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janeiro 24, 2004

Ronda dos Quatro Caminhos: Entrevista com Carlos Barata


Os luxos do gozo

Não é todos os dias que se juntam em palco à volta de cem músicos de diferentes sensibilidades. Da música tradicional urbana da Ronda dos Quatro Caminhos, à orquestra sinfónica Sinfonietta de Lisboa e a diversos grupos corais alentejanos (localidades de Moura, Campo Maior, Évora, Safara, Serpa, Baleizão e Aldeia Nova de S. Bento. Como se isso não bastasse, a esta mega orquestra clássica-popular, junta-se-lhe o fado mais solarengo de Kátia Guerreiro, a inquietude do flamenco de Esperanza Fernandez e de José António Rodriguez, a magia da viola campaniça de Pedro Caldeira Cabral e o aroma mediterrânico e magrebino da marroquina Amina Alaoui. Oportunidade de ouvir hoje ao vivo um dos mias belos discos de música popular portuguesa editada em 2003: “Terra de Abrigo”. É no Grande Auditório. Centro Cultural de Belém, às 17h30 e às 22h.

Pode ler-se que “Terra de Abrigo” é o “disco de uma vida”. Não vão voltar a fazer nada assim?

“Terra de Abrigo”, para além de ser matéria comercial, é um produto artístico que tem para nós um significado enorme. Pôs-nos a pensar numa realidade, num tesouro artístico que é a música alentejana. Pôs-nos a pensar e a aplicar ideias musicais nossas num género tão rico. Ultrapassou completamente o factor comércio para passar a ser uma coisa onde nós investimos artisticamente. É impensável que um concerto desta natureza tenha alguma espécie de lucro. Investimos muito no prazer e no afecto que nos vai dar um “lucro” enorme... isso é uma característica que a Ronda tem tido intermitentemente ao longo da sua história. A Ronda é uma ideia, porque há apenas um único elemento que está no grupo desde o início. Eu sou o segundo mais antigo e estou aqui apenas há oito ou nove anos. Regularmente a Ronda dá-se ao luxo de poder investir naquilo que lhe dá muito gozo não pensando nos benefícios materiais.

Este é um disco e um concerto de “carolice”? o apostar numa ideia em que, custe o que custar, o que interessa é implementá-la?

Seguramente. Talvez não haja aqui grande jeito para fazer a gestão artística deste espectáculo. Quem quiser ter lucro vai fazer outras coisas.

Um disco que leva três anos a ser gravado dificilmente sairia por uma editora multinacional?

Não existe, actualmente, um único grupo de música popular [excluindo o fado] neste país que grave um disco através de uma editora multinacional. Os grupos vão gravando os seus discos em editoras muito pequenas, o que acaba por nos prejudicar imenso. Não existe boa distribuição. Funciona tudo na base da sorte e do azar.
Que diferenças notas no trabalho com a Universal (quando passaram por lá, há uns anos) e agora com a Ocarina?

Se tivéssemos gravado este disco na Universal, de certeza que os meios de gravação deste disco eram outros. Andámos a poupar cada tostão. Se tivéssemos gravado isto com os meios normais, o disco teria custado muito mais dinheiro.
Que meios “anormais” utilizaram na concepção do disco?

Por exemplo, o método de gravação: há uma orquestra que é pré-gravada e os coros são gravados em cima disso. Se nós tivéssemos possibilidades de o fazer de outra maneira, não o tínhamos feito dessa forma. Três sessões de ensaio geral como aquele que fizemos a semana passada, proporcionariam um disco muito melhor. Não usámos o método de gravação melhor, usámos o método mais económico.

Muito antes de fazerem este disco, o grupo já tinha sentido a vontade de prestar uma homenagem à música alentejana. Como é que foram montando todo este “puzzle” de grupos corais? Foi algo que viveu da informalidade das relações humanas?

Há uma coisa de que a Ronda se pode orgulhar: há neste disco uma experiência afectiva incrível. Isso é uma qualidade da Ronda. Para além de músicos, nós somos pessoas que conseguimos estabelecer laços sinceros de amizade com os grupos. Vocês vão falar com alguém dos grupos e eles gostam de nós. Tenho um enorme orgulho nisso. Têm paciência para nos aturar, o que é importante.

O relacionamento com um grupo coral alentejano deve ser bastante diferente do relacionamento com uma orquestra como a Sinfonietta. As sensibilidades devem ser muito diferentes. Podes descrevê-las?

