanas.

Exactamente. Isso e o facto de o “Paraíso Di Gumbé” ser um disco que dá palco. Tenho feito centenas de viagens. Não paro praticamente.

Quando menos esperares, “a bolha rebenta”.

Oxalá. A própria Lucy diz que a cidade e o país onde vives e onde crias os teus filhos deveria ter outra atenção para comigo. O exemplo da Cesária ensinou-nos que o português deixa a coisa ir. Penso que, acima de tudo, a Cesária deve estar um pouco revoltada com a mentalidade fechada deste país. Já ouvi um jornalista perguntar à Madonna se ela conhecia música portuguesa e ela respondeu com outra pergunta: - Cesária Évora? Ele teve que lhe dizer que ela era de Cabo Verde, ao que ela respondeu que, então, não conhecia música portuguesa.
Há que acreditar mais. Tem que haver pessoas informadas que escrevam sobre estas músicas, como o Luís.

Eu também sou um "pregador no deserto"... talvez o meu mérito seja o de poder começar uma pequena bola de neve.

O próprio Salif Keita disse-me há pouco tempo para não desaminar. Para continuar a lutar. Para falar com as pessoas certas. Isto não é crime nenhum. Isso aconteceu com toda a gente. Tem que haver, sobretudo, também nos músicos locais, interesse em criar intercâmbio, uma vez que estamos a cantar numa língua comum. Vejo muitos músicos portugueses ir a África. Dificilmente os africanos tocam cá. Em França já não existe esse tipo de mentalidade.

Inglaterra, França, são países completamente distintos. Aí existe imprensa escrita especializada, programas de rádio de autor, rádios que passam exclusivamente músicas do mundo, circuitos de música ao vivo consistentes e com programação regular.

O programa da Lucy pára a Inglaterra.



Na Guiné Bissau de 70, altura em que aprendias a tocar guitarra pela rádio, os músicos eram considerados bandidos. Como é que isso pode ter acontecido numa terra que tem etnias griots (nascem, vivem e morrem músicos)?

Naquela altura, meados de 70, os músicos eram aqueles que podiam ter mais namoradas. Era natural que faltassem às aulas e não fizessem os estudos. A própria sociedade começa rejeitar esse comportamento. É uma sociedade onde toda a gente se conhece. Se eu faltar a uma disciplina o meu colega diz aos pais e aquilo começa a circular na praça. O músico aparece neste quadrante como uma pessoa que não se quer definir e que não tem responsabilidade. Os amigos dos meus pais, começaram a pressionar: “- Cuidado com os teus filhos”, diziam. Contudo, os meus pais apoiaram-nos a (a mim e ao meu irmão Nélson), sentiram que havia alguma coisa que lhes dava mais segurança. Podíamos faltar a alguma disciplina mas tínhamos boa nota. Quem nos passou a música, foi a nossa avó da parte da minha mãe que tocava na altura. É aquilo que referiste há pouco: muitas vezes, a música é uma questão de família.
A própria educação política na Guiné Bissau, a partir do Luís Cabral também fomentou isso. Começaram a ver grupos como Caça Cobra, Super Mama Djombo, com grandes níveis de popularidade. A elite política sentia-se incomodada com isso.

Porquê? Será que os políticos sentiram que os músicos tinham mais popularidade do que eles?

Exacto. Foi aí que se começou a dizer coisas do tipo: “- aqueles bandidos não fazem mais nada do que tocar aí umas mornas”. Consideravam a música como um trabalho indigno ou um não-trabalho. A arte não foi valorizada e a música não foi prioridade dos sucessivos governos. Isto foi muito bem fomentado. Primeiro acabou-se com o Chiado Bissau que vendia instrumentos musicais. Os grupos começaram a morrer. Queima-te um amplificador e não tens como o arranjar, como fazer a manutenção do equipamento. Parte-te uma corda e tens de mandar vir de fora. Se tens um familiar em Portugal, ele manda-te a corda. Há um vôo por semana para a Guiné. O músico acaba por não conseguir ganhar um estatuto na sociedade.

