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março 30, 2004

Entrevista a Celso Fonseca: Bossa Nova Marginal

Celso Fonseca, carioca, compositor, arranjador, cantor e produtor, regressa a Lisboa na próxima sexta-feira, dia 2 de Abril (Bar Musicais ao Jardim do Tabaco) para apresentar o seu mais recente trabalho, “Natural”. Um disco editado em 2002 pela etiqueta belga Crammed que complementa a interessante movimentação de artistas brasileiros praticamente desconhecidos no seu páís de origem (Bebel Gilberto, Vinicius Cantuária, Arto Lindsay, Nina Miranda, Lilian Vieira, Joyce) que, a partir da Europa ou dos Estados Unidos, vão renovando a música local.

São cada vez mais os intérpretes brasileiros da nova bossa nova a gravar e a editar fora do Brasil. Muitas vezes, certos discos, são editados muito mais tarde no Brasil do que na Europa ou nos Estados Unidos. Isso não é um pouco estranho?

Em parte sim. Depende um pouco do trabalho. Este disco foi gravado no Brasil, mas foi feito para ser lançado na Europa, Estados Unidos e Japão.


Será que existe dois tipos de consumidor de bossa nova. O interno e o externo?

Acho que no Brasil, pelo facto do nosso mercado musical não ser segmentado, é muito difícil ouvir este tipo de música que eu faço. Não toca nas rádios.

É uma música marginal?

Sim. Underground. A música que se convencionou chamar de MPB, hoje em dia é underground. Acho que a música brasileira tem esse talento para ser uma música muito rica harmonicamente. Sempre foi desde os anos 20, 30, pré bossa nova. Já era muito rica ritmicamente, harmonicamente, melodicamente. Isso fez parte do inconsciente colectivo brasileiro durante muitos e muitos anos. A partir de um determinado momento houve uma ruptura com isso e este tipo de música passou a ser marginal.


Mas os músicos mais respeitados no Brasil continuam a ser Caetano Veloso, Tom Jobin, Jorge Ben...

Respeitados, sem dúvida, mas sem serem executados. Você não ouve Jorge Ben, Chico Buarque nas rádios mais populares. A MPB está restrita a um nicho muito pequeno. Você tem artistas relativamente novos como Chico Cesar, Zeca Baleiro que fazem a ponte mas também não são artistas populares como foram Chico Buarque, Jorge Ben durante determinada época.


O próprio Chico Science também era um músico que funcionava para um pequeno “gueto”.

Até ao momento em que ele morreu ele era quase desconhecido, confinado a um guetto. Aos interessados nesse tipo de fusão que ele fazia. Ele era um artista excepcional. Na verdade o mercado opta por um molde globalizado de música internacional, pop, descartável. Deixou-se de se investir em carreiras em detrimento do imediatismo.


O Brasil não conhece, mas tem havido uma movimentação interessante de artistas que a partir da Europa e dos Estados Unidos renovam a música brasileira.

Acho que a bossa nova é uma música muito rica, não precisa de modernização porque ainda é moderna. Acho que muitas pessoas fazem essa fusão na tentativa de chegar mais perto das gerações mais jovens. Não acredito muito nessa história de “é bom porque é electrónico”. A música é boa porque é boa. Acredito que a bossa nova é uma música muito rica e presta-se a todo o tipo de experimentações. Cada um tem a sua maneira de a experimentar.


Em “Natural” há várias formas de abordar a bossa nova. Desde a guitarra clássica de toque curto em modo solitário, à contaminação de ruídos e beats electrónicos e à inclusão de um outro tipo de guitarra, com um certo cheiro ao deserto africano.

Tenho muitas influências de pop, samba, bossa nova. Mas o mais importante para mim é a canção. A canção é a base de tudo, é o que fica, seja qual género fôr. É a canção que tem a melodia reconhecível, bonita, com acordes e estrutura bem feita. Tem letras interessantes. Tento o máximo possível aproximar-me da canção. Isso, para mim, é o mais importante.

Apesar de para si o mais importante ser a canção, há um trabalho de produção elaborado ao pormenor de música para música. Um berimbau aqui, uma batida ali. O facto de apresentar diferentes soluções nos arranjos de cada canção, não terá a ver com a sua veia de produtor.

Sou muito curioso nesse sentido. Tento experimentar o máximo possível com várias coisas. Tentei não utilizar muita electrónica. Tem muita manipulação do som que não é electrónica. Muitas vezes é a minha unha na corda do violão fazendo ruído. Passo por um filtro e aquilo passa a ser uma outra coisa. Quase como se fosse mais um instrumento. Mas isso para mim não é o mais importante. O mais importante são as composições e as canções. Costumo falar o tempo inteiro que eu procuro o mais simples. Não existe nenhuma preocupação em inovar. Não estou fazendo nada de novo. Simplesmente, estou pegando em coisas que vêm de trás, mas sem perder o rumo no futuro. O futuro para mim é você poder continuar com essa tradição da música atemporal. Isso é que é ser moderno. Não é moderno nós fazermos uma música que daqui por seis meses ninguém se lembra mais. Para mim, o João Gilberto é das coisas mais modernas que eu conheço.


Considera a sua bossa nova mais positivista, mais descontraída do que a do tempo do João Gilberto?
Desde o começo, a bossa nova tinha um pouco a promessa de felicidade. Cada vez mais o mundo precisa um pouco mais de beleza e de delicadeza. É isso que eu tento fazer com a minha música. Sou uma pessoa diurna, solar, adoro morar no Rio de Janeiro e isso reflecte-se na minha música.

