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janeiro 30, 2004

Peter Gabriel no Rock in Rio

A lista de artistas que irão estar presentes no Rock in Rio começa a compôr-se. Peter Gabriel encerrará o primeiro dia de actividades do Palco Mundo, logo depois de Gilberto Gil, a 29 de Maio. Nesse mesmo dia, actua Thierry Robin na Tenda Raízes.

Na próxima terça-feira será divulgada a lista de cerca de 20 nomes (maioritariamente de África), que acompanharão o cigano francês no Palco Raízes.

Publicado por Luís Rei às 04:14 PM

janeiro 29, 2004

os rodriguinhos de Santana

Leio no Diário Digital que Santana Lopes gosta de fado e tem intenção de propor, junto da UNESCO, a classificação de património mundial a esta norbre arte lusitana. Artistas como Mariza e Carlos do Carmo aplaudem. Até aqui tudo bem. Mas que dizer da ética e da arte de bem receber de um Presidente de Câmara que enquanto promove o fado lá fora, fecha a porta a artistas de outras tradições (merecedoras de igual classificação por parte da UNESCO) e que se cruzam com a autora de “Fado Curvo”, nos principais palcos internacionais das músicas do mundo? Até, porque, eventos como o Multimúsicas não são caros e podem pagar-se a si próprios. Haja vontade para os realizar e promover.

Publicado por Luís Rei às 12:52 PM | Comentários (2)

blogolândia (1)

O "melhor entrevistador sem saias" faz anos. Que bom chegar aos 40 a fazer o que se gosta e ser pago por isso. São e-mails de agradecimento como o teu, que me fazem ter força para não definhar e continuar esta "messiânica" tarefa.

Há uma pergunta que se impõe no Via Rápida: Quem é o Joe Strummer?

Rui Malheiro, principal ponta-de-lança da informação desportiva na "blogolândia, não pára.

Publicado por Luís Rei às 02:06 AM | Comentários (1)

janeiro 28, 2004

Retorta, repórter "embebed" em Terra de Abrigo

O Mário (Retorta) está de parabéns pela sua missão de repórter "embebed", durante os ensaios e o espectáculo da tarde da Ronda dos Quatro Caminhos, para a apresentação ao vivo de "Terra de Abrigo". Grandes, grandes fotos. Retorta, temos de arranjar uma nova "missão". ;)

Publicado por Luís Rei às 11:53 PM | Comentários (6)

Silvério “grande” Pessoa: Gosto mesmo deste gajo!

Na passada semana, o Movimento dos Sem Terra comemorou o seu 20º aniversário de existência. Assim que li a notícia, lembrei-me do músico e pedagogo nordestino Silvério Pessoa. Conheci-o no Womex de Berlim em 99. Recordo perfeitamente a sua entrada em palco, envolto na bandeira vermelha e preta do MST, enquanto líder dos Cascabulho de “Fome dá dor de cabeça”. Gosto da forma despudorada com que ele resgata a memória de Jackson do Pandeiro e aborda o forro na vertente o mais “pé de chinelo” possível. Depois da experiência com os Cascabulho, Silvério lançou dois projectos a solo a ter em conta: “Bate o Manca – Povo dos Canaviais”, obra que mantém um traço assaz regionalista, dedicado ao criador do coco, o Mestre Jacinto Silva; e o “Projecto Micróbio do frevo” que recria o carnaval pernambucado, com frevo, sambas e marchas dos anos 50, e elege como rei da parada o “sanfoneiro de boca” (Jackson, claro!). Segue-se um projecto de parceria com várias delegações do MST além Brasil. Já agora, espreitem o blog do Silvério Pessoa e a descrição que ele faz da sua digressão gaulesa, no Verão de 2003. Porque é que todos os músicos não escrevem diários como este?


A bandeira do MST, do qual sou aliado, nunca saiu do meu palco. Posso até ampliar esse palco como sendo meu coração, minhas atitudes. Tenho uma relação com a Pedagogia aplicada nos assentamentos, já participei de encontros com educadores e estamos sempre em contato. Paulo Freire norteia muito minhas idéias no campo educacional, assim como os pacifistas ativos, Ghandi, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Chico Xavier, D.Helder Câmara.
Então no MST encontro uma possibilidade de ter a pedagogia que seja transdisciplinar e síntese podendo ser aplicada nas escolas públicas. Como sou pedagogo, me sinto muito próximo desse trabalho. O Governo Lula é a grande esperança do Brasil, e nesse contexto a nova economia agrária, a reforma do campo é um novo momento para o povo que quer ficar no seu lugar e viver do seu trabalho.
Acredito que a grande esperança do Brasil é a agricultura. Concluindo, quero deixar registrado que em 2003 estaremos trabalhando para o lançamento do primeiro CD do MST -Coordenação Pernambuco, no qual eu e outros companheiros do movimento estamos em planejamento.
” Fonte: webzine A Ponte

Publicado por Luís Rei às 01:33 AM | Comentários (5)

janeiro 27, 2004

o mundo utópico de Gilberto Gil

Gilberto Gil confirmou a sua presença no Festival Rock in Rio de Lisboa, para o dia de abertura do festival (29 de Maio). Ainda bem para nós. O Grão de Areira noticiou recentemente que o cantautor brasileiro encerrou o Fórum Social Mundial do Mumbai de guitarra na mão. O Blog da ATTAC aproveita ainda a ocasião para recuperar o discurso de tomada de posse de Gilberto Gil, enquanto Ministro da Cultura do governo de Lula da Silva, publicado na Folha Online.
Não podia concordar mais com as passagens do discurso que vos deixo. No entanto, resta-me perguntar se Gilberto Gil não terá sido tocado pelo dom utópico de Thomas Moore.

