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agosto 28, 2004
WORLD Music Summer Quiz #5(d)
As últimas cinco.
96 - É brasileira. Vive em São Paulo, mas tem o coração na Amazónia. É cantora e etnomusicólogca. A sua família é descendente de um padre jesuita que se casou com uma índia. Já esteve no Cantigas do Maio.
97 - Qual o músico norte-americano de blues que gravou recentemente parte de um disco em Niafunké?
98 - Que nome se dá ao violino do Sec. XVI da região polaca da Mazóvia?
99 - É um instrumento de cordas, mas os Kroke chegam, por vezes, a fazer dele um instrumento de percussão.
100 - É um disco de Romances e nele participam Amélia Muge, Brigada Vítor Jara, Gaiteiros de Lisboa, João Afonso e Sergio Godinho. Como se chama?
Publicado por Luís Rei às 01:04 AM | Comentários (27)
agosto 27, 2004
WORLD Music Summer Quiz #5(c)
91 - Aksak Maboul, Tarwater, DJ Hell e Juryman, entre outros, são convidados de luxo no álbum que marca o regresso de uma carismática banda de São Francisco, após uma longa ausência. Quem são e que álbum editaram recentemente?
92 – É um tema de Zeca Afonso. Tanto as portuguesas Segue-Me à Capela, como as galegas Faltriqueira a cantam.
93 – Qual o modelo de acordeão com que a Celina da Piedade costuma tocar?
94 – Vive no corno de África, lutou com armas na mão pela independência do seu país e canta “Goda Anna”, canção tradicional kunama, que celebra a bravura dos guerreiros que defendem o seu povo. Como se chama esta senhora?
95 – Angelique Kidjo canta-a. O vietnamita Nguyen Lê e o persa Mad Sheer Khan também. Como se chama este original de Jimi Hendrix que é alvo de tantas versões?
Publicado por Luís Rei às 08:48 PM | Comentários (13)
World Music Summer Quiz #5(b)
Mais cinco:
86 – Quem substituiu Saul Rose no projecto britânico Waterson: Carthy e fez parte do quarteto que tocou há uns anos em Portugal, no Teatro Camões?
87 – Em que cidade do país seria suposto ser contruído um World Music Center?
88 – Que brass band cigana se orgulha de ser a mais rápida do mundo?
89 – Eram dois russos, um senegalês e um membro dos Huun Huur Tu que residiam em Amsterdão. Faziam uma fusão de jazz, com música africana, indiana e canto gutural de Tuva. Chegaram a tocar no Auditório Municipal do Seixal numa edição do Cantigas do Maio. Como se chamam?
90 – Qual o músico cabo-verdiano que cedeu um tema a uma banda sonora de um filme de Almodovar?
Publicado por Luís Rei às 05:31 PM | Comentários (11)
World Music Summer Quiz #5(a)
Hoje, por ser a última série que define quem levará para casa o disco de Abyssinia Infine - "Zion Roots", farei quatro grupos de cinco perguntas.
Aí vai o primeiro:
81 – É um aerofone típico do País Basco e dá nome a um óptimo projecto folk local.
82 – Qual a banda folk rock sueca que tem nome de canino selvagem e especial apetência para musicar as mais sangrentas baladas medievais nórdicas.
83 – Como se chamava o festival itinerante que apresentou ao vivo, pela primeira vez em Portugal, os Hedningarna e a Mari Boine?
84 - Qual a banda folk rock britânica que actuou há uns anos na Festa do Avante e que fez uma versão de “I Fought The Law”?
85 – Como se chama o músico italiano que fez uma versão de “Menina Estás à Janela”?
Publicado por Luís Rei às 03:01 PM | Comentários (22)
agosto 26, 2004
World Music Summer Quiz #4
Mais uma série...
61 - Qual a nacionalidade e como se chama o projecto musical da mulher de Ian Anderson, o editor da revista Folk Roots?
62 – Quem é o trompetista cigano que costuma não ter competidor à altura na conquista do trompete de ouro, no festival sérvio de Guca?
63 - Qual o virtuoso instrumentista português que participou no mais recente disco de Xosé Manuel Budiño?
64 – Qual o músico congolês que morreu de HIV e que, curiosamente, escreveu uma canção em francês onde deixava expresso todos os cuidados que se deve ter para a não propagação deste vírus?
65 – Qual a cantora africana que casou nos Estados Unidos, em 1968, com um Pantera Negra, chegando a ser perseguida pelo FBI?
66 – Qual o músico sul-americano por quem Lhasa chegou a estar apaixonada durante a sua infância, desejando mesmo casar com ele?
67 – São da cidade finlandesa de Väasa, falam sueco. Percencem à minoria fino-sueca que habitam zona costeira do Golfo da Ostrobótnia, na Finlândia. Já estiveram no Cantigas do Maio e no Raízes do Atlântico. Como se chamam?
68 – Tem nome de peixe carnívoro e é uma das principais editoras de músicas do mundo. De quem se trata?
69 – Lucha Reyes era a diva das rancheras mexicanas e morreu tragicamente. Qual o nome da actual intérprete deste estilo e que, outrora, cantava em cabarets? [ela é uma das presenças no WOMEX deste ano]
70 – Como se chama o escritor britânico, já falecido, que pode ter servido de inspiração a alguns dos vídeos dos finlandeses Alamaailman Vasarat (disponíveis em www.vasarat.com]?
71 – Glásgua é conhecida por ser a cidade europeia que detém estoicamente a percentagem mais elevada de pessoas que morrem anualmente de acidentes cardio-vasculares. Qual o compositor e letrista escocês que escreveu uma canção que serve de hino para quem se está a marimbar para os malefícios do colestrol?
72 – Qual é a banda portuguesa que, nos seus concertos, costuma tocar acordes de música de entrada de uns desenhos animados cujo herói é canino?
73 – Continuam a deter o título de campeão de vendas na área de “world music fusion”. São um duo francês e misturam electrónica com a música dos Pigmeus da África Central. Quem são?