Publicado por Luís Rei às 06:51 PM | Comentários (3)

Hoje à Noite: sessão "ethnofolkadelic" no Lounge (ao Mercado da Ribeira)

Apareçam!!!

Publicado por Luís Rei às 02:32 PM | Comentários (3)

março 29, 2004

Fanfare Ciocarlia e Zuco 103: Aveiro já mexe

Não. Ainda não vamos falar do Sons em Trânsito de Novembro. A brass band cigana romena que se orgulha de ser a mais rápida do mundo – Fanfare Ciocárlia - e o projecto Zuco 103 da brasileira radicada na Holanda, Lilian Vieira, vão estar presentes na cidade dos ovos moles durante o próximo mês de Junho. Dias 15 e 17, respectivamente.
Inserido no programa de festas do Euro 2004, haverá ainda em Aveiro muitos outros espectáculos pop / rock, de onde se destaca nitidamente uma senhora norte-americana que em tempos actuou em dueto no CCB. Que delícia.

Publicado por Luís Rei às 06:10 PM | Comentários (4)

março 25, 2004

Ora "Tama Lá" no Mercado da Ribeira. Eu Vou!

Depois da fabulosa prestação em "Ye Ke Ye Ke" durante a actuação dos Djumbai Jazz na Galeria ZDB, o Kimi Djabate convenceu-me a ir descobrir o seu projecto multi cultural Tama La com base em melodias e ritmos afro-mandinga, onde canta e toca balafon. É já amanhã, no mercado da Ribeira em Lisboa, a partir das 23 horas. Eu Vou!

do press-release do Planeta Dança: Tama La é o "grupo liberado pelo guineense KIMI (Balafon, Voz e guitarra), mas que conta com a participação.. da Alemanha - Johannes (Trumpete), de Itália - Chiara (voz) e Alfonso (baixo), de Portugal - Hugo Menezes (Percussões), da Guiné MAMADI (guitarra)..."

Publicado por Luís Rei às 03:21 PM | Comentários (2)

março 24, 2004

2004 – ano de vacas gordas

2004 será um ano de excelente colheita de música de raiz feita em Portugal. Depois das reedições em formato digipack dos dois primeiros discos dos Gaiteiros de Lisboa e dos recentes lançamentos de Frei Fado Del Rei (em formato ao vivo), do segundo álbum de Célia Barroca e do bom cartão de visita dos Sloppy Joe, esperam-se novos trabalhos de José Mário Branco, Danças Ocultas, Realejo, Terrakota e Dazkarieh, além das promissoras estreias de Uxu Kalhus e de Tora Tora Big Band. Já para não falar nos projectos sempre interessantes da editora Tradisom, como por exemplo, novas recolhas de José Alberto Sardinha. Resta saber se Lula Pena sempre lança o seu novo disco e se os Mandrágora editam álbum de estreia, ambos via Sabotage.

Atendendo ao facto de a maior parte destas edições serem de autor, ou editados / distribuídos por editoras independentes, louve-se o risco e o acreditar de músicos e de pequenos editores num mercado cada vez mais asfixiante em que as multinacionais há muito deixaram de investir.

PS: provavelmente, não mencionei todas as edições de 2004. Ora façam favor de acrescentar os nomes em falta a esta lista.

Publicado por Luís Rei às 02:39 PM | Comentários (5)

"20 sexiest world music tracks" #14

Nusrat Fateh Ali Khan & Michael Brook - "Crest"

"Nusrat’s voice at its best and most powerful. Whenever I drop this track in a DJ set, the crowd softens and a current of emotion flows through it. It’s an elemental, almost ritualistic experience that always amazes me". (Robert Miles, Musician).
From “Night Song” (Real World) [Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 12:50 PM

Galandum Galundaina: Em Miranda andam de burro, no Porto animam o metro.

Oriundos de Tierras de Miranda, os Galandum Galundaina resgatam e fazem uma leitura actual da tradição musical do planalto transmontano em língua mirandesa. Autores do disco "1 Purmeiro" (ver crítica datada de Julho de 2003 neste blog), o projecto dos irmãos Meirinhos antecipam o cartaz do Festival Intercéltico do Porto, que irá ocorrer no Rivoli entre 1 e 3 de Abril. Habituados à animação de rua (parece mesmo ser o cenário onde se sentem melhor), apresentam-se depois de amanhã, dia 26, pelas 17 horas na estação de Metro do Porto da “Casa da Música”.

Publicado por Luís Rei às 12:30 PM

25 de Abril de luxo em Sines com Fausto e Diplomáticos


Será uma cimeira do fole? Não, são os Diplomáticos.


A habitual festa de músicas do mundo de Julho em Sines, começa este ano mais cedo. Esta cidade alentejana é ponto de passagem obrigatório na noite de 24 de Abril. Aqui, a revolução dos cravos celebra-se com Fausto Bordalo Dias. Sim, esse cantor maldito que raramente o vemos em palco. E para elevar o tom crítico à sociedade de consumo e ao capitalismo selvagem, é possível contarmos com uma presença de luxo oriunda da Galiza: Os Diplomáticos do Monte Alto.