"Mas o mercado não é tudo. Não será nunca. Sabemos muito bem que em matéria de cultura, assim como em saúde e educação, é preciso examinar e corrigir distorções inerentes à lógica do mercado que é sempre regida, em última análise, pela lei do mais forte. Sabemos que é preciso, em muitos casos, ir além do imediatismo, da visão de curto alcance, da estreiteza, das insuficiências e mesmo da ignorância dos agentes mercadológicos. Sabemos que é preciso suprir as nossas grandes e fundamentais carências".

"Cultura, como alguém já disse, não é apenas "uma espécie de ignorância que distingue os estudiosos". Nem somente o que se produz no âmbito das formas canonizadas pelos códigos ocidentais, com as suas hierarquias suspeitas. Do mesmo modo, ninguém aqui vai me ouvir pronunciar a palavra "folclore". Os vínculos entre o conceito erudito de "folclore" e a discriminação cultural são mais do que estreitos. São íntimos. "Folclore" é tudo aquilo que não se enquadrando, por sua antiguidade, no panorama da cultura de massa é produzido por gente inculta, por "primitivos contemporâneos", como uma espécie de enclave simbólico, historicamente atrasado, no mundo actual. Os ensinamentos de Lina Bo Bardi me preveniram definitivamente contra essa armadilha. Não existe "folclore" o que existe é cultura."

"Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, criar condições de acesso universal aos bens simbólicos. Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, proporcionar condições necessárias para a criação e a produção de bens culturais, sejam eles artefactos ou mentefactos. Não cabe ao Estado fazer cultura, mas, sim, promover o desenvolvimento cultural geral da sociedade. Porque o acesso à cultura é um direito básico de cidadania, assim como o direito à educação, à saúde, à vida num meio ambiente saudável. Porque, ao investir nas condições de criação e produção, estaremos tomando uma iniciativa de consequências imprevisíveis, mas certamente brilhantes e profundas já que a criatividade popular brasileira, dos primeiros tempos coloniais aos dias de hoje, foi sempre muito além do que permitiam as condições educacionais, sociais e económicas de nossa existência."

"o papel [da cultura é o] de contribuir objectivamente para a superação dos desníveis sociais, mas apostando sempre na realização plena do humano".

Será que o mundo rico e civilizado estará interessado em reduzir esse fosso que separa o hemisfério norte do hemisfério sul? Será que os governos dominados por políticas neoliberalistas estarão assim tão interessados em educar e dar cultura ao povo?

Publicado por Luís Rei às 11:37 PM | Comentários (1)

Djing no incógnito

Depois de sessões no Raízes do Atlântico (Funchal) e de Sons em Trânsito de Aveiro (em parceria com a estimada Raquel Bulha), este blog volta a animar a noite. Para já, marcamos encontro no incontornável Incógnito (Rua dos Poiais de São Bento). É na quarta-feira, dia 18 de Fevereiro. Apareçam!

Publicado por Luís Rei às 02:43 AM

janeiro 26, 2004

carlos Nuñez em Portugal


14 de Fevereiro: Rivoli do Porto
16 de Fevereiro: CCB de Lisboa

Publicado por Luís Rei às 11:57 PM | Comentários (2)

janeiro 24, 2004

Ronda dos Quatro Caminhos: Entrevista com Carlos Barata


Os luxos do gozo

Não é todos os dias que se juntam em palco à volta de cem músicos de diferentes sensibilidades. Da música tradicional urbana da Ronda dos Quatro Caminhos, à orquestra sinfónica Sinfonietta de Lisboa e a diversos grupos corais alentejanos (localidades de Moura, Campo Maior, Évora, Safara, Serpa, Baleizão e Aldeia Nova de S. Bento. Como se isso não bastasse, a esta mega orquestra clássica-popular, junta-se-lhe o fado mais solarengo de Kátia Guerreiro, a inquietude do flamenco de Esperanza Fernandez e de José António Rodriguez, a magia da viola campaniça de Pedro Caldeira Cabral e o aroma mediterrânico e magrebino da marroquina Amina Alaoui. Oportunidade de ouvir hoje ao vivo um dos mias belos discos de música popular portuguesa editada em 2003: “Terra de Abrigo”. É no Grande Auditório. Centro Cultural de Belém, às 17h30 e às 22h.

Pode ler-se que “Terra de Abrigo” é o “disco de uma vida”. Não vão voltar a fazer nada assim?

“Terra de Abrigo”, para além de ser matéria comercial, é um produto artístico que tem para nós um significado enorme. Pôs-nos a pensar numa realidade, num tesouro artístico que é a música alentejana. Pôs-nos a pensar e a aplicar ideias musicais nossas num género tão rico. Ultrapassou completamente o factor comércio para passar a ser uma coisa onde nós investimos artisticamente. É impensável que um concerto desta natureza tenha alguma espécie de lucro. Investimos muito no prazer e no afecto que nos vai dar um “lucro” enorme... isso é uma característica que a Ronda tem tido intermitentemente ao longo da sua história. A Ronda é uma ideia, porque há apenas um único elemento que está no grupo desde o início. Eu sou o segundo mais antigo e estou aqui apenas há oito ou nove anos. Regularmente a Ronda dá-se ao luxo de poder investir naquilo que lhe dá muito gozo não pensando nos benefícios materiais.

Este é um disco e um concerto de “carolice”? o apostar numa ideia em que, custe o que custar, o que interessa é implementá-la?

