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outubro 30, 2004

Shirley Collins, a convidada de última hora

Ainda os encontros de mais logo (informação no quarto post abaixo deste). Não queria divulgar compilações de artistas, daí ter inicialmente excluído as "The Classic Coleccions" de Shirley Collins, Eliza Carthy e Martin Simpson. Mas, motivado pelo muito bom texto de João Bonifácio, publicado hoje no suplemento Y do Público (só faltaram mesmo as referências a Sandy Denny e Linda Thompson no que toca à galeria de nováveis vozes femininas da folk britânica),levarei também a colecção de pérolas de Shirley Collins.

Publicado por Luís Rei às 03:19 AM

Competição: Ganhe bilhetes para José António Rodriguez e Danças Ocultas

Amanhã, dia 30, realiza-se no CEFAS de Águeda o concerto de um mestre de guitarra flamenca - José António Rodriguez. Mais a sul, no Fórum Lisboa, os Danças Ocultas apresentam o mais recente trabalho "Pulsar". As Crónicas vão oferecer quatro bilhetes para o concerto do espanhol e dois para o espectáculo do quarteto de concertinas. Para se habilitarem a um dos ingressos só têm de nos fazer chegar rapidamente um alinhamento de 10 temas para uma compilação imaginária de flamenco ou, em alternativa, indiquem-nos três projectos da vossa preferência (e expliquem o porquê da nomeação) tendo como base a concertina / acordeão diatónico.

Aqui fica o contacto: cronicasdaterra@netvisao.pt

O método de selecção das respostas é a ordem de chegada dos e-mails.


Publicado por Luís Rei às 12:00 AM

outubro 29, 2004

Festival Internacional do Ramo Grande 2004, este fim-de-semana, na Terceira

Se não fosse um leitor das Crónicas que reside nos Açores (Rui Vidal), nem dava por um óptimo festival que se realiza este fim-de-semana na Praia da Vitória / Ilha Terceira - Ramo Grande 2004 - sob o lema “Trovas, Cantigas & Folias...Sons Tradicionais!”. Vejam só a programação: António Zambujo, L’ham de Foc, Edu Miranda, Toniko & Giovani Goulart, Jeff Berlin Trio, Eric Sardinas ou Stanley Jordan.

É pena que os agentes culturais seja no continente seja num meio muito mais pequeno continuem de costas voltadas uns para os outros e, se possível, tentando prejudicar o trabalho do próximo. Não há política cultural que resista:

(...)"De acordo com Luís Bettencourt a forma como vários eventos culturais “ocorrem em simultâneo, atropelando-se, é grave”. Grave porque, como explica, “prejudica principalmente o público, que não pode assistir a vários eventos com interesse” e grave porque “representa um mau exemplo de gestão de dinheiros públicos”.
Algo que, de acordo com o músico, “não acontece por acaso”: “Os atropelamentos não são de agora e sucedem-se de forma preocupante, não só havendo vários eventos marcados para as mesmas datas em Angra e na Praia, mas muitas vezes na mesma cidade, organizados por diferentes entidades, ou ainda pela mesma entidade, no mesmo dia em diferentes locais”. E dá exemplos: “A primeira edição do AngraJazz aconteceu no mesmo fim-de-semana do Ramo Grande, quando era público quando este tinha lugar. Fomos forçados a empurrar o Festival para finais de Outubro mas mesmo assim os atropelamentos sucederam-se, umas vezes com a realização do festival de Cinema, outras com diferentes concertos, como acontece este ano”
. [fonte: A União]

Publicado por Luís Rei às 11:33 PM

outubro 28, 2004

Encontros Crónicas da Terra regressam ao Lisboa Bar (já este sábado)

Depois da experiência efectuada durante vários meses de 2003 no Bar Agito, as Crónicas da Terra regressam este ano com os encontros homónimos. O primeiro evento desta nova série, vai realizar-se no Lisboa Bar (que se situa entre o Largo do Carmo e o Teatro da Trindade), já no próximo sábado, dia 30, entre as 18h e as 20h.

Mantendo a mesma filosofia, este encontro, mais do que uma festa ou de uma sessão de djing, tem a pretensão de ser uma espécie de programa de rádio interactivo (contudo, sem emissor e estúdio móvel incluído) em que se efectuará um possível balanço das últimas edições discográficas, sobretudo da inclassificável área de músicas do mundo. Nos sábados da última semana de cada mês, iremos “picar”, em duas horas, cerca de 20 registos. As Crónicas pretendem ainda constituir um painel de dez elementos (conhecedores destas músicas) que classificará dez dos vinte discos apresentados em cada mês. Neste primeiro encontro, acumulamos os álbuns que deveriam ter sido avaliados no último sábado de Setembro. Estão todos convidados a aparecer.