Os Diplomáticos são uma das mais antigas bandas rock a cantar na língua galega. Em 2003 editaram “Kömunicandø” que as Crónicas da Terra elegeram como um dos 10 melhores discos da zona europeia. Além de atirarem lanças ao grande capital – em “Globagalizacion vs Interdepenmerda” escuta-se “a economia mundial é a mais eficiente expressão de crime organizado” – o disco é um manifesto de apelo à acção, ao acordar de um sono inerte provocado pelo consumismo. Riffs pesados de guitarra eléctrica, gaitadas inevitavelmente galegas, ritmos ska / dub/ reggae, piscadelas de olho a coladeras cabo-verdianas, valsas e paso dobles locais. A receita parece simples e gasta, mas experimentem juntar a força bruta de uns Siniestro Total, o humor dos Resentidos, o calor da dança e o apelo à festa de Manu Chao e Fermin Muguruza (parece que o teu cativeiro já acabou, caro Fermin), a veia anarquista e a (des)organização dos britânicos Chumbawamba. “Deixem-me subir ao alto” do Castelo de Sines.

Publicado por Luís Rei às 03:33 AM | Comentários (1)

março 23, 2004

"20 sexiest world music tracks" #13

Mory Kanté – “Yéké Yéké”

"I Heard this at a cavernous acid-rave club in London in 1988, in what is now fondly called the Summer of Love. When it came on, the whole place exploded. Its disco-worthy combination of kora and dance beats, whit that ridiculously catchy refrain, still makes me want to snog whoever I’m dancing with". (Jane Cornwell, Songlines Contributor).
From “Akwaba Berach” (Barclay) [Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 11:49 AM

março 22, 2004

"20 sexiest world music tracks" #12

Yusef Lateef – “Plum Blossom”

"Lateef’s delicate and tender playing of a Chinese flute to a jazzy backing is like someone whispering sweet nothings in your ear in some exotic, orientalist fantasy". (Peter Culshaw) [Songlines #23, March / April 2004]
From “Eastern Sound” (Fantasy / Original Jazz Classics)

Publicado por Luís Rei às 11:48 AM

março 21, 2004

20 sexiest world music tracks" #11

Aika Yagnik – “Choli Ke Peeche”

"This is one of the sexiest, and certainly cheekiest on-screen songs – and it comes over strongly in the music. It’s sung by the heroine, a cop gone undercover as a Rajasthani Gypsy dancing girl in order to catch a criminal who’s escaped from her fiance’s care. With this honourable aim, she sings “What’s beneath the blouse, what’s behing the shawl?” and so on, with all the special Bollywood bosom and hip moves, in a very padded and sexed up “ethnic” Rajasthani outfit. It’s that wonderful mix of nominally innocent yet utterly brazen that Bollywood does so well!" (Anna Morcom, Songlines contributor)

From the Film “Khalnayak”, directed by Subhash Ghai [Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 01:01 PM

março 20, 2004

20 sexiest world music tracks" #10

Carmen González “Caramba”

"With streamy percussion and afro-marimbas from the city of Esmeraldas in Ecuador as backing, Carmen González earthy singing makes Tina Turner sound like a convent girl. Not for the faint-hearted". (Peter Culshaw, Songlines Contributor)

From “Caramba” (Network”) [Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 01:58 PM

março 19, 2004

20 sexiest world music tracks" #9

Carlos Gardél – “Mano a Mano”

"I’m sure all Gardél tracks are sexy but I lured an Argentine girl back to my flat once to hear my Gardel LPs and we spent all night listening to them – really! I vividly remember her translation of this one, about a guy who loses his girl to a rich man. “All is fair in love, so you don’t owe me anything. But if you think you might owe me something, get him to pay, he’s got money!”. Gardél’s singing defines a time past when men were men, women were women and they danced with their knees between each other’s legs". (Joe Boyd, Hannibal)
From “For Export” (RCA) [Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 03:20 PM

março 18, 2004

Djumbai Jazz - a savana e o deserto

Galeria ZDB, 13 de Março

A imagem que tenho da música africana das comunidades imigrantes residentes em Portugal não é lá muito boa. Se, por um lado, a RDP África, à excepção de Nuno Sardinha e de alguns oasis de fim de semana, do tipo “A Hora das Cigarras”, encharca-nos com kizombadas, kuduros e outros ritmos plásticos, rarefeitos de sintetizadores primários, por outro lado, a oportunidade de se escutar música ao vivo em Lisboa é, na maioria dos casos, repleta de artistas cabo-verdianos que dão mais importância ao acessório (sumptuosos arranjos pop) do que propriamente à alma e à essência na interpretação de mornas e coladeras.

Depois de assistir à merecida ascensão internacional de Manecas Costa (o que é que este rapaz precisa para que, por cá, se olhe para ele?), fiquei agradavelmente surpreendido com os também guineenses Djumbai Jazz. Se outros grupos que optam por descarnar as raízes das suas tradições – Jovens do Hungu com o semba de Angola, ou Netos do N’Gumbe com o gumbe da Guiné Bissau – evidenciando fragilidades harmónicas, em detrimento do totalitarismo rítmico, os Djumbai Jazz conseguem equilibrar os dois pratos da balança. Maioritariamente constituído por músicos de origem griot, corre-lhes nas veias a música clássica, delicada e contemplativa da cultura milenar e nobre do império mandinga. Galisa é o principal encantador ao tecelar de forma virtuosa melodias de seda na sua kora. A ligação estética, melódica e técnica com tantos outros intérpretes – Toumani Diabaté, Ballaké Sissoko, Djeli Moussa Diawara, Mory Kante – é inevitável. Já na guitarra eléctrica de Sidi, reflecte-se o sol e a areia abrasadora e infinito espaço a céu aberto do deserto do Sahara, trazendo consigo toda a carga emocional dos blues dos nómadas – Tinawiren, Tartit - e do mestre Ali Farka Touré. Maio Coope, cantor e percussionista, vai dando uns safanões ao intimismo instalado, misturando e dançando ritmos frenéticos de gumbe, que o outro percussionista – Cabum – tão bem alimenta. Os elementos não estão sozinhos e há uma agradável interacção com outros músicos – Hugo Menezes em percussão, o irmão de Galisa, também Galisa (apelido familiar) inevitavelmente em Kora e Kimi Djabate. Este último, balafonista no projecto Tama La (necessário vê-los ao vivo urgentemente), salta, liberta largos sorrisos que se reflectem em toda a assistência, imprimindo um ritmo avassalador em “Ye Ke Ke”, próprio da highlife ganesa.