Seguramente. Talvez não haja aqui grande jeito para fazer a gestão artística deste espectáculo. Quem quiser ter lucro vai fazer outras coisas.

Um disco que leva três anos a ser gravado dificilmente sairia por uma editora multinacional?

Não existe, actualmente, um único grupo de música popular [excluindo o fado] neste país que grave um disco através de uma editora multinacional. Os grupos vão gravando os seus discos em editoras muito pequenas, o que acaba por nos prejudicar imenso. Não existe boa distribuição. Funciona tudo na base da sorte e do azar.
Que diferenças notas no trabalho com a Universal (quando passaram por lá, há uns anos) e agora com a Ocarina?

Se tivéssemos gravado este disco na Universal, de certeza que os meios de gravação deste disco eram outros. Andámos a poupar cada tostão. Se tivéssemos gravado isto com os meios normais, o disco teria custado muito mais dinheiro.
Que meios “anormais” utilizaram na concepção do disco?

Por exemplo, o método de gravação: há uma orquestra que é pré-gravada e os coros são gravados em cima disso. Se nós tivéssemos possibilidades de o fazer de outra maneira, não o tínhamos feito dessa forma. Três sessões de ensaio geral como aquele que fizemos a semana passada, proporcionariam um disco muito melhor. Não usámos o método de gravação melhor, usámos o método mais económico.

Muito antes de fazerem este disco, o grupo já tinha sentido a vontade de prestar uma homenagem à música alentejana. Como é que foram montando todo este “puzzle” de grupos corais? Foi algo que viveu da informalidade das relações humanas?

Há uma coisa de que a Ronda se pode orgulhar: há neste disco uma experiência afectiva incrível. Isso é uma qualidade da Ronda. Para além de músicos, nós somos pessoas que conseguimos estabelecer laços sinceros de amizade com os grupos. Vocês vão falar com alguém dos grupos e eles gostam de nós. Tenho um enorme orgulho nisso. Têm paciência para nos aturar, o que é importante.

O relacionamento com um grupo coral alentejano deve ser bastante diferente do relacionamento com uma orquestra como a Sinfonietta. As sensibilidades devem ser muito diferentes. Podes descrevê-las?

Completamente diferentes. Esta coisa da afectividade e da amizade... conheço o maestro da Sinfonietta há muito anos, mas só tive oportunidade de lidar mais com ele recentemente. É um indivíduo extraordinariamente disponível e que compreende perfeitamente aquilo que nós queremos. Acha graça às ideias. Assim, é meio caminho andado.

Existe um certo preconceito de certos músicos da clássica olharem com desdém para a música tradicional. Não sentiram isso na pele?

Para já, viste as idades das pessoas que aqui estão. Têm o espírito mais aberto. À parte de algumas excepções, não convivemos muito. Mas, uma orquestra é uma espécie de um pequeno exército. Há um cérebro com quem lidamos, que é o maestro. Daí, temos o melhor dos feedbacks. Apesar de todos os problemas técnicos que existem, há sempre uma enorme boa vontade para os contornar.
Com os coros a coisa é muito diferente. Curiosamente ou não, nós somos músicos da tradição popular, mas somos urbanos e temos uma linguagem musical completamente diferente dos coros alentejanos. Aí nós temos que estabelecer uma relação um bocado diferente. Temos de arranjar métodos de trabalho. Explicar como gostaríamos que eles fizessem. Ensiná-los a ouvir as partes em que não estão a cantar e está a orquestra a tocar para as coisas colarem todas. Para aquilo ser uma obra é necessário que as argamassas se vão misturando. Eles têm muita dificuldade, porque na sua tradição não há maestros. Há um ensaiador e o uníssono está nos ombos das pessoas. Os cantores da Sardenha do da Córsega agarram-se uns aos outros.

Com estes coros alentejanos existe já um certo grau de afectividade que vem de trás, com a gravação do disco. Relativamente à Sinfonietta, o relacionamento é mais recente, uma vez que eles não participaram em “Terra de Abrigo”, mas sim a orquestra de Córdoba. O grau de envolvimento de ambos não será diferente?

Não sei. Quando fizemos a festa do Avante ficámos muito contentes. É evidente que quando não conhecemos alguém com quem vamos trabalhar, vamos com o espírito “vamos ver o que isto dá”. A orquestra acarinhou-nos. Pareceu-nos que eles estavam a sentir-se bem a tocar a nossa música e a achar uma certa graça. A música popular precisa é de graça. Divertiram-se a fazer aquilo. Estiveste aqui no ensaio e viste as caras deles. Não estavam aqui a fazer nenhum frete, pois não?

Não, antes pelo contrário.
O Auditório 1º de Maio, na Festa do Avante, pareceu-me demasiado pequeno para albergar tanta gente. O grande auditório do CCB será o sítio ideal para a banda tocar?

Só te vou dizer isso no fim. Posso afirmar o contrário. A Ronda gosta de tocar muito junta. Alguns. O baterista gosta de nos ter longe. Eu gosto de tocar junto dos meus parceiros. Quando os palcos são muito grandes, às vezes, há uma certa dispersão. Na Festa do Avante, tínhamos um bom som em cima do palco e isso é muito confortável. Normalmente, não temos tão bom som que nos permita estarmos muito afastados a fazer o nosso papel sem preocupação de comunicação com os parceiros.

E depois do CCB? Que condições existem para pôr este espectáculo na estrada?

É impossível montar novamente este espectáculo. Posso garantir que um CCB completamente esgotado não paga este espectáculo. De qualquer modo, está pensado fazer-se uma versão de câmara. Para já, vamos ao festival internacional da Catalunha com 18 pessoas.

