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maio 10, 2004
BEBEL GILBERTO: ainda falta "Tanto Tempo" para Junho
Bebel Gilberto lançará um novo disco, daqui por um mês. Álbum produzido por Marius de Vries (já trabalhou com Bjork e Rufus Wainwright) e que conta com uma série de convidados de luxo, como Carlinhos Brown. A editora é a mesma de "Tanto Tempo" (a Crammed / Ziriguiboom) e, contrariamente ao que seria de esperar, este disco não terá distribuição em Portugal pela Megamúsica (a habitual representante desta editora belga no nosso país). É a Universal que irá editar um disco que promete ser um dos maiores lançamentos de Verão. Resta saber se esta brasileira fará a habitual tripla da imprensa nacional musical. Isto é, capa no Blitz, DNA e Y, na mesma semana.
Deixo-vos com um artigo / entrevista que escrevi para a Visão, há cerca de quatro anos, poucos dias antes de Bebel Gilberto apresentar "Tanto Tempo" ao vivo no CCB.

Filha de João e Miúcha, Bebel carrega consigo o peso do apelido Gilberto.
A sua carreira musical já tem mais de uma década, mas só este ano editou o seu primeiro álbum que lhe trouxe reconhecimento internacional, dando aso aos trocadilhos que o título Tanto Tempo pode deixar transparecer. É que, a sua vivência no Brasil como artista, não foi nada pacífica. Conforme conta, «o Brasil não perdoa. Existia uma enorme pressão há minha volta, porque sou filha de João Gilberto. As pessoas perguntam: “- o que é que ela vai ser?” Aí, já botam cinco lentes de aumento para ver se você está sendo fiel à música do seu pai. Se eu fosse mais rock, pegavam no meu pé. Ou se optasse por outra carreira como a de jornalista, também eram capaz de pegar no meu pé. Adoro o Brasil, mas os brasileiros não incentivam os filhos de artistas a seguirem a carreira dos pais.»
Aos 17 anos já tinha gravado um EP e um disco de samba no Brasil baseado em temas de Geraldo Pereira, trabalho que não guarda muito boas recordações. «Fui chamada para ser ‘crooner’, por isso não houve o meu envolvimento artístico, já que até dirigiram o meu jeito de cantar.»
Apesar disso, Bebel Gilberto é actualmente uma das vozes de maior projecção de um cenário pós-bossa nova, que ela considera ser simplesmente pop. A sua música reflecte uma vivência errante dividida entre o Rio de Janeiro, Nova Iorque e Londres.
«Mudei-me para Nova Iorque em 91», diz. «Fui para lá para começar do zero, conhecer o país onde nasci e vivi até aos três anos. Achei que isso podia ficar meio perdido na minha história. Quando lá cheguei, conheci o Arto Lindsay, o David Byrne e o Beco Dranoff e comecei a trabalhar com músicos que viviam ou que iam lá gravar os seus discos. Participei no “Circulando” do Caetano Veloso, colaborei com o Towa Tei (DJ japonês que pertenceu ao projecto Dee Lite), que me fez ver que essa coisa meio ‘dance’ poderia ser ‘bacana’». Aí, Bebel, além de ter encontrado a «liberdade para fazer o que queria», ganhou confiança e foi acumulando experiência e ideias durante quase uma década, que agora podem escutar-se em Tanto Tempo. «Ao ouvir grupos como Everything But The Girl, Style Council, Sade e Matt Bianco, sentia que eles botavam um perfume brasileiro nas músicas que faziam. Senti que havia um grande envolvimento de artistas estrangeiros pela nossa música.»
Ao compor em Nova Iorque, ao trabalhar com gente ilustre da dança como a dupla norte-americana Thievery Corporation, o brasileiro DJ Soul Slinger, o jugoslavo Suba e os ingleses Smoke City, Bebel não tem dúvidas que o seu álbum Tanto Tempo «é um disco feito por uma brasileira, pensado com a cabeça de quem vive fora do Brasil.» Quando Bebel misturou a simplicidade da guitarra com a electrónica, estava consciente que «se você faz uma coisa totalmente acústica não vai a lado nenhum, a não ser que queira imitar o que aconteceu há 30 ou 40 anos».
o novo Brasil
À semelhança de Bebel Gilberto, outras vozes femininas brasileiras têm contribuído, através da Europa ou Estados Unidos, para uma saudável revolução da pop dançável cantada em português.
Nina Miranda, voz dos Smoke City residente em Londres e que participou em Tanto Tempo de Bebel, reflecte na música que faz o sangue brasileiro, por parte do pai e inglês, por parte da mãe. As letras que exibem o seu lado bilingue, o trip hop britânico condimentado pelo omnipresente tropicalismo, são características de distinção na sonoridade dos Smoke City.
Zuco 103 é o nome de um projecto germânico-holandês que mistura a sua a canção pop brasileira, com uma estrutura rítmica electrónica, minada de influências dançáveis e algo jazzísticas, que vão hip hop ao drum’n’bass. A figura central do grupo que actuou este Verão no festival Cosmopolis, é a carioca Lilian Vieira. Vive há mais de uma década em Amsterdão. Por não conseguir exercer na Holanda a sua profissão de enfermeira, viu na música e no circuito de bares brasileiros uma forma de sobrevivência.
A história de Leila Pantel é semelhante à de Lilian. Há mais de uma década que vive em Hamburgo. Era actriz, mas a língua impossibilitou-a de trabalhar em teatro, na Alemanha. Continua a fazer o circuito de bares de bares com o seu Trio Bossa Nova, através do qual apresenta clássicos de Joyce e Hermeto Pascoal. Foi através do tema Foto Viva e dos Mo Horizons, que se tornou conhecida na Alemanha. Este projecto do alemão Ralf Droesemeyer, une azimutes electrónicos, com uma notável orquestra de bons músicos de soul, funk e jazz, que também interpretam as sonoridades quentes de África e da América Latina.
Publicado por Luís Rei às maio 10, 2004 02:49 AM
Comentários
Gosto mais do tanto tempo remix do que do trabalho não misturado. Não delirei com este nome, apesar de o ter em casa, porque em nada me pareceu lufada fresca de ar que a música brasileira sempre consegue. Tem mérito e é bonitinho, mas para mim não passa disso. Contudo lá em casa há quem ame!
Publicado por: venon às maio 10, 2004 03:16 PM
ADORO a bebell ela é maravilhosa!
Publicado por: Daniel às setembro 15, 2004 05:20 PM