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dezembro 23, 2004

Boas Festas

BOOM-NET NATAL.jpg

Um abraço a todos os amigos e clientes habituais das Crónicas da Terra: À Ana, Cristina, Tó, Lídia, Marta, Zazie, Paulo da Janela Indiscreta do Errância e do Húmus, ao Mário Retorta, ao Junqueira do Juramento Sem Bandeira, ao Carlos e à Maria João do No Mundo, aos patos, ao Pedro e ao Bonifácio da Laranja , aos viciados da bola, ao Zé e à Sandra do Rain Song e do Silêncio,ao Noronha, ao Catarino, à Mary John, ao Beep Beep à Outsie à Sara, ao Álvaro, aos corneteiros às desafinadas, à chocalhada, à gaitada, ao Vasco Casais, aos Mandrágora às Segue-me a Capela, ao Zé Miguel, ao Francisco, ao Leonel, ao CVM, ao Tchernignobyl, ao Barnabé, ao RMA, aos Monstros Bizarros, ao Vasco, Xana e Chanoca do SET, ao Carlos do , ao Mokas, ao Artur e ao Luís da d'Orfeu, ao Mundo da Canção, ao Mundo de Aventuras, ao Nuno e ao Balas da Ocarina, ao Zé Maria da Sabotage, ao Valter Hugo Mãe, ao Frota e Pires do "Diário da Répública", à Bulha, ao Feixa, etc etc etc.

Publicado por Luís Rei às 02:59 PM | Comentários (15)

dezembro 21, 2004

Prémio a incubadora II

"Talvez exista uma apetência especial para implicar comigo" [Dulce Pontes ao Comércio do Porto, em 20-12-2004, sobre o facto de, contrariamente ao que aconteceu em Itália e em Espanha (conquistou o Prémio Tenco e foi considerada "Melhor Intérprete Latina"), não ter ganho nada de relevante no nosso país durante este ano]

Publicado por Luís Rei às 12:32 AM | Comentários (15)

Prémio alguém explica à Dulce Pontes o que são Cine-Teatros?

"Quero fazer chegar a minha música às pessoas da melhor forma, não posso abdicar de determinadas condições porque este não é um espectáculo que possa ser perturbado pelo barulho dos carrinhos-de-choque numa festa de Verão". [Dulce Pontes ao Comércio do Porto, em 20-12-2004, tentando justificar o facto de só ter efectuado quatro concertos em Portugal durante este ano]

Publicado por Luís Rei às 12:21 AM | Comentários (19)

dezembro 20, 2004

[agenda] próxima paragem... 2005

carrinha.jpg

A Associação PédeXumbo e a Sociedade Harmonia Eborense promovem duas noites de fim de ano (30 e 31) para os "maluquinhos" das Danças Tradicionais Europeias, com uma série de actividades, com destaque para várias oficinas - danças africanas, galegas (para além das europeias), canto e culinária - e para os animadores da noite: Terrakota (a 30) e Uxu Kalhus (a 31).

Aqui fica o programa de festas, com um horário para ser cumprido ao minuto:

3 0 D e z
18h01 – Oficina de Danças Tradicionais Africanas (Celeiros da EPAC) com Zé Barbosa
19h31 – Oficina de Danças Tradicionais Europeias (Celeiros da EPAC) e Mercedes Prieto
18h37 – Oficina de Cante “Vamos Cantar as Janeiras” – PARTE I (SHE) com Joaquim Soares
22h02 – Baile com os Trad Machine (Tenda) (Miguel Barriga, Denys Stetsenko, Vasco Casais)
23h59 – Concerto com os TERRAKOTA (Tenda)
DJ – HUGO FROTA (Tenda)

3 1 D e z
17h17 - Oficina de Culinária Festiva “Para além das passas” (a confirmar)
18h37 - Oficina de Cante “Vamos Cantar as Janeiras” Joaquim Soares (SHE)
18h01 - Oficina de Danças Tradicionais Galegas Montse Rivera (Teatro a Bruxa)
19h01 - Oficina de Danças Tradicionais Europeias Mercedes Prieto (Teatro a Bruxa)
21h12 - Vamos Cantar as Janeiras com uma brilhante actuação
ao vivo e ao frio dos “des harmónicos de Évora” (pelas ruas de Évora)
22h22 – Kumpa'nia Al-Gazarra (Tenda)
00h00 - as 12 PASSAradas (Praça do Giraldo)
00h33 – UXU KALHUS (Tenda)
04h00 – Colectivo DJ IL CRU FANTÁSTICO (Tenda)
18h00 - 23h59 2005... e agora? Leitura da Xina, CartoMAGICante, lançamento
de rebuçados e bola de espelhos (Tenda)

1 Jan
18h08 – Dancing Strings (She)

Publicado por Luís Rei às 05:23 PM

[agenda] a folk endiabrada dos Balcãs no Lisboa Bar

O blog No Mundo, que tem publicado deliciosas reportagens em territórios balcânicos (Sérvia, Hungria, Roménia), promove no próximo dia 23, no Lisboa Bar (o actual local dos Encontros das Crónicas), uma noite musical centrada nesta conturbada região europeia. Boban Markovic Orkestar, Taraf de Haїdouks, Fanfare Ciocarlia ou Earth-Wheel-Sky Band são alguns dos nomes que dão forma à folk mais endiabrada e selvagem da Europa, que estarão em destaque na noite de quinta-feira (a partir das 22 horas).

Publicado por Luís Rei às 04:43 PM

dezembro 16, 2004

Parabéns, Mariza



Mariza © 2004 - agência zero

Hoje, Mariza comemora mais um aniversário. Desconheço a sua idade. Apenas sei que dia 16 de Dezembro é aquele em que veio ao mundo. Curiosamente, é também a data de encerramento da extensa digressão mundial de "Fado Curvo" que, ainda este mês, a levou à Russia durante três dias. Não quero discutir se o fado está ou não na moda, se o repertório é ou não demasiado decalcado de Amália. Apesar de não me puxar para ouvir os discos de Mariza em casa ou no local de trabalho, aproveito para reviver o concerto inesquecível do Rock in Rio.

