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março 09, 2004
A fROOTS entrevista Victor Gama, angolano, construtor de instrumentos
Aos poucos, a música de expressão lusófona extra artistas brasileiros e a diva dos pés descalços, começa a ganhar maior importância no Reino Unido. Louve-se o trabalho de Miguel Santos que através do Festival Atlantic Waves tem revelado uma criteriosa selecção de artistas de língua portuguesa que atuam nas mais diversas áreas. Desde o fado à música popular, do jazz à improvisada. Facto que tem despertado o interesse de várias publicações música: casos da The Wire e da Folk Roots. A “bíblia” da música de raíz, tem olhado progressivamente para o “nosso” cantinho, através de críticas regulares a discos escritas pelo incontornável Andrew Cronshaw (autor do capítulo de Portugal da última edição da enciclopédia Rough Guide World Music Vol 1), quer através de esporádicas entrevistas. Nesta publicação Mariza e Manecas Costa chegaram mesmo a ter honras de capa e grupos como Galandum Galundaina também já tiveram uma maior exposição do que a simples recensão de disco, antes mesmo de terem editado qualquer obra fonográfica.
O senhor que se segue e que é entrevistado na edição nº249, de Março, chama-se Victor Gama. É angolano, vive entre Portugal e a Holanda e, como já vem sendo hábito, tem tido muito maior notoriedade lá fora. É um construtor de instrumentos “exóticos” (à semelhança do projecto brasileiro Uakti) que usa para compor a sua música experimental-minimal-meditativa, que ultrapassa todas as catalogações. E esta faceta é apenas uma pequena parte do seu trabalho que se estende por projectos educacionais com crianças surdas, de recolha em Angola, Namíbia e Zaire, de organização de workshops em Cabo Verde que visam recuperar o instrumento e a música tradicional local Cimboa, além de encontros exploratórios de reconstrução sonora (Odanlantan) com músicos de diversas nacionalidades. Descubram-no. É provável que Victor Gama faça finalmente uma digressão em Portugal durante 2004.
Publicado por Luís Rei às março 9, 2004 11:04 PM