Isso contrasta com a política de outros países africanos que apostam forte na música, como por exemplo o Mali. Aí o governo chega a oferecer guitarras aos músicos.

O Mali tem um projecto cultural como o Senegal e a Guiné Conacri. Na altura da Bembeya Jazz, a Guine Conacri teve aquele presidente Sekou Touré que fez muito pela música. Foi um grande investimento. Apostaram nos músicos.Eles é que podiam projectar internacionalmente a imagem positiva do país. Exactamente por isso, muita gente não sabe que a kora vem da Guiné Bissau, pensa que vem do Mali.

Como já referi anteriormente, existem outros bons músicos guineenses a viver em Portugal, mas parecem-me um pouco guetizados. Porque não criar uma rede de trabalho entre eles?

Vou ter um concerto a 19 de Maio em Inglaterra, com o Mori Kante. Vamos ver o que vai acontecer no futuro. Tem que haver mais músicas, mais valores que queiram apresentar músicas com valor. Tenho conhecido muita gente com interesse em ir à Guiné Bissau, pesquisar, gravar música, fazer documentários. É uma das coisas que vou tentar ver agora, há-que aproveitar o facto de o meu nome estar a ser respeitado lá fora.
Relativamente aos músicos que estão cá, deverá haver um interesse da parte deles em gravar maquetas e, porque não apresentá-las à Lucy. Ela é muito exigente. Tudo o que é “máquina” não consegue ouvir. Há uma doença em que as pessoas gravam no seu quarto, recorrendo muito a teclados. Quando começas a por muito teclado... “oh my god!”.


Há um novo governo na Guiné Bissau. Tens esperança que o cenário mude? Que a imagem do teu país deixe de ser aquela a que te referias à pouco – dos golpes de estado, da corrupção, da pobreza? Que os músicos e outro tipo de artistas possam ser os principais embaixadores e impulsionadores de uma nova imagem?

Há que ter esperança. A Guiné precisa de um projecto político, de um projecto cultural em que o próprio orçamento do estado tenha uma fatia em que a arte beneficie dela. Para a Guiné evoluir não pode contar só com políticos. Nos outros mandatos viu-se que houve erros enormes. Espero que a Guiné comece a ganhar uma nova imagem e que a comunidade internacional sinta que existe boa qualidade de vida, um projecto verdadeiro e objectivo em que os próprios filhos da terra poderão sentir-se protegidos, onde haverá justiça, saúde, educação, energia, sobretudo pouca corrupção. O partido que ganha as eleições tem que ter um compromisso sério, não só com a sua gente como também com a comunidade internacional que olha para este país como um dos mais pobres do mundo. O seu projecto político tem que trazer algo de novo. A esperança é a última a morrer.

O que é que esperas do novo ministro da cultura?

Espero que incentive os jovens a tocarem e a convidar-me para apresentar este projecto em Bissau, para levar paz, amor e harmonia. Por ser um disco que neste momento está a projectar uma imagem positiva do país que não existe. A verdade tem que se dizer A partir daqui, criar mecanismos, um intercâmbio de cooperação com países como Portugal ou Inglaterra, onde a Guiné Bissau esteja inserida. Fazer recolhas, construir um estúdio de gravação na Guiné Bissau.

Será que não podes fazer isso? Não gostavas de, daqui por uns anos, montares o teu estúdio em Bissau e fazeres as tuas recolhas?

Estou a pensar nisso. Mas não pode ser já. Estou a construir a minha carreira. É meu sonho incentivar os jovens, levar valores de Portugal a gravar. E porque não fazer um festival de música como acontece em Dakar. Temos sol, praia, fruta. A Lucy e os Jerry Boys pediram-me calma. Estou em início de carreira. Não me interessa estar a andar muito depressa. Vamos ver o que vai acontecer.