É uma pena estes rapazes estarem em Portugal. Vão para Londres, para Paris! Conheçam o Ian Anderson, a Lucy Duran e o Nick Gold. Aqui não se safam. E vocês merecem entrar no circuito europeu de festivais de músicas do mundo.

Publicado por Luís Rei às 11:15 PM | Comentários (2)

"20 sexiest world music tracks" #8

Najma - “Dil Laga Ya Tha”

"It’s not only because it was the hit song from the film “Sammy and Rosie Get Laid” That there’s something streamy about this 1987 ghazal fusion. Smoochy instrumentals and vocal multi-tracks, a seductive chord progression and a sense of fun". (Simon Broughton, Songlines Contributor)

From "Qareeb" (Triple Earth)[Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 11:34 AM

março 17, 2004

Vai uma "pint"?

E já que estamos em maré de celebrações, não esquecer que hoje é de São Patrício. Antigo oficial do exército romano que no ano 433 DC desembarcou na Irlanda e cristanizou os Druídas, formando comunidades católicas, construindo paróquias e escolas. Morreu aos 80 anos a 17 de Março de 461. Bons velhos tempos...

Hoje à noite há festa grossa nos pubs irlandeses que populam pelo país. Vou ao supermercado comprar umas Guinness e ficar em casa a ouvir uns sets de jigs e reels executados por Solas, Lunasa, Danú, Dervish, North Cregg, a preparar-me para o Intercéltico do Porto.

Publicado por Luís Rei às 06:39 PM | Comentários (9)

Crónicas da Terra: Há 1 ano na Blogosfera; há 7 anos online

Meus amigos, as Crónicas da Terra encontram-se há um ano na blogosfera. A 16 de Março era publicado o primeiro texto usando a ferramenta do Blogger que aqui se encontra. Alguns dias depois, elaborei um manifesto de intenções que se mantém o mesmo, apesar de se tirarem algumas vírgulas e acrescentarem uns pontos finais.

As Crónicas da Terra, renascem das cinzas de um sítio homónimo em reformulação e adoptaram este formato provisório de blog. Tal como em qualquer fest-noz bretã, numa queimada galega ou num bar irlandês, em que os grandes ou pequenos executantes são mestres do improviso, da informalidade e da espontaneidade - os jigs e os reels vão sendo executados em catadupa, à medida em que os músicos trocam de cúmplices olhares entre si e em que, sentados ao redor de uma mesa, vão enchendo o tampo de copos de pints - a sua escrita será directa, informal, sem os chavões típicos da pop, livre de qualquer amputação no texto e na limitação do número de caracteres que a imprensa por vezes determina.

Este blog irá essencialmente dar atenção às novas edições discográficas que são ou não distribuídas em Portugal. Estará atento aos festivais nacionais e que acontecem um pouco por todo o lado, bem perto de nós (sobretudo Espanha). Não dispensará a consulta de revistas da especialidade, ou de ir buscar à prateleira livros os que contam um pouco da história cultural de cada povo visado Fará regularmente a audição de programas de rádios online estrangeiras (sim, porque o panorama nacional é uma verdadeira miséria) e colocará na agenda os concertos ou os documentários de interesse, a serem exibidos nos canais de televisão temáticos.

Nunca como agora estas músicas foram votadas ao ostracismo pela imprensa nacional musical. Ora porque os jornalistas que realmente se interessavam pelo assunto deixaram de escrever sobre música, ora porque os que estão em actividade já não estão para aqui virados, ora porque as estratégias editoriais das publicações pura e simplesmente ignoram uma das mais profícuas e intensas áreas de edição musical (os principais títulos de imprensa a nível mundial provavelmente recebem cerca de 100 títulos semanais para analisar). Se enumerássemos todos os discos de 2002 que a crítica especializada do nosso país parece desconhecer, a lista por certo não acabava. Mas damo-vos como exemplo alguns nomes: Bembeya Jazz (tão excitantes quanto a Orchestra Baobab), Ellika & Solo, Lo Jo, Kandia Kouyate, Linda Thompson, Issa Bagayogo, Kimmo Pohjonen, Banda Ionica, Ojos de Brujo, Flatlanders, Gjallarhorn, Zawose & Brook, Flook, Fernhill, Fulgerica & Mahala Gypsies, DuOud, Oi Va Voi, Ulla Pirttajärvi e por aí fora.

