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abril 29, 2004
Entrevista a Manecas Costa: "resistir é (con)vencer"

2003 foi o ano internacional de Manecas Costa. Apareceu na capa da “bíblia” Folk Roots (edição de Julho) e esteve com “Paraíso di gumbe” na lista dos 20 melhores discos desse ano. Álbum gravado na Guiné Bissau e editado pela etiqueta do programa “Late Junction” da BBC Radio 3. A produzi-lo esteve a experiente Lucy Duran, autora de um outro programa desse canal, “World Roots”, que contou com a ajuda dos engenheiros de som Jerry Boys.
A viver há treze anos nos arredores de Lisboa, Manecas Costa sente-se amargurado com a falta de interesse dos média e do público em geral que têm ignorado a sua repentina ascensão internacional. Além disso, o disco “Paraíso Di Gumbé” mal se vê nas lojas. E de concertos, nem se fala. 2004 reserva-lhe apenas uma actuação (em solo português) no "Rock In Rio".
Falámos com Manecas Costa num ensaio de preparação para uma digressão em Espanha, o Retorta fotografou a banda guineense.
Apesar da sua pequena extensão de terra, a Guiné Bissau possui uma cultura musical muito diversificada, derivado das várias etnias que lá habitam. No entanto, há uma identidade nacional comum que trespassa toda a sociedade: o gumbé. O que é para ti o gumbé?
O gumbé é a forma de todas as etnias da guiné Bissau se encontrarem. Esta para a guiné Bissau como o reggae para a Jamaica. A história diz que os escravos jamaicanos trouxeram-no para cá. A Guiné tem praticamente uma mistura de estilos. Temos na Guiné praticamente tudo o que o Mali divulgou - djembe, kora, toncoro. - porque existe etnia muçulmana na Guiné Bissau (Mandingas, Fula). Isso fez com que a próprio músico da Guiné Bissau sinta uma mistura enorme. Na altura do projecto África Livre, já tocava músicas que têm a ver com o Senegal, com a Guiné Conacri. Coisas que ouvíamos na rádio. Bissau foi muito influenciado pela Guiné Conacri.
Na altura da guerra, o país sempre sofreu com cortes de energia. Apesar dos portugueses terem levado gira-discos, quando faltava luz, se estávamos num baptizado, num casamento ou numa reunião de amigos, tínhamos de inventar algo. Cortávamos um barril de vinho ao meio púnhamos água e a cabaça e continuávamos a festa. Não precisavas da energia elétrica, apenas de umas velas para ter o espaço minimamente iluminado. É a luta do gumbé com o gira-discos. É natural que se tenha tornado moda. A cabaça (tina), acompanhada de palmas, começou na cidade e a estender-se para o meio rural. Quando um Balanta toca broska sentes o gumbé e a marcação. O gumbé acabou por ter influência nos estilos mais rápidos. Foi a consequência de naquela altura não se poder cantar em crioulo. Era proibido. Foi uma luta de querer mostrar aquilo que era nosso. Vem premiar o José Carlos Schwartz, elogiar a coragem de valores como Ernesto Dabo, como Diogo Castro Fernandes. Eles é que incentivaram que era importante cantar numa língua nacional. Havia música mas não havia coragem de se fazer essa música. Tínhamos de ouvir fado, Beatles, etc.

O teu ensino de guitarra foi autodidacta e através de imitação de acordes das músicas que tocavas na rádio. Que músicas eram essas?
Tudo isso que estou a dizer. Fado, Beatles. Tínhamos uma rádio que emitia para todo o país. Era uma forma de nos fazer chegar tudo o que era bom ou mau. Não havia televisão, não havia nada. Essa rádio era uma forma de nos estarmos em contacto com o mundo. Mal vínhamos da escola, eu e o meu irmão íamos para ao pé do rádio e ouvíamos de tudo. Discos pedidos, etc.
“Paraiso Di Gumbe”, além de mostrar composições modernas, procura a pureza dos ritmos de Bissau. É também uma espécie de álbum de recolha. Daí ter sido fundamental gravar na Guiné Bissau?
O país tem uma cultura diversificada, muitas etnias, muita música. Cada etnia tem a sua forma de estar, a sua língua, o seu instrumento. Só temos que aproveitar a riqueza de cada etnia. Com “Paraíso Di Gumbe”, quis ir buscar várias formas de tocar de cada etnia. Os tambores que utilizei, não se encontram em lado nenhum. São tambores da guiné: Sabaró, Kutiriba, Bombolom, Droma. Os temas que tem mais a ver com aquele ambiente humano, sem a cadência metrónoma. O importante era deixar a música correr.
