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abril 10, 2005
Breves notas sobre o 15º Intercéltico do Porto

Os Luar Na Lubre, ausentes do cartaz do Rivoli,apresentaram em Lisboa e em Montemor-o-Novo a vocalista lisboeta Sara Vidal (c) retorta.net | Há apreciação sobre o concerto na Memória Virtual
- Os Quadrilha evoluíram imenso. Há um tridente acústico de respeito que suporta a guitarra e a voz (nem sempre num registo apreciável) de Sebastião Antunes, como Amadeu Magalhães, o violinista escocês e o bretão da concertina Pierre Escodo. Mas ainda se encontram um pouco apegados à folk popularucha do "Ai Caramba" e da "Canção de Emborcar" que pedia um Sebastião mais Shane Mac Gowan. O melhor foi mesmo o tema instrumental.
- Susana Seivane, tão sensual de frente como de costas para o público, revela-se musicalmente bem melhor nos momentos em que a sua banda a acompanha no formato acústico e o mais simples possível (gaita de foles, concertina, bombo, tamboril, flauta), do que na vertente pop (com baixo eléctrico bateria e, sobretudo, o horripilante sax electrónico à Kenny G).
- Belíssima actuação dos Galandum Galundaina, que confirmam o bom momento registado em disco, em que a tradição mirandesa se apresenta mais moldada à urbanidade sem perder a autenticidade rural. Sintonia perfeita entre o Castelhano Paco Diez e o escocês Malcom Mc Millan que toca na perfeição todas as modas mirandesas com gaita a das terras altas.
- O acordeonista Christy Leahy é pequeno de estatura, mas um grandioso músico e um humorista digno de fazer boa figura num número de stand up comedy. O fole voa-lhe nas mãos. A todo o portento de técnica e agilidade, de registar também interessantes ornamentações para polcas, slides e reels com piano e um “kit” de bateria composto por bombo, pratos e tarola tocada com um espanador, pintalgando a respeitada tradição irlandesa com old time e jazz swingante do início do século XX.
- Os madeirenses Xarabanda precisam de palco, o que é uma constatação normal, dado o isolamento a que estão vetados na sua insularidade. Desta vez, Rui Camacho acertou no alinhamento que primou pela riqueza da variedade harmónica de mouriscas, cantigas de trabalho, cantigas de embalar, marchas instrumentais, romances. Conseguiu ainda gerir bem o tempo ao não prolongar demasiado quer as pequenas histórias à volta dos temas, e ao não exceder o tempo previsto de actuação. O melhor espectáculo que vi até hoje da Xarabanda.
Só falta mesmo explorar mais a belíssima sonoridade metálica da viola de arame e dar asas ao acordeonista sérvio Slobodan Sarcevic.
- Um final à Intercéltico do Porto. Efusivo, empolgante, com o público que esgotou a última noite completamente rendido, quer à intensidade e à velocidade estonteante com que os Danú atacavam os sets de reels, como também à classe e maturidade com a jovem vocalista Muireann cantava num timbre de grande senhora (Dolores Keane? Niamh Parsons?), canções de lamento ora gaélicas, ora de inspiração da folk americana (“Peg and Awl”). Nem demos pela falta do bordhán e da gaita de Donnchadh Gough que teve a infelicidade de partir a perna dias antes em Lisboa.
[continua]
Publicado por Luís Rei às abril 10, 2005 03:13 AM