Completamente diferentes. Esta coisa da afectividade e da amizade... conheço o maestro da Sinfonietta há muito anos, mas só tive oportunidade de lidar mais com ele recentemente. É um indivíduo extraordinariamente disponível e que compreende perfeitamente aquilo que nós queremos. Acha graça às ideias. Assim, é meio caminho andado.

Existe um certo preconceito de certos músicos da clássica olharem com desdém para a música tradicional. Não sentiram isso na pele?

Para já, viste as idades das pessoas que aqui estão. Têm o espírito mais aberto. À parte de algumas excepções, não convivemos muito. Mas, uma orquestra é uma espécie de um pequeno exército. Há um cérebro com quem lidamos, que é o maestro. Daí, temos o melhor dos feedbacks. Apesar de todos os problemas técnicos que existem, há sempre uma enorme boa vontade para os contornar.
Com os coros a coisa é muito diferente. Curiosamente ou não, nós somos músicos da tradição popular, mas somos urbanos e temos uma linguagem musical completamente diferente dos coros alentejanos. Aí nós temos que estabelecer uma relação um bocado diferente. Temos de arranjar métodos de trabalho. Explicar como gostaríamos que eles fizessem. Ensiná-los a ouvir as partes em que não estão a cantar e está a orquestra a tocar para as coisas colarem todas. Para aquilo ser uma obra é necessário que as argamassas se vão misturando. Eles têm muita dificuldade, porque na sua tradição não há maestros. Há um ensaiador e o uníssono está nos ombos das pessoas. Os cantores da Sardenha do da Córsega agarram-se uns aos outros.

Com estes coros alentejanos existe já um certo grau de afectividade que vem de trás, com a gravação do disco. Relativamente à Sinfonietta, o relacionamento é mais recente, uma vez que eles não participaram em “Terra de Abrigo”, mas sim a orquestra de Córdoba. O grau de envolvimento de ambos não será diferente?

Não sei. Quando fizemos a festa do Avante ficámos muito contentes. É evidente que quando não conhecemos alguém com quem vamos trabalhar, vamos com o espírito “vamos ver o que isto dá”. A orquestra acarinhou-nos. Pareceu-nos que eles estavam a sentir-se bem a tocar a nossa música e a achar uma certa graça. A música popular precisa é de graça. Divertiram-se a fazer aquilo. Estiveste aqui no ensaio e viste as caras deles. Não estavam aqui a fazer nenhum frete, pois não?

Não, antes pelo contrário.
O Auditório 1º de Maio, na Festa do Avante, pareceu-me demasiado pequeno para albergar tanta gente. O grande auditório do CCB será o sítio ideal para a banda tocar?

Só te vou dizer isso no fim. Posso afirmar o contrário. A Ronda gosta de tocar muito junta. Alguns. O baterista gosta de nos ter longe. Eu gosto de tocar junto dos meus parceiros. Quando os palcos são muito grandes, às vezes, há uma certa dispersão. Na Festa do Avante, tínhamos um bom som em cima do palco e isso é muito confortável. Normalmente, não temos tão bom som que nos permita estarmos muito afastados a fazer o nosso papel sem preocupação de comunicação com os parceiros.

E depois do CCB? Que condições existem para pôr este espectáculo na estrada?

É impossível montar novamente este espectáculo. Posso garantir que um CCB completamente esgotado não paga este espectáculo. De qualquer modo, está pensado fazer-se uma versão de câmara. Para já, vamos ao festival internacional da Catalunha com 18 pessoas.

Publicado por Luís Rei às janeiro 24, 2004 03:12 PM

Comentários

Li com atenção esta entrevista e gostaria de salientar que a Ronda dos Quatro Caminhos tem muito mérito naquilo que fez, mas como diz o Diácono Remédios, em relação à sua actual editora e distribuidora "não havia necessidade de as tratar assim". Afinal muito do seu êxito deve-se ao excelente trabalho conjunto da Ocarina e da Megamúsica. Apetece-me dizer que quando as pessoas se começam a considerar "estrelas" alguma coisa vai mal!!!
A melhor maneira de começarmos a dar alguma evidência às nossas músicas populares e tradicionais é unirmo-nos e não ser mal agradecidos!
Um abraço.
Zé Moças

Publicado por: José Moças às janeiro 25, 2004 12:11 PM


Zé Moças, não está aqui em causa o trabalho da Ocarina e da Megamúsica, mas sim a perspectiva geral da distribuição de música tradicional em Portugal. A constatação de um circuito que é limitado e em que as multinacionais deixaram de apostar. é, tão somente, a constatação de uma realidade.

