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julho 01, 2004

Forum Cultural Mundial: Os Young Gods entre os índios da Amazónia


Não se arranja por aí um bilhete de avião de ida e volta Lisboa - São Paulo para este fim de semana?

Até ao dia 4 de Julho, decorre em São Paulo o Fórum Cultural Mundial, "convenção que pretende fortalecer a posição das culturas periféricas diante das culturas hegemônicas do mundo". A nível musical existem propostas interessantíssimas que passam quase todas elas pelo encontro com as comunidades indígenas brasileiras: Mawaca (fabulosas), Marlui Miranda (diva arraçada de índia), os virtuosos percurssionistas Nana Vasconcelos e Tony Allen, além do trio suíço Young Gods que apresentam um espectáculo próprio para este forum, em parceria com o antropólogo canadiano Jeremy Narby.

Amanhã, Sábado e Domingo, The Young Gods traz seu mais novo trabalho ao Brasil, um conceito que surgiu, por sinal, justamente no Brasil: Amazonia Ambient Project. Trata-se de um show de uma hora de duração que é baseado em "experiências antropológicas, ecologia, shamanismo e multiculturalismo".
Com computador, sampler e percussão, o pioneiro trio suíço apresenta seu disco "Music for Artificial Clouds", com sons gravados na Amazônia e reprocessados no computador, no que definem como "um show ao vivo de improvisação eletrônica". Ao seu lado, fazendo interferências, estará Jeremy Narby, doutor em antropologia pela Universidade de Stanford e autor de The Cosmic Serpent, DNA and the Origins of Knowledge (1998, Penguin Putnam, New York).
Mas tem mais. O músico nigeriano Tony Allen, o criador do afrobeat, fará uma dueto com Sandra de Sá. O curdo Sivan Perwer traz seu depoimento musical e político sobre a situação no Iraque, de onde fugiu para a Suécia, escapando da perseguição movida pelo regime de Saddam. Diferentemente do fórum de Barcelona, que abriu em maio e está em curso, o evento paulistano tem uma ambição diferente, segundo Danilo Miranda dos Santos, diretor do Sesc e presidente do Conselho Diretor do Fórum Cultural.
"O fórum busca um equilíbrio na valorização da identidade cultural mundial. Para nós, não vale o padrão de um centro hegemônico. Queremos nossa reunião como uma ferramenta de mudança, um viés novo, uma linha na qual se pretende criar sulcos e raízes. Mas também não é algo contra, não é uma posição de confronto."

Jotabê Medeiros
[ Ag. Estado ]

Publicado por Luís Rei às julho 1, 2004 06:01 PM