74 – Qual o famoso quarteto de cordas que colaborou recentemente no último disco de Rokia Traoré?
75 – Travadinha gravou um disco ao vivo em Portugal. Em que sala?
76 – Qual o principal festival de música que ocorre em Agosto na ilha cabo-verdiana de São Vicente?
77 – Como se chama o poeta e compositor já falecido, conhecido como “a mãe” de todas as bandas contemporâneas da Guiné Bissau?
78 – Quem é a “avó” argelina da música raï?
79 – Habitam nas zonas inóspitas do Canadá, são indígenas e exercitam uma forma de canto gutural, abraçados dois a dois. Qual o nome deste povo?
80 – Qual a rádio alemã que emite a partir de Berlim e que é orientada essencialmente para a divulgação de músicas do mundo?
Publicado por Luís Rei às 03:17 PM | Comentários (64)
agosto 25, 2004
World Music Summer Quiz #3
Preparados? O Terceiro "round" vai começar. 3, 2, 1...
41– É cineasta e defende que o desenvolvimento cultural é essencial para o desenvolvimento económico do seu país. Reconhece que são os músicos locais que dão notoriedade a um país chamado Mali e que, por isso mesmo, deveriam ter passaporte diplomático. Como se chama o actual Ministro da Cultura do Mali?
42– Qual o antigo governador guineense que, há cerca de três décadas atrás, oferecia instrumentos aos músicos, promovendo as orquestras locais?
43- O símbolo da localidade finlandesa de Kaustinen é instrumento musical. Qual é?
44– É poeta. Costuma actuar sozinho em palco. Vive em Inglaterra. Os fãs apelidam-no de “LKJ”. Quem é?
45– Qual o músico angolano que pediu asilo político à Holanda, no início dos anos 70?
46– É um berber argelino. Toca alaúde e tem um grande sorriso. Vive na Bélgica e já tocou em Mértola. De quem se trata?
47– Os Värttinä chegaram a gravar um disco para uma editora de Paddy Moloney dos Chieftains. Como se chama essa etiqueta?
48 – Como se chama o grupo brasileiro que tocou composições de Philip Glass com instrumentos construídos pelos próprios em PVC (entre outros materiais)?
49– Como se chama o músico africano que esteve recentemente preso em França, acusado de promover a imigração ilegal e de comandar um gang que roubava lojas de roupa em Paris?
50 – Qual a origem das brass band ciganas do leste europeu (e não só)?
51– Faz parte da Sinfonietta de Lisboa e substituiu recentemente Sérgio Crisóstomo nos At-Tambur. Como se chama esta violinista?
52– Ahmed Chouraqui produziu no passado a alemã Nena, conhecida pelo tema “99 Luftballons” e Kim Wilde. Em 2003, foi responsável pela gravação de um disco de uma cantora cabo-verdiana. Como se chama a senhora?
53– Como se chama a técnica vocal nórdica de chamamento dos animais de pasto, caracterizado pela projecção de voz que deve chegar o mais longe possível?
54– Qual o músico escocês que gravou um disco só com canções alusivas ao whisky?
55– Quem substitui Paulo Charneca nos Gaiteiros de Lisboa?
56– Como se chama o antigo membro da brass band Kocani Orkestar que fundou uma nova formação com o mesmo nome (dizendo que a sua é que é a verdadeira)?
57– Como se chamava o primeiro festival temático organizado em Águeda pela Associação Cultural d’Orfeu, há cerca de 3 anos atrás?
58- Qual o artista cubano que foi engraixador, carpinteiro e pintor?
59– Como se chama o grupo feminino brasileiro que convidou Né Ladeiras para gravar com elas um tema do cancioneiro popular da Beira-Baixa (que o projecto Segue-me À Capela também interpreta no seu disco de estreia)?
60– Como se chama o último projecto e o disco da esposa de Bill Laswell?
Publicado por Luís Rei às 03:02 PM | Comentários (45)
agosto 24, 2004
World Music Summer Quiz #2
Aí vão mais 20 questões:
21 – Diga o nome de três vegetais que o mestre do blues do deserto do Sara, Ali Farka Touré, semeia na sua plantação em Niafunké?
22 – Como se chama o rio na República Federal de Tuva que inspirou Albert Kuvezin na atribuição do nome de um dos álbuns dos Yat-Kha?
23 – Qual o ritmo que nasceu nas principais cidades de Moçambique, durante a época colonial?
24 – Em que país vive actualmente a cantora sudanesa Rasha?
25 – Como se chama o grupo (e o tema) que, durante os anos 80, publicou uma canção que alegava à libertação de Nelson Mandela?
26 – Qual o nome (em língua magiar) tradicionais casas de dança húngaras?
27 – Qual a gaita mais temperamental e difícil de dominar, à qual lhe é aplicada o seguinte provérbio: “seven years learning, seven years practising, and seven years plying”?
28 – Quais os instrumentos que o tamborileiro transmontano toca em simultâneo?
29 – Como se chama o trio feminino belga que gravou uma versão de “Tina Vieri” dos Hedningarna?
30 – Qual a dança folk do Punjab que se tornou uma forma de pop asiático no Reino Unido?
31 – Qual o instrumento de cordas mais importante na música clássica afegã, considerado autêntico símbolo nacional?
32 – Que instrumento se tornou no ícone da independência e da democracia na Mongólia?
33 – Qual ser vivo que vive nos “manguezais” e que tem cérebro, de acordo com as letras de Chico Science?
34 – Qual era o som popular da Jamaica rural dos anos 40, que esteve na origem do reggae?
35 – Qual a obra épica e medieval de recolha de poemas rúnicos de transmissão oral, que influenciou boa parte dos músicos finlandeses?
36 – Quem é o mais inovador compositor estoniano da actualidade, que deu uma importante contribuição para a modernização da música instrumental e coral?
37 – Qual o tema de José Afonso que os moçambicanos Timbila Muzimba interpretaram em conjunto com Júlio Pereira, no espectáculo que deram recentemente em Lisboa (Teatro Maria Matos)?