São os seguintes os discos que iremos “picar” no próximo dia 30, entre as 18 e as 20h no Lisboa Bar:

Lançamentos de Setembro

1 - José Peixoto + Filipa Pais - Estrela


2 - Teada (Irlanda) - Lá An Dreoilin

3 - Triakel (Suécia) - Sanger Fran 63º N

4 - Waterson Carthy (Inglaterra)- Fishes & Fine Yellow Sand

5 - Tuxedomoon (EUA)- Cabin In The Sky

6 - Think Of One (Bélgica / Brasil)- Chuva em Pó

7 - Vários (Jamaica)- Studio One Classics (Soul Jazz)

8 - David Darling & Wulu Bunun (EUA / Ilha Formosa)- David Darling & Wulu Bunun


9 - Darko Rundek & Cargo Orkester – Ruke (Croácia) - La Comedie des Sens

10 - Bossa Cuca Nova (Brasil)- Uma Batida Diferente


Lançamentos de Outubro

1 - René Lacaille (Ilha Reunião)- Mapou
2 - Oyster Band and Friends (Inglaterra / EUA)- Big Sessions Vol 1
3 - Mory Kante (Guiné Conacri)- Sabou
4 - Vakoka (Madagascar)- Vakoka
5 - Hayseed Dixie (EUA)- Let There Be Rockgrass
6 - Manuel Guajiro Mirabal (Cuba) - Buena Vista Social Club Presents
7 - Transsylvanians (Hungria)- Igen
8 - Secret Chiefs 3 (EUA)- Book Of Horizons
9 - Mahala Raï Banda (Roménia) - Mahala Raï Banda
10 - Martin Carthy (Inglaterra) - Waiting For Angels


Repescagens (discos de outros anos lançados tardiamente e que merecem ser divulgados):

Jim Moray - Sweet England (Outubro)
Mad Sheer Khan - Samarkan Hotel (Setembro)

Em Novembro haverá novas edições de Danças Ocultas, Warsaw Village Band, Kroke, Kathryn Tickell e, provavelmente, Mandrágora, entre outros.

Publicado por Luís Rei às 03:58 PM | Comentários (6)

José António Rodriguez no Mestiçal Peninsular

A Associação d'Orfeu prossegue no próximo sábado, dia 30 (Auditório do CEFAS em Águeda, pelas 21h45), com a realização de mais um inspectáculo inserido na extensão do ciclo Mestiçal Peninsular. José António Rodriguez, guitarrista de flamenco oriundo de Córdoba, é o senhor que se segue a Realejo e a Javier Paxariño.

Diz a organização que este é "seguramente, candidato a concerto do ano em Águeda" (...). "No concerto “Alquimia”, aquele que apresenta em Águeda, José Antonio Rodríguez cria contagiante energia entre todos os músicos, num concerto arrebatador. Mas, momentos há, em que o “alquimista” também precisa dos seus momentos de intimidade à guitarra. E aí, põe-se introspectivo e saca sons do fundo da alma flamenca da sua guitarra. Certeiro e virtuoso, vê invariavelmente o público a aplaudi-lo de pé".

Para mais informação, consulte o site da d'Orfeu.

Para mais informação consulte

Publicado por Luís Rei às 02:16 PM

outubro 27, 2004

Danças Ocultas ao vivo, em disco e na rádio

Semana agitada para o quarteto de concertinas Danças Ocultas. Apresenta no próximo sábado (dia 30, pelas 22 horas), no Fórum Lisboa, o seu mais recente trabalho, "Pulsar", que acabou de ser editado. Um disco produzido por Gabriel Gomes, e misturado por António Pinheiro da Silva, que teve a colaboração de uma extensa galeria de convidados, que incluiu, entre outros, o músico e cantor sírio Abed Azrié, o bandolinista brasileiro Edu Miranda, os Gaiteiros de Lisboa, os percussionistas José Salgueiro e Rui Júnior, o contrabaixista António Augusto Aguiar, a cantora Maria João e o pianista Mário Laginha.

No espectáculo de sabado participam Antonio Augusto Aguiar (contrabaixo), Rui Júnior (percussão), Gabriel Gomes(acordeão) e Eduardo Miranda (bandolim).

Antes, o projecto liderado por Artur Fernandes estará presente no programa "Viva a Música" de Armando Carvalheda. Quem quiser vê-los ao vivo no estúdio das Amoreiras, é favor aparecer antes das 16 horas.

As Crónicas e o site Retorta de Mário Filipe Pires vão voltar a trabalhar em conjunto e prometem apresentar um reportagem de ensaio e uma entrevista aos Danças Ocultas.

