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maio 04, 2004

DISCOGRAFIA ESSENCIAL (25)
IBRAHIM FERRER - "BUENA VISTA SOCIAL CLUB PRESENTS"

Ibrahim Ferrer
Buena Vista Social Club Presents Ibrahim Ferrer
World Circuit / Megamúsica


A música cubana nas suas múltiplas ramificações (son, bolero, guarija, etc) tem vivido dias de ouro, apesar de todas as imposições da administração repúblicana norte-americana, com múltiplos artistas de mais de 70 anos que nunca tinham saído da Ilha de Fidel Castro a dar a volta ao mundo em sucessivas “tournées”. O “boom” teve origem quando há alguns anos atrás Ry Cooder decidiu gravar com Ibrahim Ferrer, Ruben Gonzalez, Afro-Cuban All Stars, entre outros, o álbum Buena Vista Social Club. À semelhança do que já havia acontecido com Ali Farka Touré (do Mali) no álbum Talking Timbuktu, Ry Cooder trouxe uma maior amplitude instrumental, mais refinada aos ouvidos dos Europeus e Norte Americanos. Se Talking Timbuktu tinha anteriormente sido considerado um dos melhores discos de world music de então, esta nova aventura de Ry Cooder render-lhe-ia um Grammy, milhões de discos vendidos e até um documentário realizado por Wim Wenders. Tanto assim é, que a World Circuit, editora de Ali Farka Touré e outros artistas africanos de primeira linha como Oumou Sangaré, instalou-se demoradamente em Cuba e foi explorando o filão latino-americano com edições de Ruben Gonzalez, Afro-Cuban All Stars, não se esquecendo também dos clássicos fechados no baú do sótão, como Estrellas de Areito e Los Zafiros.
Quanto a este álbum a solo de Ibahim Ferrer com chancela de Buena Vista Social Club, tudo soa grandioso reflectindo a preocupação da editora em fazer uma grande produção. O som continua expandido e refinado, mostrando que não são precisas descargas (jam sessions) para se continuar a inovar dentro da música cubana, pairando no ar um pouco do génio de Arsénio Rodriguez, o pai do son cubano. Há secções de cordas, há secção de metais a soar de mansinho, há guitarras eléctricas cruas e que transpiram algum psicadelismo tropical, tudo muito sentido porque é a voz opulenta e algo noir de Ibrahim Ferrer que deve fazer-se ouvir e sentir. Um álbum onde se dá uma simbiose perfeita entre o presente, o passado, revelando que ainda há muito sumo para espremer no futuro.

Publicado por Luís Rei às maio 4, 2004 02:55 PM