Publicado por Luís Rei às 03:12 PM | Comentários (16)

janeiro 23, 2004

Encontros Crónicas da Terra: reformulação?

Após a realização de quatro encontros CdT no Agito e no Navio de Espelhos de Aveiro, resta-me também fazer um balanço desses eventos, cujo objectivo é dar a conhecer a música dos nomes “estranhos” que são divulgados neste blog e na lista de discussão homónima do Yahoo Groups.

Apesar do relativo sucesso dos encontros que, comparativamente à realização dos habituais colóquios sobre música pop /rock em festivais ou ciclos (que nunca é muito participada) conseguiu ter talvez um número igual ou superior à média destes, existem uma série de pormenores que me fazem repensá-los.

Sabia que, à partida, haveria uma série de gente a manifestar interesse na sua participação e que depois acabavam por nunca aparecer. Hipótese confirmada. Mas a questão não é essa, já que o grupo de “fieis” que se formou é consistente e participativo. No entanto, em conversas com participantes existem algumas “arestas” a serem “limadas”. Gostaria por isso de vos fazer algumas perguntas:

- Estão satisfeitos com o local onde se realizam os encontros? Isto é, estão satisfeitos com a possibilidade de poderem beber uns copos enquanto vão ouvindo a música, ainda que haja gente que se disperse pelas mesas e deixe de lhe tomar atenção ao que vai sendo divulgado?
- Será que não deveríamos alterar o local do evento? Deixar de realizar os CdT num bar e passar a realizá-los numa sala adequada para colóquios como, por exemplo, o espaço da Livraria Ler Devagar?
- A média de 20 discos e (um, no máximo dois temas) para audição satisfaz-vos? Não seria preferível escolher menos álbuns e dar-lhes um destaque maior?

Obrigado.

Publicado por Luís Rei às 12:26 PM | Comentários (2)

janeiro 22, 2004

Discos de 2003 [Fusão - acústica / electrónica / geográfica #11 a #20]

20


Vários
Piazzolla Remixed
(Milan / Warner)


19


Vários
Essential Latin Flavas
(Outcaste)


18


Vários
Electric Gypsyland
(Crammed / Megamúsica)


17


Afrocelts
Seed
( Real World / EMI)

16


Trilok Gurtu
Remembrance
(Emarcy / universal)


15


Karsh Kale
Liberation
( Six Degrees)

14


Quantic Soul Orchestra
Stampede
( Tru Thoughts)


13


Think Of One
Naft2


12


up, Bustle and Out
Urban Evacuation
(Unique)


11


Think Of One Marrakech Emballages Ensemble
III

Publicado por Luís Rei às 07:08 PM

janeiro 21, 2004

Discos de 2003 [Fusão - acústica / electrónica / geográfica #1 a #10]

10

Susheela Raman
Love Trap
(Narada / EMI)


9

Da Lata
Serious
(Palm Beats)


8

Luigi Cinque and Tarantula Hypertext Orchestra
Tangerine Cafe
(Forest Hill)


7

Bill Frisell
Intercontinentals
(Nonesuch / Warnet)


6

Debashish Bhattacharya & Bob Brozman
Mahima
(Riverboat / Megamúsica)


5

Adrian Sherwood
Never trust a hippy
(Real World / EMI)


4

Oi Va Voi
Laughter Through Tears
(Outcast)


3

Terry Hall & Mushtaq
The Hour of two lights
(Honest Jon’s)


2

Solomon & Socalled
Hiphop Khasene
( Piranha / Megamúsica)


1

Corey Harris
Mississippi to Mali
(Rounder)

Nota: textos em breve

Publicado por Luís Rei às 05:57 PM | Comentários (1)

janeiro 20, 2004

Concertos na Rádio: La musgaña (RNE3) e Mariza (BBC3)

Hoje à noite, muito para ouvir na rádio on-line. Às nove da noite, há um bom motivo para sintonizar a Radio Nacional de Espanha, canal 3: uma das mais consistentes bandas castelhanas, os La Musgña (responsáveis por uma das melhores noites de sempre do Intercéltico do Porto) apresentam ao vivo o seu mais recente disco, "temas profanos". Uma hora mais tarde, é a vez de Fiona Talkington no melhor programa de músicas do mundo do planeta e arredores - "Late Junction" - falar com Mariza em Glasgoé, antecipando a sua apresentação ao vivo na capital escocesa, que decorrerá amanhã no festival Celtic Connections.

Publicado por Luís Rei às 11:26 AM

janeiro 19, 2004

Balanço de 2003: alegrias (4)


(c) Retorta: Membros da Sinfonienta de Lisboa, durante o ensaio da Ronda dos Quatro Caminhos, para a apresentação do álbum "Terra de Abrigo".