38 – Como se chama o programa de rádio da jornalista e etno-musicóloga que produziu o álbum “Paraiso di Gumbe”, de Manecas Costa?
39 – Como se chama o crítico britânico (e professor de música) que habitualmente escreve sobre música da Península Ibérica e dos países do Báltico, na revista Folk Roots?
40 – Como se chama a nova série de lançamentos discográficos da editora World Music Network, que já editou mais de uma centena de “Rough Guides” (incluindo dois de fado)?
Publicado por Luís Rei às 06:04 PM | Comentários (51)
World Music Summer Quiz
Pegando numa ideia do suplemento Friday Review do diário britânico Guardian, vamos por em prática os conhecimentos musicais dos nossos leitores. Faremos cinco sessões de 20 perguntas. O primeiro a responder a cada pergunta ganha um ponto (por cada pergunta) que será acumulado até ao final da quinta sessão. Todas as perguntas devem ser respondidas nos comentários desta posta. Os dez mais pontuados receberão samplers de edições discográficas cinco volumes da compilação das Crónicas da Terra que estamos neste momento a elaborar.
1 - No final dos anos 80, um griot guineense inflamou as pistas de dança ao editar uma remistura house desse tema, muito badalado em discotecas europeias e norte-americanas. Como se chamava esse músico e o nome do tema que editou?
2 – Qual a nacionalidade do violinista de Amparanoia?
3 – Como era a alcunha (nick name) da cantora egípcia Umm Kalthum?
4 – Em que cidade africana nasceu Manu Dibango?
5 – Qual o compositor que influenciou fortemente Brian Eno, chegando mesmo o autor de músicas para aeroportos ao ponto de dizer que “sem ele nunca me teria envolvido na música”?
6 – Em 87, Cesária Évora foi descoberta a cantar num restaurante lisboeta por um produtor que ainda hoje trabalha com a “diva dos pés descalços”. Como se chama ele?
7 – Salif Keita é descendente do imperador que fundou em 1240 o império Mandinga. Como se chama essa figura da história africana?
8 – Nusrat Fateh Ali Khan, pouco antes de morrer, fez um transplante a um rim na vã tentativa de recuperar de uma doença que lhe foi fatal. Que doença era essa?
9 – Com quantas mulheres Fela Kuti se casou?
10 – Qual é o principal estilo musical de Youssou N’Dour, que designa também o principal grupo étnico e é língua oficial no Senegal?
11 – Como se chama o instrumento que Astor Piazzolla tocava?
12 – Kepa Junkera editou “Bilbao 00:00h”, cujo título foi inspirado num álbum de Astor Piazzolla. Como se chamava esse disco?
13 – Como se chamava o músico sueco que participou em “O Primeiro Canto” de Dulce Pontes?
14 – Como se chama o movimento argentino e chileno dos anos 60 que tem em Mercedes Sosa uma das principais impulsionadoras?
15 – “Samba da Benção” de Baden Powell foi usado na banda sonora de um filme de Claude Lelouch. Qual o nome desse filme?
16 – “Kaksi” é um dos álbuns mais importantes dos fino-suecos Hedningarna. Qual é o significado desse título na língua finlandesa?
17 – Como se chama o tema que os Pogues gravaram com os Dubliners?
18 – Quando a Noruega foi cristianizada, um instrumento de cordas especial foi queimado, com a justificação de reproduzir a música do Diabo. Que instrumento era esse?
19 – Como se chama o instrumento madeirense que está na génese do Ukelele?
20 – Como se chama o guitarrista canadiano com quem o arménio Djivan Gasparian gravou o álbum “Black Rock”?
Publicado por Luís Rei às 12:46 AM | Comentários (45)
agosto 23, 2004
Musa lusa seduz ingleses
Verdadeiro serviço público de radiodifusão e exemplo máximo do que poderia ser uma rádio vocacionada para apresentação de Programas de Autor, a londrina Resonance FM (104.4 FM), da proproedade de um colectivo de músicos locais, entre os quais se incluem o ilustre Robert Wyatt, tem desde a semana passada um espaço semanal de uma hora dedicada aos mais variados géneros de música feita em Portugal (da tradicional, ao jazz, à contemporânea, erudita, improvisada e electrónica).
"Musa Lusa" (é assim que se chama o programa), da autoria de Miguel Santos (responsável pela programação do festival Atlantic Waves) é emitido todas as segundas-feiras entre as 15.30 e as 16.30h. O programa de hoje é dedicado à vida e obra de Carlos Paredes, a quem uma das referências maiores das músicas do mundo - a Revista Song Lines - o apelidou no seu último número de mestre da... morna. Vá-se lá saber porquê.
Oiça o programa em streaming, aqui
Publicado por Luís Rei às 02:16 PM
agosto 20, 2004
Mercedes Peón: o direito à diferença
Mercedes Peón, entrevistada pelo La Opinion d' A Coruña, sai-se com algumas tiradas tão curiosas quanto surpreendentes e contraditórias:
"La música tradicional gallega goza de la mejor salud de toda Europa" porque "la tradición oral sigue viva".
"Yo no hago tradición y tampoco folclore, porque es lo que representa al pueblo y sería una soberbia muy grande decir que yo represento a alguien"
"Ajrú es un grito tribal festivo que representa un grito sincero. Es la reivindicación de lo diferente, de lo disidente"
"Quiero pensar que tengo un estilo muy Mercedes Peón"
Uma passagem que dá que pensar: Mercedes, mujer reivindicativa, como ella misma se define, tampoco cree en los "grupos tradicionales", ya que cuando uno sube a un escenario hace "performance", imita algo, pero no hace tradición. "Eso es mercado", asegura la cantante.
PS: o texto integral já foi retirado da página do Jornal La Opinion - Coruña. Se desejarem ler o artigo na integra, façam o favor de me contactar.
Publicado por Luís Rei às 01:16 PM
Songcatchers: In Search of the World's Music #3

Cortesia Mickey Hart e National Geographic
The mid-20th-century Nagra tape recorder gave field recordings an unprecedented fidelity.