Deixo-vos o rescaldo do espectáculo que vi deste quarteto em Tavira, há cerca de dois meses:

No espectáculo dos Danças Ocultas, mais do que a procura da re-einvenção de uma tradição musical, realce-se a forma como se acarinha e explora todas as facetas do instrumento – a concertina - à semelhança do que acontece, por exemplo, no projecto Accordion Tribe; o modo como os instrumentistas jogam entre si o jogo do ritmo e da melodia com a procura de espaços para as concertinas inspirarem e expirarem; a interligação entre composições entrando e saído de uma para outra com uma notável leveza, casos de La Dance Ideal vs Dança II e Alento vs Esse Olhar. Apesar de os quatro músicos permanecerem sentados durante os cerca de sessenta minutos, nada é estático. Se os GYBE! fossem um quarteto e só usassem um instrumento teriam-nos certamente como referência. As luzes, sombrias e reflectidas nas camisas dos elementos, reforçam o ambiente intimista de uma música que não pode ser enquadrada em nenhum estilo próprio. É antes o resultado do amor e do processo exploratório de um instrumento que parece inesgotável.

Alinhamento do concerto de Tavira


Casa do Rio
La Dance Ideal
Dança II
Bulgaria
Porto Seguro
Queda D’Água
Alento
Esse Olhar
Escalada
Sorriso
Contradança
Tristes Europeus

No(c)turno das Sete
Moda Assim ao Lado
Casa do Rio

Publicado por Luís Rei às 03:51 AM | Comentários (1)

síndrome dos "os"

A propósito do Sons em Trânsito, num jornal de referência há quem escreva "os" Segue-me à Capela ao referir-se ao simpático grupo vocal feminino oriundo de Aveiro. Mais grave ainda, há também quem escreva "os" Afel Bocoum. Dado que os blues do Mali e, sobretudo do mestre Ali Farka Touré, são um meio para contactar com o mundo astral, presume-se que o também músico-agricultultor se faça acompanhar com os espíritos dos seus antepassados.

Publicado por Luís Rei às 03:32 AM

outubro 26, 2004

John Peel [1939-2004]

É das notícias mais tristes do ano. Morreu o maior e mais ecléctico divulgador musical do mundo, vítima de ataque cardíaco. Tinha 65 anos. O homem que, acima de tudo, contrariou sempre a ditatura da playlist e da segmentação de públicos, capaz de alinhar um noise-rock com soukous do Congo.

É pena que o "nosso" John Peel, vulgo António Sérgio, ande um pouco perdido e fora de horas pelas ondas hertezianas de uma rádio que se escuta apenas em Lisboa.

Publicado por Luís Rei às 03:43 PM | Comentários (1)

outubro 22, 2004

Viva a música portuguesa...

Leio no Destak de hoje uma mini-entrevista a Tozé Brito a propósito da campanha de apoio à música portuguesa que a WORTEN irá efectuar, traduzida num mega-investimento de um milhão de euros até ao final do ano. Diz o presidente que «este projecto pretende dar uma volta [aos problemas existentes] ao criar postos de escuta, autocolantes nos cd's portugueses, sessões de autógrafos, lançamentos de álbuns e outras formas de evidenciar e promover a música feita em Portugal.»

Será desta que Da Weasel, João Pedro Pais, Lúcia Moniz, Rui Veloso, Gomo, Luís Represas, The Gift, Paulo Gonzo, Adiafa, Adelaide Ferreira, Delfins e Emanuel conseguirão atingir a bonita soma de um milhão de discos vendidos? Haverá um espacito no expositor para colocar, por exemplo, o novo de Danças Ocultas?


Publicado por Luís Rei às 02:33 PM | Comentários (2)

song catchers #4

o ukelele é sexy (c)Henry W. Henshaw | publicado na National Geographic deste mês

Publicado por Luís Rei às 05:03 AM

Celebrar um Porto Seguro

A Rádio Nova celebra quinze anos e ainda bem. Como não sou do Porto quase nunca a escutei. Apenas durante um pequeno período em que a sua emissão era re-transmitida para Lisboa pela frequência do Rádio Clube Português. Apesar ouvia o brilhante “Outras Músicas”. Serve a efeméride para dar os parabéns ao Carlos Feixa por se ir aguentando em mar alto de tempestade com um pequeno barquito a remos. Ainda que tenha o pequeno especial “Porto Seguro” de cinco ou dez minutos aos fins-de semana, o importante é estar no ar. Neste sábado e domingo destaca o novo disco de Dazkarieh. No próximo, aborda o álbum o duplo álbum ao vivo do alquimista norte-americano que gravou recentemente “From Mississippi to Mali” com Ali Farka Touré: Corey Harris. “

Porto Seguro na Rádio Nova (em 98.9FM ou www.radionova.fm). Aos sábados e domingos depois das 13H35 e das 19H35.

Publicado por Luís Rei às 04:47 AM

Morreu um lobo do mar

Tinha acabado de gravar o sucessor de “Intelectual”, que já tinha nome: “Incondicional”. Aos 50 anos, Ildo Lobo caiu em casa e teve um ataque cardíaco fulminante. Lamente-se a morte deste antigo Tubarão e a perca de um cantautor de veia política aguçada. Preze-se a forma como os governantes cabo-verdianos e a sociedade em geral sentiram a morte do músico. Realize-se a vontade de Manuel Veiga, Ministro da Cultura, de atribuir o nome de Ildo Lobo ao Palácio da Cultura da Praia. Ainda há países onde a música e os músicos são tratados com dignidade.