Publicado por Luís Rei às 01:35 PM

Hoje há... África Festival com Manecas Costa e Zap Mama, Afro-Cuban All Stars

Publicado por Luís Rei às 12:37 PM

julho 20, 2005

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #499)

499 - Eliseo Parra, um dos maiores nomes do cartaz do Intercéltico de Sendim de 2005,actuou o ano passado no nosso país. Em que evento?

responder aqui

Publicado por Luís Rei às 03:53 PM

Hoje continua a haver Bau e Bethânia

Publicado por Luís Rei às 01:08 PM

Ali "Farka" Touré - uma lição de vida em 180 minutos, na próxima sexta-feira em Lisboa

alifarkatoure.bmp

Um sonho que se torna realidade. Ver Ali Farka Touré em palco. Algo que nos últimos dez anos tem sido raro, dado as responsabilidades de chefe de família, agricultor e, mais recentemente, de presidente da Câmara Municipal de Niafunké, pequena aldeia no norte do Mali banhada pelo Rio Niger, no começo do deserto do Saara.

Falar com Ali "Farka" Touré é também muito difícil. Nesta pequena digressão de 2005, a lenda viva não tem dado entrevistas individuais, apenas conferências de imprensa. Por isso mesmo, na semana em que o músico maliano actua no Anfiteatro Keil do Amaral (esta sexta-feira, dia 22), vale a pena recuperar uma vez mais a entrevista que tive a sorte de efectuar em 1999, ano de edição do último álbum de originais a solo: "Niafunké". Conversa publicada originalmente no suplemento Vida d' O Independente.

Obrigado C.M. de Lisboa e Incubadora d'Artes por nos darem o prazer de ver este "gigante" de África na Capital.

Não foi fácil falar com Ali Farka Touré. Não é todos os dias que este senhor de 60 anos tem acesso a um telefone, no Mali; e nem sempre é fácil compreender o seu francês, falado com longas pausas (próprias de quem se levanta com o nascer do sol e se deita com o crepúsculo) e frases nem sempre concretizadas. Afinal Ali Farka Toure, além de excelente músico, é um verdadeiro homem do campo.

O Mali é um país de músicos - Você, Oumou Sangare, Toumani Diabaté, Salif Keita. Será que isso tem a ver com o facto de ao longo de séculos vigorar a cultura musical griot (N.R. músicos que tocavam para os imperadores do Império Mandinga de origem muçulmana que se estendeu pela África Ocidental a partir do Sec XIII)?

O Mali não é um país de músicos, mas há músicos no Mali. É um país histórico onde existem etnias distintas. Eu sou sonrai, estou longe de ser griot e de ser escravo. Aqui não existem fronteiras. Cada pessoa traça o seu destino ao fazer música. Para mim a música é uma filosofia de educação e de amor.

É verdade que, à semelhança de Salif Keita, os seus pais opuseram-se ao facto de tocar, pelo facto de fazer parte de uma classe nobre?

Os meus pais eram realmente contra o facto de eu ser músico. Durante a minha carreira sempre tive receio de pegar na guitarra enquanto me encontrava ao pé da minha mãe. É que antes de ser músico já era agricultor e pilotava barcos. Profissões mais úteis à nossa etnia.

Apesar de ter tido uma carreira brilhante como músico fora do Mali, nunca deixou de ser agricultor. E parece que foi o dinheiro que ganhou com a música que lhe permitiu comprar máquinas modernas para melhor fazer a lavoura. Verdade?

Sim. Toda a vida estive ligado à agricultura e todo o dinheiro que ganho com a música tenho investido na agricultura. Não devemos pôr açúcar no mel (N.R.: metáfora que significa não devemos aplicar o dinheiro que ganhamos com a música, na música) porque isso daria uma mistura demasiado doce. A música permitiu a evolução do meus métodos de trabalho agrícolas. Até porque não podemos fazer música se não tivermos a barriga cheia, não é?

Parece-me que continua a preferir a agricultura à música.

Sim, porque a agricultura é uma cadeia de vida. Os animais comem, os homens comem. Sustenta um ciclo maior que a música. Esta é boa apenas para quem toca e escuta.