Mariza é um ícone da pop que canta fado. Cresceu desmesuradamente nestes dois últimos anos. A tenda Raízes, uma das mais discretas de todo o festival, foi pequena demais para receber tamanho monstro mediático. O seu concerto foi, de longe, o mais concorrido dos 23 que ocorreram durante os seis dias de festival neste palco. Mas, o mais extraordinário na sua actuação, foi a forma como conquistou de imediato uma assistência que se dividia entre a classe média-alta de meia idade e uma considerável chusma de imberbes sub 24, habitues de festivais rock. Por esta avalanche de pessoas pouco comum neste pacato local e por toda a empatia e ambiente que se gerou entre a Diva e a plateia, ela merecia ter estado no Palco Mundo, a sós com o seu trio e não apenas no dueto com Daniela Mercury em versão electrónica de “Garota de Ipanema”, conforme havia acontecido na noite anterior.
É muito fácil embirrar-se com Mariza. Começou por comunicar de forma excessivamente teatral com a plateia, falando formalmente e com a voz colocada, como se estivesse a ler um texto para um documentário, por exemplo, ao contar a sua história de moçambicana que veio viver para a Mouraria com apenas três anos. Exibiu gestos excessivamente expressivos. Atacou algum do repertório mais óbvio de Amália. Trocou de vestido durante uma “guitarrada” em que brilharam os músicos que a acompanham: Luís Guerreiro em Guitarra Portuguesa, António Neto em Guitarra Acústica e o (também) moçambicano Fernando de Sousa em baixo acústico. Levou uma cadeira para o centro do palco, afastou a saia, colocou a perna em cima do assento e mostrou a meia de riscas lilás e preta, numa pose de dançarina de cabaret, ao abordar a vida da primeira fadista, Maria Severa. Comentou o seu penteado. Reconfortou a plateia com frases feitas: “- vocês são o melhor público do mundo”; “- Lisboa é a cidade mais bonita do mundo”. Gozou com Britney ao parecer auto-vangloriar-se dos seus poderosos dotes vocais: “- sem tretas. Isto não foi playback”, após uma arrancada de fazer calar o ruído dos aviões que muito frequentemente utilizavam o corredor aéreo da Bela Vista. Gritou “Portugal, Portugal, Portugal” em apoio à selecção. Apesar de tudo, Mariza conseguiu superar todos estes gestos que parecem tirados de um manual de como construir uma figura proeminente do show business. Como uma dama que se liberta dos espartilhos de fino aço, da pose, e se torna mais autêntica e mais genuína, Mariza deixou-se contagiar pela sede que a plateia tinha de ouvir fado. Inúmeras foram as vezes que a cantora parava a meio de uma canção para ouvir aqueles que a escutavam, como por exemplo, em “Oiça Lá Ó Senhor Vinho”. A cumplicidade foi tal que Mariza parecia estar do lado de lá e a assistência sob o domínio dos holofotes a acompanhar o trio. Foram momentos extremamente humanos e emotivos que levaram as lágrimas aos olhos de quem estava de apoio ao palco. Fascinante a forma como duas, três ou quatro mil almas sorveram o fado até à última gota. Num país em crise, com falta de auto-estima, Mariza devolveu-lhes o orgulho e serem portugueses. Ao quinto, repito, quinto encore, remata em beleza com as palavras “Lisboa Menina e Moça” comummente interpretadas por Carlos do Carmo. Mais emotivo era difícil. A fadista não irá esquecer-se desta noite tão depressa. [8.5/10]

Publicado por Luís Rei às 03:57 AM | Comentários (3)

Discos do ano - Folk Roots

Já saiu a edição dupla da Revista Folk Roots (Janeiro / Fevereiro de 2005), que inclui a relação dos melhores discos de 2004, de acordo com um painel de jornalistas, músicos, produtores,promotores, etc, etc, etc. De referir que os discos que ocupam os quatro primeiros lugares serão os concorrentes à categoria de melhor álbum de 2004 dos prémios da BBC Radio 3.

Primeiros classificados / Novos álbuns:


Andrew Cronshaw - Ochre

"Moments of resounding beauty... exotic and mysterious... a shock to realise the music being played is actually English." Colin Irwin, fR257


Lhasa - The Living Road

"Subtle weave of instrumental textures and cultural flavours... perfection is a pretty good one word description." Ian Anderson, fR249


Youssou N'Dour - Egypt

"Repays the plays... this set of music and words came as close to filling me with wonder as anything I can think of." Ian Anderson, fR252

Tinariwen - Amassakoul

"Sounds even better than its predecessor and may very well end up as one of the albums of the year." Jamie 'crystal ball' Renton, fR250

5= Mory Kante Sabou (Riverboat)
Mandekalou The Art & Soul Of The Mande Griots (Syllart)
7. Rachid Taha Tékitoi (Wrasse)
8. Khaled Ya-Rayi (Wrasse)
9= Martin Carthy Waiting For Angels (Topic)
Lila Downs Una Sangre (Narada)
11. Bebo & Cigala Lagrimas Negras (Calle 54)
12= Chango Spasiuk Tarefero De Mis Pagos (Piranha)
Think Of One Chuva Em Po (Zonk/LCM)
14= Shiyani Ngcobo Introducing Shiyani Ngcobo (Introducing)
Ozomatli Street Signs (Real World)
Karine Polwart Faultlines (Neon)
17= Enzo Avitabile & Bottari Save The World (Wrasse)
Old Swan Band Swan-Upmanship (Wild Goose)
Ska Cubano Ska Cubano (Casino Sounds)
Huong Thanh Mangustao (ACT)

outros discos pontuados:

Dave Alvin Ashgrove (Yeproc); Antibalas Who Is This America? (Ropeadope); Ba Cissoko Sabolon (Marabi); Issa Bagayogo Tassoumakan (Wrasse); The Big Session The Big Session Vol. 1 (Westpark); Brass Monkey Flame Of Fire (Topic); Ross Daly Microkosmos (L'Empreinte Digitale); Mercan Dede Su (Doublemoon); Sekou Diabate Guitar Fô (Discorama); Nahawa Doumbia Diby (Cobalt); Alasdair Fraser & Natalie Haas Fire & Grace (Culburnie); Gipsy Kings Roots (Sine); Jaojoby Malagasy (Discorama); Mary McPartlan The Holland Handkerchief (MacP); Manuel 'Guajiro' Mirabal Buena Vista Social Club Presents (World Circuit); Planxty Live 2004 (Columbia); Kala Ramnath Kala (Sense World Music); Darko Rundek & Cargo Orkestar Ruke (Piranha); Warsaw Village Band Uprooting (World Village).


Reedições / Compilações

o mais votado (lugar muito bem entregue):


Ali Farka Touré - Red and Green

2. Sandy Denny A Boxful Of Treasures (Fledg'ling)
3. Amparanoia Rebeldia Con Alegria (EMI Spain)
4. Various World 2004 (Wrasse)
5= The Clash London Calling - 25th Anniversary (Epic)
Fela Kuti Music Is The Weapon (Wrasse)
The Watersons Mighty River Of Song (Topic)
8= Bob Dylan Live 1964 Columbia/Legacy)
Tangle Eye Alan Lomax's Southern Journey Remixed (Zoe/Rounder)
Various Electric Gypsyland (Crammed Discs)
Various Suburban Bucharest (Trikont)
12. Various The Diaspora Of Rembetiko (Network)
13= Bembeya Jazz National The Syliphone Years (Stern's)
Various The Transports (Free Reed)
15= Richard & Linda Thompson I Want To See The Bright Lights Tonight (Island)
Various Hot Women (Kein & Aber)
Various Mento Madness (V2 Music)

outros discos pontuados:

Peter Bellamy Fair Annie (Fellside); Shirley Collins & The Albion Country Band No Roses (Castle); Fairport Convention Cropredy Capers (Free Reed); Fotheringay Fotheringay (Fledg'ling); The Mekons Heaven & Hell (Cooking Vinyl); Oyster Ceilidh Band 20 Golden Tie Slackeners (Running Man); Thierry Robin Alezane (Naïve); Tarika 10 - Beasts, Ghosts And Dancing With History (Artemis); Richard Thompson Henry The Human Fly (Fledg'ling); Richard & Linda Thompson Pour Down Like Silver (Island); Papa Wemba Mwana Molokai - The First 20 Years (Stern's Africa); Various Lif Up Yuh Leg An Trample (Honest Jon's); Various Lullabies From The Axis Of Evil (Kirkelig Kulturverksted); Various Rough Guide To Rembetika (World Music Network); Various Trésors de la Musique Algérienne (Institut Du Monde Arabe); Various Zanzibar Soul & Rhythm (Jahazi).