Publicado por: Yggdrasil às janeiro 25, 2004 01:56 PM

Permitam-me um comentário ao texto do senhor José Moças:

A essência de uma obra reside em si mesma, independentemente da sua promoção ou distribuição.
As vendas e a popularidade não fazem parte do conceito da sua concepção e construção. São posteriores, movem-se noutro plano.
Parece-me o comentário em questão infeliz, e sobretudo, muito pouco educado, com a agravante de se referir a pessoas que não conhece. O que me merece um comentário à letra:

Parvalhão

Publicado por: Maria às janeiro 26, 2004 12:25 AM

Exma. Sr.ª D.ª Maria,
É muito triste chamar nomes às pessoas usando o anonimato da internet.
Se conhecesse melhor o Sr. José Moças saberia que ele não tem esse hábito ao contrário da Sr.ª e sobretudo se soubesse ler ou se tivesse lido a entrevista ou ainda se estivesse dentro do meio musical português saberia do que ele fala.
Neste caso até esteve bastante mal pois parece-me que o Sr. José Moças até conhece bastante bem as pessoas em questão.
Um pedido de desculpas ao Sr. José Moças não iria nada mal.
Quando não se sabe do que se fala, talvez seja melhor não se falar.

Publicado por: Nuno Barros às janeiro 26, 2004 09:40 AM

Estive a ler a entrevista do Sr. Carlos Barata, da Ronda, e também os vários comentários que se seguiram. Não posso deixar de dar toda a razão à Sra. D. Maria. O comentário do Sr. Moças é muito pouco polido, conheça ele os músicos ou não. É evidente que as chamadas editoras independentes ou alternativas não têm a mesma força de mercado que têm as multinacionais. Querer esconder esta realidade não me parece muito inteligente. Evidenciá-la, como fez o Sr. Carlos Barata é que me parece acertado. É conhecendo a realidade que podemos todos contribuir para a melhorar. Diz o Sr. Nuno Barros à Sra. D. Maria que não é bonito chamar nomes às pessoas na internet escondendo-se atrás do anonimato. Meu caro, a verdade é sempre a verdade quer seja anónima ou não. E já agora, por falar em insultar, não lhe parece Sr. Nuno, que apelidar as pessoas de " estrelas " e " mal agradecidas " que é um insulto muito feio?. O Sr. Nuno gostava que lhe chamassem ingrato? Lá diz o ditado: Quem diz o que quer ouve o que não quer... Eu não sei se a D. Maria está no meio musical, mas acontece que eu estou. E até sei que o Sr. Nuno Barros é funcionário ou colaborador da Ocarina. Não lhe parece estranho estar a defender o Sr. Moças que insultou os músicos da Ronda dos Quatro Caminhos? Ou seja, os seus músicos! Ou seja, quem ajuda a pagar o seu ordenado! Estranho, não é?...

Publicado por: ricardo às janeiro 26, 2004 07:06 PM

Estimado Sr. Nuno Barros,
Uma senhora é sempre uma senhora, pelo menos no meu conceito de educação. Mesmo que a D. Maria não tenha razão alguma no que diz, não me parece correcto que o senhor a apelide de analfabeta quando diz: ..." sobretudo se soubesse ler "... Mais a mais, insurgindo-se o senhor contra o facto da D. Maria chamar nomes a alguém. Ficava-lhe muito bem a si um pouco mais de cortesia. Acredite, estimado senhor, que a cortesia, mesmo numa discussão acalorada, é o que distingue as pessoas de boa formação dos carroceiros. Já que sugeriu à D. Maria um pedido de desculpas, não lhe ficaria certamente mal a si um pedido de desculpas à senhora em questão. Sobre o assunto da polémica não me pronuncío. Espero apenas, que de facto, o senhor não seja colaborador da Ocarina, como afirma o senhor Ricardo. É que se assim for parece-me a sua situação verdadeiramente insustentável. Cuspir no prato onde se come... Mas a mim só me preocupa a boa educação. Parabéns à Ronda, à Ocarina e à Megamúsica. Magnífico disco e deslumbrante concerto. Mas ainda assim, não posso deixar de comentar que é evidente que o sucesso de um disco ou de um livro deve-se sempre à junção de vários factores. Mas não invertamos os valores. Quem fez o disco foram os músicos da Ronda...