Publicado por Luís Rei às 02:17 AM | Comentários (7)
Pogues e Shane MacGowan juntos de novo
À semelhança do que aconteceu este ano com os lendários Planxty, os Pogues que Shane MacGowan abandonou em 1991 e que se aguentaram até 1995, voltam a juntar-se (já o haviam feito em 2001) no final do ano com o carismático vocalista, para realizarem oito espectáculos no Reino Unido. Não é preciso dizer que em 2005 lá deverá sair o inevitável álbum e DVD ao vivo, pois não? Resta saber se a banda ainda terá vontade de trabalhar em originais.
E as datas e os locais são:
13 e 14 de Dezembro - Glasgow Academy
16 - Newcastle Arena
17 - Birmingham Academy
18 - Manchester Evening News Arena
20 e 21 - London Brixton Academy
23 - Dublin Point Theatre
Os bilhetes serão postos à venda a partir de Setembro.
A propósito, alguém viu à venda no Ebay o anel que foi roubado no Coliseu a Shane MacGowan?
Foto: (c) Daren Andrews
Publicado por Luís Rei às 01:01 AM | Comentários (6)
agosto 19, 2004
Songcatchers: In Search of the World's Music #2

Cortesia Mickey Hart e National Geographic
Attentive to “his master’s voice,” the trademark mutt, Nipper, seems as fascinated by the disc gramophone as the listening public was. The artist first painted his pet listening to an Edison cylinder phonograph, but agents for Edison showed no interest. Nipper eventually became the symbol for Victor gramophones.
Publicado por Luís Rei às 02:19 AM
agosto 18, 2004
Atlantic Waves 2004: programa completo
Já se encontra definido o cartaz da edição de 2004 do festival londrino “Atlantic Waves – Exploratory Music From Portugal”, que ocorre este ano entre 23 de Setembro e 7 de Dezembro. Promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, este evento caracteriza-se como a principal “montra”, em Inglaterra, de música feita em Portugal, nos mais diversos domínios. Este ano, haverá como habitualmente fado (Cristina Branco, Ana Sofia Varela, Carla Pires), Concertinas e Percussões (Danças Ocultas e Rui Júnior + O Ò Que Som Tem) música contemporânea (OrchestrUtopica, Apholo Saxophone Quartet), improvisada (Jorge Lima Barreto, Vítor Rua e Carlos Zingaro), electrónica experimental (Autodigest), pop alternativa (The Gift) e dança (DJs Dezperados).
O cartaz é o seguinte:
Cristina Branco
fado
Thursday 23 September 2004 7:30pm Purcell Room £15
[in association with George Georgiou]
OrchestrUtopica
contemporary
Friday 8 October 2004 7:30pm Purcell Room £12 £10 conc.
Danças Ocultas
Rui Júnior e O Ó Que Som Tem?
ethno/folk: concertinas + drums
Tuesday 12 October 2004 7.30pm Purcell Room £12 £10 conc.
Autodigest versus 3 saxophone players: Lol Coxhill, Rob Mills, Alan Wilkinson
Paulo Raposo/Janek Schaefer
experimental/electronica
Thursday 4 November 2004 7:30pm The Spitz £10
Jorge Lima Barreto/Vitor Rua/Sunny Murray/Jac Berrocal
Carlos “Zíngaro”/Gunter Mueller/John Butcher/Martin Tetrault
improvisation
Thursday 18 November 2003 7:30pm Purcell Room £12 £10 conc.
[in association with London Jazz Festival]
The Gift
alternative pop
Sunday 21 November 2004 6pm to 12am Cargo £5
[in association with Artworks Productions]
Dezperados (DJ set) + Loosers (live set)
Club night featuring live rock’n’noise
Friday 26 November 2004 8pm to 3am Cargo £6 before 9pm £10 after
[in association with Artworks Productions]
Apollo Saxophone Quartet
contemporary
Wednesday 1 December 2004 7:30pm Union Chapel £10.
Ana Sofia Varela
Carla Pires
fado
Tuesday 7 December 2004 7.30pm Purcell Room £15
[in association with C7M World]
Mais informações em www.atlanticwaves.co.uk
Publicado por Luís Rei às 05:51 PM | Comentários (1)
Songcatchers: In Search of the World's Music #1

Cortesia Mickey Hart e National Geographic
This 1916 image of Frances Densmore and Blackfoot leader Mountain Chief listening to a cylinder recording has become a symbol of the early songcatcher era.
Publicado por Luís Rei às 03:47 AM
agosto 17, 2004
Que Mala Suerte
Já não bastava o facto de a RTP os ter apelidado Los Abajos, em rodapé no Jornal da Noite. Já não bastava o facto de dois dos músicos dos Los de Abajo terem ficado em Inglaterra devido a problemas com ligações aéreas, facto que fez o concerto de Paredes de Coura de ontem (hoje) transitar das onze da noite para as três da manhã. O enorme dilúvio que se abateu sobre esta localidade minhota impediu que a banda mexicana tocasse mais do que meia-hora - e foram constantes os problemas de som em palco durante esse período de tempo – até que a parte lateral do palco cedesse por excesso de água. Recorde-se que já morreram músicos electrocutados em palco, como por exemplo, Carlos Rivolta, o antigo baixista dos Dusminguet, em Abril de 2002, no... México. Esfuma-se desta forma a oportunidade de testar uma banda mais ligada às sonoridades além pop /rock anglo saxónico num festival de Verão, produzido pela Música no Coração. É claro que os Hedningarna já estiveram no Sudoeste há uns anos. É claro que já houve a tentativa falhada de criar um palco específico para o efeito. Mas Cheikh Lô e Geoffrey Oryema não foram as melhores apostas.
Resta desejar aos Los de Abajo melhores condições atmosféricas nos Açores, para o espectáculo de dia 22 no “Maré de Agosto”, e a todas as organizações que produzem concertos de Verão ao ar livre maior precaução neste tipo de situações porque o tempo está, de facto, a mudar. Se a chuva em Glastonbury ou em Roskilde é um dado (quase) adquirido com que os promotores têm obrigatoriamente que contar, também parece que é isso que tem de acontecer em Portugal.