Publicado por Luís Rei às 03:26 AM | Comentários (2)

[agenda de espectáculos] Mariza termina tournée em Castelo Branco

16 Dez 04 @ Mariza @ Castelo Branco: Cine-Teatro Avenida

16 Dez 04 @ Josh Rouse [showcase] @ VN Gaia: FNAC- Gaia Shopping @ 22h @ Ent Gratuita

16 Dez 04 @ Sérgio Godinho @ Coimbra: TAGV @ 21h30

16 Dez 04 @ Mistiçu @ Lisboa: B'Leza @ 23h30

17 Dez 04 @ Josh Rouse @ Porto: Edifício Alfândega @ 21h30

18 Dez 04 @ Terrakota @ Lisboa: Santiago Alquimista @ 23h00 @ 7.5€

18 Dez 04 @ Rodrigo Leão @ Aveiro: Teatro Aveirense @ 21h30

18 Dez 04 @ Cramol + Uxia + Amélia Muge + Moçoilas @ Oeiras: Aud. Mun. Eunice Muñoz @ 21h30 @ Entrada Livre

18 Dez 04 @ II Arribas Folk: Arrefole, Beltane, Chuchurumel, Mu! e Toques do Caramulo @ Sendim @ 22h00

18 Dez 04 @ Dub Groove Sessions: Dubadelic Vibrations vs Jula Jah Soundsystem feat. Prince Wadada, MC Praga @ Lisboa: ZDB @ 23h30 @ 5€

18 Dez 04 @ Tocandar + Percurtir (Brasil) + Gaitafolia@ Marinha Grande: Sede da Ordem @ 21h30

19 Dez 04 @ Grupo Coral e Etnográfico da Casa do Povo de Serpa @ Serpa: Igreja do Salvador @ 21h00 @ Ent. Livre

23 Dez 04 @ Natalapalusa: Dead Combo + U-Clic + Micro Audio Waves @ VN Gaia: Hard Club @ 22h30 @ 10€

31 Dez 04 @ Passagem de ano com Uxu Kalhus @ Évora @ 22h00 @

17 Jan 05 @ Emir Kusturica + No Smoking Orchestra @ Lisboa: Coliseu @ 21h30 @ 30€

29 Jan 05 @ Arnaldo Antunes @ Lisboa: CCB @ 21h30 @ 20€ a 30€

31 Jan 05 @ Arnaldo Antunes @ Porto: Rivoli @ 21h30 @ 20€ a 30€

26 Fev a 6 Mar 05 @ Ópera do Malandro @ Lisboa: CCB @ 21h30

10 e 11 Mar 05 @ Ópera do Malandro @ Figueira da Foz: CAE @ 21h30

17 a 20 Mar 05 @ Ópera do Malandro @ Porto: Rivoli @ 21h30


Lá fora: Portugueses

12 Mar 05 @ Ana Moura @ Nova Iorque: World Music Institute

Publicado por Luís Rei às 01:12 AM

150 discos de 2004 [WMCE]

O painel de Dj's europeus de rádio nomeou no ano que está prestes a findar 953 discos. Eis a lista dos 150 discos mais votados.