Publicado por Luís Rei às 04:46 AM

outubro 21, 2004

Hoje há Tocadores no Museu Nacional de Etnologia

Hoje à tarde, depois dos Gaiteiros de Lisboa na Antena1, não percam no Museu Nacional de Etnologia (por volta das 18h30) a exibição dos dois documentários "Tocadores" (Brasil Central e Litoral Sul, de 24' e 25', respectivamente)realizados por Lia Marchi que, há bem pouco tempo, apresentou o livro homónimo que reúne quase três centenas de fotos e cerca de quarenta músicos entrevistados. Retratos de gente simples, de reboqueiros a violeiros, foliões e fandangueiros. de acordo com a sinopse, nestes documentos revela-se "o homem simples do campo, seu amor pela música, pelos instrumentos, pela terra e pelas tradições são os condutores para um registro poético e leve".

A seguir haverá um baile informal com vários músicos portugueses.

Mais informação no site da Associação Gaita de Foles.

Publicado por Luís Rei às 02:01 PM

outubro 20, 2004

Gaiteiros de Lisboa no Viva Música (Antena 1)

Já perdi a conta às vezes que os Gaiteiros de Lisboa se apresentaram no programa Viva a Música de Armando Carvalheda. A próxima aparição no Auditório das Amoreiras dá-se amanhã (quinta-feira), por volta das 16 horas. Param quem não puder comparecer sugere-se que sintonize os 95.7 MHZ. E viva o Serviço Público.

Publicado por Luís Rei às 02:45 PM | Comentários (2)

O cúmulo da falta de respeito pelo músico português é...

... vender o disco "Viajando" do projecto TJak de Gabriel Gomes pela módica quantia de 1 euro, conforme acontece na loja outlet VC de Alcochete. Por que não oferecer o disco a quem compre uma determinada quantia de discos da secção de músicas do mundo? Há lá bons títulos a 3.90€ e a 7.90€.

Publicado por Luís Rei às 02:37 PM | Comentários (3)

O problema da World Music em Portugal é...

... os hipermercados disfarçados de lojas culturais dominarem o mercado e terem apenas tarefeiros a atender os clientes;
... os hipermercados disfarçados de lojas culturais estarem à espera que o público não "invente" títulos e fique satisfeito com aquilo que lhe é dado nos expositores;
... os preconceitos e a "guettização" do género por se interessa por música - clássica, jazz, electrónica - seja consumidor, jornalista ou radialista;
... haver radialistas na emissora que eu ajudo a sustentar ao pagar a minha conta de electricidade, cheios de graçola, que anunciam o espaço de músicas do mundo da seguinte forma: "... vem aí o espaço X com a música que só a Raquel gosta...";
... não serem distribuídos nem 50% de bons discos no nosso país;
... haver apenas uma editora que realmente faz um trabalho satisfatório de promoção dos seus discos;
... os promotores das multinacionais não saberem o que fazer com as parcas edições que lançam;
... a Real World não editar mais discos para levar com mais frequência os jornalistas ao seu "campus" em Bath;
... só ser possível efectuar entrevistas por telefone, por e-mail ou em Portugal, porque não há budget de promoção para mais;
... o WOMEX parecer-se mais com a feira do Relógio.

Publicado por Luís Rei às 04:47 AM | Comentários (6)

esta senhora devolveu-me a paixão pela música irlandesa

A revolução da tradição irlandesa é feita de forma suave e sofisticada. Belíssimo o entrosamento entre a lamentação típica daquela ilha e o canto tuareg dos Tartit. Já para não falar do tempero picante da Mariachi Real de México. Ouso afirmar que a senhora é uma espécie de Jim Moray no feminino. Estão à espera de que para a trazer cá? Sons em Trânsito? Intercélticos?

Publicado por Luís Rei às 03:56 AM

Lhasa de Sela também estará por cá em Dezembro

Ainda mal refeitos da notícia do Kimmo e eis que a organização do Sons em Trânsito, como se já não bastasse a óptima programação nas duas primeiras semanas de Novembro em Aveiro, anúncia um outro mui agradável regresso. Três dias após o inovador acordeonista finlandês ter pisado três palcos portugueses, Lhasa de Sela apresenta-se em Lisboa (dia 6 na Aula Magna) e Famalicão (dia 7 na Casa das Artes).

Aproveito para recuperar excertos de uma entrevista efectuada este ano, no mesmo dia do concerto do Fórum Lisboa há uns meses atrás, com a promessa de concluir finalmente o texto.

Nomadismo

"Nunca viajei porque queria viajar, sempre viajei porque tinha qualquer coisa para fazer. Quando viajo toda a minha vida vai comigo. É mudar de casa. Não sei se é necessário parar para escrever. Apenas preciso de espaço e de tempo para escrever canções e é mais fácil quando se está em casa."