Publicado por: Joao Alexandre Silva às janeiro 26, 2004 07:43 PM

Vocês não têm mais nada que fazer?

Publicado por: português às janeiro 26, 2004 09:37 PM

Tenho estado estupefacta a ver o desenrolar desta história.... É incrível como é que as pessoas conseguem dizer tanto disparate de uma só vez!
Houve por aqui uma troca de galhardetes entre pessoas que têm razão e outras que gostaríam de ter, mas de facto não têm. Uns Senhores que acham que percebem muito de música, mas que na realidade são muito pouco profissionais, e não sabem ler muito menos interpretar um texto tão simples e escorreito quanto este. "Estrelas" a Ronda? Agora? Apetece-me perguntar onde é que o Sr. Entendido na Música e seu Defensor estavam há 20 anos atrás? Estes Senhores são "dinossauros" da música tradicional portuguesa, não começaram ontem, este não é o seu primeiro disco e com certeza que não será o último. Um projecto tão ambicioso como este, diria quase utópico é inédito em Portugal, e sem dúvida que teve, tem e há-de ter durante muito tempo o sucesso e os merecidos louros. Se de facto conhecessem bem os homens da Ronda como dizem conhecer saberiam muito bem que são pessoas simples e discretas, nada ligadas a essas coisas do estrelato e da fama. Concordo que sem o suporte técnico e afins este magnífico disco e este fantástico espectáculo não teriam sido o sucesso que foram, mas meus amigos já dizia o outro "sem ovos não se fazem omeletes", e neste caso os ovos de ouro são os excepcionais músicos da Ronda, seguidos dos seus brilhantes convidados. Os Srs. Entendidos que guardem os seus comentários infelizes para si, pois não interessam a ninguém e em nada beneficiam a música tradicional portuguesa de qualidade.
Afinal...será que não há por aí uma dor de qualquer coisa?????

Publicado por: A Prima da Maria às janeiro 26, 2004 10:18 PM

Exmo. Senhor José Moças,
Para quando o GRANDE GRUPO PIMBÓ TRADICIONAL MAIO MOCO (perdão...MOÇO) com a ROYAL PHILARMONIC ORCHESTRA? E não tenha receio porque a Ronda teve o cuidado de não esgotar todo o património cultural/musical que existe no nosso Alentejo. Para além de lindas melodias que eles deixaram para os outros poderem também trabalhar ainda sobraram grandes grupos de cante alentejano.
Isto foi a brincar, mas agora mais a sério, tenha juízo quando chama "estrelas" a pessoas que disso não têm mesmo nada. Têm sim uma grande vontade de trabalhar, de enriquecer cultural, musical e socialmente a sua alma e sua vivência. De estrelas têm apenas uma coisa: a estrela que os guia para ter paciência para aturar gente tão idiota e com tanta dor de..... como você e seu defensor oficioso.
Haja bom senso meus senhores e menos dor de....

(que raio de familia esta de primos de primas...)

Publicado por: O Primo da Prima da Maria às janeiro 27, 2004 12:52 AM

1 - O José Moças é uma das pessoas que mais fez e faz pela música tradicional em Portugal.

2 - O José Moças é das melhores pessoas que tenho a HONRA de conhecer.

3 - O trabalho que o José Moças faz, além de ser de uma qualidade inatacável, está pulvilhado de um amor inocente, de uma paixão irracional e de uma ingenuidade desarmante.

4 - O Nuno Barros é, de facto, funcionário da Ocarina, empresa que também presta um serviço muito valioso à nossa música.

5 - A Megamúsica é claramente a melhor distribuidora de world music em Portugal. É um erro primário afirmar que caso o disco tivesse saído na Universal teria tido melhor distribuição. Não teria. Da minha experiência nesta área posso afirmar que a Megamúsica é a única distribuidora que aposta realmente neste tipo de música cá.

6 - O louvável trabalho da Ronda beneficiou de ter trabalhado com empresas competentes e que não vêem no lucro a única finalidade do seu trabalho. Uma multimacional nem teria feito o disco chegar aos jornais...E não haveria críticas, etc

7 - Se alguém insultou aqui alguém foi a Maria ("Parvalhão") e a sua ninhada de primas. Fê-lo de forma gratuita, irresponsável e imatura.

