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agosto 01, 2004

Sines: o Alentejo que não dorme

O FMM de Sines está de parabéns pela forma como tem sabido crescer e fazer evoluir progressivamente o conceito deste festival. Em termos musicais, desde o primeira edição até à sexta, corrigiu-se o cartaz e o seu carácter abrangente, que também chegou a apresentar nomes do pop / rock lusitano como os Clã. Este continua a ser necessariamente festivo, sem ser corriqueiro, tendo deixado de apostar nos nomes mais óbvios (Carlos Núñez). Nesta sexta edição houve, como habitual, a feliz integração do jazz com um cartaz apelativo das músicas de raiz (David Murray, Roberto Rodriguez), a festa total do afro-beat de Femi Kuti, que se misturou com o fogo de artifício, a folk medieval do Norte da Europa com visões futuristas (Warsaw Village Band), a oportunidade de vermos toda a graciosidade e elegância de uma artista africana no seu pico de forma (Rokia Traoré) e de, seis anos depois, podermos deleitar-nos com a irreverência, desalinhamento e criatividade de Tom Zé, que tem sabiamente sabido envelhecer. Já para não falar do projecto “Terra de Abrigo” e dos exercícios vocais da mediterrânica Savina Yannatou a que, infelizmente, não pude assistir.
Além de ciclos de cinema, de espectáculos ao fim de tarde na capela e de conferências / debates, as actividades foram alargadas até de madrugada. O FMM conquistou a Avenida da Praia (onde este ano já tinha sido comemorado o 25 de Abril com Fausto e os galegos Diplomáticos), com mais um concerto por noite e animação a cargo de vários DJ’s. Durante três dias, Sines foi a “cidade que não dorme”, uma espécie de “big apple” freak alentejana. O mercado dos paus de incenso, das velas, das indumentárias hippies, da sangria a copo, dos artesãos errantes, a par do comércio das farturas, bifanas e cachorros, estendeu-se para lá da zona circundante do castelo, ocupando grande parte da avenida. A música enlatada da MTV e da Sol Música que habitualmente se escuta nas esplanadas de verão, foi substituída nos bares de praia pela selvajaria cigana de leste. Todo o folclore que se vê nas ruas antigas da cidade, recordou-me os saudosos tempos em que o WOMAD de Cáceres se realizava na zona medieval desta cidade da Extremadura espanhola.
O festival tem sabido crescer. De gratuito passou a ter bilhetes pagos (a preços simbólicos de cinco euros) limitados a quatro mil entradas. Mesmo assim, os ingressos esgotam-se e muita gente fica à porta. O circuito de ecrãs montados dentro e fora do castelo reduzem a frustração de não se poder ver in loco os artistas em cartaz. Coloca-se aqui a pertinente questão: como poderá o FMM de Sines crescer ainda mais e albergar todos aqueles que não conseguem arranjar bilhete? É necessário arranjar novos espaços, novos palcos, se possível em ambientes fechados.
O FMM afirma-se no cartaz de festivais nacionais pela forma como tem conseguido “sudoestizar” os festivais de músicas do mundo. Em conversa de rádio na Antena 1, o Álvaro Costa refere que se utilizam aqui muitos truques de festivais de rock. O Gonçalo Frota do Blitz é da opinião de que há muito boa gente farta dos mesmos nomes que continuamente vêm a Portugal e que querem algo de diferente e que o FMM oferece. Por isso mesmo, Sines recebe imensa gente que não é “cliente habitual” de festivais de músicas do mundo. É o evento desta área que credencia mais jornalistas, sobretudo da imprensa e da rádio.
Uma nota de grande interesse: A Antena 1 esteve durante os três dias a transmitir, durante a noite, em directo a partir do “backstage” do festival. Depois de Sines, a equipa liderada por Álvaro Costa estará presente também no festival Andanças. Resta agora saber se se seguirá o “Sons em Trânsito”. Há luz ao fundo do túnel.

[continua com a apreciação dos projectos em cartaz]

Publicado por Luís Rei às agosto 1, 2004 06:07 PM

Comentários

sim senhor, com direito a pavonear-me por aí com uma t-shirt e tudo!

o Femi deixou-me de rastos com aquele concerto, mas a verdadeira revelação para mim foi o Roberto Rodriguez. Que coisa extraordinária. o tipo criou um estilo de música que parece ter estado sempre lá, à espera de ser descoberto.

a ideia de fundir a música cubana com o klezmer está muito bem conseguida, com um resultado que parece ter o amadurecimento de várias gerações.

muito bom mesmo.

Publicado por: pmatos às agosto 2, 2004 12:55 AM

os meus favoritos foram mesmo os warsaw e a rokia. o rodrigues passou-me completamente ao lado, p ser sincero -- esperava diferente e melhor. o femi valeu mt pela festa e pulos (tb me deixou de rastos).

quanto ao DJing, ouvi até acabar a "onda taraf" e quando comecei a ouvir espanhol, o cansaço não dava para mais :-)

Publicado por: jota às agosto 2, 2004 01:22 PM

os meus favoritos foram mesmo os warsaw e a rokia. o rodrigues passou-me completamente ao lado, p ser sincero -- esperava diferente e melhor. o femi valeu mt pela festa e pulos (tb me deixou de rastos).

quanto ao DJing, ouvi até acabar a "onda taraf" e quando comecei a ouvir espanhol, o cansaço não dava para mais :-)

Publicado por: jota às agosto 2, 2004 01:22 PM

Olá!

Grande festival, mais uma vez!