Publicado por Luís Rei às 06:15 PM | Comentários (1)
Los De Abajo - "Cybertropic Chilango Power"
Los De Abajo
Cybertropic Chilango Power
CD Luaka Bop / EMI 2002
Subcomandante Marcos caiu definitivamente nas graças da comunidade artística mundial. Oriundos da cidade do México, os Los de Abajo engrossam o numeroso contingente zapatista, onde constam nomes como Rage Against The Machine, Mundo Livre SA, Dusminguet, Lila Downs e Manu Chao. O octeto mistura o caos rítmico urbano com a simplicidade da música campesina latino-americana, numa explosiva mistura que evoca o génio miscigenador e criativo de Chico Science, sem contudo lhe chegar aos pés, devido à forma como este nordestino, falecido num triste acidente de viação, criava um híbrido de excepcional modernidade. Em “Cybertropic Chilango Power”, reina ainda uma certa anarquia sonora típica dos britânicos Chumbawamba, uma dose enérgica de punk latino, Manu Negra e Les Negresses Vertes obligé. Uma complexidade sonora, que vagueia de tema para tema, entre o pop, o rock, o hip hop, o ska, o dub, a cumbia colombiana, a salsa nova-iorquina, o cha-cha-cha e guajira cubano, ou o jarocho e a redubba norteña mexicana. É esta facilidade com que os Los de Abajo passam de uma malha funk de intrincada guitarra eléctrica, para uma guarjira bastante marcada pelo som cintilante do tres, que torna este segundo disco do grupo bem mais apetecível que o álbum de estreia homónimo, editado em 98. Uma rica babel sonora que serve de suporte de inflamadas mensagens políticas que, além de defender a causa indígena mexicana cuja luta extravasou as fronteiras regionais tornando-se num forte símbolo dos movimentos antiglobalização económica, também denuncia o promíscuo relacionamento entre o governo de Fox e os barões da droga. [7.5/10]
Nota: texto publicado originalmente no extinto sítio Musicnet, em 2002. No ano passado os Los de Abajo publicaram "Latin Ska Force", aquele que é o seu último disco.
Publicado por Luís Rei às 06:14 PM | Comentários (3)
agosto 16, 2004
FMM De Sines: Femi Kuti

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fogo artificial
Os cinco / dez minutos iniciais, com um “loop” rítmico contínuo a servir de banda sonora para a habitual descarga pirotécnica, revelaram que Femi Kuti era o actor perfeito no fecho do melhor FMM de Sines que até hoje pude assistir. Se o mote era a festa, o filho de Fela não se fez rogado. Em palco “dá o litro”, quer no saxofone, quer nas teclas, quer quando canta ou exercita movimentos algo epilépticos. A banda é eficaz, os metais mortíferos e as três meninas da cor do bolo de mel Madeirense (mais dançantes do que coristas) são os bibelôs perfeitos de um “produto” que provoca a nossa testosterona e torna o afrobeat, conforme o conhecemos nos anos 70, nada selvagem, muito mais domesticado, plástico – contaminado de hip hop e soul, previsível e quadrado. Fela, se fosse vivo, certamente continuaria a achar que a música do filho é uma merda. Femi Kuti gostou do ambiente de Sines. O público dançou freneticamente. Valeu pela festa. [8/10]
Publicado por Luís Rei às 07:11 AM | Comentários (4)
FMM De Sines: Tom Zé

(c) CMS / Cameraman Metálico
Génio à solta
A pergunta que se impõe: - Por que é que, depois da Expo 98, ainda ninguém tinha trazido Tom Zé ao nosso país? Estarão os promotores de espectáculos demasiado ocupados em fazer novos espectáculos com Lamb, Gotan Project e Massive Attack?
Apesar de uma banda algo fraquinha, Tom Zé é um performer notável que parece ter nascido em cima de um palco. Parece que não precisa dos músicos que o acompanham para nada. Ele e a sua guitarra bastavam. O ar franzino e gozão cativa-nos de imediato. Pelos desconcertantes jogos de palavras. Pela ironia que tanto nos faz rir num momento (Companheiro Bush), como em outro momento, nos esfrega com um pano bem sujo a dura realidade dos países em vias de desenvolvimento ceifados pela “globarbarização” (a história da menina que é forçada pela mãe a prostituir-se – O PIB da PIB) e, noutro, nos transporta ao nosso ser animal, primitivo, que se orienta pelos ciclos lunares. Magnífica a Lua Cheia visível ao pé da estátua de Vasco da Gama iluminando toda a baia da Praia de Sines. Pelo criativo e hilariante papel de feirante que vende os seus discos. Pela forma como veste o fato de macaco e cria ritmos com uma rebarbadora.