Como podem ver, trabalho é coisa que não falta por aqui. Vontade de divulgar estas músicas estranhas para a imprensa portuguesa também não. Esperemos que o blog da Crónicas da Terra possa enriquecer ainda mais a informação em língua portuguesa já disponibilizada na WWW sobre o assunto. E que a paixão que nos move não esmoreça. LR

Publicado por Luís Rei às 06:21 PM | Comentários (14)

"20 sexiest world music tracks" #7

Rachid Taha – “Bent Sahara”

"Dark and brooding. It’s intensely hypnotic rhythm leads you deeper and deeper into the Sahara, where the heart distorts your usual perceptions and reality becomes a blurred mirage. The 'youyou' cries of the desert women pierce the night, reminding you it’s a unknown territory where anything is possible; it’s both frightening and exciting". (Tatiana Rucinska).
From “Diwân” (Polygram) [Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 12:40 PM

"20 sexiest world music tracks" #6

Los Zafitos – “La Luna en tu Mirada”

"There’s something indefinably sexy about doo-wop. Which is immediately doubled when it’s combined with a Latin flavour. One could happily get it on to just about any track from this album. But the sensuous, slow-burn of “La Luna en tu Mirada” gets my vote. Remember Bo Derrick stripping for Dudley Moore to Ravel’s Bolero? It reminded me of that, even before I’d read the translation of the lyric with its “revelations of ecstasy” and “wild and shining fantasy”. Where could you find words like that in the Anglo-American pop music of the time, when even the Beatles only wanted to hold your hand?" (Nigel Williamson, Songlines Contributor)
From “Bossa Cubana” (World Circuit) [in Songlines #23 March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 12:35 PM

março 16, 2004

"20 sexiest world music tracks" #5

Carlos Vives - "Fruta Fresca"

"Carlos Vives sings a flirtatious song where the accordion rhythms inevitably draw hips together on the dance floor, while the words drip with kisses tasting of fresh fruit". (Jon Fairley, Songlines Contributor)
From "El Amor De Mi Tierra" (EMI) [Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 05:24 AM | Comentários (2)

março 15, 2004

Uxu Kalhus: Não há Cinderela que resista

É difícil um baile / concerto proporcionar tanto gozo à assistência de “pé de chumbo”. Quem está completamente fora do mundo das danças tradicionais, não está habituado a ver uma horda de gente a participar na dança, em roda, aos pares, a bater palmas no tempo exacto, sabendo exactamente o que fazer assim que escuta um passo doble, uma mazurca, um chote, ou um bourré. É bonito de se ver.

Há-que dar os parabéns à organização Pedexumbo pela forma como ao longo desta última meia-dúzia de anos tem efectuado sucessivos workshops de dança em todo o país, organiza o Andanças e, acima de tudo, consegue de ano para ano alargar a legião de dançarinos que são, por si só, público mais do que suficiente em qualquer actuação de um projecto à imagem de uns Uxu Kalhus, ou de uns At-Tambur.

Curiosamente, partindo de um repertório comum, os Uxu Kalhus encontram-se nos antípodas dos At-tambur. Enquanto estes últimos investem numa vertente de música popular a piscar o olho ao formato clássico de câmara, vestindo o fato e a gravata, os Uxu Kalhus incorporam toda uma série de estilos provenientes da Índia, de África e da Jamaica, num tom fulminantemente informal, de indumentária “freak”, suja com as diferentes camadas de terra em se rebolam.

Uma chotiça contaminada por dub, uma valsa em ritmo afro mandinga com mantras indianos pelo meio, um saraquité afunkalhado, o “I will survive” de Gloria Gaynor cantado entre um passo doble, o “Misirlou” de Dick Dale, o “D’artacão” em versão thrash, entre mais uma dança europeia. Os coelhos que os Uxu Kalhus tiram da cartola foram infindáveis numa noite, como sempre, em que o gozo de tocar, de transgredir é mais forte. Nem eles, nem nós, damos pelo avançar dos ponteiros do relógio. De repente reparamos que já passaram mais de três horas. Quase quatro. E acaba por saber a pouco. Nada de cansaço, somente sorrisos rasgados e a vontade de continuar. O capital de simpatia do colectivo é extremamente elevado: pela doce Celina que nos encanta, ora quando interpreta “Saraquité”, “Erva Cidreira” ou “Regadinho”, ora quando acelera com o seu acordeão numa valsa e quando faz do seu instrumento uma melódica em cima de um ritmo dub; pelo Paulo Pereira e o seu virtuosismo em ralchpfeifen, aerofone medieval de palheta dupla e de sonoridade aguda a fazer lembrar uma bombarda bretã; pela mortífera secção rítmica afro indígena de Nuno Patrício, Hugo Menezes e Miguel Casais; pelo groove e funk do baixo de Eddy Cabral; pela guitarra eléctrica, estridente e propositadamente foleirona, de recorte hard’n’heavy, de Vasco Casais, que funciona bem no ambiente inflamado de declarada desbunda, questionável, contudo, quando transposto para disco.

É notável como o duo CPPP (Celina / Paulo), a essência espiritual deste projecto que já vem de longe – dos próprios CPPP e de Bailia – funciona tão bem com aquele bando de prevaricadores que conspurcam com ska, thrash e ritmos afro as lineares danças europeias e lusitanas, incitando-os porém, a fazer ainda pior. Fica a sensação de que eles, assim como os Irmãos Catita, não querem ser levados muito a sério. Apenas divertirem-se em comunhão com a turba ágil e certeira nos passos de dança. Resta saber como será o álbum que se avizinha. Como conseguirão eles transpor toda esta folia? Este gozo para uma rodela de plástico, onde esta mágica interacção com os dançarinos não é captada?


Os Uxu Kalhus também contagiaram o Vítor Junqueira do Juramento Sem Bandeira e o João Gonçalves que tirou as fotos e as publicou no Forum Sons.