a dinâmica dos blogs

2003 foi para o bem e para o mal marcado pela “explosão dos blogs”. Na área da música, é saudável verificar a enorme diversidade de opiniões, em várias áreas. Do jazz e da à música clássica, à electrónica e ao rock mais experimental. Há muito ruído, é certo. Cabe-nos a tarefa de efectuarmos a triagem daqueles que valem verdadeiramente a pena serem visitados. Se há quem afirme veemente que os blogs são uma merda... há de facto muita desorganização, perda de fôlego ou de interesse de autores, ou actualização irregular de conteúdos... eles oferecem-nos uma pluralidade de opiniões e de visões sobre a matéria em análise, inexistentes, sobretudo nos meios on-line, que parecem ir pouco além do que é “servido” pelas editoras multinacionais a operarem em Portugal, dominados que estão por uma certa preguiça em ir à procura do desconhecido. 2003 foi um ano fraco em termos de colheita musical? Os Radiohead e o David Fonseca foram os nomes que mais surpreenderam? Só na área das músicas do mundo contabilizei cerca de cem discos que merecem pelo menos cinco minutos da nossa atenção.
Que outro meio senão a “blogolândia” e a “Ampola” faz pop, o Juramento Sem Bandeira , a Corneta, o Tape-error404, o amigo do José Cid e O Céu Sobre Lisboa, nos oferecem diferentes visões da passagem dos To Rococo Rot pela estação de metro Baixa-Chiado?
Que outro meio, senão a “blogolândia” e o Retorta, nos apresenta uma foto reportagem de um ensaio da Ronda dos Quatro Caminhos, para a apresentação de “Terra de Abrigo” no CCB, no próximo sábado?

Publicado por Luís Rei às 07:10 PM | Comentários (4)

Galegos em força


Na lista de discussão galega Alubre circula a informação de que o ano de 2004 promete ser fértil em novos discos de projectos locais. Em Fevereiro aguarda-se o novo álbum de Luar na Lubre. Março é a vez do gaiteiro Xosé Manuel Budiño apresentar um registo que conta com as participações de Sara Tavares, dos escoceses Cappercaillie, de Jacky Molard e de Lilian Vieira. O mês seguinte, será a vez da gaiteira Susana Seivane a oferecer-nos o sucessor de “Alma de Buxo”. No mesmo mês, os Laio lançam o seu segundo disco que conta com participações de Kronos Quartet e da cantora inuit (esquimó) Tanya Tagaq.
Uxia Senlle, Berrogüetto, Anubía, Quempallou e Lume serão outros dos nomes de quem se espera novidades discográficas até ao final do ano.

Publicado por Luís Rei às 06:25 PM

Discos de 2003 (Ásia-Médio Oriente- Pacífico Sul #1 a #10)

10

Sainkho
Who Stole the Sky?
(Ponderosa / Megamúsica)


9

Abaji
Oriental Voyage
(Network / Megamúsica)


8

Sevara Nazarkhan
Yol Bolshin!
(Real World / EMI)


7

Mahwash & Kaboul Ensemble
Radio Kaboul
(Accords Croises)


6

Asha Bhosle
Rough Guide to...
(World Network / Megamúsica)


5

Yat Kha
Tuva Rock
(Plane /Megamúsica)


4

Rabih Abou-Khalil
Morton’s Foot
(Enja / Dargil)


3

Masters of Persian Music
Without You
(Village Voice)


2

Parissa and Ensemble Dastan
Shoorideh
(Network / megamúsica)


1

Ghazal
The Rain
(ECM / Dargil)

Nota: textos em breve

Publicado por Luís Rei às 01:37 AM | Comentários (1)

janeiro 17, 2004

Já não há bilhetes para a Ronda dos Quatro Caminhos

A noite do próximo sábado (dia 24) promete ser memorável. Para a apresentação de "terra de abrigo" em palco decente (sim, porque a aquele auditório primeiro de maio da festa do avante... enfim), no grande auditório do CCB, irão estar em palco cerca de 70 músicos. A saber: Sinfonieta de Lisboa, Cantares de Évora, Cantadores de Saias de Campo Maior, Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento, Grupo Coral e Etnográfico do Ateneu Mourense e os convidados: Amina Alaoui (Marrocos), Esperanza Fernandez e José António Rodriguez (Espanha) e Katia Guerreiro.

O concerto das 21h30 já se encontra ESGOTADO. Mas nem tudo são más notícias. Foi entretanto marcado um concerto extra, no mesmo dia, às 17h30.
Em breve, neste espaço, publicaremos uma entrevista de antevisão deste espectáculo registada durante os ensaios deste fim de semana.

Publicado por Luís Rei às 11:20 PM

janeiro 15, 2004

Discos de 2003 (Europa #10 a #20)

20


Värttinä
Iki
(M&W / Mundo da Canção)


19


Kroke
Ten Pieces to Save The World
(Topic / Megamúsica)


18


Leilia
Madama
(Discmedi)


17


Bidaia
Ohian
(Resistencia / Sabotage)

16


Mercedes Peon
Ajru
(Discmedi)


15


Dervish
Spirit
(Whirling / Mundo da Canção)

14


Boban Markovic Orkestar
Boban i Marko
(Piranha / Megamúsica)

13


Kepa Junkera
K
(EMI)


12


Kate Rusby
Underneath The Stars
(Pure Records)


11


Cara Dillon
Sweet Liberty
(Rough Trade)

Publicado por Luís Rei às 03:14 PM | Comentários (2)

janeiro 14, 2004

Discos de 2003 (Europa #1 a #10)

10

Boris Kovac & Ladaaba Orchest
Ballads At The End of Time
(Piranha / Megamúsica)


9

Richard Thompson
The Old Kit Bag
(Cooking Vinyl)


8

Os Diplomáticos
Komunikando
(Boa Music)


7

Martyn Bennett
Grit
(Real World / EMI)


6

Tejedor
Llunáticos
(Resistencia / Sabotage)


5

Savina Yannatou
Terra Nostra
(ECM / Dargil)


4

Earth-Wheel-Sky-Band
Waltz Rromano
(Asphalt Tango / Megamúsica)


3

Alasdair Roberts
Farewell Sorrow
(Rough Trade)


2

The Poozies
Changed Days, Same Roots
(Greentrax / Mundo da Canção)


