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maio 29, 2004
CdT no RiR(2): At-tambur impressionam na abertura do segundo dia

At-tambur © 2004 - agência zero
Não podia ter começado da melhor forma o segundo dia de actividades da Tenda Raízes do Rock In Rio, com os At-tambur. Privados de uma das antigas “estrelas” da companhia – Sérgio Crisóstomo, que já não tocou no Intercéltico do Porto – os At-tambur recrutam não um, mas dois seguríssimos valores que expandem a “folk” tingida de tons jazzy, com tiques clássicos. Fransisca Fins, a nova violinista que integra a Sinffonieta de Lisboa, é f-a-b-u-l-o-s-a. Excelente técnica, completo entrosamento com os restantes elementos. Faz esquecer Sérgio Crisóstomo. Ele que era até há bem pouco tempo, a par de Tiago Costa Freire (flautas doces) uma das referências maiores deste projecto. Se ao At-tambur juntarmos ainda a Celina “vai-a-todas” Piedade, temos aqui um super-grupo. O seu acordeão enche o palco. Apenas e só o seu acordeão. Que isto fique bem claro.
Na Tenda Raízes, ao ar livre, propensa a maior informalidade, os At-tambur despiram o fato e a gravata, arregaçaram as mangas das camisas pretas e brindaram-nos com a “folk” europeia e tudo à volta, mais solta e agressiva. Nunca “Arabesca” havia soado de forma tão potente e eléctrica (apesar de os instrumentos do grupo serem exclusivamente acústicos). Nunca “Sueca” soou tão hedningarniana. “Dulcima” (nome provisório de um tema que irá figurar no novo disco) foi o doce açucarado de uma actuação extremamente feliz e pouco recomendável a hipoglicémicos. É a bússola cujo ponteiro aponta o caminho certo da renovação da tradição, sem complexos. Há canção, tensão, suavidade. Um verdadeiro carrocel de emoções. Falta apenas a Margarida Simas perder uma certa timidez em palco e deixar uma certa postura angelical. [8.5/10]
Publicado por Luís Rei às maio 29, 2004 07:11 PM
Comentários
Atenção: a Celina não toca concertina mas acordeão. Um modelo francês, saltarelle, que por ser mais pequeno e leve que os acordeãos tradicionais, pode fazer lembrar a concertina. Tenho reparado que este aspecto tem sido vulgarmente confundido pela imprensa. O Zé Miguel, esse sim, é que costumava tocar concertina (castagnary "handry").
Publicado por: Nuno Fontes às junho 1, 2004 11:55 AM
Obrigado Nuno! Eu já quase desisti de fazer correcções:-) (Vejam lá que até já me telefonam para falar com a Cesaltina da concertina!! Que serei eu, suponho...)
O que eu toco é realmente um acordeão cromático, modelo CHAVILLE, da fábrica francesa Saltarelle. É o único modelo não diatónico da marca, mas apesar disso tem bastantes semelhanças com as concertinas da marca, semelhanças aliás propositadas, mas que no entanto se limitam ao tamanho e revestimento (a madeira) do instrumento. Se tiverem paciência, visitem o site da marca www.saltarelle.com.
Um abraço
Publicado por: Celina Piedade às junho 3, 2004 02:50 AM
Obrigado Nuno e Celina pelo reparo. Foi de facto uma desatenção infantil dado que na altura do concerto o Nuno Barros estava a comentar exactamente isso.
Publicado por: yggdrasil às junho 4, 2004 12:37 PM