Este disco pretende acordar as pessoas. Quero mostrar o país que existe. Deu-me um orgulho imenso gravar na Guiné Bissau, por ser a primeira pessoa a trazer um estúdio móvel e a gravar no país. Espero abrir mais portas porque existem mais Manecas na Guiné Bissau.
“Paraíso Di Gumbe” une também diferentes etnias como a Banjak e a Balanta (da qual tu pertences). Que diferenças existem entre ambas?
O Manjak é mais voz. É do norte do país. Gumbe era cantado mais para pessoas que iam à missa e já tinham a noção do que era um gira-discos. O Manjak identifica-se mais com o tambor de água, com palmas. O Balanta identifica-se mais com o corno. Celebra-se o carnaval todos os dias. É a nossa forma de estar. Vais a uma festa de broska e vês as pessoas a cantar alegremente, com guitarra na mão. Isto simboliza alegria, fim do colonialismo, do medo. Implica irmandade, amizade, namoro. É muito da forma africana de comunicar que não é conhecida.

Uma das referêrencias de broska, é o Tio de Broska que a Folk Roots aborda e que pertencem à tua étnia (Balanta). Quem é ele?
O Tio de Broska é um grupo muito tradicional. Vejo nesse grupo uma simplicidade total e que ninguém olha para eles. Quando se fala em Guiné, só se fala de coisas más: golpes de estado, guerra, etc. Não há ninguém que possa pegar neles?
Como é que correu o processo de gravação na Guiné? Foi difícil levar montar o estúdio móvel e gravar o disco?
Uma das coisas bonitas que aconteceram foi a procura do sítio para gravar. A Lucy Duran e os Jerry Boys – aprendi muito com eles. Eles queriam um espaço onde havia uma ligação espiritual com o mar. Nós gravamos precisamente num bar / discoteca que fica nos arredores da cidade de Bissau. A preocupação deles era fugir ao barulho citadino e trabalhar num sítio inspirador.
Era como se a natureza entrasse pelos microfones e fosse gravada no disco?
Temos a ilha à frente do estúdio, sai-se da porta do estúdio e vê-se o mar. Gostei também de ver os Jerry Boys à procura do melhor som, colocando almofadas em sítios estratégicos para abafar o som. Foi impressionante. Ganhou-se muito com este projecto, porque trabalhei com pessoas muito experientes.
De quem partiu esta ideia de gravar o disco em Bissau?
Foi minha. Sempre quis gravar um disco na Guiné Bissau. Sei que a Lucy é das pessoas que sempre gosta de ir ao país de origem do artista que está a produzir. Já tinha esta ideia e aí houve um casamento de vontades. Nunca soariam assim se tivesse gravado este disco em Portugal ou em Inglaterra.
No disco, a harpa venezuelana substitui a kora? Como é que isso aconteceu?
Na altura queria gravar kora, mas começamos a ver o tema que escolhemos e, com a afinação do instrumento, sentimos que não era aquilo que queríamos. Achamos que a harpa podia resultar e resultou. Há um casamento de tambor de água da minha guitarra e da harpa venezuelana. Aquilo acabou por ter um certo impacto no projecto, porque uma das primeiras coisas que os média querem fazer é noticiar uma coisa nova.

Na reportagem que a Folk Roots elaborou durante a gravação do disco, leio que te querias libertar do “som de Lisboa”. Que som é esse? “zouk”? “kizomba”?
Sim. Quis evitar o zouk, porque a música da Guiné é muito rica. Penso que muitos dos projectos africanos que estão radicados em Lisboa perdem autenticidade ao querer por as pessoas a dançar. Mas isso é lá com eles. Não podemos ser todos iguais. A minha intenção é a de explorar ao máximo os ritmos que não são conhecidos: broska, gumbe, kussundé, djambadon, kundere. Há ritmos na Guiné que eu não conheço. Não se fez ainda nada para os recuperar.
Não existem discos de recolha?
Não há discos editados, mas existem gravações da Rádio Nacional. Cada vez que vou à Guiné, vou também recolher informação. Só eu sozinho a fazer isso, é complicado. Vivo cá em Portugal, mas não estou a tocar em Portugal propriamente. Vou ao Rock In Rio e é uma excepção.
A que é que se deve essa ausência em palcos portugueses?
