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novembro 05, 2004

Menina, volta prá Janela!

Foi uma semana triste. Bush e, sobretudo, Cheney dominam o mundo a seu belo prazer. O Benfica é sucessivamente humilhado na Europa. Cada vez me convenço mais de que duas ou três linhas num qualquer pasquim (mas desde que este seja impresso) têm mais valor do que mil palavras escritas na net. Depois dos avanços e recuos, a Cristina fechou a Janela. Apetecia-me deitar-me, pôr a almofada por cima da cabeça e deixar passar a “onda”.

Apesar de ter sido o colaborador mais ausente da Janela Indiscreta, sempre mantive a esperança de ir postando. Mas sempre faltava o tempo. A obsessão pelas músicas do mundo, a concretização 10 ou de 20% daquilo que consigo realizar aqui, apesar do turbilhão de ideias e da desmedida ambição em fazer mais, o trabalho, os transportes, os estudos, a família... não me deixam tempo disponível para mais nada.

É natural que todos os projectos, sobretudo aqueles feitos pelo “amor à camisola”, tenham o seu período de excitação pelo começo, sucessivo cansaço pela manutenção e alívio pelo fecho. Mas acredito que esse alívio deixa sempre um trago amargo na boca. Há sempre o “e se eu tivesse feito as coisas de outra forma”... Há sempre o arrependimento e o querer recomeçar de novo. É o facto de não gostar desse amargo de boca, que ainda me vai dando forças para manter as Crónicas. Mas, confesso que, em muitos momentos (sobretudo após uma sucessão de acontecimentos desta triste semana), a tentação de acabar, ou quanto muito interromper, para vir à tona da água, respirar um pouco e voltar ao fundo do mar sem máscara, é enorme. Por isso, acredito que a Cristina-que-me-deu-a-conhecer-Cossery não vá ficar muito tempo sem “postar” num weblog que ela terá inevitavelmente de criar. Numa altura em pouco mais havia do que os (poucos) blogues políticos de Esquerda e de Direita, o Espigas, a Cafeína, o Intervenções e a Íntima Fracção do Francisco Amaral, a Janela não serviu apenas de uma óptima montra de exposições de pintura, fotografia, livros, filmes e discos que não conhecíamos. Construiu relações com o público e com outros bloggers. Por isso, recordo alegremente a forma como as compilações de Primavera e Verão foram tomando forma.

Até já, Cristina.

PS: As minhas desculpas ao Tó, à Ana, à Zazie, ao Paulo, à Marta, à Lídia. Mas este texto deve era para ser dirigido apenas e só à Cristina.

Publicado por Luís Rei às novembro 5, 2004 03:16 PM