1

June Tabor
An Echo of Hooves
(Topic / Megamúsica)


Nota: textos em breve

Publicado por Luís Rei às 07:22 PM

Balanço de 2003: Alegrias (3)


Festivais com bilhetes pagos e o Sons em Trânsito


Sempre fui um adepto dos festivais com bilhetes pagos. Ganha o espectador: acabam-se os concertos em palcos tipo vão de escada; melhora-se a cartaz, evitando encher a programação com nomes de terceira categoria, se bem este argumento até nem é determinante, já que no Cantigas do Maio, nos Encontros de Tradição Europeia e no Multimúsicas de outrora, os cartazes tinham por regra nomes apelativos; evita-se, sobretudo, os “pára-quedistas” que, muitas vezes, não têm respeito por quem está em cima do palco e pela assistência.
O Cantigas do Maio, que nunca vendia bebidas alcoólicas na tenda por causa desses “pára-quedistas” viu o orçamento da CM do Seixal reduzido pela metade e não compreendeu que os tempos mudaram. Optou por não realizar o “Cantigas do Maio” durante 2003. Este ano ou começa a cobrar bilhetes, ou morre definitivamente.
O Festival de Músicas do Mundo de Sines cobrou pela primeira vez uma entrada simbólica de dois euros e meio e não foi isso que impediu que o Castelo de Sines tivesse estado sempre cheio durante todo o festival.
O Sons em Trânsito, com preços mais realistas, se bem que abaixo de um espectáculo de Coliseu ou de Aula Magna, também não teve problemas em preencher os cerca de 700 lugares do Teatro Aveirense.
Foi, aliás, este o melhor festival de músicas do mundo de 2003 em solo português. Apresentou um cartaz apelativo que levou muita gente a deslocar-se do Porto ou de Lisboa até Aveiro. Conseguiu chegar a outras audiências, além do típico frequentador deste tipo de festivais, sobretudo nos espectáculos de Kimmo Pohjonen (adeptos das electrónicas) e de Ojos de Brujo (muitos espanhóis e estudantes ERASMUS). Em suma, motivou suficientemente o público para pagar o bilhete de entrada e deslocar-se a Aveiro. É pena que as actividades paralelas (filmes e workshops por membros dos Gaiteiros de Lisboa) nunca sejam muito concorridos.

Publicado por Luís Rei às 06:57 PM

Balanço de 2003: Tristezas (2)

Pobre Manecas

Manecas Costa é, na Europa, quase tão grande quanto Mariza. No entanto, enquanto Mariza em Portugal granjeia galardões de platina, o novo disco de Manecas mal se vê nas lojas. O espectáculo do Sons em Trânsito foi, talvez, o menos concorrido (talvez por ser quinta-feira, ou não). Praticamente, não se viu uma linha escrita sobre “Paraiso di Gumbe”. Será racismo? Manecas, muda-te para Paris ou para Londres enquanto é tempo!

Publicado por Luís Rei às 06:56 PM | Comentários (2)

Balanço de 2003: Alegrias (2)

o finlandês inovador

Para quem é um adepto da folk nórdica, dá-me uma certa alegria ver o consenso gerado à volta do acordeonista experimentador Kimmo Pohjonen, que apenas peca por ser demasiado tardio. Só em 2003 é que repararam no homem, quando o primeiro disco é de 1999 (“Kielo”) e os outros dois são de 2002 (“Kalmut” e “Kluster”). Na altura, o Mundo da Canção lançou os discos e estes ficaram nos escaparates. Agora, a Megamúsica aproveita e bem a onda. De repente, toda a gente pôs os olhos em Kimmo. Mas não foi apenas o Sons em Trânsito que contribuiu para este fenómeno. Esta adulação foi construindo-se boca-a-boca, peer-to-peer no Pássaro Azul (vulgo Soul Seek) durante 2003, provocada sabe-se lá, pela leitura de uma reportagem na revista britânica Wire. Depois, sim, veio o clímax de Aveiro. Aí Pohjonen não perdoou. É pena que todos aqueles que vibram com os espasmos de Kimmo, desconheçam a obra de Heikki Leitinen e de toda a uma escola de exímios improvisadores finlandeses: Niekku, Tuulenkantajat, World Mankeri Orchestra, Janne Haavisto, Hannu Saha, etc. Este blog promete voltar em breve ao assunto.

Publicado por Luís Rei às 06:53 PM

janeiro 13, 2004

Balanço de 2003: Tristezas (1)

A imposição de quotas de música portuguesa

Será que esta nova legislação irá permitir que se oiça mais Gaiteiros de Lisboa, Fausto ou Cristina Branco nas rádios ou, por outro lado, será a acendalha que irá atear a multiplicação de subprodutos boy bands e projectos-cópia chapada da britpop? É óbvio que a segunda hipótese tem mais razão de ser. Ora vejamos a opinião de José Faustino, presidente da Associação Portuguesa de Radiodifusão, em entrevista à Revista Média XXI (edição de Nov. / Dez 03):

“Não faz qualquer sentido, representa um retrocesso legislativo. Recorde-se que isso já esteve previsto na Lei da Rádio foi de lá retirado. Não se pretende agora defender a música portuguesa... se assim fosse, as canções interpretadas noutra língua não contariam. Ora, acontece que, na proposta existente, elas contam como música portuguesa. O que na verdade se pretende defender é o interesse das editoras discográficas. É mais um daqueles casos em que nos querem atirar areia para os olhos.”