Living Road

"Queria fazer não uma coisa universal mas mais pessoal. Não seria honesto para mim ser apenas uma cantora mexicana. Deixei o México quando tinha 11 anos. A minha primeira língua é o inglês e agora vivi e vivo no Quebeque ou em França a maior parte do tempo. Tornou-se mesmo necessário fazer isto. As canções começaram a sair nessas línguas. Isto é o que eu sou."

"Cada canção foi feita como se de um pequeno filme se tratasse. Os instrumentos eram os actores. Escolhias que sons querias que contassem a história. Houve diferentes guitarristas, baixistas, trompetistas, diferenes sons. Os dois produtores tocaram muito. Trabalhámos os três juntos. Olhávamos para os arranjos e chamávamos os músicos. Fomos construindo cada canção como se fosse uma fina peça de joalharia."


Renascimento

"A verdade é que o tempo entre os dois álbuns foi muito período muito difícil para mim. Senti-me muito confusa e muito perdida. Não sabia como voltar à música. Tinha medo de tudo, sentia uma grande tristeza. Nessa altura, o facto de ter entrado em estúdio para gravar este disco, foi como uma tábua de salvação. A música salvou a minha vida. Sabes como é estares a nadar e de repente veres uma bóia para te agarrares? A gravação deste disco foi essa bóia.
Fazer o trabalho com estas duas pessoas [Jean e François] foi tão divertido, foi uma experiência muito intensa e bonita. Vivi uma óptima relação de amizade. Quando o álbum acabou de ser gravado estava muito melhor."

A vida no dia-a-dia

"Alguns dias estou cansada, estou com medo, estou contente. Agora compreendo mais a vida. Há dias em que tens mais energia, outros menos. È mais simples para mim compreender isso. Sou uma cantora. É o que faço. É muito intenso, gasta-nos muitas energias. Durmo bastante. Tomo conta de mim. Levo agora as coisas de forma mais comedida, não tão dramática como antigamente."

"Tenho uma perspectiva maior de vida. Sei que é isto que quero fazer. Sei que amanhã haverá um outro concerto, no dia seguinte. É a vida de cantora. Temos de nos manter com os pés no chão. É fácil deixarmo-nos abater pelo perfeccionismo."

Publicado por Luís Rei às 03:23 AM | Comentários (3)

outubro 19, 2004

Kimmo Pohjonen regressa a Portugal entre 1 e 3 de Dezembro

Kimmo.jpg

Depois da estonteante actuação no segundo Sons em Trânsito, o finlandês Kimmo Pohjonen e o islandês Samuli Kosminen regressam a Portugal a 1,2 e 3 de Dezembro, para três espectáculos em Coimbra (Teatro Gil Vicente), Lisboa (Forum Lisboa) e Famalicão (Casa das Artes), respectivamente. Deixo-vos o texto que escrevi acerca da sua prestação no Teatro Aveirense em Novembro de 2003.

Kimmo Pohjonen: Clube de Combate

Sons em Trânsito, Teatro Aveirense, 28NOV03

O início não poderia ser mais prometedor. Uma viagem de cerca de meia-hora ao centro da terra, à galáxia mais próxima, ao fundo do oceano. Composições sobre composições que davam a sensação de se tratar de um espectáculo "ad infinitum", sem pausas. A música (?) que sai do fole diatónico, amplificado e “loopado”, “samplado” e percutido pelo islandês Samuli Kosminen é feita de contrastes, como o universo visto pela sabedoria oriental milenar que ambos parecem advogar, ou não fossem trajados como verdadeiros samurais, sem sabre. A sua música (?), dizia, oferece-nos o céu e as trevas, granadas e cravos, o sol e a lua, a inquietação e a tranquilidade, a tradição e a improvisação, o yin e o yang. É feita de terrorismo sonoro e de harmonia, de momentos de uma interpretação plena de virtuosismo da folk finlandesa, que descamba de imediato em ruído sónico e em vozes possuídas por demónios, amplificadas por espasmos físicos do músico que tornam a sua actuação tão arrebatadora quanto arriscada. Se há algum nome para descrever violência física, sonora e visual, esse nome já sabem qual é. A sua irreverência, enorme capacidade em andar como um trapezista numa corda sobre um abismo, traz-nos ao nosso imaginário o momento em que num longínquo ano de 80 e tal, Adolfo Luxúria Canibal rasga inconscientemente com uma lâmina uma das pernas. Com Kimmo não foi tão grave. No entanto, não evitou uma lesão no tornozelo que o impediu de realizar espectáculo seguinte em Moscovo. No site dele lê-se: “Dec 6: Moscow Russia - B2 (cancelled due to injury)”.
Mas um concerto de Kimmo Pohjonen é muito mais do que ver um experimentador do acordeão secundado por um manipulador sonoro. O som “surround” e o jogo de luzes adquirem especial importância. Os strobes apontados à assistência violentam-nos. Sentimo-nos como se estivéssemos a desfrutar de um espectáculo de Fura dels Baus (o “Suz o Suz” na Estufa Fria). Leva-se com visceras e mais visceras na cara, ficamos com a roupa toda molhada, mas saímos dali satisfeitos. Kimmo não vai tão longe. Mas a sua atitude em palco, combinado com os sons que extrai do seu acordeão e os efeitos visuais, proporcionam-nos a sensação de termos sido linchados, sem necessidade de limparmos um pingo de sangue ou de reparar uma costela que seja. Quando é que é o próximo combate?