Publicado por Luís Rei às 04:56 AM | Comentários (3)

"20 sexiest world music tracks" #4

Cibelle – “Hate”

While the fact that Cibelle was once a model should have no bearing on our appreciation of her music, it’s difficult to hear this piece of exquisitely groovy nouveau pop-bossa without picturing the São Paulo cyber-siren flitting half-naked round your living room. There’s a beautifully arch coolness to her voice, particularly when she goes ‘doo-dooby-doo-ooo…’ halfaw trhough. And anyone who can sing ‘I love you so much when you’re inside me’ without sounding seft-conscious is either so deliciously naïve it hurts of simply Brazilian. Cibelle is both. (Mark Hudson)

From “Cibelle” (Crammed) [in Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 03:05 AM

março 14, 2004

"20 sexiest world music tracks" #3

Manu Chao – “Desaparecido”

Warm, understated sexuality that wraps itself around you. It has a delicate, feminine quality that makes it unthreatening. Chao’s nonchalant singing style is intimate and strangely familiar; you surrender to his place and time. A world that’s relaxed and uninhibited, where one track moves imperceptibly into the next long into the night (Tatiana Rucinska, Songlines Contributor)
From “Clandestino” (Virgin) [in Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 03:02 AM

março 13, 2004

"20 sexiest world music tracks" #2

Los Zafiros - "Canción de Orfeo"

"This slow-burning torch ballad from Los Zafiros, Cuban doo-wop gods from the 60s, seductively entices you across the border between romance and foreplay, all urgent falsetto, impassioned harmonies and surfed-up doo-wop guitar, leading you to the longed-for released of the final ten seconds... ever wished it could all go on a little longer?" (Max reinhardt, DJ)
From "Bossa Cubana" (World Circuit) [in Songlines #23, March / April 2004]

Publicado por Luís Rei às 06:25 PM | Comentários (2)

Djumbai Jazz, hoje à noite, na Galeria Zé dos Bois

Ainda não os conheço, mas como apreciador de bons instrumentistas de kora, da cultura griot e da música milenar da étnia mandinga da África Ocidental (Mali, Senegal, Gambia, Guiné Bissau), não vou faltar ao concerto dos guineenses Djumbai Jazz. Quinteto constituído por Maio Coupé (voz e percussão), Cabum (percussão), Galisa (Kora), Sidi (Guitarra eléctrica) e Sadjo (guitarra acústica). É logo à noite, na Galeria ZDB (R. da Barroca, 59, ao Bairro Alto), pelas 23 horas.

Publicado por Luís Rei às 05:57 PM | Comentários (3)

O cavaquinho segundo Clara Ferreira Alves

Será um cavaquinho? uma braguesa? um ukelele?

"Por favor, senhor professor, não faça como o Frank Sinatra e a Amália, que se retiraram tantas vezes da canção e tantas vezes voltaram que, no fim, com o capachinho a caire o olho trémulo, o brinco pendurado na lágrima, a lágrima pendurada na ruga, metiam dó. O senhor não merece isso. Saiu quando devia sair, não volte. Porque, se voltar, vai medir-se com gente que não é do seu tempo. Imagine que a primeira parte do espectáculo do Frank Sinatra era do Eminem, ou dos Skunk Anansie a cantar «Post Orgasmic Chill»." (In "Pluma Caprichosa, Revista Única 13MAR04)

Resta saber se o senhor professor conhece ou não os Skunk Anansie, a Skin e o Emimen. Será que ouve a Radar, a Best, a Antena 3 ou a Comercial? Será que vai a festivais como o Sudoeste e o Paredes de Coura?

Publicado por Luís Rei às 05:05 PM

Calexico no Santiago Alquimista a 29 de Abril

Mais boas notícias da organização Sons em Trânsito. Depois de ter anunciado recentemente a presença de Lhasa de Sela para quatro espectáculos no nosso país, acaba de assegurar o regresso dos norte-americanos Calexico de Joey Burns e John Covertino. É já no próximo mês, a 29 de Abril, no Santiago Alquimista de Lisboa. Nem quero imaginar o que será o próximo Sons em Trânsito de Aveiro, no próximo mês de Novembro.

Publicado por Luís Rei às 04:27 PM | Comentários (11)

março 12, 2004

as canções mais sexys #1

A revista britânica Songlines, na sua edição # 23 de Março / Abril, convidou várias personalidades da área das músicas do mundo para se pronunciarem acerca das "20 Sexiest World Music Tracks".

Aqui vai a primeira:

Souad Massi "Beb El Mahdi"

"Lissom Algerian ballader Massi delivers this sctching put-down of a former lover with severity worthy of the great diva Oum Kalthoum. There's an alluring womanliness in the way her luminous larynx caresses the gutural consonants of Arabic language, chiming guitar, a superbly thythm section and rasping African flute driving the thing forever foward". From "Deb". (Mark Hudson, Songlines contributor)

Recorde-se que a argelina Souad Massi actuará ao vivo na Tenda Raízes do Rock in Rio. Amanhã apresento-vos a escolha do DJ Max Reinhardt.

Publicado por Luís Rei às 04:24 AM

março 11, 2004

a música como factor de inclusão

"In Europe and the US, music is just business. I don't mean that we are better, but here, musicians have another role to play. We have to do something for the people: we get everything we have from them."

Baaba Maal, senegalês, amigo do griot cego Mansour emissário das Nações Unidas e embaixador da ONG Sight Savers International que proporciona operações gratuitas a cataratas. [Songlines nº23 Março / Abril 2004]

Publicado por Luís Rei às 10:42 PM | Comentários (1)

março 10, 2004

É favor marcar na agenda: Nitin Sawhney, Cibelle, Uxu Kalhus e Ba Cissoko.

Nunca é demais ver o eclectismo e abrangência do anglo-indiano Nitin Sawhney (16 e 17 de Abril em nos Coliseus do Porto e do Lisboa, respectivamente).