Vivendo numa vila (Niafunké) situada à entrada do Sara, em que os terrenos são muito arenosos, gostaria de saber o que é que planta.

Vivo perto do deserto, mas também perto do rio o que me permite ter terrenos férteis. Aqui posso plantar tudo o que preciso: trigo, milho, feijões, batatas, mangas, goiabas, tangerinas, laranjas, papaias… e, claro, também pesco.

Não tem dado muitos concertos fora do seu país e por diversas vezes anunciou retirar-se da vida artística. Isso tem a ver mais uma vez com a agricultura, ou com o cansaço das digressões?

Não digo que não dê concertos, mas preciso em primeiro lugar terminar todas as culturas, todos os trabalhos agrícolas. Não posso permitir-me a fazer aquilo que fazia há 10 anos atrás, altura em que comecei a tocar pelo mundo inteiro e a estar muito tempo fora de casa. Tenho 11 filhos, sou avô de 8 crianças, tenho muitas bocas para alimentar. Ainda viajo, mas só durante uma semana. O máximo é um mês. Depois volto.

Nunca sentiu vontade de viver na Europa, à semelhança de muitos músicos africanos?

(um grande assobio, como se isso fosse totalmente impossível). Nunca. Não gosto do estrangeiro, gosto de fazer o meu trabalho e de regressar à minha casa no fim do dia. Adoro o espaço, a terra, nunca poderia viver num apartamento. Tenho de estar perto da natureza.

Quando colaborou com o Ry Cooder em “Talking Timbuktu” sentiu que tivesse aprendido alguma coisa?

Não. Nada.

E o que é que você lhe ensinou?

Ensinei-lhe algumas coisas, quanto mais não seja o facto de ter descoberto a essência da música africana. Ele vem ao Mali em breve, no ano 2000, e ficará cá durante duas semanas.

Pensa que o Taj Mahal e o Ry Cooder têm ainda muito a aprender consigo, sobretudo na forma de tocar guitarra?

Entre o Ry Cooder e o Taj Mahal existem muitas diferenças. Durante os anos em que viajei pela Europa e Ásia, o Ry Cooder tornou-se num génio da música ocidental. É um dos melhores para mim, porque faz aquilo que deve ser feito. É a sua vida. O Taj Mahal é um professor, não meu, mas dos jovens que ensina. Tenho muito a aprender mas não há-de ser com ele. Nós somos de etnias diferentes, temos culturas diferentes, almas diferentes. Mas ele é muito aberto e generoso e isso agrada-me. (N.R: apesar de Taj Mahal ter nascido nos Estados Unidos, Ali Farka Touré considera-o um africano a viver na América, devido ao sistema de crenças em que acredita, cujos antepassados traçam as origens do ser humano).

A sua música é influenciada por experiências espirituais. Segundo consta, o Njarka (pequeno violino local de uma corda) é um instrumento bastante perigoso, porque quando mal usado pode evocar os maus espíritos. É capaz de explicar?

O Njarka é o instrumento mais perigoso de África e do Mundo. Quem o toca nunca poderá aspirar a ter grande longevidade. É um bom instrumento e ao mesmo tempo um mau instrumento, porque quem não tem cuidado pode ficar louco. Conheço muitas pessoas que enlouqueceram. A primeira vez que peguei no Njarka tinha 12 anos, nessa altura ao brincar com o instrumento quase morri. O Njarka deixou-me imobilizado e fui picado por uma cobra.

Pensa que a música é uma forma de chegar ao mundo espiritual?

Não acho. Tenho a certeza. É como entrarmos dentro de água, num mundo real que não é totalmente visível aos nossos olhos.