Publicado por Luís Rei às 06:33 PM | Comentários (2)

janeiro 12, 2004

Balanço de 2003: Alegrias (1)

O fôlego de Mariza

Um dos marcos de 2003 foi, sem dúvida, a ascensão de Mariza a uma das principais figuras do circuito de músicas do mundo. A partir da conquista do prémio da BBC de melhor artista europeia, somou discos de ouro e de platina e conheceu os principais palcos do novo e do velho continente. 2004 será mais um ano em cheio. No passado dia 10, participou no Global Fest de Nova Iorque e, ainda este mês, estará presente no festival Celtic Connections e na importante feira da indústria mundial, o Midem. Para os meses de Fevereiro e de Março estão agendados, para já, cerca de 25 espectáculos de uma tournée que passará por Itália, Espanha e França. Melhor é impossível.

Publicado por Luís Rei às 11:54 PM | Comentários (6)

janeiro 09, 2004

Hukwe Zawose, tanzaniano, morre aos 65 anos

[1940-2004]


Ainda o ano mal começou e já fez desaparecer o autor de um dos meus álbuns preferidos da label de Peter Gabriel, A Real World: "Chibite". Um álbum tão espiritual quanto terreno onde está impresso não só toda a riqueza vocal polífonica de Hukwe Zawose.

Cantos da pastorícia de um antigo guardado de gado, acompanhado pela sonoridade hipnótica e minimalista da ilimba (lamelofone). Hukwe recentemente andou em digressão com Peter Gabriel e lançou um álbum de fusão e revisão do seu material à luz do experimentalismo ocidental, com o canadiano Michael Brook, homem da "infinite guitar".

Michael Brook: "Hukwe's voice and music always made me feel a sense of light, slightly giddy happiness. In person, his effect was similar, which makes his passing all the sadder. I'll miss his remarkable talent and humour, and feel honored to have known and worked with him."

Peter Gabriel: "I was devastated to hear of Hukwe's death. He was an extraordinary musician, singer and composer and made most of the most beautiful music we have ever put out on Real World Records."

Mais informação no World Music Central

Publicado por Luís Rei às 06:47 PM

Colecção única de fado do Início do Sec. XX:
A CML quer comprá-la a um coleccionador inglês, por 1249000 Euros

Do Público:

Uma Colecção Única
Por F.M.
Quinta-feira, 08 de Janeiro de 2004

A colecção de Bruce Mastin inclui cerca de 5000 registos áudio, em
discos de 78 rotações, mais de metade já identificados como gravações
das primeiras décadas de fado, em estado óptimo de conservação, que o
britânico terá comprado há mais de 50 anos num armazém português (ver
PÚBLICO de 2-05-2003).

Outros exemplares do espólio incluem gravações, também do início do
século XX, de teatro de revista, música popular, discursos e dois
discos contendo uma reprodução da Proclamação da República
Portuguesa, em 1910, gravada no ano seguinte.

Entre os três milhares de exemplares de discos de 78 rotações
gravados na primeira década do século passado, as primeiras de sempre
do fado, contam-se as vozes de Reinaldo Varela, José Bastos, Isabel
Costa, Almeida Cruz, Eduardo de Souza, Rodrigues Vieira, Delfina
Victor e Maria Victoria. Igualmente importantes do ponto de vista
musical e etnográfico são registos, mais tardios, de Maria Alice,
Manassas de Lacerda, Avelino Baptista, Estêvão Amarante, Madalena de
Melo, Maria Emília Ferreira, Júlia Florista e Maria do Carmo Torres,
bem como dos mais conhecidos Ercília Costa, Berta Cardoso, António
Menano, Edmundo de Bettencourt, Armandinho e Alfredo Duarte, o
popular Alfredo Marceneiro.

Para Londres seguirá um administrador da Empresa de Gestão de
Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), braço da Câmara Municipal
de Lisboa que gere vários equipamentos da cidade, entre os quais a
Casa do Fado, em Lisboa; dois técnicos da EGEAC para analisar o
material discográfico; José Moças, da Tradisom, editora que, diz,
fará a organização, digitalização e edição desta colecção de "peças
únicas" com apoio do Ministério da Cultura, e o seu advogado, José
Sardinha.

José Moças, que parte no domingo, diz que o coleccionador inglês não
vai baixar o preço - um milhão, duzentos e quarenta e nove mil euros.
Mas segundo lhe foi comunicado pela CML e o Ministério da Cultura, "a
decisão política está tomada".

"A Câmara Municipal de Lisboa, que tem interesse em comprar o
espólio, incumbiu-nos de o analisar e dar um parecer global sobre o
processo", disse ontem Maria Louro, um dos três administradores da
EGEAC.

Em aberto está também a hipótese de a Câmara Municipal de Coimbra
participar numa "joint venture", com consequente participação
financeira, dado o acervo incluir exemplares de fado de Coimbra, diz
Moças. Dada a diversidade do espólio, outras entidades poderão também
estar interessadas. "Não é só a questão da aquisição. A concretizar-
se a compra, tem que haver um objectivo e um investimento para o
manter", acrescenta Maria Louro. "A proclamação da República, por
exemplo, não interessará à Casa do Fado..." (ver caixa).

Especialistas prontos para estudar espólio

Os especialistas vão à residência e ao escritório do coleccionador
inglês - locais onde está o espólio e situados perto um do outro a
cerca de 70km de Londres.

"Na maioria são discos das duas primeiras décadas, aquelas que não se
encontram em lado nenhum", diz José Moças, e cuja "lista
pormenorizada" já enviou à Câmara de Lisboa. "Todos os sítios que
tenho contactado, arquivos nos EUA, em Inglaterra, seja onde for,
ninguém tem nada. Escusamos de andar à procura porque não há",
garante o representante da Tradisom com mal disfarçado entusiasmo. "O
que há em Portugal são discos em muito más condições e dispersos por
vários coleccionadores que ainda por cima nunca quiseram abrir mão de
nada".