8 - Se Portugal tivesse mais gente como o Zé Moças este país era um sítio muito melhor! Para que aprendam sugiro apenas uma leitura da notícia publicada neste mesmo blog pelo Luís sobre a compra dos arquivos do fado.

9 - Tudo o resto é ruído!

Publicado por: Vasco Sacramento às janeiro 27, 2004 01:25 AM

Vasco, vieste em boa hora. Assino por baixo todos os teus pontos. A conversa aqui começa a cheirar mal. Parece-me que há uma única pessoa que se faz passar por várias. E, caso continue a optar pela agressão gratuita, vejo-me na obrigação de apagar esses comentários. Ao menos, tenha o bom senso de se identificar e de assumir tudo aquilo que escreve.

Para que esta história acabe de vez:

1 - O José Moças foi de facto um pouco duro na apreciação ao desabafo do Carlos Barata. Ponto final. Mas a ideia a reter é a de que nada se fará se não houver união das editoras independentes, sobretudo em matéria de distribuição. Porque, como o Carlos Barata afirmou, o problema de distribuição afecta essas pequenas editoras. No entanto, parece-me que as multinacionais não trabalham melhor os artistas de música tradicional. São inúmeros os exemplos de artistas que lançaram discos por essas editoras e, parece-me que não foi por isso que tiveram maior visibilidade: a própria ronda, os quadrilha, a amélia muge. Editoras independentes e pequenas, por vezes, trabalham muito melhor nestes mercados. Veja-se o que a Mariza conseguiu com a pequena editora holandesa World Connection.
Para que se faça alguma coisa com cabeça, tronco e membros é preciso que as editoras pequenas se unam, de forma a terem mais força para distribuirem e promoverem os seus artistas cá dentro e lá fora.

2 - O Nuno Barros não "cuspiu na sopa que come". Apenas não tolerou uma atitude grosseira da senhora Maria, que além de chamar "parvalhão" ao José Moças ainda goza com Maio Moço.

Haja tolerância e boa educação, por favor.

Publicado por: Yggdrasil às janeiro 27, 2004 02:19 AM

Cavalheiros

Estou estupefacta! Subitamente, pareceu-me ter entrado num qualquer bairro popular, onde alguns habitantes empunham facas e outros alguidares...

Senhores, que interessa quem é parvalhão, ou estrela, ou ingrato? Mais, como é que alguém do meio artístico (mesmo sendo um técnico)se permite iniciar, em bicos de pés, tal discussão, apenas por se ter sentido ferido por um comentário sem maldade do senhor Carlos Barata?

Concentrem-se na questão maior - a MÚSICA! - e deixem-se de ataques pessoais, pouco abonatórios para quem trabalha com a ARTE.

A propósito de Arte: Ronda dos Quatro Caminhos, obrigada por Terra de Abrigo. Seria tão bom que considerassem a hipótese de um "Terra de Sombras"... Conhecem "O Sete Estrelo" (Beira Baixa)?

Cordialmente,

Fernanda Pinto

PS: Senhor José Moças, se continuar a dar relevância a questões menores, temo que entre para as estatísticas das pessoas com depressão.

PS2: Não é que isto seja importante, mas fiquei curiosa: o apelido por que se assina o senhor José Moças é apelido ou pseudónimo? Peço desculpa pela ignorância, mas não pertenço ao meio (limito-me a comprar discos) e nunca tinha deparado com tal nome.

Publicado por: Fernanda Pinto às janeiro 27, 2004 04:03 AM

O disco é muito bom, o concerto foi muito muito bom. Graças ao Luis Rei tive o previlégio de o ter podido fotografar, assim como a um dos ensaios.

A todos os envolvidos neste projecto os meus parabéns!