1 AMASSAKOUL Triban Union/Emma
Tinariwen Mali


2 THE LIVING ROAD Warner Jazz
Lhasa Canada


3 EGYPT Nonesuch
Youssou N'Dour Senegal


4 BOOMERANG Wrasse
Daara-J Senegal


5 MANGUSTAO ACT
Huong Thanh Vietnam/France


6 SAVE THE WORLD Wrasse
Enzo Avitabile & Bottari Italy


7 BOWMBOI Tama
Rokia Traore Mali


8 MARES PROFUNDOS Edge Music/Deutsche Grammophon
Virginia Rodrigues Brazil


9 SU Doublemoon
Mercan Dede Turkey/Canada


10 UNA SANGRE Narada
Lila Downs Mexico/USA



11 CHUVA EM PO Zonk
Think of One Belgium/Brazil


12 WHO STOLE THE SKY? Ponderosa
Sainkho Namtchylak Tuva


13 TRUE LOVE V2
Toots & The Maytals Jamaica/various


14 SOUNDS OF OUR LIFE - PART 1 Heaven & Earth
Armenian Navy band Armenia/USA


15 HOTEL VIETNAM King Records
Blue Asia Japan/Malaysia/Vietnam


16 SALT Righteous Baby
Arto Lindsay USA


17 MZANSI MUSIC - YOUNG URBAN SOUTH AFRICA Trikont
V.A. South Africa


18 TEKITOI Wrasse
Rachid Taha Algeria/France


19 BELEZA BELEZA BELEZA Ziriguiboom
Trio Mocoto Brazil


20 THE KING IS AMONG US WAM
Belgian Afro Beat Association Belgium


21 MASSAFAT Barraka el Farnatshi
Azzddine Morocco


22 SABOU Riverboat
Mory Kante Guinea


23 AY VALERIA Mopiato
Ricardo Lemvo & Makina Loca Congo


24 LAUGHTER THROUGH TEARS Outcaste
Oi Va Voi UK


25 YA-RAYI Universal
Khaled Algeria


26 LI TURCHI VIAGGIANO Oriente
Media Aetas Italy


27 AZULANDO Lusafrica
Teofilo Chantre Cape Verde


28 PALYRRIA Cantini
Palyrria Greece


29 MUDANIN KATA Riverboat
David Darling & The Wulu Bunun USA/Taiwan


30 ACROSS THE 110TH STREET Rykodisc
Spanish Harlem Orchestra USA


31 ALONG THE PATH Poets Club
Eastenders Germany/various


32 TASSOUMAKAN Six Degrees
Issa Bagayogo Mali


33 GHOSTBOY Megadisc
Gabriel Rios Puerto Rico


34 HOT WOMEN Kein und Aber
V.A. USA


35 WORLD 2004 Wrasse
V.A. various


36 KATA Galileo MC
Miquel Gil Spain


37 SUBURBAN BUCHAREST Trikont
V.A. Romania


38 450 SHEEP Warner
Zdob Shi Zdub Moldavia


39 GLOBAL HIP HOP Manteca
V.A. various


40 NAPOLI MEDITERRANEA Empreinte Digitale
Pietra Montecorvino Italy


41 DESERTORE Elkar
Oskorri Spain


42 FLOR DE AMOR World Circuit
Omara Portuondo Cuba


43 HORSE AND FISH Hannibal
Vinicius Cantuaria Brazil


44 MAHALA RAI BANDA Crammed
Mahala Rai Banda Romania


45 THE ROUGH GUIDE TO ITALIA NOVA World Music Network
V.A. Italia


46 TANGO CRASH Galileo MC
Tango Crash Argentina/Germany


47 SANDIYA Contre-Jour
Keletigui Diabate Mali


48 ANCETSRY IN PROGRESS Luaka Bop
Zap Mama Belgium


49 BODJAL Amigo
Ale Möller Band Sweden


50 TUTUKI Warm Earth Records
Te Vaka New Zealand


51 WHENDO Contre jour
Gangbe Brass Band Benin


52 MITSOURA Mitsoura Production
Mitsou Hungary


53 PSYCHEBELLY DANCE MUSIC Doublemoon
BabaZula Turkey


54 LA RAIZ Palm Pictures
Radio Mundial USA


55 MIN BERIYA TE KIRYE Daqui
Sivan Perwer Turkey


56 ELECTRIC GYPSYLAND Crammed
V.A. Romania/various


57 ALEZANE Naive
Thierry Titi Robin France


58 RUKE Piranha
Darko Rundek & Cargo Orkestar Croatia


59 OUR WORLD BMG
Soweto String Quartet South Africa


60 MUNIA Universal
Richard Bona Cameroun/USA


61 ANDE LINDRI Daqui
Romano Drom Hungary


62 ZION ROOTS Network Medien
Abyssinia Infinite Ethiopia/USA


63 OCHRE Cloud valley
Andrew Cronshaw UK


64 MARANNUI Forrest Hill
Epifani Barbers Italy


65 UMA BATIDA DIFERENTE Ziriguiboom
Bossacucanova Brazil


66 THE ROUGH GUIDE TO AFRICAN RAP World Music Network
V.A. various


67 HEMAVAZ Kalan Müzik
Kardes Türküler Turkey


68 NUBES DEL ALMA Footprint
Cerro Esperanza Band Sweden


69 AJRU Discmedi
Mercedes Peon Spain


70 CANTOS DE AGUA DULCE Chesky
Marta Gomez Colombia


71 AFRICA SHRINE Uwe
Femi Kuti Nigeria


72 IAIE Resistencia
Lidia Pujol Spain


73 MAPOU Riverboat
Rene Lacaille Reunion


74 ESSENTIAL LATIN FLAVAS 2 Outcaste
V.A. various


75 PARAISO DI GUMBE Wrasse
Manecas Costa Guinea Bissau


76 THE ART AND SOUL OF THE MANDE GRIOTS Syllart
Mandekalou Mali


77 THE DIASPORA OF REMBETICO Network Medien
V.A. Greece


78 REBELDIA CON ALEGRIA EMI
Amparanoia Spain


79 AMERICAN US Six Degrees
Los Mocosos USA


80 WORDS Next Music
Geoffrey Oryema Uganda


81 KRIOYO Network
Izaline Callister Curacao


82 THREE FIELDS Sketis
Volga Russia


83 SRBIJA: SOUNDS GLOBAL 3 B92
V.A. Serbia


84 MAASAI HIP HOP Out Here Records
X Plastaz Tanzania


85 STREET SINGS Realworld
Ozomatli USA


86 ROOTS Sony
The Gypsy Kings France


87 DAKAMERAP Out There Records
Alif Senegal


88 UPROOTING Jaro
Warsaw Village band Poland


89 INTRODUCING SHIYANI NGCOBO World Music Network
Shiyani Ngcobo South Africa


90 RAMESH RE-VISITED Jubilee
Ramesh Germany/Sri Lanka


91 WU XING CRC
Wu Xing China


92 NATIONAL COLLECTIVE INSTITUTO Beleza
V.A. Brazil


93 TOTO, BONA, LOKUA No Format
Toto, Bona, Lokua Cameroun/Congo


94 BEBEL GILBERTO Ziriguiboom
Bebel Gilberto Brazil


95 DI KORPU KU ALMA Lusafrica
Lura Cape Verde


96 MEMORIA Lusafrica
Polo Montanez Cuba


97 NA SVYAZI Virgin
Markscheider Kunst Russia


98 NU EUROPE Manteca
V.A. various


99 SKA CUBANO Casinosounds
Ska Cubano Cuba


100 RAVAL TA JOIE Organic
08001 Spain


101 WORLD REGGAE Putumayo
V.A. various


102 ROMANCE & YASMIN Choice Music
Yasmin Levy Israel


103 ZUME DE TERRA Boa
Xose Manuel Budino Spain


104 BAMBAS AND BIRITAS Ether
BiD Brazil


105 END OF THE HOLIDAY NMC
Chava Alberstein Israel


106 OYAYA Sony
Angelique Kidjo Benin


107 JAROM AZ UTAM Fono
Parno Graszt Hungary


108 THE PEOPLE LOVE IT Wam
The Internationals Belgium


109 UNIVERSUM D'AMOUR Jigit
Lecker Sachen Germany


110 AFRICAN CITIZEN M10
Ze Manel Guinea-Bissau


111 MAGICNA VIOLINA B92
Aleksandar Sisic Serbia


112 MISIYA Harmonia Mundi
Etienne Mbappe cameroun


113 RUSSENSOUL Trikont
V.A. Russia


114 TANA TANI Realworld
State of Bengal vs Paban Das Baul India/UK


115 ESSENTIAL ASIAN FLAVAS Outcaste
V.A. various


116 ELUSIVE Westpark
Zulya Australia


117 RED & GREEN World Circuit
Ali Farka Toure Mali


118 PAST ET PRESENT Orange World
Kriwi Belarus


119 REFLECTIONS Gallo
Miriam Makeba South Africa


120 SELWA Six Degrees
Choying Drolma & Steve Tibbets ??


121 ABANTU Nation
The Mighty Zulu Nation & Aki Nawaz UK/Southafrica/Pakistan


122 BALKEA Network
Sandy Lopicic Orkestar Serbia


123 PALMWINE A GO GO Stern's
Abdul Tee-Jay Sierra Leone


124 XALIMA Stargaze Records
Seydina Insa Wade Senegal


125 CONTRASTS Farout
Marcos Valle Brazil


126 DIDA ZIG ZAG WORLD
Manou Gallo Ivory Coast


127 Manuel "Guajiro" Mirabal World Circuit
Manuel "Guajira" Mirabal Cuba


128 OUMOU World Circuit
Oumou Sangare Mali


129 BABJE LETO Dallas
Katalena Slovenia


130 Barcelona Raval Sessions K-Industria
V.A. Spain


131 CRU Naive
Seu Jorge Brazil


132 KORA JAZZ TRIO Celluloid
Kora Jazz Trio various


133 LIIR F2F
Diogal Senegal


134 ANO NEKO Contre Jour
Dobet Gnahor Ivory Coast


135 VOZ D'AMOR Lusafrica
Cesaria Evora Cape Verde


136 SAINT ALLAH Jololi
Youssou N'Dour Senegal


137 AIWA Wikkid
Aiwa France/Iraq


138 KOTE Syllart/Wrasse
Idrissa Soumaoro Mali


139 ANZIX Folkeuropa
Makam Hungary


140 NU BRAZIL 2 Manteca
V.A. Brazil


141 PORTO ALTO Uguru
Rao Kyao Portugal


142 NU TANGO Manteca
V.A. Argentina/various


143 KWAITO - SOUTHAFRICAN URBAN BEATS EMI
V.A. South Africa


144 BRASILEIRINHO Biscoito Fino
Maria Bethania Brazil


145 ANDANDO EL TIEMPO ACT
Gerardo Nunez Spain


146 SOY CUBANITO Lusafrica
CUBANITO 20.02 Cuba


147 INTIMO Danza Y Movimento
Blas Rivera Artgentina


148 ZUF DE ZUR Finisterre
Partigiani Italy


149 CHAMPAGNE & GRITS Realworld
Little Axe UK/USA


150 THE FIRST 20 YEARS 1977-1997 Stern's
Papa Wemba & Viva la Musica Congo


fonte: www-wmce.de

Publicado por Luís Rei às 12:53 AM

dezembro 15, 2004

The Pogues + Shane MacGowan: primeiras reacções à tournée de 2004

A Tourée de 2004 dos The Pogues que volta a reunir Shame MacGowan e a baixista Cait O'Riordan (que deixou a banda em 85), arrancou há dois dias na Escócia, na cidade de Glasgoa. Até agora, só reparei num pequenino texto do diário Scotsman (que dá três estrelas em cinco). Mas, a melhor fonte de informação tem sido, sem dúvida os foruns, quer da Página de Shane, quer dos Pogues. Aí poderemos saber que o concerto teve a duração de duas horas, que Shane mandou abaixo três garrafas de Porto, que a assistência gritou bem alto "there’s only one Shane MacGowan", que cait cantou em A Pair Of Brown Eyes, A Man You Don’t Meet Every Day e Fairytale of New York. O Primeiro encore foi demolidor... Sally MacLenanne, Irish Rover e Fiesta.

