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maio 26, 2005

Portugal a Rufar: 3 dias de percussão na Quinta da Fidalga (Seixal)

Há tambores, djembes, tablas, darbukas, bombos, timbalões, caixas, sarrafos, paus, bidões e todo o tipo de batuques.

Durante este fim de semana, a Quinta da Fidalga no Seixal recebe o rufar das percussões de cerca de seiscentos músicos, sejam crianças, amadores, profissionais, portugueses, espanhóis, africanos ou indianos.

Rui Júnior, um dos mais notáveis percussionistas portugueses, há muito que deixou de ser apenas e só o músico que acompanhou alguns dos gigantes da música portuguesa como José Afonso, José Mário Branco, Fausto, entre outros, para se tornar no didacta e no empreendedor que criou o Ó Que Som Tem (“primeira formação em Portugal a assumir o ritmo como elemento fundamental e valor principal da sua música”), a Orquestra de percussão Toca a Rufar que, de há nove anos a esta parte, tem levado as oficinas de construção a todo o país e o ensino deste tipo de instrumentos a mais de 5000 alunos.

“Portugal a Rufar” é o capítulo seguinte de um antigo sonho: o de “montar um festival de renome internacional” e de “consciência social”, virado para a percussão e cujos projectos, na opinião de Rui Júnior, “não têm de ser necessariamente musicais”. Há também lugar à dança (no Sábado haverá espectáculo do Ballet Entredanzas de Espanha) e ao teatro, contemplando “todas as formas de ritmo”.

Sem grandes estrelas, mas com um cartaz que privilegia a descoberta de muita gente algo marginalizada pelos principais palcos e festivais nacionais, o “Portugal a Rufar” pretende acima de tudo, no entender de Rui Júnior, “criar a proximidade entre os artistas, os instrumentos e o público”.

O belíssimo espaço da Quinta da Fidalga e os seus quatro palcos que se estendem pelos jardins repletos de árvores e relvados, são o local ideal para essa interactividade pretendida.

Nada é deixado ao acaso e, pela primeira vez, teremos um evento em que, para além de ter actividades contínuas, de manhã à noite, não esquece os mais pequenos, com um espaço de “baby sitting”.

Além da forte componente de percussão, seja de raíz europeia, asiática ou africana, o “Portugal a Rufar” apresenta também o reggae dos angolanos Mercado Negro e a pop de Maria Leon que “adaptam parte do seu repertório propositadamente para este festival”. Desta forma, 30 elementos dos Toca a Rufar sobem ao palco com o projecto de Messias e Rui Júnior terá a oportunidade de actuar com a ex-Ravel e ex-Kutchi-Kutchi.

Publicado por Luís Rei às maio 26, 2005 07:59 AM