Publicado por: Mário às janeiro 27, 2004 10:53 AM

Sinceramente, meus senhores! Se todos lerem o que escreveram o Vasco Sacramento e o Luis Rei recentemente, vão perceber o ridículo em que por vezes se pode cair, além de saberem também quem é o (inatacável!) José Moças. Adiante! Eu ADORO o Terra de Abrigo. Acho mesmo que é um dos melhores discos de sempre da música portuguesa. Aliás, sempre achei. E também gostei muito do espectáculo no CCB (fui ao das 17h30m). Mas o que fez ambos genial foi o seu conceito e as bonitas composições de António Prata e Carlos Barata, não a "excelência dos músicos da Ronda", por muito respeito que me mereçam! Porque se formos falar em excelência, temos de falar nos músicos todos da Sinfonietta e nos fabulosos coros alentejanos (eu destaco a simplicidade e a alegria dos de Campo Maior). Mas a forma como "encaixaram" é responsabilidade da Ronda e isso também tem muito mérito. Agora, nada disto teria o impacto que teve se não fosse a Ocarina, do também inatacável Joaquim Balas e seus colaboradores, a APOSTAR no projecto. Porque mais nenhuma editora apostou! E isso está omitido na entrevista de Carlos Barata (que eu pensava ser o elemento mais sensato da Ronda!) às Crónicas, o que me parece, isso sim, falta de "chá", no mínimo! Eu, honestamente, fiquei chocado logo na primeira leitura! É que os "excelentes contributos" de Amina Alaoui, Esperanza Fernandez, Pedro Caldeira Cabral, Kátia Guerreiro e afins são fruto da estreita relação destes músicos com a Ocarina, não com a Ronda. Bolas, o seu a seu dono, caramba! E quanto à ideia de este disco ter sido gravado da forma mais barata... não me parece que uma multinacional aceitasse gravar com a orquestra de Córdoba, tendo em Portugal muitas outras disponíveis e, certamente, mais baratas! Por isso, vamos lá deixar de "cuspir na sopa onde comeram", pois ninguém merece ser esquecido! E se realmente o trabalho de composição e conceptualização da Ronda é brilhante, o de produção e promoção da Ocarina não é pior! E a distribuição da Megamúsica não fica atrás à de uma multinacional, neste caso!
Quanto a Maria e respectiva família... foi de facto grosseira, gratuitamente e sem razão nenhuma para tal (além de cobarde, pois ninguém aqui tem medo de divulgar o seu nome!), o que me leva a pensar se não terá ela também alguma relação profissional/pessoal com a Ronda?! Tenham juízo! Errar é humano, mas ter a noção disso e pedir desculpas até uma criança o faz! União é preciso, não vale a pena andarmos todos a puxar cada um para seu lado! Pensem!

MP

Publicado por: Miguel Pedreira às janeiro 28, 2004 06:25 PM

Caros amigos

Fantástico!
Nunca pensei que uma pequena observação produzisse tanta escrita!
Estive ausente estes dias e só agora tenho oportunidade de de dizer mais qualquer coisa.
Não irei reponder à letra à família das Marias porque não vale a pena deitar mais lenha para a fogueira. Até porque chamar alguém de mal-agradecido não é assim tão grave.
Deixem-me esclarecer a Fernanda Pinto e dizer-lhe que Moças é nome alentejano e de família. O outro que também tenho ainda é mais giro!!

Falando da questão principal. Não é bom falarmos de nós mas agora tenho que esclarecer alguns dos intervenientes para que afinal percebam melhor as minhas palavras.
Estou ligado á música tradicioonal desde 1971 altura e, que fui um dos fundadores do Almanaque. Desse grupo surgiram o Maio Moço e depois a Ronda dos Quatro Caminhos. Colaborei no trabalho de recolha com o José Alberto Sardinha durante muitos anos nas décadas de 70 e 80. Neste momento sou o seu editor e preparo meticulosamente um trabalho de edição que surgirá muito berevemente e sobre o qual depois se poderão pronunciar.

Conheço as dificuldades da edição e da distribuição e como sempre me envolvi apaixonadamente, sem grandes preocupações comerciais as edições da minha editora são sempre uma mescla de companheirismo e amizade.

Os nomes que se chamam às pessoas não fazem mossas (não é moças).
Um destes dias vou lançar um debate sobre as recolhas feitas em Portugal e talvez muitos fiquem surpreendidos!

Dos comentários que li o último do Miguel pedreira parece-me o mais correcto, além daqueles que disseram bem de mim (os amigos conhecem-se).
Discutir sem ofender é o caminho certo!
Um abração a todos (Marias e primas incluídas).
Zé Moças

Publicado por: José Moças às janeiro 29, 2004 11:13 PM

...Seja lá como for o espectáculo foi fantástico e o CD está excelente! Todos estão de Parabéns, e esperemos que se sigam muitos mais concertos e Cd's deste nível e qualidade, pois nos tempos que correm está infelizmente a tornar-se uma raridade no nosso País!
MCMonteiro
PS: Ainda bem que há quem ainda tenha um pouco de espírito de humor neste país de pessoas tão sisudas e rabujentas...

Publicado por: MCM às março 1, 2004 05:21 PM