Datas:

1 Dez. - Coimbra - Teatro Académico Gil Vicente - 22h -
co-produção SET e TAGV

2 Dez. - Lisboa - Forum Lisboa - 22h - co-produção SET e EGEAC

3 Dez. - Famalicão - Casa das Artes - 21h30 - produção Casa das
Artes


Preços e locais de venda:

Coimbra - 15€ público em geral - 12€ estudantes
Bilhetes à venda no local

Lisboa - 15€
Bilhetes à venda no local, Lojas Fnac, Lojas Abreu,
Ticketline e Telef. 210036300

Famalicão - 12€
Bilhetes à venda no local

Publicado por Luís Rei às 01:23 PM | Comentários (2)

outubro 13, 2004

IV Encontro Nacional de Gaiteiros (1)


Uma árvore que dá gaitas (c) Miguel Barriga

Vieram de autocarro dos mais diversos pontos do país: Trás-Os-Montes, Minho, Grande Porto, Zona de Coimbra, Península de Setúbal e Estremadura. No Fundão e na bela vila de Alpedrinha, houve muito mais do que o simples desfile de grupos de (ou com) gaiteiros.

Foi um belíssimo encontro de várias gerações de músicos profissionais, amadores e meramente curiosos. De louvar a iniciativa da Associação Gaita de Foles que, se por um lado, tem permitido mostrar ao país a verdadeira dimensão daquilo que a gaita-de-foles (ainda) representa nas festas de aldeia, sobretudo no centro e no norte do país, por um outro lado, tem unido músicos que, em muitos casos, não sabiam da existência de outros gaiteiros a residir a menos de meia centena de quilómetros de sua casa.

O que mais surpreende neste encontro é a constatação da existência de um considerável número de gaiteiros (entre 100 a 200) que tem animado “arruadas” há já, pelo menos, 30 / 40 anos.

É pena que os “media”, por alturas do Verão, batam sempre na mesma tecla e optem pelas estafadas reportagens aos intérpretes “pimba” na animação das festas de Agosto (como aconteceu recentemente na Revista Pública), do sistema sonoro que faz o artista e do seu modo de vida semelhante ao da formiguinha que amealha de Verão para sobreviver no Inverno.

É pena que uma concentração destas não tenha motivado sequer um único órgão de informação social para fazer o devido retrato, não apenas ao desfile e espectáculo nocturno (que é o menos importante nestas circunstâncias), mas que respire o ambiente rural e de calor humano que se viveu durante este fim-de-semana.

Publicado por Luís Rei às 01:30 PM | Comentários (1)

IV Encontro Nacional de Gaiteiros (2): o (re) encontro


Iconografia típica deste encontros: Bombos pintados com o nome do grupo e o respectivo número de telefone para posterior contacto(c) Miguel Barriga

Se, no primeiro encontro, houve uma certa relutância em os gaiteiros do norte dialogarem com os do sul e, sobretudo, os transmontanos reconhecerem que há quem toque gaita-de-foles para lá do Douro, neste quarto encontro nacional houve abraços, largos sorrisos entre os músicos que se reencontram nesta ocasião e a vontade de improvisar, de acompanhar quem quer que começasse a tocar uma moda ou um “hit” da rádio de outrora. Durante a tarde de sábado, quem “aterrasse” desprevenido na Praça do Município do Fundão, corria o sério risco de enlouquecer. Por onde andasse, ressoavam os bombos, as caixas e as gaitas. À medida que passeávamos pelo jardim, íamos ouvindo fados, marchas populares, muñeiras e outras danças da tradição europeia e mirandesa, temas “pimba”, “hits” de sempre do cançonetismo ligeiro português e brasileiro e, até mesmo, hinos da bola.

Publicado por Luís Rei às 01:28 PM

IV Encontro Nacional de Gaiteiros (3): o poder da rádio


Gaiteiro João Santos Pereira de Cantanhede num difícil exercício de interpretação do fado "Lisboa Menina e Moça"(c) Miguel Barriga

O omnipresente Malhão e Bailinho da Madeira, “nós Pimba”, pelos caminhos de Portugal (de quem era mesmo?), Zumba na caneca, bilu-bulu-biluzinho-tetéia, cheira bem cheira a Lisboa, os meninos à volta da fogueira. Há de tudo.