Acho que deveria haver mais interesse ao nível dos empresários de espectáculos, ao nível de programação das grandes salas como o CCB ou a Culturgeste. Vivo cá há 13 anos e acho que deveria ter uma oportunidade de apresentar o projecto ao nível do país, da comunidade e, se calhar, de trocar experiências com músicos locais.
O álbum tem tido uma grande projecção internacional. Concertos não te faltam na Europa. Mas o disco passou completamente despercebido em Portugal, onde praticamente não tocas. Vais este ano actuar apenas no Rock In Rio. Que leitura fazes deste “quadro”?
Como diz o meu amigo Vasco, é um país em que a própria música portuguesa irá acontecer, mas não está a acontecer actualmente. Para conseguir um espectáculo numa sala como a do CCB, tenho de trabalhar muito lá fora primeiro. Tem que haver pessoas com interesse em nós, em divulgar a música africana de expressão portuguesa. Porque os francófonos estão bem inseridos. Quando o Youssou N’Dour num espectáculo diz “Merci”, ele é pago para isso. É pago por divulgar pelo mundo a língua francesa.

Não haverá também uma certa dificuldade de integração dos guineenses na sociedade portuguesa? Olhando para outros bons músicos como o Kimi Djabate, o Maio Coope, parece-me que vivem muito guetizados. Coisa que não acontece com os cabo-verdianos.
Penso que uma das coisas bonitas dos cabo-verdianos é terem tido um projecto cultural. Grupo como Tubarões, Voz de Cabo Verde, músicos como Luis Morais, Paulinho Vieira, deram alma à música de Cabo Verde e tiveram apoio do seu governo. Na Guiné Bissau, depois da independência, houve mais atrapalhação do que ajuda em criar um projecto. Isto tem a ver com a criação de uma rede, de informar as pessoas sobre o que vai acontecer.
A divulgação música africana em Portugal, conforme está a ser feita actualmente, dando ênfase sobretudo ao zouk e derivações programadas, não prejudica um projecto como o teu?
Acho que até a Renascença e a Rádio Comercial deveriam passar mais músicas de qualidade, como a Cesária, o Ali Farka Touré ou o Toumaní Diabaté. Há discos que poderiam ser passados uma vez por outra. Eu pergunto porque é que não há programas que passem estas músicas. Isto entristece-me.
Existem coisas estranhas na RDP África que eu tenho de respeitar. Não sei se passam a minha música ou não. Às vezes, ouves coisas que desvalorizam a música africana. Estamos a falar de uma música que não se sabe o que é em termos poéticos, de arranjos e de produção. Passam porque têm de passar. Deveria haver uma pré-selecção mais exigente na programação musical. Hoje toda a gente canta e quer aparecer na RDP África. Apesar de tudo é uma rádio que acaba por ser útil à nossa comunidade.
Quando gravaste este disco, houve também a intenção de sair fora do universo dos ouvintes da RDP África. Este seria um disco para apreciadores de músicas do mundo. A grande questão é a de que deves ter chegado à conclusão que há poucos apreciadores de músicas do mundo.
Sem dúvida. As pessoas não sabem que sou capa de revista em Inglaterra. Não sabem que este disco foi editado no Japão. O que me entristece bastante é ter aprendido a língua portuguesa, viver cá, ter casado cá, ter os meus filhos a viver cá e não tocar cá.
O meu nome está a ser feito lá fora. Seria extremamente importante haver empresários em Portugal que pesquisassem novos artistas e ajudassem a construir. Penso que a Lusofonia ganha muito com a Cesária, com a Mariza e comigo.
Em Portugal os políticos não incentivam os músicos a tornarem-se maiores. Será isso?
Sim. Ainda bem que falas isso. E os media também não. A minha produtora perguntou-me como é possível nunca ter sido chamado para ir ao programa do Herman.
Isso acontece com outros músicos da Lusofonia, como por exemplo o Guto Pires.
Quando a Lucy estranha com isso, fico mais triste.
Penso que houve alguns erros no processo de distribuição do disco. Se calhar, a Harmonia Mundi não seria a distribuidora mais indicada para o distribuir em Portugal.
Concordo plenamente. Como sou músico, não gosto de me meter no trabalho das editoras, mas acho que a BBC já chegou a essa conclusão. Não funcionou bem em Portugal.
Tens consciência de quantos discos vendeste cá?
Não. Penso que não deve passar dos 2 ou 3 mil discos. Vendi mais discos do outro projecto, “Fundo di Mato”, que tinha algumas kizombadas.
A questão é que esse disco foi dirigido ao público africano e apareceu nas discotecas africanas.