Publicado por Luís Rei às 03:41 AM

julho 19, 2005

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #498)

498 - A "Poção Mágica" é uma bebida típica do festival Andanças elaborada a partir de...

responder aqui

Publicado por Luís Rei às 04:43 PM

Hoje há... Bau, Lupanar

Publicado por Luís Rei às 01:49 PM

julho 15, 2005

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #497)

497 - Antes do Realejo, houve outro projecto, fundado em 1978, que se dedicou ao estudo e divulgação de vários instrumentos "perdidos", com destaque para a sanfona. O apelido do mentor deste projecto designa o nome de uma terra conhecida pela sua doçaria regional. Qual o nome deste projecto e qual o apelido seu mentor?

responder aqui

Publicado por Luís Rei às 01:58 PM | Comentários (1)

Hoje há... Esbjörn Svensson Trio, 7 Sóis 7 Luas, Convivência 2005, Santa Maria Blues

Publicado por Luís Rei às 08:21 AM

julho 14, 2005

Hoje (não) há... Mário Lúcio no B.Leza

Publicado por Luís Rei às 07:51 PM

julho 13, 2005

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #496)

496 - Qual a designação do (outro) projecto dos quatro elementos dos Dazkarieh, orientado para a animação de bailes de danças tradicionais europeias?

responder aqui

Publicado por Luís Rei às 01:57 PM | Comentários (1)

Hoje há... Patrícia Barber, Thievery Corp

Publicado por Luís Rei às 01:35 PM

Chuva de Festivais Trad #6 - Sons do Atlântico em Porches / Lagoa (de 13 a 14 de Agosto)

Na Praia de Porches, Concelho da Lagoa, realiza-se entre 13 e 14 de Agosto a segunda edição do Festival Sons do Atlântico. O programa de sábado e domingo já está definido. No entanto existe a possibilidade de ser acrescentado uma data extra: sexta-feira, 12.

Sábado, dia 13, o arranque dá-se com os Dazkarieh e os irlandeses Dervish que ainda há bem pouco tempo pisaram o Festival José Afonso do TAGV de Coimbra.

Domingo, 14, os transmontanos Galandum Galundaina descem até ao Algarve para apresentar o belíssimo álbum "Modas i Anzonas". O Berbér Abdelli, de nacionalidade argelina e residência belga, autor de dois discos muito recomendáveis editados pela Real World, encerra o "Sons do Atlântico" deste ano.

Publicado por Luís Rei às 02:52 AM

Chuva de Festivais Trad #5 - V Festival de Música Tradicional/Celta de Santulhão (11 e 12 de Agosto)

Ainda os celtas. Ainda em Trás os Montes. Agora em Santulhão. a 11 e 12 de Agosto celebra-se o Festival de Música Tradicional/Celta desta localidade, que engloba várias actividades. As propostas musicais encontram-se agendadas para o segundo dia e são as seguintes: Ranchada (Grupo de Santulhão que faz recolha e canta as modas da aldeia de Santulhão), Som Ibérico de Braga; Antubel de Leão e Roldana Folk do Porto.


Publicado por Luís Rei às 02:43 AM

Chuva de Festivais Trad #4 - Andanças na Serra da Gralheira - São Pedro do Sul (1 a 7 de Agosto)

É um dos mais importantes festivais que se realizam em Portugal, não só por ser o "motor" da efervescência que se vive actualmente nas inúmeras "jams" de música + dança que acontecem actualmente, com regularidade, no Teatro Ibérico e à Porta do Convento do Carmo, como também tam sido uma espécie de "berçário" de uma nova geração de músicos que se estendem por uma série de projectos de danças tradicionais europeias. Espero poder ir este ano, pela primeira vez, à Serra da Gralheira.

O programa ainda está em aberto (sabe-se apenas que projectos como Dazkarieh, Mu e Uxu Kalhus voltam a marcar presença), mas não vão faltar as actividades, de manhã, à tarde e à noite.

Deixo-vos o esquema genérico de um dia no Andanças:

Início da manhã: Aulas de Meditação, Concentração e Aquecimento

Meio da manhã: Oficinas de Dança, Passeios na Serra, Actividades para Crianças, Desportos, Ofícios Tradicionais na Aldeia

Tarde: Oficinas de Dança, Actividades para Crianças, Construção de Instrumentos, Malabarismo, Teatro de Rua, Percussão, Pintura, Canto Tradicional

Fim de Tarde: Aulas de Meditação e Relaxamento

Princípio da noite: Concertos na Capela, histórias e canções para crianças e cantigas à fogueira. Teatro.