João Santos Pereira de Cantanhede toca gaita há 27 anos nas romarias e festas de aldeia “de norte a sul do país”. Interpreta «fados de Lisboa e de Coimbra, temas do Quim Barreiros.» Tudo «coisas que a gente ouve na rádio». Revela humildade ao reconhecer que «a malta não sabe música, aprende tudo de ouvido». Louvável a sua actuação no programa da noite no Fundão ao interpretar a solo o “Lisboa Menina e Moça” de Carlos do Carmo”.

Publicado por Luís Rei às 01:26 PM

IV Encontro Nacional de Gaiteiros (4): o cochicho da menina


Gaiteiros de Pinhal Novo

António Costa (Gaita-de-foles) de 73 anos e Manuel Jesus Carvalho de 70 anos (Clarinete), são músicos desde os 21 e os 16 anos, respectivamente. Vêm do Pinhal Novo. Longe vai o tempo em que faziam eles os bailes das festas de aldeia tocando em coretos. Hoje em dia participam apenas em arruadas. Apesar da idade força e fôlego não lhes falta. O enérgico e salutar cochicho da menina fartou-se da apitar e animou a malta.

Publicado por Luís Rei às 01:24 PM

IV Encontro Nacional de Gaiteiros (5): Ti Roque, agricultor e gaiteiro


"Ti" Roque depois do jantar (c) Miguel Barriga

Na zona de Torres Vedras habita o “Tio” Joaquim Roque de 68 anos. É produtor agrícola (cultiva e vende bróculos para a Europa) e toca gaita de foles há mais de meia década. É um dos poucos músicos que surge neste encontro a solo. É virtuoso, mas muito tímido também. No final do jantar de sábado, assim que acabou de tocar, encolheu-se e fugiu de vergonha, como um menino tímido. Quem o conhece, diz que ele tem tanto de criança como jóia de pessoa. «Quem tem a sorte de o levar a casa, nunca vem sem pelo menos uma saca de bróculos», afirma Miguel Pedreira da Associação Gaita de Foles.

Publicado por Luís Rei às 01:18 PM

IV Encontro Nacional de Gaiteiros (6): a sucessão


Fábio João (ao centro) e Vítor Costa (à esquerda) (c) Miguel Barriga

O mestre José Albuquerque faleceu no ano passado, mas legitimou a sucessão. Vítor Costa (27 anos) e Fábio João (19 anos) tocam desde tenra idade. São dois irmãos que fazem parte dos Três Unidos da Mealhada. À semelhança do seu avô, também participam em arruadas. Ofereceram-nos o seu cartão de visita através de um “set” do léxico futebolês que incluí melodias do “O melhor clube, SLB”, “Só eu sei por que não fico em casa” “Filhos do Dragão”, com um final que recupera o “Amanhã de manhã” das Doce (será saudosismo da novela Reinaldo?).

Publicado por Luís Rei às 01:16 PM

IV Encontro Nacional de Gaiteiros (7): o legado de Paulo Marinho


Alguns dos elementos dos Bardoada (c) Miguel Barriga

O músico da Sétima Legião e dos Gaiteiros de Lisboa e primeiro presidente da Associação que organiza este encontro, deixou obra feita. É responsável pela formação de boa parte dos músicos da Gaitafolia (a banda “oficial” da Associação) e pela introdução de um repertório mais europeu (que se demarca daquele que a geração mais velha interpreta), tendo deixado a semente para o aparecimento de um meritório projecto da Península de Setúbal. Os Bardoada são um grupo de percussão e de gigantes de cerca de 50 elementos que introduziram recentemente gaita-de-foles na sua formação e que recuperam boa parte desse legado de Paulo Marinho. À semelhança dos Rufinas de Rui Júnior, têm cerca de 40 crianças a aprender a tocar caixa. Também organizam o Festival Internacional de Gigantes de Pinhal Novo. Brindaram-nos com a “dança do urso”.

Publicado por Luís Rei às 01:04 PM

IV Encontro Nacional de Gaiteiros (8): a beleza de Alpedrinha


Confronto de gerações: Lenga Lenga e Toni das Gaitas(c) Miguel Barriga


À noite, em Alpedrinha, a “tribo” Lenga-Lenga de Miranda, que havia vindo directamente de Coimbra (onde decorreu no mesmo dia o Primeiro Encontro Internacional de Gaiteiros), vchegou a todo o gás. Num cenário típico de Bairro Alto ao fim de semana (sem o ambiente pesado de certas esquinas), com toda a gente nas ruas estreitas, entrando e saindo das inúmeras lojas das residências de portas abertas que serviam doces caseiros, jeropiga e outras iguarias típicas da Gardunha, foram os principais protagonistas da folia que se estendeu madrugada dentro. Entre o repertório típico mirandês, também se escutou Nirvana e Deep Purple (“Smoke on The Water”). Não se espantem, por isso, se começaram a aparecer bandas rock a tocar apenas com percussão e gaita de foles (a substituir a guitarra eléctricá). Estes “bárbaros” dão-lhe forte.