Cibelle também regressa (a 23 e 24 de Abril, no Santiago Alquimista e no Hard Club, respectivamente). Esperemos que com menos problemas técnicos e que mantenha não só a sua banda, como toda a sua pose de leoa em palco. Confira aqui a reportagem do concerto de Aveiro, inserido no Festival Sons em Trânsito. Tanto a brasileira, como Sawhney regressam via Música no Coração, inseridos no cartaz de um outro festival patrocinado pela gasolineira "tuga": o "lounge tour". Entrevista a esta paulista para breve.

Não são o segredo mais bem guardado de fátima, mas os Uxu Kalhus arriscam-se a ser a revelação deste ano da música popular portuguesa em diálogo com uma miriade de influencias (ska, afrobeat, jazz, rock e até a música de desenhos animados – D’artacão – não lhes escapa). Não os percam esta sexta-feira, no mercado da Ribeira (Lisboa), por volta das 23h.

O Quarteto de Ba Cissoko, guineenses de Conacri a viver em Marselha, podem estar a caminho do Festival de Músicas do Mundo de Sines, conforme é possível conferir na página do seu agente. Apesar da data de 31 de Julho, a organização do FMM não confirma o evento.

Este é um colectivo assaz enérgico que transporta a música contemplativa e milenar da etnia mandinga da África Ocidental para um universo mais dançável (aqui e ali há ritmos próprios do wassolou e de reggae) e rock (onde a cora é amplificada e usada ora para solos pejados de distorção à Jimi Hendrix, ora para efeitos wah wah à Stone Roses). Crítica ao disco de 2003, "Sabolan", distribuição Megamúsica, para breve.

Publicado por Luís Rei às 04:38 AM | Comentários (2)

março 09, 2004

A fROOTS entrevista Victor Gama, angolano, construtor de instrumentos

Aos poucos, a música de expressão lusófona extra artistas brasileiros e a diva dos pés descalços, começa a ganhar maior importância no Reino Unido. Louve-se o trabalho de Miguel Santos que através do Festival Atlantic Waves tem revelado uma criteriosa selecção de artistas de língua portuguesa que atuam nas mais diversas áreas. Desde o fado à música popular, do jazz à improvisada. Facto que tem despertado o interesse de várias publicações música: casos da The Wire e da Folk Roots. A “bíblia” da música de raíz, tem olhado progressivamente para o “nosso” cantinho, através de críticas regulares a discos escritas pelo incontornável Andrew Cronshaw (autor do capítulo de Portugal da última edição da enciclopédia Rough Guide World Music Vol 1), quer através de esporádicas entrevistas. Nesta publicação Mariza e Manecas Costa chegaram mesmo a ter honras de capa e grupos como Galandum Galundaina também já tiveram uma maior exposição do que a simples recensão de disco, antes mesmo de terem editado qualquer obra fonográfica.

O senhor que se segue e que é entrevistado na edição nº249, de Março, chama-se Victor Gama. É angolano, vive entre Portugal e a Holanda e, como já vem sendo hábito, tem tido muito maior notoriedade lá fora. É um construtor de instrumentos “exóticos” (à semelhança do projecto brasileiro Uakti) que usa para compor a sua música experimental-minimal-meditativa, que ultrapassa todas as catalogações. E esta faceta é apenas uma pequena parte do seu trabalho que se estende por projectos educacionais com crianças surdas, de recolha em Angola, Namíbia e Zaire, de organização de workshops em Cabo Verde que visam recuperar o instrumento e a música tradicional local Cimboa, além de encontros exploratórios de reconstrução sonora (Odanlantan) com músicos de diversas nacionalidades. Descubram-no. É provável que Victor Gama faça finalmente uma digressão em Portugal durante 2004.

Publicado por Luís Rei às 11:04 PM

março 08, 2004

Kimmo Pohjonen e L’ham de Foc em Julho empolgante?


O mês de Julho de 2004 promete ser um dos mais fortes de sempre em termos de concertos ao vivo, na área das músicas do mundo. Lhasa e Warsaw Village Band já estão praticamente confirmados. O finlandês Kimmo Pohjonen e os valencianos L’Ham de Foc, que tão boa conta de si deram o ano passado no Sons em Trânsito e no Raízes do Atlântico, respectivamente, podem ser os senhores que se seguem. Julho poderá ser também o mês de nova apresentação de “Terra de Abrigo” da Ronda dos Quatro Caminhos. Mas, por enquanto, são só rumores.

Publicado por Luís Rei às 05:15 PM | Comentários (1)

Lhasa de Sela em Lisboa, Porto, Coimbra e Aveiro

A organização do jovem festival de músicas do mundo, Sons em Trânsito de Aveiro, está de parabéns. Conseguiu assegurar a presença da cantora da américa selvagem Lhasa de Sela para quatro concertos a realizar no nosso país, durante o mês de Julho. Além de Aveiro, Lisboa, Porto e Coimbra, também estão na agenda.

Mais uma vez, deixo-vos o link de uma entrevista que fiz há cinco anos atrás, após o lançamento do álbum “La Lhorona”.

Filha de um escritor mexicano e de uma fotógrafa e antiga actriz americana, Lhasa de Sela nasceu nos Estados Unidos. Durante a adolescência percorreu o seu país costa a costa e viveu no México. Aos 25 anos, com residência fixa em Montreal, Lhasa editou um dos mais belos e melancólicos álbuns deste ano. "La Lhorona", figura mítica dos Astecas seduz os homens aos primeiros acordes de uma canção triste, para os beijar e tranformar em pedra. Um enredo que dá o mote à música triste, intensa e dramática que Lhasa e Yves Desriosiers arquitectam.