Eis o alinhamento da noite de dia 13:

1) Streams of Whiskey
2) If I Should Fall From Grace
3) Boys From The County Hell
4) Broad Majestic Shannon
5) Young Ned of the Hill
6) Turkish Song of the Damned
7) Rainy Night in Soho
8) Tuesday Morning
9) Rain Street
10) Medley
11) I'm a Man You Dont Meet Every Day (Cait on vocals)
12) Pair of Brown Eyes
13) Repeal
14) White City
15) Old Main Drag
16) Thousands are Sailing
17) Body of an American
18) Lullaby of London
19) Dirty Old Town
20) Bottle of Smoke
21) Sick Bed of Cuchulainn

1º Encore :
Sally MacLenanne
Irish Rover
Fiesta

2º Encore :
Star of the County Down
Fairytale of New York (Cait on Vocals)
Yeah Yeah Yeah Yeah

Resta saber se alguma alma caridosa gravou a totalidade do concerto e o disponibiliza no Pássaro Azul, enquanto a Warner (será?) não edita o previsível DVD.

A digressão prossegue amanhã em Newcastle. Eis as datas que restam:

Dec 16: NEWCASTLE Arena
Dec 17: BIRMINGHAM Academy
Dec 18: MANCHESTER MEN
Dec 20: LONDON Brixton Academy
Dec 21: LONDON Brixton Academy
Dec 22: LONDON Brixton Academy
Dec 23: DUBLIN The Point Theatre


Publicado por Luís Rei às 01:41 PM

dezembro 10, 2004

[entrevista] Lhasa - Eterna Nómada

Lhasa é uma eterna viajante, mas tem residência fixa em Montreal (Canadá). Nasceu entre os Estados Unidos e o México, em trânsito. Em 97, depois de cinco anos a tocar na América em bares com o homem que viria a descobrir o seu talento vocal, Yves Desrosiers, edita “La llorona” e o que se sucede – reconhecimento internacional e extensa tournée – deixa-a a de rastos, refugiando-se em França. Estada dividida entre a vida errante do Circo com as suas irmãs, na companhia Cirque du Soleil, e a paz de Marselha onde foi gravando, durante três anos, “The Living Road”. Lançado no Canadá em 2003 (chegando à Europa só em 2004), o segundo álbum de Lhasa de Sela extravasa toda a imagem de sacerdotisa mítica mexicana que encanta e atraiçoa os homens. Uma obra que expõe a carne, o osso e a alma, de quem não se contenta a revelar a sua intimidade apenas na língua castelhana. Podemos torcer o nariz ao início, mas cedo compreendemos a sua essência e aceitamos que ela nos cante em francês, inglês, árabe, ou mesmo, português, apesar de não dominar ainda estes dois últimos idiomas.

A sua vida, desde a infância, tem sido a de uma verdadeira nómada. No entanto, parece parar para escrever e gravar as suas canções. É mesmo necessário deixar-se estar no mesmo sítio para gravar um disco, mesmo que o título seja “The Living Road”?

Não sei. Nunca viajei porque queria viajar, sempre viajei porque tinha qualquer coisa para fazer. Quando viajo toda a minha vida vai comigo, não deixo a minha casa e vou viajar, excepto quando estou em digressão. É mudar de casa. Não sei se é necessário parar para escrever. Apenas preciso de espaço e de tempo para escrever canções e é mais fácil quando se está em casa.

O que é que fez em Marselha?

Tinha um namorado. A minha irmã vivia lá. A minha mãe veio e esteve connosco. Tinha uma série de amigos.

E o seu pai? Continua a vê-lo?

Vive em Nova Iorque, vejo-o quatro vezes ao ano.

Quando estava a escrever as canções de “La Llorona”, sempre que tinha um bloqueio criativo, telefonava ao seu pai e ele declamava-lhe poemas que a ajudavam. Também teve a ajuda do seu pai neste disco?

Não tive a ajuda do meu pai porque estava longe dele. Talvez no próximo disco.

Em “The Living Road”, além das várias línguas em que agora canta, houve uma outra mudança significativa: a do guitarrista, produtor e arranjador Yves Desrosiers, por François Lalonde e Jean Massicotte. O que é que isso implicou no método de gravação deste disco?

Comecei a tocar junto com o Yves em bares, desde 92, durante cinco anos. Na altura da gravação de “La Llorona”, tínhamos uma relação musical e de amizade muito próxima. Eu não tinha experiência de gravação, mas ele sim. Como me conhecia muito bem, fez quase tudo sozinho. Não estive muito tempo em estúdio, estava ocupada com outras coisas. Confiei nele completamente. Com o François e Jean, aprendi imenso com eles. Estive mais envolvida no processo de gravação e, desta vez, e trabalhamos como um trio, todo o dia, durante sete meses.

Sentia-se com dificuldade em respirar, já que o Yves a conhecia tão bem?

Trabalhei com ele durante 8 anos. Foi muito bom.

Um dos motivos do vosso desentendimento foi o facto de o Yves se interessar cada vez mais pela música mexicana e de a Lhasa sentir uma maior necessidade de criar canções em várias línguas. Será que o papel de cantora mexicana era demasiado redutor para o seu modo de vida nómada?

Queria fazer um disco mais pessoal. Não seria honesto para mim ser apenas uma cantora mexicana. Deixei o México quando tinha 11 anos. A minha primeira língua é o inglês e agora vivo em França a maior parte do tempo. Tornou-se mesmo necessário fazer o disco desta forma. As canções começaram a sair nestes idiomas. “The Living Road” representa aquilo que sou.

Durante esses sete meses que “The Living Road” demorou a ser gravado, houve uma escolha criteriosa de diferentes músicos para cada canção, como se estivesse a montar um cenário apropriado para contar uma história. Como é que o processo se desenrolou?

Cada canção foi feita como se de um pequeno filme se tratasse. Os instrumentos eram os actores. Escolhia que sons queria que contassem determinada história. Houve diferentes guitarristas, baixistas, trompetistas, diferentes sons. Os dois produtores tocaram muito. Trabalhámos os três sempre juntos. Olhávamos para os arranjos, víamos que faltava ali qualquer coisa e chamávamos os músicos. Fomos construindo cada canção como se fosse uma fina peça de joalharia, como se fosse filigrana.

