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agosto 16, 2004
FMM De Sines: Tom Zé

(c) CMS / Cameraman Metálico
Génio à solta
A pergunta que se impõe: - Por que é que, depois da Expo 98, ainda ninguém tinha trazido Tom Zé ao nosso país? Estarão os promotores de espectáculos demasiado ocupados em fazer novos espectáculos com Lamb, Gotan Project e Massive Attack?
Apesar de uma banda algo fraquinha, Tom Zé é um performer notável que parece ter nascido em cima de um palco. Parece que não precisa dos músicos que o acompanham para nada. Ele e a sua guitarra bastavam. O ar franzino e gozão cativa-nos de imediato. Pelos desconcertantes jogos de palavras. Pela ironia que tanto nos faz rir num momento (Companheiro Bush), como em outro momento, nos esfrega com um pano bem sujo a dura realidade dos países em vias de desenvolvimento ceifados pela “globarbarização” (a história da menina que é forçada pela mãe a prostituir-se – O PIB da PIB) e, noutro, nos transporta ao nosso ser animal, primitivo, que se orienta pelos ciclos lunares. Magnífica a Lua Cheia visível ao pé da estátua de Vasco da Gama iluminando toda a baia da Praia de Sines. Pelo criativo e hilariante papel de feirante que vende os seus discos. Pela forma como veste o fato de macaco e cria ritmos com uma rebarbadora.
[10/10] para o performer
[7.5/10] para a banda que o acompanha
Publicado por Luís Rei às agosto 16, 2004 07:09 AM
Comentários
Como génio de outro mundo que é, Tom Zé deixaria sempre qualquer banda de suporte na sombra, mas ainda assim não concordo com esse 7,5... Os arranjos excelentes das músicas do Tom Zé dos últimos álbuns a eles se devem. Mais, em palco parece que aquela loucura que emana do Tom Zé chega também, por via de contágio, à restante banda, que frequentemente alinha em situações a que não estamos assim tão habituados, sem nunca deixar cair o parente na lama, bem pelo contrário.
Com 7,5 para a banda do Tom Zé, a actual banda do Sérgio Godinho devia ficar abaixo de zero... :)
Publicado por: Vítor Junqueira às agosto 17, 2004 10:15 AM
Os génios têm destas coisas. Ensombram os músicos que os acompanham. Já o tinhas referido em relação à Lhasa, facto que eu discordei (e o Artur Fernandes das Danças Ocultas tb). Havia ali muito trabalho de pormenor.
Mas, parece-me que os arranjos dos discos estão bem melhor (é mais fácil trabalhar em estúdio do que ao vivo) do que foi a prestação da banda do Tom Zé em Sines. Vi ali demasiados chiches de música brasileira, em especial do nordeste. claro que houve momentos singulares... e das rebarbadoras...
Nunca disse que a banda do Sérgio Godinho era boa (apesar de gostar emocionalmente do Nuno Rafael que foi meu colega na escola primária de Queluz). Nem estou especial apreciador dos arranjos modernaços dele, nem sequer da obra Irmão do Meio. Como letrista continua a ser do melhor que temos. Faço questão de ir à Festa do Avante, mas depois da "seca" que levei dele na festa do Bloco enquanto estava à espera de Tora Tora Big Band, não faço a mínima questão de o ver tão cedo.
Mas, caro Vítor, estas questões das notas continuam a ser muito subjectivas e injustas. Como por vezes as linhas que se escrevem sobre um concerto. e aqui há vários factores dos quais certamente saberás. Disposição para ver aquilo que estávamos à espera de ver. Se o nosso humor não foi abalado pela seca que levamos antes, ou pelo cansaço de andarmos a cima e abaixo e fazermos 300 kms dia. Se estamos lá ao fundo ou ao pé do palco e vemos coisas que não passam nos ecrãs. etc etc etc...
Publicado por: yggdrasil às agosto 17, 2004 02:06 PM
Já nem me lembrava dos músicos da Lhasa... :)
Mas aí não achei tanto, ao contrário do que outras pessoas que terão tido a mesma opinião negativa que eu, que fosse um processo de "assombração" do génio a que serviam. Disse o que disse por não terem mostrado serem músicos por aí além, por não haver arranjos acima da mediocridade. Agora no caso do Tom Zé, já aceito que o olhar possa ser ofuscado pela genialidade do brasileiro, mas a banda e os arranjos estavam lá. E eu vi -- talvez seja um pormenor que eu achava insignificante, mas à luz do que acabei de descrever talvez possa ter alguma importância -- a banda a fazer o sound check sem o Tom Zé. E só aquilo assim já parecia ser excelente...
Se o Tom Zé fosse um filé, as batatas fritas eram bem saborosas para se comer sozinhas. No caso do grupo da Lhasa, eram daquelas batatas de congelador... :>
Publicado por: Vítor Junqueira às agosto 17, 2004 02:23 PM
eu, sinceramente, gostei dos músicos da Lhasa... sobretudo do baterista que é um dos produtores de "Living Road". Não eram músicos da craveira do Ribot e sucedâneos, mas criavam um tapete rico em pormenores. e, de facto, a lhasa não ofuscou tanto a sua banda, como o tom zé.
Publicado por: yggdrasil às agosto 17, 2004 03:23 PM