Noite: Bailes em vários palcos em simultâneo.

Pela noite dentro: Espaço aberto à improvisação musical. Fogueira de Histórias.

Publicado por Luís Rei às 02:37 AM

Chuva de Festivais Trad #3 - Celtirock de Montalegre (29 a 30 de Julho)

À semelhança do ano passado, a peregrinação celta por terras transmontanas começa uma semana mais cedo, de acordo com o oráculo do Intercéltico de Sendim.

Em Montalegre, celebra-se o segundo Centirock com uma banda galega que já alegrou (e muito) o Coliseu do Porto, na sua passagem de (de boa memória) pelo Intercéltico do Porto. São os Cempés que fecham a primeira noite, de 29 de Julho. Antes actua a banda lisboeta que interpreta essencialmente repertório irlandês: os Beltane.

No segundo e último dia, sobem ao palco três projectos vizinhos de regiões distintas: Babieca da comarca de Madrid,Abraxas (de Leão e Castela) e Skanda (das Astúrias).

Ao longo de ambos os dias haverá também animação de rua com os Vá de Folia e Gaiteiros de Pitões das Júnias, Tamborileiros de Montalegre, entre outros. Consulte o programa integral em www.celtirock.com

Publicado por Luís Rei às 02:15 AM

Chuva de Festivais Trad #2 - Raízes do Atlântico do Funchal (23 a 30 de Julho)

Nova edição do funchalense "Raízes do Atlântico" com as "bandas da casa" a ocuparem boa parte do cartaz. Destaque para Ljiljana Buttler & Mostar Sevdah Reunion (Bósnia / Sérvia) que actuam dois dias antes no FMM de Sines e para Tama Lá do griot e balafonista guineense residente em Lisboa Kimi Djabate (o que é preciso para que este projecto actue mais vezes no continente?).

Este ano, as actividades pós Auditório do Jardim têm lugar no Bar Irlandês The Kelts. Há mais música ao vivo e djing de músicas tradicionais com Yggdrasil.

E o programa é...

dia 23 - Dazkarieh
dia 24 - Si Que Brade (Madeira) + Zigaia (Bar The Kelts)
dia 25 - Arrefole + Zigaia (Bar The Kelts)
dia 26 - Banda D'Além + DJ Yggdrasil (Bar The Kelts)
dia 27 - Xarabanda + DJ Yggdrasil (Bar The Kelts)
dia 28 - Encontros da Eira
dia 29 - Tama lá + Melting Pot (Bar The Kelts)
dia 30 - Ljiljana Buttler & Mostar Sevdah Reunion (Bósnia / Sérvia) - Melting Pot (Bar The Kelts)

Publicado por Luís Rei às 02:04 AM

Chuva de Festivais Trad #1 - Tom de Festa de Tondela (20 a 23 de Julho)

Os festivais "trad" multiplicaram-se este ano como cogumelos. Será que para o ano a actividade mantém-se, ou é só fogo de vista pré-eleitoral?

Em Tondela, o Acert realiza mais uma edição do "Tom de Festa". Evento ecléctico q.b, não só pela programação musical, como pelo apelo a outras artes, nomeadamente o teatro.

O "Tom de Festa" arranca no próximo dia 20 com Grupo de Teatro Trigo Limpo do Acert que exibem a peça "Bicicleta de Recados". Nessa noite, a Companhia de Dança Contemporânea Portugal prova que Agustina Bessa-Luís pode ser dançada, em "Dominga". A fechar o primeiro dia, a voz e o violão do brasileiro Geraldo Azevedo.

No dia seguinte, 21 de Julho, Polvorosa funde o Chile com a Alemanha, há rap "tuga" com Boss AC e um projecto local de jovens músicos - New Sketch.