[10/10] para o performer
[7.5/10] para a banda que o acompanha
Publicado por Luís Rei às 07:09 AM | Comentários (4)
FMM De Sines: Rokia Traoré

(c) CMS / Cameraman Metálico
graciosidade divina
Rokia Traoré é, provavelmente, a artista feminina africana mais interessante da actualidade. Além de nos fazer crer que não é necessário viver em África (reside há já vários anos em Amiens – França) para continuar a beber da água pura da fonte. Consegue inovar nas estruturas rítmicas e melódicas da música tradicional da África Ocidental, em especial do grupo étnico Bambara, assumir pose de songwriter cantando na sua língua nativa temas actuais especialmente dirigidos às mulheres (juntando a sua causa à da diva do Wassolou – Oumou Sangaré), sem ser vítima da “francofonização” que atinge a maior parte dos músicos africanos que optam por viver no país de Piaf. Ao seu lado viu-se uma banda extremamente eficaz onde pontificam a dupla de executantes de pequenos n’gnonis que solam como se tivessem uma kora nas mãos em sintonia com um balafon gigante. As grandes âncoras que edificam a casa rústica da região de Beledougou, decorada com modernos atavios pelo baixista / guitarrista de serviço Christophe Minck, o único elemento de sangue branco. É ele a peça chave que abre a música aos rendilhados de baixo e de guitarra ocidentais sem a ferir na sua autenticidade. Foi pena que o realizador das imagens que passavam nos écrans ao lado do palco e fora do castelo (quase) nunca o chegassem a captar, mesmo quando solava e empolgava a assistência. Que dizer de Rokia... bela, frágil, leve como uma pluma nos temas mais calmos em que pegava na sua guitarra. Graciosa, extasiante, demoníaca, quando exibia movimentos de dança de gestos perfeitos. Nunca a música do Mali foi tão sensível e tão avassaladora. O encore final, em jeito de trance / techno acústico não sairá tão cedo da memória daqueles que souberam saborear o espectáculo de Rokia Traoré. Magnífico. [9/10]
Publicado por Luís Rei às 07:07 AM
FMM De Sines: Septeto de Robert Rodriguez

(c) CMS / Cameraman Metálico
Cuba rabina
Robert Rodriguez, baterista e percussionista cubano, demonstrou como são ténues as fronteiras entre o jazz, o danzon cubano e a música klezmer das comunidades judaicas que, por vezes, dão um certo ar de tango apocalíptico made in Balcãs, como é apanágio de Boris Kovac. É certo que em Nova Iorque (através da Radical Jewish Culture que a editora Tzadik promove) e não só, há um sem número de executantes que têm universalizado a linguagem musical yiddish, levando-a para os domínios do rock, da electrónica, da dança e das músicas improvisadas. Aqui, o encontro entre o ritmos caribenhos e as melodias do leste da Europa, é perfeito. A isso deve-se o domínio técnico elevado não só de Rodriguez, como também da contrabaixista Jennifer Vincent (a fazer lembrar as cordas de Orlando Cachaito Lopez que parecem saltar das colunas de som) em despique com o virtuosismo do clarinete de Oscar Noriega (um dos elementos mais influentes deste septeto) e com a irreverência do violino (que chega a estar carregado de ruído, como se de uma guitarra eléctrica se tratasse ) de Meg Okura. [8.5/10]
Publicado por Luís Rei às 07:03 AM | Comentários (1)
FMM De Sines: David Murray Creole Project, com Pharaoh Sanders

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o espírito de “kah”
Chamem-lhes exibicionistas e intérpretes de jazz em processo de fermentação. Para mim, David Murray com Pharaoh Sanders e o Creole Project III foram, provavelmente, autores de alguns dos melhores momentos que passaram pela edição deste ano do FMM de Sines. Solos explosivos de Murray e Sanders embebidos no free-jazz que se desdobra em soul – funk e que recebe todo o misticismo de Guadalupe das “gwo ka drums” de Francois Ladrezeau e Klod Kiavue, cujas vozes e percussões nos conduzem para um terreiro de prática espiritual de descendentes de escravos africanos. Pelo meio, houve tempo para saborear outros grandes executantes como o trompetista Rasul Siddik, ou o guitarrista Hervé Sambe, e aprofundar a viagem que se estende a todo o continente americano, com passagem obrigatória pela “Bahia”. O único ponto negativo, foi o tempo excessivo (cerca de duas horas) dos músicos em palco. Numa noite a três, essa leviandade acabou por atrasar em demasia a actuação de Tom Zé e demais festividades na Avenida da Praia. [9/10]
Publicado por Luís Rei às 07:02 AM
FMM De Sines: Warsaw Village Band

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bárbaros e pagãos
Três vozes intensas e misteriosas cantando em uníssono em polaco, num ritual de chamamento a longas distâncias, como faziam no passado os pastores polacos. Dois violinos crepitantes que gelam o Báltico, unindo a Polónia à Suécia da “old fiddler tradition”. Um violoncelo tenso e incisivo, que dá o “drone” hipnótico à folk da Warsaw Village Band. Um saltério menos onírico do que o dos suecos Frifot, mais ligado à terra e a grandes cavalgadas punk / hardcore. Uma “frame drum” tocado como se fosse um tambor xamânico dos Sámi e um “kit” de percussão simples, constituído por um bombo, um prato e (por vezes) ferrinhos, o quanto baste para que o som seco e rico em variações rítmicas – que fazem lembrar os ritmos das “brass bands” ciganas de leste - ganhe protagonismo. Há um nervo bárbaro e pagão aliado a um profundo conhecimento das tradições musicais da região da Mazóvia, com um desejo de inovar, que torna WVB numa das mais frescas e interessantes propostas da folk (em confronto com o rock e a dança) do norte e do centro da Europa sedento de inovação, alinhando-a à movimentação “ethno-punk”, ao lado de Hedningarna, Garmarna, Alamaailman Vasarat, Vasmalom e Besh’o’Drom.
Sem recorrer a quaisquer instrumentos electrificados ou electrónicos em palco (coisa que já não acontece em disco), a WVB tocou quase sempre como uma banda hardcore, extremamente rápida na execução e na duração das composições escolhidas a dedo de “People’s Spring” (2002) e de “Uprooting” (2004, álbum acabado de editar e sobre o qual publicarei futuramente uma entrevista com a banda). Arrebataram corações pouco sintonizados com a folk do Báltico, cumprindo plenamente o seu objectivo. O de chegar ao público mais festivo, à espera de se divertir, perdendo com isso o resto do repertório mais ascético e calmo. Curiosamente, foi num desses raros momentos contemplativos, apenas com a violoncelista e violinista (aqui, envergando um violino medieval “suka”) que a WVB se mostrou mais sedutora, quebrando o ímpeto repetitivo dos tiques punk (curiosamente, um dos percussionistas envergava uma t-shirt da banda hardcore D.R.I.) usados ao longo de quase todo o espectáculo. Apesar de tudo, a WVB merece voltar, de preferência em locais fechados, de forma a preocuparem-se mais com o público que os vai ouvir, não com aqueles que estão sedentos de queimar as calorias em excesso provenientes dos hamburgueres ou dos nacos com molho de natas e dos “sundays” que ingeriram ao jantar. [8.5/10]
Publicado por Luís Rei às 06:47 AM
agosto 15, 2004
Festival Raízes do Atlântico

Os irlandeses Téada
Apesar de o cartaz ter sofrido alterações nada agradáveis de última hora (a não inclusão de Hednignarna conforme estava previsto), o “Raízes do Atlântico” atingiu a maturidade na forma como se relaciona com os madeirenses e, sobretudo, com os turistas estrangeiros de meia idade que se encontravam, noite após noite, em número considerável. O espaço do auditório do jardim esteve sempre repleto, sobretudo na noite das Tucanas. Quem chegava em cima da hora, tinha a tarefa dificultada de ver os espectáculos nas melhores condições. Na impossibilidade de se conseguir lugar sentado, os restantes amontoavam-se como podiam, atrás uns dos outros, tornado-se difícil ver-se um espectáculo em perfeitas condições. A questão que coloca é a seguinte: como será a partir daqui? Haverá um novo conceito de festival? Explorar-se-ão nos espaços e outras localidades além Funchal, como por exemplo, a sala do Casino do Funchal, o Engenho e o espaço da praia de Porto da Cruz? Mudar é preciso.