Chocalheiros em Alpedrinha(c) Miguel Barriga

No domingo houve desfile com largada de ovelhas e chocalheiros. Que bem que se esteve no campo.

Publicado por Luís Rei às 01:00 PM | Comentários (3)

outubro 08, 2004

De volta à escrita...

Como já devem ter reparado, tenho andado às voltas com o novo “template” das Crónicas da Terra, alargado a três colunas. Correcção daqui, correcção dali, o tempo disponível tem sido gasto com pequenos pormenores de correcção de código, roubando-me o precioso tempo para a escrita de artigos. Ainda há muito a fazer, sobretudo na forma como a informação está organizada. Além de corrigir pormenores do que já está on-line, pretendo também abrir espaço nas colunas laterais para uma melhor organização de entrevistas, discos, reportagens e outras sugestões de agenda.

O meu agradecimento sentido ao António Rebelo e ao Vítor Junqueiraque me têm dado toda a ajuda possível no desenrolar deste processo.

As minhas desculpas, por isso, a todos os leitores e em especial à Associação Gaita de Foles que há muito já deveriam ter lido a reportagem que prometi há uma semana sobre o IV Encontro Nacional de Gaiteiros.

Esta reformulação das Crónicas foi motivado pela adopção de um novo motor de edição – Movable Type 3.11. Neste novo formato, poderei dar seguimento ao Quiz (que deixou de ser de Verão) e editar as perguntas a uma hora pre-definida, estando previsto para a próxima segunda-feira o seguimento deste jogo agora com 10 perguntas diárias.

Peço também um pouco de paciência aos premiados das duas séries anteriores do Quiz. Durante a próxima semana vou começar a distribuir as compilações. Entrarei em contacto convosco por e-mail neste fim-de-semana. Desde já perguntava a todos aqueles que são de Lisboa se terão disponibilidade de se deslocarem no próximo Sábado às 6h da Tarde ao Lisboa Bar (na rua situada entre o Largo do Carmo e o Teatro da Trindade) para receber aí, em mãos, os vossos prémios. Escreverei sobre este assunto mais detalhadamente durante o próximo fim-de-semana, mas a ideia principal destes encontros é a retoma da tertúlia que ocorreu durante meia-dúzia de sábados no ano de 2003, no Bar Agito. Alguns dos discos em audição para o próximo sábado, dia 16, estarão fortemente representados nas vossas compilações e vão merecer recensão crítica durante a próxima semana. Eis alguns dos nomes: Oyster Band e companhia nas Big Sessions (onde June Tabor canta “Love Will Tear Us Apart”), Mory Kante, Transsylvanians, Darko Rundek, Dayseed Dixie (banda de bluegrass que interpreta covers de Aerosmith, AC/DC, Motorhead e outros pesos-pesados do rock), José Peixoto e Filipa Pais, Vakoka, Ali Farka Touré, Manuel Guajiro Mirabal, etc.

Publicado por Luís Rei às 05:47 PM | Comentários (6)

outubro 01, 2004

World Music Charts Europe - Outubro 04

1 - EGYPT
Youssou N'Dour, Senegal (Nonesuch)

2 - AMASSAKOUL
Tinariwen, Mali (Wrasse

3 - YA-RAYI
Khaled, Algeria (Universal)

4 - MASSAFAT
Azzddine Feat. Bill Laswell, Morocco (Baraka el Farnatshi)

5 - ACROSS THE 110TH STREET
Spanish Harlem Orch.Feat.Ruben, USA (Rykodisc (Rough Trade)

6 - SU
Mercan Dede, Turkey/Canada (Doublemoon)

7 - ANCESTRY IN PROGRESS
Zap Mama, Belgium (Luaka Bop)

8 - PALYRRIA
Palyrria, Greece (Cantini)

9 - UNA SANGRE
Lila Downs, Mexico/USA (Narada)

10 - GHOSTBOY
Gabriel Rios, Puerto Rico (Megadisc)

11 - SAVE THE WORLD (Salvamm'o Munno)
Enzo Avitabile and Bottari, Italy (Wrasse)

12 - OCHRE
Andrew Cronshaw, UK (Cloud Valley Music)

13 - THE ART AND SOUL OF THE MANDEKALOU
various Artists, Mali (Syllart)

14 - SUBURBAN BUCHAREST
Various Artists, Romania (Trikont)

15 - WHENDO
Gangbe Brass Band, Benin (Contre jour)

16 - MAASAI HIP HOP
X Plastaz, Tanzania (Out Here Records)

17 - MARANNUI
Epifani Barbers, Italy (Forrest Hill Records)

18 - MANUEL "GUAJIRO" MIRABAL
Manuel "Guajiro" Mirabal, Cuba (World Circuit)

19 - AMERICAN US
Los Mocosos, USA (Six Degrees)

20 - SABOU
Mory Kante, Guinea (World Music Network)

Fonte: www.wmce.de

Publicado por Luís Rei às 03:13 PM