Quando é que sente que uma canção está terminada?

É difícil explicar. Tudo fica claro. Não há perguntas entre nós. É um processo muito misterioso. São como peças de um puzzle que ficam juntas.

A fase que antecedeu este álbum, obrigou-a a fazer uma ruptura com o passado. Teve de fazer uma escolha que acabou por ser, para si, uma espécie de renascimento. Que escolha foi esta?

A verdade é que o tempo entre os dois álbuns foi muito período muito difícil para mim. Senti-me muito confusa e muito perdida. Não sabia como haveria de voltar à música. Tinha medo de tudo. Sentia uma grande tristeza em mim. Nessa altura, o facto de ter entrado em estúdio para gravar este disco, foi como uma tábua de salvação. A música salvou a minha vida. Sabe como é estar a nadar e de repente ver uma bóia para se agarrar? A gravação deste disco foi essa bóia. Foi muito divertido gravar este disco com estas duas pessoas. Foi uma experiência muito intensa e bonita. Tivemos uma óptima relação de amizade. Quando o álbum acabou de ser gravado estava muito melhor.

Este tem sido um ano de muito trabalho para si. Já fez muito mais do que cem espectáculos. Não receia sentir-se novamente exausta?

Alguns dias estou cansada, estou com medo, estou contente. Agora compreendo mais a vida. Há dias em que tenho mais energia, outros menos. Agora, é mais simples compreender isso. Sei que sou sou uma cantora. É isto o que faço. É muito intenso, gasta-nos muitas energias. Durmo bastante. Tomo conta de mim. Levo agora as coisas de forma mais comedida, não tão dramática como antigamente. Tenho uma perspectiva maior de vida. Sei que é isto que quero fazer. Sei que amanhã haverá um outro concerto. É a vida de cantora. Temos de nos manter com os pés no chão. É fácil deixarmo-nos abater pelo perfeccionismo.

Publicado por Luís Rei às 07:34 AM

dezembro 09, 2004

[agenda] Cancelados concerto e show cases de Dazkarieh no Porto

O concerto de sábado dos Dazkarieh, inserido na programação do Festival Etnias e show cases programados para as FNACs do norte, foram cancelados. Motivo: a Helena Madeira encontra-se temporariamente "de molho". Esperemos que a maleita se vá embora o mais depressa possível e que não ataque os outros elementos do grupo.

Publicado por Luís Rei às 03:22 PM

[agenda] Etnias 2004 no Porto, entre hoje e sábado

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A partir de hoje e até ao próximo sábado, realiza-se o segundo festival Etnias, no Porto (espaço Contagiarte, na Rua Álvares Cabral, 372). De acordo com a associação Acaro, este é "um evento que reúne projectos musicais que se dedicam à pesquisa de sons inspirados nos cinco continentes". Ou seja, músicos na sua maioria portugueses que exploram diversas tradições extra e intra-muros: desde a percussão africana mandinga, às modas mirandesas.

Hoje haverá Rootscaravan e Kulirimar. Amanhã, sobem ao palco Galandum Galundaina e Mu. No sábado, honras de fecho para Dazkarieh (a edição em caixa de madeira do segundo disco deverá ser distribuída no Etnias) e Koredjuga.

Do Press-release da organização do Festival:

ROOTSCARAVAN
Com experiências e influências diversas na área da música e dança, o grupo Rootscaravan formou-se em Abril de 2004. Residentes na área do Porto, viajam pelo mundo, explorando as suas raízes artísticas, essencialmente de inspiração étnica - africana, aborígene, cubana, brasileira, entre outras - divulgando a cultura aborígene através do didgeridoo e entoando o Dreamtime da sua mitologia. Sons como o cântico do pássaro Kookaburra, o ladrar do cão selvagem e o caminhar do canguru australianos, são exemplos disso. Dedicam-se à revitalização de temas e danças através da reinterpretação temática de diversas regiões do mundo, trabalhando na uniformização de melodias com ritmos variados, para a reciprocidade entre músicos e ouvintes com base na renovação da tradição. Pretendendo quebrar barreiras da unicultura e combinar as diferentes culturas étnicas, sem deixar de assumir as influências contemporâneas da sociedade actual (Drum’n Bass, Funk…), os Rootscaravan têm como objectivos comunicar, envolver e divertir ao mesmo tempo que tentam sensibilizar o público para as questões sócio-ambientais da sociedade actual.
Dos vários mestres com os quais constantemente formam a sua especialização técnica e artística na área étnica, saliente-se o percussionista uruguaio Nico Arnicho e o africano Aledjo Sane. Dos vários espectáculos apresentados pelos Rootscaravan saliente-se a participação no Festival Andanças 2004.


Elementos:

Cação
Percussão

Renato
Didgeridoo

Tito
Percussão

Eva Azevedo
Dança

KULIRIMAR

Das ruas corre um som, espreita um ritmo e de longe, das terras quentes e secas, chega até nós a música dos Kulirimar onde a tradição africana e a cultura urbana se cruzam de uma forma intuitiva e original.
Os Kulirimar surgem como uma banda actual, em que a música africana é o princípio e não o fim, ou seja, parte-se de uma paixão que desafie a criatividade para se chegar além dos limites de um mundo convencional.
Sem fronteiras e barreiras este é um projecto multicultural onde se definem novos sons e novas atitudes. A música do mundo tem um espaço na cena musical portuguesa e de certo os Kulirimar fazem parte dela.

mais informação em: www.kulirimar.com

Elementos:

Maria João
Voz

Nelson
Balafon e voz

Kula
Baixo

Paulo
Guitarra

Gueladjo Sane
Djambé e Congas

Carlos Câmara
Percussões

Hugo Fontaínhas
Bateria


GALANDUM GALUNDAINA
Em 1996 nasce o Grupo de Música Tradicional Mirandesa Galandum Galundaina, e a associação cultural com o mesmo nome, com o objectivo de recolher, investigar e divulgar o património musical, as danças e língua das Terras de Miranda. Este grupo faz a ligação entre a antiga geração de músicos e a geração mais jovem, assegurando a continuidade da rica tradição musical desta terra que durante anos correu o risco de se perder.
Os elementos do grupo nasceram e cresceram nas Terras de Miranda (Fonte de Aldeia e Sendim) onde adquiriram conhecimento directo da música que interpretam através do ambiente familiar e do convívio com os velhos gaiteiros e da consulta de velhas gravações. A par desta vivência tradicional, todos os elementos têm formação académica na área da música.
Os instrumentos usados são réplicas de outros muito antigos, mantendo o aspecto e a sonoridade dos mesmos. Os trajes com que o grupo se apresenta são de confecção manual e tradicional.

www.galandum.co.pt

Elementos:

Paulo Preto
Voz, gaita de foles mirandesa, sanfona, flauta pastoril e tamboril

Paulo Meirinhos
Voz, bombo, gaita de foles galega, percussões tradicionais

Manuel Meirinhos
Voz, percussões tradicionais, flauta pastoril e tamboril

Alexandre Meirinhos
Voz, caixa de guerra, percussões tradicionais


MU

Os MU, juntam-se para dar vida a instrumentos e ritmos de várias latitudes, onde os sons se fundem numa linguagem universal.
Os Mu, músicos oriundos de várias formações musicais, dão vida a sons do mundo com instrumentos tradicionais como o didgeridoo australiano, a tabla indiana, o violino, o acordeão e a viola d’arco europeus.
Desde que nasceram, há um ano a esta parte, os Mu já participaram em vários festivais de projecção nacional como o Andanças, o Trebilhadouro, o Granitos Folk e recentemente foram seleccionados para a final do concurso Arribas Folk - Sendim, Terras de Miranda.