Os madeirenses
Como tem sido apanágio deste festival, o contigente madeirense apresenta-se em número considerável garantindo mais de 50% do cartaz. Já que dificilmente actuam no continente e fora do país, que façam o gosto ao dedo, pelo menos, na terra onde nasceram. Os nomes repetem-se, mas o repertório e direcção artística (sobretudo de Xarabanda e Banda d’Além) renovam-se. É pena que não haja músicos da craveira de Vítor Sardinha ou intérpretes estrangeiros do conservatório local que possam oferecer um cariz mais experimental da música e dos instrumentos madeirenses.
Os Xarabanda, encarregues de encerrar esta edição, foram uma agradável surpresa. Apresentaram-se com o Coro do Porto Moniz (muito bom o momento das vozes masculinas, menos bem com todo o coro). A revisão do legado madeirense continua algo redondo e previsível, se bem a direcção artística melhorou consideravelmente. Há ainda gente nova com valor a cantar e a feliz integração de um acordeonista Sérvio – Slodoban Sarcevic - que poderá no futuro dar maior audácia criativa ao projecto liderado por Rui Camacho. Ele que esteve também muito bem ao demarcar-se da reivindicação de mais (ainda mais?) apoio monetário aos projectos de música tradicional madeirenses proferida por Jorge de Sousa dos Encontros da Eira. [4/10]
Com o discurso reaccionário proferido várias vezes durante o espectáculo deste projecto da Camacha, que se dá ao trabalho de contabilizar à unidade o número de CDs vendidos até ao momento (13.794 – treze mil, setecentos e noventa e quatro), ficámos com a sensação de os músicos locais serem uns mendigos e das mouriscas serem seriamente perseguidas pelo lápis azul. Musicalmente, o Encontros da Eira é o projecto mais conservador. Tal como outros projectos congéneres, há sangue novo a correr, mas parece amordaçado pela intenção de não mexer uma virgula que seja ao seu repertório. [6.5/10]
Mantendo a mesma intenção em desenterrar e polir semelhante arqueologia musical, a Banda D’Além é contudo mais ambiciosa, sobretudo em disco. Neste espectáculo convidou um quinteto de cordas. Belíssimo a versão que criaram do Bailinho da Madeira, justificando plenamente o apoio monetário que eventualmente recebem Governo Regional (não sei quanto será, nem estou minimamente interessado em saber). Contudo, Mário André é para o bem e para o mal um líder que comete alguns excessos. Há nele um certo espírito do açoriano Zeca Medeiros, tornando-o algo dramático, assaz expansivo. Às vezes, ele transmite uma certa vitalidade ao espectáculo que falta, por vezes, aos seus músicos, outras vezes (a maior parte) acaba por criar tempos mortos, prolongando a actuação para além dos limites do razoável (1h45m, quando estava estipulado 1h). [6/10]

Banda D'além
Falar de Melian é falar de uma verdadeira salganhada auditiva que, na maior parte das vezes, não tem pés nem cabeça. Há bons músicos (como por exemplo o violoncelista húngaro Lásló Szapesi), momentos interessantes, sobretudo acústicos e instrumentais (quando o violoncelo e viola de arame se juntam), mas tudo descamba quando tentam ser uma banda ethno-gotic-metal. Sofia Relva é um equívoco. Na ânsia de protagonismo, puxa pelas cordas vocais como uma cantora de hard rock, dá voltas e voltas ao auditório. Ficava-lhe melhor o papel de Aimee Lee numa Chuva de Estrelas ou numa Operação Triunfo. Deixe lá os rapazes trabalharem. [3/10]

Os Marroquinos Nass Marrakech
Publicado por Luís Rei às 05:58 PM | Comentários (7)
agosto 14, 2004
World Music Charts Europe (Agosto 04)
1 -AMASSAKOUL
Tinariwen, Mali (Wrasse)
2 - SAVE THE WORLD (Salvamm'o Munno)
Enzo Avitabile and Bottari, Italy (Wrasse)
3 - EGYPT
Youssou N'Dour, Senegal (Nonesuch)
4 - TUTUKI
Te Vaka, New Zealand (Warm Earth Records)
5 - HOTEL VIETNAM
Blue Asia, Japan/Malaysia/Vietnam (King Records)
6 - WORLD 2004
Various Artists, various (Wrasse)
7 - TRUE LOVE
Toots & The Maytals, Jamaica/various (V2)
8 - SUBURBAN BUCHAREST
Various Artists, Romania (Trikont)
9 - MZANSI MUSIC - YOUNG URBAN SOUTH AFRICA
Various Artists, South Africa (Trikont/Unsere Stimme)
10 - UNA SANGRE
Lila Downs, Mexico/USA (Narada)
11 - MAPOU
Rene Lacaille, Reunion (Riverboat)
12 - BEBEL GILBERTO
Bebel Gilberto, Brazil (Ziriguiboom)
13 - WHENDO
Gangbe Brass Band, Benin (Contre jour)
14 - MUDANIN KATA
David Darling & The Wulu Bunun, USA/Taiwan
15 - SRBIJA: SOUNDS GLOBAL 3
Various Artists, Serbia (B92)
16 - RUKE
Darko Rundek & Cargo Orkestar, Croatia
17 - NU BRAZIL 2
Various Artists, Brazil (Manteca)
18 - THREE FIELDS
Volga, Russia (Sketis)
19 - BODJAL
Ale Möller Band, Sweden (Amigo)
20 - HORSE AND FISH
Vinicius Cantuaria, Brazil (Bar None/Rykodisc)
Fonte: www.wmce.de
Publicado por Luís Rei às 01:56 AM
agosto 07, 2004
Bons concertos no Algarve
No último dia de Andanças - as minhas desculpas à organização por não ter escrito nada sobre a edição deste ano - há também bons concertos a realizarem-se no Algarve durante os dois próximos fins de semana.