A 22 de Julho, Mola Dudle leva-nos "uma viagem à música dos anos 50, pelo vídeo e pela exploração da ilusão a duas dimensões do pré-cinema". Segue-se o projecto belga Urban Trad, misto de tradição "dutch" com electrónica que já participou na Festival Eurovisão. A noite acaba com o calor do Benim. Não, não é Angelique Kidjo. É Angelina Akpovo & Yakuwumbu.

O Tom de Festa encerra a 23 de Julho com a estrela maior do cartaz deste ano. O virtuoso acordeonista francês Richard Galliano em formto "New York Trio", do qual fazem também parte os norte-americanos Larry Grenadier e Clarence Penn. O "ciclo" completa-se com Kelvis Ochoa de Cuba e Alex Ikot da Guiné Equatorial. Muita música para conhecer em Tondela.

Publicado por Luís Rei às 01:55 AM

julho 12, 2005

Hoje há... A Naifa, José Feliciano, Rosa Passos

Publicado por Luís Rei às 01:37 AM

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #495)

495 - Qual o tema de "Modas i Anzonas", novo álbum de Galandum Galundaina em que participa o gaiteiro escocês Malcom McMillan em "gaita scocesa i boç"?

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Publicado por Luís Rei às 12:16 AM | Comentários (1)

julho 11, 2005

Hoje há... Sharon Jones e Mariza

Publicado por Luís Rei às 01:10 PM

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #494)

494 - Como se chama a dupla de pianistas que apresentou na Festa do Avante de 2004 um disco com devaneios jazzísticos de melodias de José Afonso?

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Publicado por Luís Rei às 01:07 PM | Comentários (1)

julho 10, 2005

Hoje há... Omara Portuondo + Eliades Ochoa

Publicado por Luís Rei às 01:01 AM

julho 09, 2005

Hoje há... Dj Dolores, Blasted e Mandrágora

Publicado por Luís Rei às 01:53 AM

julho 08, 2005

Hoje há... Les Boukakes, Mafalda Arnauth


Les Boukakes na fábrica da pólvora
confrontam o raï e a música gnawa com o rock, funk e reggae

Publicado por Luís Rei às 01:00 PM

julho 07, 2005

Hoje há... Goran Bregovic

Publicado por Luís Rei às 01:54 PM

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #493)

493 - Ray Lema actua este mês em lisboa em parceria com Chico César. O ano passado, o congolês também actuou no nosso país com um outro grande músico africano. Que músico é esse?

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Publicado por Luís Rei às 01:21 PM | Comentários (1)

julho 06, 2005

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #492)

492 - Qual o grupo feminino sul-africano que participou no Live 8 de Joanesburgo e que já actuou no FMM de Sines?

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Publicado por Luís Rei às 11:59 PM | Comentários (1)

julho 05, 2005

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #491)

491 - É um realizador de cinema argelino. Tem filmado ciganos de leste. Ganhou recentemente um prémio em Cannes através de um "road movie" que retrata a história um casal de jovens franceses de ascendência magrebina que parte de França, segue viagem por Espanha e tem como ponto de chegada a Argélia.

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Publicado por Luís Rei às 01:33 PM | Comentários (1)

julho 04, 2005

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #490)

490 - É belga, tem ascendência congolesa e notabilizou-se nos anos 90 devido a um projecto inicialmente a capella muito influnciado pelas polifonias das tribos de pigmeus do centro de África. Como se chama a mentora desse projecto de onde sairam nomes como Sally Nyolo e Manou Gallo?

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Publicado por Luís Rei às 05:35 PM | Comentários (1)

julho 01, 2005

Questionário de Músicas do Mundo (perg. #489)

489 - Com que grupo nórdico os Roldana Folk partilharam o palco no passado fim de semana perto de Madrid?

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Publicado por Luís Rei às 01:39 PM | Comentários (1)

Hoje há... crise de espectáculos é que não há, de certeza!

Publicado por Luís Rei às 12:53 AM