Exactamente. Isso e o facto de o “Paraíso Di Gumbé” ser um disco que dá palco. Tenho feito centenas de viagens. Não paro praticamente.
Quando menos esperares, “a bolha rebenta”.
Oxalá. A própria Lucy diz que a cidade e o país onde vives e onde crias os teus filhos deveria ter outra atenção para comigo. O exemplo da Cesária ensinou-nos que o português deixa a coisa ir. Penso que, acima de tudo, a Cesária deve estar um pouco revoltada com a mentalidade fechada deste país. Já ouvi um jornalista perguntar à Madonna se ela conhecia música portuguesa e ela respondeu com outra pergunta: - Cesária Évora? Ele teve que lhe dizer que ela era de Cabo Verde, ao que ela respondeu que, então, não conhecia música portuguesa.
Há que acreditar mais. Tem que haver pessoas informadas que escrevam sobre estas músicas, como o Luís.
Eu também sou um "pregador no deserto"... talvez o meu mérito seja o de poder começar uma pequena bola de neve.
O próprio Salif Keita disse-me há pouco tempo para não desaminar. Para continuar a lutar. Para falar com as pessoas certas. Isto não é crime nenhum. Isso aconteceu com toda a gente. Tem que haver, sobretudo, também nos músicos locais, interesse em criar intercâmbio, uma vez que estamos a cantar numa língua comum. Vejo muitos músicos portugueses ir a África. Dificilmente os africanos tocam cá. Em França já não existe esse tipo de mentalidade.
Inglaterra, França, são países completamente distintos. Aí existe imprensa escrita especializada, programas de rádio de autor, rádios que passam exclusivamente músicas do mundo, circuitos de música ao vivo consistentes e com programação regular.
O programa da Lucy pára a Inglaterra.

Na Guiné Bissau de 70, altura em que aprendias a tocar guitarra pela rádio, os músicos eram considerados bandidos. Como é que isso pode ter acontecido numa terra que tem etnias griots (nascem, vivem e morrem músicos)?
Naquela altura, meados de 70, os músicos eram aqueles que podiam ter mais namoradas. Era natural que faltassem às aulas e não fizessem os estudos. A própria sociedade começa rejeitar esse comportamento. É uma sociedade onde toda a gente se conhece. Se eu faltar a uma disciplina o meu colega diz aos pais e aquilo começa a circular na praça. O músico aparece neste quadrante como uma pessoa que não se quer definir e que não tem responsabilidade. Os amigos dos meus pais, começaram a pressionar: “- Cuidado com os teus filhos”, diziam. Contudo, os meus pais apoiaram-nos a (a mim e ao meu irmão Nélson), sentiram que havia alguma coisa que lhes dava mais segurança. Podíamos faltar a alguma disciplina mas tínhamos boa nota. Quem nos passou a música, foi a nossa avó da parte da minha mãe que tocava na altura. É aquilo que referiste há pouco: muitas vezes, a música é uma questão de família.
A própria educação política na Guiné Bissau, a partir do Luís Cabral também fomentou isso. Começaram a ver grupos como Caça Cobra, Super Mama Djombo, com grandes níveis de popularidade. A elite política sentia-se incomodada com isso.
Porquê? Será que os políticos sentiram que os músicos tinham mais popularidade do que eles?
Exacto. Foi aí que se começou a dizer coisas do tipo: “- aqueles bandidos não fazem mais nada do que tocar aí umas mornas”. Consideravam a música como um trabalho indigno ou um não-trabalho. A arte não foi valorizada e a música não foi prioridade dos sucessivos governos. Isto foi muito bem fomentado. Primeiro acabou-se com o Chiado Bissau que vendia instrumentos musicais. Os grupos começaram a morrer. Queima-te um amplificador e não tens como o arranjar, como fazer a manutenção do equipamento. Parte-te uma corda e tens de mandar vir de fora. Se tens um familiar em Portugal, ele manda-te a corda. Há um vôo por semana para a Guiné. O músico acaba por não conseguir ganhar um estatuto na sociedade.
Isso contrasta com a política de outros países africanos que apostam forte na música, como por exemplo o Mali. Aí o governo chega a oferecer guitarras aos músicos.
O Mali tem um projecto cultural como o Senegal e a Guiné Conacri. Na altura da Bembeya Jazz, a Guine Conacri teve aquele presidente Sekou Touré que fez muito pela música. Foi um grande investimento. Apostaram nos músicos.Eles é que podiam projectar internacionalmente a imagem positiva do país. Exactamente por isso, muita gente não sabe que a kora vem da Guiné Bissau, pensa que vem do Mali.