Para mim, os grandes concertos foram a WVB, o Roberto Rodriguez e o Tom Zé. Da WVB fiquei mesmo fã. Foi um concerto bombástico, hipnótico, com um efeito sonoro arrebatador. Grandes vozes e uma energia diabólica. (e visualmente foi tb um grande concerto- grande presença em palco, deles e delas)

O Roberto Rodriguez tem uma grande banda (a contrabaixista era uma máquina), e a mistura cubano-judaica resulta com uma naturalidade impressionante. Gostei do ambiente "escuro" da música contrastando com os ritmos de dança. Muito bom.

Grande concerto tb do Tom Zé, mesmo que por vezes não tenha aderido muito ao lado mais espalhafatoso. mAs a interacção dele com o público, e aquela atmosfera de improviso ("pára aí, volta atrás e toca outra vez") foram fantásticas.

Outro grande momento: o encore da Rokia :) fabuloso. E outra grande presença em palco: é um prazer vê-la dançar.

Já do Femi não gostei muito. Muito pulanço, muito estremecimento, mas achei repetitivo e enfadonho , talvez por girar tudo em torno dele (mas se calhar era eu que tb já estava cansado com as noitadas sucessivas ...)

E Sines continua a ser *O* festival de Verão :)

Saudações

Publicado por: Tó às agosto 2, 2004 02:12 PM

epá, já nem me lembrava de falar da Rokia a dançar! que coisa linda. a voz não me arrebatou por aí além, mas aquele movimento...

os Warsaw VB não vi, foi pena. Nem eles nem a Sevina. Quanto ao Femi, era preciso estar lá em baixo, mais perto do palco. É daqueles concertos em que ou se está no meio da confusão ou a coisa passa-nos ao lado. aconteceu-me isso num concerto de Taraf de Haidouks em que estava cá atrás e durante umas 4 ou 5 músicas estava distraído e pouco convencido. Depois de ter ido lá para a frente, encostado ao palco, o clima alterou-se completamente!

o Tom Zé passou-me um bocado ao lado. impressionou-me o facto dele ter 67 anos (!!!) e as partes mais industriais e experimentalistas, com as rebarbadoras.

Publicado por: pmatos às agosto 2, 2004 05:00 PM

Extraordinário ambiente e muito boa música...

Escrevi umas linhas sobre o sábado, o único dia que pude estar presente no FMM.
Se quiserem passem pelo Forum da Sociedade Harmonia Eborense...em
http://www.activeboard.com/forum.spark?forumID=26499&subForumID=43539 e cliquem na secção Música.

Abraços
António
http://soc-harmonia.blogspot.com

Publicado por: António Torres às agosto 4, 2004 04:18 PM

É mesmo, o Festival tornou-se num evento enorme. Mas por mim pode ficar exactamente como está. Se é para sair do Castelo só para poder albergar mais 1 ou 2 mil pessoas não vale a pena.

Achas que os concertos devem expandir-se até conseguirem albergar todo o público disponível para os ver?

Publicado por: pmatos às agosto 5, 2004 01:01 PM

É isso mesmo Luis; só não concordo com uma coisa: a necessidade de ambientes fechados. Acho que uma das coisas com mais piada neste festival é albergar música de recital e música de festival, sem que a coexistência seja prejudicial a qualquer delas. É verdade que nem sempre é fácil ouvir concertos como os da Savina naquele ambiente, com muita gente a falar, etc.; mas muito do encanto de Sines passa pelo ambiente do castelo, e pela tal "sudoestização". Por mim tb está bem assim :)

Publicado por: Tó às agosto 5, 2004 01:50 PM


Há Luz ao fundo do túnel, precisamos é de estar todos virados para o mesmo. Divulgar, mostrar e provar que ainda não conhecemos NADA!

Fizeste-me falta em Sines mas diverti-me ;) e, certamente, que o duelo no rádio será feito em breve (deixa passar Paredes de Coura).

Apesar do virtuosismo dos músicos o Septeto não me seduziu; Warsaw, fiquei fã; Rokia a Princesa e Femi Kuti, sempre que quiser queimar umas calorias (que hype!!:)) Savina, pena estar com problemas na voz e Tom Zé, ahhhh o Tom Zé! delicioso este sr. brilhante as associações que fez dos sobreiros com o corpo das mulheres (para quem ouviu a ent. na Antena1). A Ronda devia ser obrigatória em todas as edições do FMM (mas com melhores condiçõesde som, p.f.)

Por falar nisso... acho que essa onda de descentralizar os concertos é uma boa alternativa... já aconteceu este ano (Praia/capella). Porque não seleccionar concertos mais intimistas e levá-los para local fechado?

Beijos

Publicado por: Chilango Power às agosto 5, 2004 02:02 PM

E ninguém ficou na praia a ver o dia nascer com a música? :)

Publicado por: Vítor Junqueira às agosto 10, 2004 02:09 PM

oh, então não! ainda por cima com aquela névoa que tornava tudo meio místico foi um espanto!

Publicado por: pmatos às agosto 10, 2004 08:56 PM

Raquel, as minhas desculpas por esta resposta tão longa. as férias e a falta de net assim o obrigaram.

acho que não precisamos de fazer duelos. o que é preciso é complementarmos os conhecimentos, porque, de facto, quanto mais música oiço, mais tenho a sensação de que não conheço NADA.

Já falei nessa situação dos concertos em ambiente fechado com o Carlos, mas há a falta de um auditório em Sines.

E Los de Abajo, como foi? Sobreviveste ao dilúvio de Coura?

Publicado por: yggdrasil às agosto 17, 2004 02:17 PM

O FMM é um dos espetaculos ke portugal pode se alegrar po ter, pk é diferente de todos os outros. Não sei pk... adoro a kele espaco dos bares ta mt bem pensado é uma especie de lugar de meditação da bebida LOOOOOL

xau fikem bem

façam no carnaval um forum do de sines ;)

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Publicado por: Luis torres às agosto 30, 2004 02:40 AM