Elementos:

Osga
didgeridoo, percussões, cordofone, flauta

Nuno
tabla, percussões

Diana Azevedo
violino, voz

Sophie Kalizs
acordeão, voz

Amy Merrill
Viola d’arco

DAZKARIEH

Dazkarieh é um projecto musical que, utilizando instrumentos músicais das mais diversas culturas, procura uma linguagem nova na diversidade de ritmos, timbres e melodias.
Constituído por elementos com formação diferenciada, o grupo pretende, na fusão dos seus diversos imaginários, a criação de um espectáculo musical diferente, capaz de despertar vivências e sentimentos no interior de cada um.
Vocacionado, essencialmente, para actuações ao vivo, Dazkarieh propõe-nos em cada espectáculo, uma viagem através de um mundo cheio de cores e emoções.
Explorando um vasto leque de instrumentos acústicos (dos sopros irlandeses e galaico-portugueses, às quentes percussões africanas, passando pelas cordas mediterrânicas...) e cruzando melodias e harmonias eruditas e exóticas com o forte pulsar das percussões, o espectáculo Dazkarieh permite-nos viver momentos e ambientes do mais puro intimismo conjugados com outros, fortemente ritmados, de efusiva e contagiante alegria.
Ao longo deste último ano têm vindo a actuar um pouco por todo o país, tendo realizado dezenas de concertos e participado em festivais. Em cinco anos de existência os Dazkarieh já realizaram 69 concertos.

www.dazkarieh.com


Elementos:

Vasco Ribeiro Casais
Bouzouki, flautas e gaita de foles

Ricardo Gouveia
Guitarra Clássica e baixo electrónico

Helena Madeira
Voz e Percussão

Luís Paulo
Percussão

Paula Pestana
Violino

Pedro Roxo
Contrabaixo, tablas e shruti box


KOREDJUGA

Um grupo de jovens de influências variadas, congrega-se em torno de um estilo musical comum a todos eles, a Percussão Africana (Mandingue). Sem interesse de se tornar num grupo de espectáculo, o grupo que tocava até então por pura diversão, começou a ser convidado para fazer apresentações em locais pequenos como escolas, festas privadas e festivais de menor projecção mediática. Nasce assim a vontade de começar a criar algo musicalmente mais sólido.
O nome Koredjuga , surge através de um ritmo, cujo significado quer dizer “palhaços”, ou seja, aqueles que animam a festa. Segundo a tradição, os koredjugas animavam festas tocando em casamentos, baptizados, e rituais de cultura Mandingue.
Os Koredjuga têm como base armilar a música a música como expressão de arte. O grupo baseia-se na interpretaçãoi e criação de reportórios tradicionais africanos, mas também aborda outras culturas e gostos musicais, aliando as influências que cada elemento aporta para o enriquecimento do grupo.


Elementos:

Carlos Alberto Lima
Dununs , Djembé

Guilherme Ben-sassy
Dununs, Djembé

Nuno Direitinho
Djembé, Balafon, Tama, Gloche, Dyabara

Tânia Lopes
Dununs, Djembé,

Vasco Marques
Dununs, Djembé

Francisco Ariztía
Djembé Dununs

Sara Montano
Dununs , Djemb

Publicado por Luís Rei às 01:18 PM

dezembro 07, 2004

[agenda] hoje à noite, há Danças Europeias com Monte Lunai hoje, no Mercado da Ribeira

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Depois dos Uxu Kalhus, o "Planeta Dança" (que faz questão em manter semanalmente o espírito do "Andanças" no Mercado da Ribeira em Lisboa), volta a apresentar os Monte Lunai em mais um baile de danças tradicionais europeias. Se não souberem dançar, não se apoquentem, a Mercedes Prieto está lá para vos ensinar os “hanter’dros” da Bretanha, os “hassapikos” da Grécia, os ritmos Balcãs da Ucrânia, as muineiras da Galiza, as valsas e os jigs.

os Monte Lunai são:

Denys Stetsenko – Violino (que dedos que este ucraniano tem...)
João Madeira - Contrabaixo
Miguel Barriga - Flautas, Gaita Galega, Berimbau de Boca, Didgeridoo, Clarinete Popular
Nuno Santos – Bateria e Percussões várias
Pedro Costa - Guitarra
Mercedes Prieto – Professora de Danças Tradicionais



Publicado por Luís Rei às 01:26 PM | Comentários (2)

O que é que se anda a passar com as sugestões de espectáculos do Público?

Já não bastava o facto de insistirem em apelidar de diatónico o acordeão de Kimmo Pohjonen. Na edição de hoje recomendam Lhasa na Aula Magna. Um espectáculo que ocorreu ontem. Já agora, não lhe chamem cantora-revelação da "world music", sff. O primeiro álbum dela, "La Lhorona", foi editado há mais de uma meia-dúzia de anos. Ah, já agora, não digam que ela é nova-iorquina. É o mesmo que apelidar de lisboeta (ou alfacinha) a quem nasceu na Lourinhã. Ela é uma cidadã do mundo, mas tem casa própria em Montreal (Canadá).

Publicado por Luís Rei às 10:18 AM | Comentários (1)

dezembro 06, 2004

Danças Ocultas na TSF

Carlos Vaz Marques entrevista na TSF (89.5 Mhz em Lisboa) o quarteto de concertinas de Águeda. Daqui a pouco, depois do notíciário das sete.

Publicado por Luís Rei às 05:46 PM

Lhasa, hoje em Lisboa, amanhã em Famalicão

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Hoje será publicada entrevista com a nómada.

Publicado por Luís Rei às 02:09 PM

6 de Dezembro: O Dia da Independência

Foi a 6 de Dezembro de 1917 que os Finlandeses conquistaram a independência, após um século de domínio Russo e cerca de 600 anos de anexação sueca.

Kiitos Paljon pela folk mais dinâmica da Europa:


Hedningarna - Kaksi


Niekku - 3


Tuulenkantajat - He!


Loituma - Things of Beaty


Tellu - Suden Aika


Värttinä - Oi Dai


Anna Kaisa-Liedes - Oi Miksi


Maria Kalaniemi - Ahma


Hannu Saha - Mahla


Martti Pokela - Tuulikumpu


Ottopasuuna - Suokaasua


Kimmo Pohjonen - Kluster


JPP - Huutokatrilli!

Publicado por Luís Rei às 02:00 PM | Comentários (3)

dezembro 03, 2004

Luís Pastor + Emboscadas no Mestiçal Peninsular

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Publicado por Luís Rei às 04:11 PM | Comentários (1)

dezembro 02, 2004

Já há reacções ao concerto de Kimmo Pohjonen em Coimbra

no Juramentosembandeira:

"O concerto começou da maneira porventura mais difícil, com Pohjonen a tratar o acordeão num improvável estilo para quem é já rotulado como um virtuoso (e ele é mesmo, como se testemunharia ao longo do concerto), afagando as teclas e o corpo do instrumento ao de leve, progressivamente criando as bases para uma amálgama sonora, cada vez mais amplificada, transformada e soberbamente pontilhada pelos bleeps e clicks de Kosminen. Estávamos mais perto de uma sessão de noise improvisado do que de um espectáculo de um acordeonista. Como ponto de partida, como instrumento de choque para uma plateia que aguardava com atenção o que se ia desenrolar, não estava nada mal. Mas o melhor viria daí para a frente."