Que tipo de influência os teus pais tiveram na tua carreira?

Eles exerceram uma grande influência. Como estivemos muito tempo em viagem, não ia à escola. Eles foram os meus professores, habituaram-me a não ver televisão e a ler todo o tipo de literatura. A minha mãe ouvia habitualmente música muito triste que eu também adorava. O meu pai é professor de espanhol, por isso mesmo quando escrevo as minhas canções e entro na fase de bloqueio, não sei o que escrever, telefono-lhe e ele conta-me histórias e declama poemas para eu ter ideias.

leia a continuação da entrevista

Publicado por Luís Rei às 01:14 PM | Comentários (3)

março 05, 2004

Luar Na Lubre em disco e em site

Os galegos Luar Na Lubre estão prestes a lançar um novo disco de título genérico “Hai Un Paraíso”. É o oitavo longa duração gravado em dezoito anos de carreira e produzido pelos próprios.

Para acompanhar da melhor forma o lançamento deste novo disco, o projecto reformulou o seu site que está belíssimo e muito funcional.

Gostava de ter um site assim: as principais notícias organizadas por ordem cronológica, como um blogue, e uma série de funcionalidades multimédia (temas, vídeos e fotos para download), sem esquecer o contacto directo com a comunidade de adeptos da folk galega (livro de visitas e lista de discussão no yahoo groups). Pode parecer um lugar comum, mão não há nada como verem com os vossos olhos. Aqui.

Publicado por Luís Rei às 05:30 PM | Comentários (4)

março 02, 2004

Cuba sobrevive a Bush e continua a legislar

O segundo disco a solo da cubana Omara Portuondo é editado daqui por dois meses. As Crónicas da Terra há muito que ouviram cinco temas em avanço. É o prenúncio para mais um "papa-prémios", à semelhança do que aconteceu com “Buenos Hermanos” do ilustre Ibrahim Ferrer que, no passado dia 20 de Fevereiro, comemorou o seu 77º aniversário.

Costuma-se dizer que “quem não tem cão caça com gato”. Impedido de voltar a colaborar com músicos cubanos, em virtude das restrições impostas pela administração norte-americana republicana relativamente à cooperação entre cidadãos americanos e naturais de países “hostis”, Ry Cooder há muito que é uma carta fora do baralho para a editora britânica World Circuit. Rei morto, rei posto. Nick Gold, o grande patrão da, talvez mais emblemática de músicas além “anglófilas”, coadjuvado pelo brasileiro Ali Siqueira (cujo curriculum vitae compreende créditos de produção em discos de Tribalistas, Caetano Veloso e Carlinhos Brown), tomou conta da produção. Facto que não é novidade para este visionário.

Menos etéreo, mais terra a terra, os cinco temas escutados apresentam uma cantora de registo elástico, versátil, doce e intimista na interpretação de vários estilos. Da nebulosa “santeria exótica” de travo africano, passado por serenas e límpidas guarijas e boleros mexicanos, até ao ritmado son de Santiago de Cuba, de onde é natural o avô que todos nós gostaríamos de ter: o mestre Ibrahim.

Sem duetos vocais, sem convidados especiais de grande envergadura, o universo gira à volta de Omara. Este disco é a prova definitiva da sua maturidade como intérprete. Chamem-lhe diva cubana, por favor. Mas como não há grande artista sem um exímio “alfaiate”, os pormenores de produção amplificam toda a beleza que emana destes clássicos revisitados que soam a seda: a guitarra eléctrica de Manuel Galban a recuperar ambientes dos anos 50 / 60, quando este se encontrava à frente dos Los Zafiros e que Marc Ribot muito bem resgatou com os seus Cubanos Postizos; a doçura acústica da guitarra de sete cordas do brasileiro Swami Jr e do tres de Papi Oviedo; a gestão das orquestrações de cordas e dos clarinetes que surgem nos sítios certos, a espaços. E nem é preciso Orlando “Cachaito” Lopez puxar dos galões de inventivo contra-baixista, passando pela parte do disco que se encontra disponível, o mais discreto possível. Cuba sobrevive a Bush e continua a legislar.

Publicado por Luís Rei às 06:27 PM | Comentários (1)

março 01, 2004

Há que dar os parabéns à RUC

Não por por conseguido atingir a maioridade - há muito que o tinha feito - mas por sobreviver 18 anos num pantano repleto de Piranhas. Por nunca ter sido vendida a um grupo económico ou a um empresário da construção civil. Por nunca ter alterado o seu projecto ao sabor das audiências. Por continuar a haver voluntários que dediquem parte do seu tempo a ela. Também quero uma RUC perto de casa...

Publicado por Luís Rei às 03:00 PM | Comentários (3)

Dazkarieh no Chapitô a 6 de Março

Os Dazkarieh de Vasco Casais e Filipe Neves apresentam, no próximo sábado, dia 6 de Março (na mesma noite em que Janita actua no CCB), na Tenda do Chapitô, temas de um novo álbum que será editado em Maio. Oportunidade para ver até que ponto a banda consegue criar pelas próprias mãos –agora - a tradição portuguesa (conforme a confissão do Vasco após o espectáculo do Cine Plaza da Amadora em Setembro do ano passado) e qual o nível de cumplicidade actual entre o núcleo duro e os sete novos elementos.

Publicado por Luís Rei às 02:57 PM | Comentários (2)