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julho 14, 2004

Filipa Pais vence Prémio José Afonso 2003

De acordo com o site do grupo At-tambur, já se conhece qual o disco de música portuguesa (de pendor tradicional) de 2003 que conquistou o Prémio José Afonso, promovido pela CM da Amadora. A concorrência era forte: At-Tambur, Cristina Branco, Fausto, Janita Salomé, Kátia Guerreiro, Mafalada Arnauth, Pedro Caldeira Cabral, Ricardo Rocha, Sérgio Godinho e Ronda dos Quatro Caminhos. O venceder é "À porta do Mundo", de Filipa Pais, que até nem apareceu em lugares cimeiros nas habituais listas dos melhores do ano elaboradas por qualquer melómano que se preze. As Crónicas não ficaram surpreendidas porque o álbum é mesmo bom. Recupero um texto sobre o disco, datado de Outubro de 2003.



Filipa Pais À Porta do Mundo (V&A)

É um caso raro. Com uma carreira tão profícua e quase uma década após ter editado álbum de estreia a solo “L’Amar”, Filipa Pais lança finalmente o seu segundo disco, “À Porta do Mundo”. É, de facto, uma porta para um mundo imaginário e inocente (as imagens remetem-nos para o universo de Principezinho de Exupery), fantástico, belo, poético. Um universo amadurecido e com os pés bem assentes na terra. Há ecos de tradição (“Não Se Me Dá Que Vindimem”, “Altinho”, “José Embala o Menino”) e das medievais Cantigas de Amigo de D. Sancho I, moldados pela contemporaneidade dos elegantes arranjos de João Paulo Esteves da Silva, criando um luxuriante universo para a voz cristalina e, por vezes arabizada (marcas da Lua Estravagante) de Filipa. O disco é feito de subtilezas que é preciso descobrir: Há a poesia de Cesariny, Reinaldo Ferreira e Hélia Correia. Há adufes que retumbam e bandolins a saltitar como a pulga, acordeões ora alegres e festivos, ora trágicos e sombrios, uma límpida guitarra infinita que se prolonga além horizonte, uma gaita de foles que pede licença para entrar, o toque mais clássico de violino de Manuel Rocha (bem diferente do registo da Brigada Vítor Jara), o virtuosismo de Yuri Daniel (contra-baixo) e de J.P. Silva (Piano) em “Cantiga de Amigo”. É mais um daqueles discos que irá manter acesa a discussão do que é ou não é Música Popular Portuguesa. Não há fronteiras estanques. Os mais puristas que torcem o nariz às experiências mais clássicas da Ronda dos Quatro Caminhos, têm de perceber que o mundo actual é feito de contaminação e miscigenação. E nunca como aqui o universo da música tradicional se encontra tão próximo do jazz. E ainda bem.

Publicado por Luís Rei às julho 14, 2004 12:22 AM

Comentários

Merecido o prémio, sim senhor! Não que os outros o não merecessem. No entanto, quero apontar, agora, uma falha grave ao artigo reposto. É que não faz referência,nunca,ao Ricardo Dias,quando foi ele o maior responsável pelo disco, a par com o J P Esteves da Silva.

Publicado por: maria às julho 14, 2004 04:15 PM

gosto muito da Filipa, mas acho o disco um bocadinho ensosso. De entre os outros candidatos, escolheria Sérgio Godinho ou, em alternativa caso já tivesse ganho, Fausto ou Janita

Publicado por: Nuno às julho 15, 2004 11:43 AM

cara maria, obrigado pelo seu reparo. é bom saber que há leitores que lêem de facto aquilo que se escreve por aqui e estão atentos a todas as falhas graves.

Nuno, e tu que não escolhesses o SG Gigante :D

Talvez o Fausto fosse o justo vencedor, não musicalmente, mas ao nível da escrita de canções.

Publicado por: yggdrasil às julho 15, 2004 03:51 PM

Na minha opinião o prémio é bem atribuido, face a alguns dos nomeados, já terem recebido o prémio, anteriormente. Sendo assim, penso que é inteiramente justo esta atribuição a Filipa Pais.

Publicado por: vítor santos às julho 19, 2004 04:25 PM

O prémio é merecido. O disco do Sérgio é bom, mas não acrescenta nada: como é que se pode re-arranjar «Lisboa Que Amanhece» daquele modo?
Aliás, o Sérgio, tal como o Fausto e o Janita já ganharam o prémio - e no caso do Sérgio por duas vezes. Viva a Filipa, então.

Publicado por: joão às setembro 28, 2004 11:57 AM

Merecido!! Excelente voz, cristalina, natural...o que cativa realmente. Arranjos musicais do melhor que há...Filipa Pais Forever...

Publicado por: César Afonso às novembro 15, 2004 03:20 PM

Sempre disse ao Manuel Rocha que este trabalho da Filipa e companheiros, era do melhor que se fez em Portugal nos últimos tempos. Esta é mais uma prova que a música portuguesa realmente existe.

Publicado por: Paulo Silva às dezembro 22, 2004 11:22 AM