Publicado por Luís Rei às 05:26 PM | Comentários (1)

dezembro 01, 2004

[entrevista] Kimmo Pohjonen - Guerra e Paz

Hoje em Coimbra, amanhã em Lisboa, depois de amanhã no Porto. Depois do SET de 03, Kimmo Pohjonen regressa com Samuli Kosminen para voltar a apresentar o projecto "Kluster". Apertem os cintos, protejam-se. A sessão de "wrestling" de acordeão vai começar.

Kimmo Pohjonen é, actualmente sinónimo de ebulição e revolução musical oriunda de um prolífico norte à beira do Báltico, que já nos deu a conhecer tantos projectos que extravasam a folk, como os ateus Hedningarna, as fugazes Värttinä, a contestatária sami Mari Boine, ou o electro yoiker Wimme Saari. Ambos constituem uma pequeníssima ponta de um extenso iceberg da efervescência musical que se vive em muitas aldeias / vilas nórdicas onde não tocar um instrumento ou não cantar, o que quer que seja, é uma anormalidade. A velha história volta a repetir-se. Kimmo Pohjonen é, à semelhança de tantos outros músicos folk, uma individualidade que nasceu em berço de músicos tradicionais (o seu pai era acordeonista) numa aldeia musical – Viiala – que está para o fole cromático, como as aldeias de Jarvella e de Kaustinen estão para o violino e para o kantele (o instrumento nacional na Finlândia).

Apesar de ter apenas gravado e editado três projectos em nome próprio (“Kielo” (98), “Kluster” (2002) e “Kalmut” (“2003”), Kimmo Pohjonen, em apenas seis anos, chegou a contribuir para a gravação de mais de 65 álbuns de músicos finlandeses dos mais diversos quadrantes: Heikki Leitinen (inevitavelmente), Maria Kalaniemi, Pinnin Pojat, a estrela de rock Alanko Saatio, o violinista Arto Järvellä, etc, etc, etc. Lembro-me agora das palavras de Kari Reiman, violinista dos Värttinä e antigo companheiro de Pohjonen nos Ottopasuuna (muito bons os dois álbuns que este colectivo gravou, em especial “Suokaasua”), que toca habitualmente numa dezena de projectos ao mesmo tempo: “a única forma de um músico ser profissional na Finlândia é ter a possibilidade de tocar com muita gente”, de estar continuamente em palco. Actualmente, Pohjonen parece-me bem mais afastado da cena musical local, sobretudo daquela que privilegia o formato acústico, ou seja, do núcleo duro que o nomeou como o músico folk finlandês mais inovador durante três anos sucessivos (entre 96 e 98).

Kimmo Pohjonen amadureceu individualmente e tem continuado a desenvolver projectos paralelos com outros músicos provenientes do outro lado do Atlântico. Casos da KTU (Kluster Tu), simbiose entre o acordeonista-lutador-de-wrestling e Samuli Kosminen (que o acompanha no projecto que os portugueses vão ter oportunidade de ver ao vivo nesta mini-digressão de três espectáculos), com Trey Gunn e Pat Mastelotto dos King Krimson, e da estreita colaboração do mesmo projecto Kluster com a orquestra norte-americana Kronos Quartet.


Cortar com o passado

Dado o seu passado de estudante da Sibelius Academy no Departamento de Música Popular, orientado pelo alquimista Heikki Leitinen e, tendo tido a oportunidade de o entrevistar há quase dez anos atrás, quando ainda se encontrava no projecto Ottopasuuna, impõe-se a seguinte questão: Considera-se hoje em dia ainda um músico folk, ou mais um músico experimental? Ao que Kimmo responde: “Penso que, de uma certa forma, nessa altura dos Ottopasuuna já estava mais concentrado em procurar o meu próprio som, em fazer um trabalho inovador através da música experimental. Penso que as raízes estavam lá e que, de uma certa forma, esse será sempre o meu ‘background’. Hoje estou mais interessado num certo tipo de som, de avant garde, de música improvisada e de electrónica. Quero explorar o acordeão, a minha voz, quero criar sonoridades que nunca ouvi antes”.

O Método de ensino de Heikki Leitinen

Mas, o método de ensino de Heikki Leitinen sempre foi inovador. Encoraja os alunos, primeiro, a absorverem a folk e, segundo, a tentarem desenvolvê-la, experimentando-a, improvisando com outros instrumentos e outras músicas, numa tentativa de alargar as fronteiras da música popular. Nos anos 80, nasceram na Sibelius Academy projectos como as Niekku de Anna-Kaisa Liedes e de Maria Kalaniemi que experimentavam a folk e que fizeram com que Kimmo Pohjonen tivesse mudado do Departamento clássico para o de música popular. Entre a Academia de Sibelius Academy e o Instituto de Música Folk da aldeia de Kaustinen, muitos outros projectos inovadores foram tomando forma. Como, por exemplo, Suden Aika das vozes rúnicas de Tellu Virkkala, de Sanna-Kurki Suonio e de Liisa Matveinen (ex-Niekku). Intérpretes que têm colaborado sistematicamente com Heikki. “Penso que a influencia que o Heikki Leitinen tem no desenvolvimento da folk finlandesa é tão grande que, tudo o que disse, é totalmente verdade”, afirma Kimmo Pohjonen. “Ele é uma espécie de guru para mim, sempre. Toquei em muitos projectos com ele e sempre fui muito influenciado por ele. Hoje em dia, estou um bocado afastado deste movimento, mas estarei sempre ligado afectivamente ao Heikki. É uma pessoa que nunca se pode subestimar.

O que é que difere o seu trabalho de hoje em dia com o do passado e das suas múltiplas colaborações com músicos folk? A abordagem mais electrónica e experimental? “Hoje em dia, apenas tento improvisar o máximo possível e, claro, inovar as raízes e a perspectiva cultural. Tentar por algo que seja meu. Tento explorar também o som, inventar novos sons, novas coisas. O mais importante para mim é mesmo explorar o som, encontrar novos níveis, novas dimensões. Tentar encontrar algo que não existe.

No entanto, no trabalho de Kimmo, há ainda muito ecos da tradição milenar da região de Carélia, sobretudo ao nível vocal. Os seus “mantras” parecem “spellings” das canções rúnicas usadas para curar feridas, mordidas de cobras, ou mesmo problemas de amor. “É possível”, considera Kimmo. “Ouvi muitas das cassettes com antigos poemas do Kalevala e material rúnico. É muito possível que haja esse tipo de infuência. No entanto, tento encontrar a minha própria voz. De facto ouvi muito material vocal, mas o meu trabalho tanto pode soar a Finlândia, como a Tanzânia, onde tive a oportunidade de estudar. Soa a mundo. Hoje em dia tento concentrar-me mais a criar o meu próprio som, na minha própria voz”.

[continua]

(c) fotos: Rui Silva

Publicado por Luís Rei às 02:48 PM