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janeiro 14, 2004
Balanço de 2003: Alegrias (3)
Festivais com bilhetes pagos e o Sons em Trânsito
Sempre fui um adepto dos festivais com bilhetes pagos. Ganha o espectador: acabam-se os concertos em palcos tipo vão de escada; melhora-se a cartaz, evitando encher a programação com nomes de terceira categoria, se bem este argumento até nem é determinante, já que no Cantigas do Maio, nos Encontros de Tradição Europeia e no Multimúsicas de outrora, os cartazes tinham por regra nomes apelativos; evita-se, sobretudo, os “pára-quedistas” que, muitas vezes, não têm respeito por quem está em cima do palco e pela assistência.
O Cantigas do Maio, que nunca vendia bebidas alcoólicas na tenda por causa desses “pára-quedistas” viu o orçamento da CM do Seixal reduzido pela metade e não compreendeu que os tempos mudaram. Optou por não realizar o “Cantigas do Maio” durante 2003. Este ano ou começa a cobrar bilhetes, ou morre definitivamente.
O Festival de Músicas do Mundo de Sines cobrou pela primeira vez uma entrada simbólica de dois euros e meio e não foi isso que impediu que o Castelo de Sines tivesse estado sempre cheio durante todo o festival.
O Sons em Trânsito, com preços mais realistas, se bem que abaixo de um espectáculo de Coliseu ou de Aula Magna, também não teve problemas em preencher os cerca de 700 lugares do Teatro Aveirense.
Foi, aliás, este o melhor festival de músicas do mundo de 2003 em solo português. Apresentou um cartaz apelativo que levou muita gente a deslocar-se do Porto ou de Lisboa até Aveiro. Conseguiu chegar a outras audiências, além do típico frequentador deste tipo de festivais, sobretudo nos espectáculos de Kimmo Pohjonen (adeptos das electrónicas) e de Ojos de Brujo (muitos espanhóis e estudantes ERASMUS). Em suma, motivou suficientemente o público para pagar o bilhete de entrada e deslocar-se a Aveiro. É pena que as actividades paralelas (filmes e workshops por membros dos Gaiteiros de Lisboa) nunca sejam muito concorridos.
Publicado por Luís Rei às janeiro 14, 2004 06:57 PM