Hoje poderá optar entre Tavira e Lagoa.
No Convento do Carmo de Tavira, os Danças Ocultas devem finalmente apresentar ao vivo o seu mais recente álbum "Pulsar", que será editado entre Setembro e Outubro.
Na Lagoa, estreia o Festival "Sons do Atlantico", hoje em português com At-Tambur (excelentes momentos no Rock in Rio) e os Marenostrum, acabados de regressar de Sendim. Amanhã, o cartaz apresenta mais um projecto nacional - Brisas - e cantora da Costa do Marfim - a não perder de forma alguma se estiver a passar férias no Algarve - Manou Gallo.
Na próxima semana, em Montegordo - zona poente do Casino - poderá ver nos dias 13 e 14, respectivamente, a jovem caboverdiana Mayra e os italianos Acquaragia Drom. Espectáculos inseridos no festival itinerante Sete Sóis Sete Luas, extensão de Vila Real de Santo António.
Publicado por Luís Rei às 10:38 AM | Comentários (4)
agosto 01, 2004
Sines: o Alentejo que não dorme
O FMM de Sines está de parabéns pela forma como tem sabido crescer e fazer evoluir progressivamente o conceito deste festival. Em termos musicais, desde o primeira edição até à sexta, corrigiu-se o cartaz e o seu carácter abrangente, que também chegou a apresentar nomes do pop / rock lusitano como os Clã. Este continua a ser necessariamente festivo, sem ser corriqueiro, tendo deixado de apostar nos nomes mais óbvios (Carlos Núñez). Nesta sexta edição houve, como habitual, a feliz integração do jazz com um cartaz apelativo das músicas de raiz (David Murray, Roberto Rodriguez), a festa total do afro-beat de Femi Kuti, que se misturou com o fogo de artifício, a folk medieval do Norte da Europa com visões futuristas (Warsaw Village Band), a oportunidade de vermos toda a graciosidade e elegância de uma artista africana no seu pico de forma (Rokia Traoré) e de, seis anos depois, podermos deleitar-nos com a irreverência, desalinhamento e criatividade de Tom Zé, que tem sabiamente sabido envelhecer. Já para não falar do projecto “Terra de Abrigo” e dos exercícios vocais da mediterrânica Savina Yannatou a que, infelizmente, não pude assistir.
Além de ciclos de cinema, de espectáculos ao fim de tarde na capela e de conferências / debates, as actividades foram alargadas até de madrugada. O FMM conquistou a Avenida da Praia (onde este ano já tinha sido comemorado o 25 de Abril com Fausto e os galegos Diplomáticos), com mais um concerto por noite e animação a cargo de vários DJ’s. Durante três dias, Sines foi a “cidade que não dorme”, uma espécie de “big apple” freak alentejana. O mercado dos paus de incenso, das velas, das indumentárias hippies, da sangria a copo, dos artesãos errantes, a par do comércio das farturas, bifanas e cachorros, estendeu-se para lá da zona circundante do castelo, ocupando grande parte da avenida. A música enlatada da MTV e da Sol Música que habitualmente se escuta nas esplanadas de verão, foi substituída nos bares de praia pela selvajaria cigana de leste. Todo o folclore que se vê nas ruas antigas da cidade, recordou-me os saudosos tempos em que o WOMAD de Cáceres se realizava na zona medieval desta cidade da Extremadura espanhola.
O festival tem sabido crescer. De gratuito passou a ter bilhetes pagos (a preços simbólicos de cinco euros) limitados a quatro mil entradas. Mesmo assim, os ingressos esgotam-se e muita gente fica à porta. O circuito de ecrãs montados dentro e fora do castelo reduzem a frustração de não se poder ver in loco os artistas em cartaz. Coloca-se aqui a pertinente questão: como poderá o FMM de Sines crescer ainda mais e albergar todos aqueles que não conseguem arranjar bilhete? É necessário arranjar novos espaços, novos palcos, se possível em ambientes fechados.
O FMM afirma-se no cartaz de festivais nacionais pela forma como tem conseguido “sudoestizar” os festivais de músicas do mundo. Em conversa de rádio na Antena 1, o Álvaro Costa refere que se utilizam aqui muitos truques de festivais de rock. O Gonçalo Frota do Blitz é da opinião de que há muito boa gente farta dos mesmos nomes que continuamente vêm a Portugal e que querem algo de diferente e que o FMM oferece. Por isso mesmo, Sines recebe imensa gente que não é “cliente habitual” de festivais de músicas do mundo. É o evento desta área que credencia mais jornalistas, sobretudo da imprensa e da rádio.
Uma nota de grande interesse: A Antena 1 esteve durante os três dias a transmitir, durante a noite, em directo a partir do “backstage” do festival. Depois de Sines, a equipa liderada por Álvaro Costa estará presente também no festival Andanças. Resta agora saber se se seguirá o “Sons em Trânsito”. Há luz ao fundo do túnel.
[continua com a apreciação dos projectos em cartaz]
Publicado por Luís Rei às 06:07 PM | Comentários (13)