Como já referi anteriormente, existem outros bons músicos guineenses a viver em Portugal, mas parecem-me um pouco guetizados. Porque não criar uma rede de trabalho entre eles?
Vou ter um concerto a 19 de Maio em Inglaterra, com o Mori Kante. Vamos ver o que vai acontecer no futuro. Tem que haver mais músicas, mais valores que queiram apresentar músicas com valor. Tenho conhecido muita gente com interesse em ir à Guiné Bissau, pesquisar, gravar música, fazer documentários. É uma das coisas que vou tentar ver agora, há-que aproveitar o facto de o meu nome estar a ser respeitado lá fora.
Relativamente aos músicos que estão cá, deverá haver um interesse da parte deles em gravar maquetas e, porque não apresentá-las à Lucy. Ela é muito exigente. Tudo o que é “máquina” não consegue ouvir. Há uma doença em que as pessoas gravam no seu quarto, recorrendo muito a teclados. Quando começas a por muito teclado... “oh my god!”.
Há um novo governo na Guiné Bissau. Tens esperança que o cenário mude? Que a imagem do teu país deixe de ser aquela a que te referias à pouco – dos golpes de estado, da corrupção, da pobreza? Que os músicos e outro tipo de artistas possam ser os principais embaixadores e impulsionadores de uma nova imagem?
Há que ter esperança. A Guiné precisa de um projecto político, de um projecto cultural em que o próprio orçamento do estado tenha uma fatia em que a arte beneficie dela. Para a Guiné evoluir não pode contar só com políticos. Nos outros mandatos viu-se que houve erros enormes. Espero que a Guiné comece a ganhar uma nova imagem e que a comunidade internacional sinta que existe boa qualidade de vida, um projecto verdadeiro e objectivo em que os próprios filhos da terra poderão sentir-se protegidos, onde haverá justiça, saúde, educação, energia, sobretudo pouca corrupção. O partido que ganha as eleições tem que ter um compromisso sério, não só com a sua gente como também com a comunidade internacional que olha para este país como um dos mais pobres do mundo. O seu projecto político tem que trazer algo de novo. A esperança é a última a morrer.
O que é que esperas do novo ministro da cultura?
Espero que incentive os jovens a tocarem e a convidar-me para apresentar este projecto em Bissau, para levar paz, amor e harmonia. Por ser um disco que neste momento está a projectar uma imagem positiva do país que não existe. A verdade tem que se dizer A partir daqui, criar mecanismos, um intercâmbio de cooperação com países como Portugal ou Inglaterra, onde a Guiné Bissau esteja inserida. Fazer recolhas, construir um estúdio de gravação na Guiné Bissau.
Será que não podes fazer isso? Não gostavas de, daqui por uns anos, montares o teu estúdio em Bissau e fazeres as tuas recolhas?
Estou a pensar nisso. Mas não pode ser já. Estou a construir a minha carreira. É meu sonho incentivar os jovens, levar valores de Portugal a gravar. E porque não fazer um festival de música como acontece em Dakar. Temos sol, praia, fruta. A Lucy e os Jerry Boys pediram-me calma. Estou em início de carreira. Não me interessa estar a andar muito depressa. Vamos ver o que vai acontecer.
Publicado por Luís Rei às abril 29, 2004 01:46 PM
Comentários
Grande Manecas! é exactamente este o espírito que é preciso. Estou ansioso que chegue o Rock in rio para o ir ver. O disco é mesmo muito bom.
Publicado por: pmatos às abril 26, 2004 11:01 PM
Tenho a informar que os senhores do crónicas da terra são os principais responsáveis pela minha compra do disco do manecas, hoje, na MC...
Tenho a informar que...
...estou muito agradecido!!!!
abraços
fdinis
Publicado por: Fernando Dinis às abril 27, 2004 03:18 PM
Fico contente em saber que além das crónicas influenciarem a compra de discos aqui divulgados, os "aventureiros" acabam satisfeitos.
Já agora é bom saber que o disco está disponível na loja do Mundo da Canção no Picoas Plaza, pois tenho tido conhecimento de pessoas que andam à procura do disco em "hipermercados da cultura" e não o encontram por lá. Se ainda fosse um DVD...
Publicado por: yggdrasil às abril 28, 2004 01:12 AM
Parabéns pelo Bolg. Vou passar a estar aqui!
Publicado por: João Maria às maio 2, 2004 02:28 AM