Se o negócio se concretizar, mal o espólio de Bruce Mastin aterre em
Portugal, a Tradisom iniciará um trabalho de investigação, com
duração prevista de cinco anos (para a sua totalidade, três para os
espécimes de fado), por uma equipa "já constituída" de especialistas.

Já houve várias reuniões sobre o assunto, nomeadamente com João
Morais, chefe de gabinete do ministro da Cultura, Pedro Roseta, e com
Paulo Cunha e Silva, director do Instituto das Artes (IA). "O papel
do IA será dar apoio e um parecer técnico [através do gabinete de
música]. Estão a decorrer negociações entre o coleccionador inglês e
a Câmara de Lisboa e o IA está atento às negociações", disse ontem o
gabinete de imprensa.

Para o Ministério da Cultura, as negociações entre a câmara e o
proprietário do espólio são "um dado adquirido": "Neste momento não
há qualquer verba reservada no ministério para a colecção porque é
certo que será a autarquia a comprá-la. O ministério está a
acompanhar o processo através do IA", garantiu fonte do gabinete de
Roseta.

A compra permitirá que a génese do fado gravado seja ouvida pela
primeira vez em Portugal. A história desta música juntará assim
algumas pontas soltas. Mas não todas. José Moças identificou
entretanto outras arcas do tesouro: novas gravações inéditas, na
posse de coleccionadores brasileiros e americanos, de fado também do
início do século XX, de actuações de fadistas portugueses no Brasil e
EUA.

Publicado por Luís Rei às 06:15 PM | Comentários (2)

janeiro 08, 2004

Longa vida a Michel Giacometti

No dia em que se celebra o 75º aniversário do nascimento do etnomusicólogo Michel Giacometti, é formada uma associação cultural com o seu nome, com o objectivo de promover a excelente obra feita ao longo de cerca de 30 anos. Mais informações no Público.

Publicado por Luís Rei às 10:46 AM | Comentários (3)

Discos de 2003 (África #11 a #20)

20


Abdul Tee-Jay
Palm Wine a Go-Go
(Stern's / Mundo da Canção)


19


Vários
Gumboot Guitar
(Topic / Megamúsica)


18


Sam Mangwana
Cantos de Esperança
(Next Music / Megamúsica)


17


Africando
Martina
(Next Music / Megamúsica)

16


Voz de Cabo Verde
Live
(Lusafrica / Tumbau)


15


Wendo Kolosoy
Amba
(World Village)

14


Super Rail Band
Kongo Sigui
(Label Bleu)

13


Cesária Évora
Voz d'Amor
(Lusafrica / BMG)


12


Malouma
Dunya
(Marabi / Megamúsica)


11


Vários
Ghana Soundz
(Stern's / Mundo da Canção)

Publicado por Luís Rei às 12:24 AM

Discos de 2003 (África #10)

10

Souad Massi
Deb
(Wrasse)

Publicado por Luís Rei às 12:12 AM

Discos de 2003 (África #9)

9

Kékélé
Congo Life
(Stern's Africa / Mundo da Canção)

Publicado por Luís Rei às 12:02 AM

janeiro 07, 2004

Discos de 2003 (África#8)

8

Bau
Silêncio
(Lusafrica / Megamúsica)

Publicado por Luís Rei às 11:55 PM

Discos de 2003 (África#7)

7

Moussa Cissoko / Abdoulaye Diabaté / Djeli Moussa Diawara
Kora Jazz Trio
(Celluloïd / Megamúsica)

Publicado por Luís Rei às 11:47 PM

janeiro 06, 2004

Discos de 2003 (África#6)

6

Oumou Sangare
Oumou
(World Circuit / Megamúsica)

Oumou Sangaré, a “cantora pássaro” e diva dos ritmos wassolou, já não gravava há uma meia-dúzia de anos. Em 2003 oferece-nos uma antologia de temas dos seus anteriores três discos editados pela britânica World Circuit, onde se incluem ainda oito inéditos. A maior parte deles provenientes de edições em k7 comercializadas no Mali. Não faz mal. É sempre com um enorme prazer que a recebemos de braços abertos, nem que seja através de “revisão da matéria dada”, porque compreendemos que todo o seu tempo seja gasto na organização das redes de trabalho de defesa dos direitos das mulheres islâmicas, ou como embaixadora da FAO (Food and Agriculture Organization) das Nações Unidas. Para Oumou Sangaré não basta cantar para alertar consciências, é preciso agir.

Publicado por Luís Rei às 03:10 AM

Discos de 2003 (África#5)

5

Vários
Festival In The Desert

No próximo fim-de-semana arranca mais uma edição (a quinta) do Festival do Deserto, realizado anualmente nas areias do Sara, no Norte do Mali, a caminho da Mauritânia. A colheita de 2003 foi proveitosa: aos músicos locais, nómadas ou não (Ali Farka Touré, Afel Bocoum, Tinawiren, Oumou Sangaré), juntaram-se-lhes um contigente errante do rock e da fusão, que prestam culto à terra onde os blues nasceram: do colectivo francês Lo’Jo a Robert Plant e aos índios norte-americanos da tribo Navajo, os Blackfire. Mais do que uma mostra de música tuaregue, o Festival do Deserto incita à criação, ao improviso, ao “jamming”. Vale a pena conhecer o encontro entre o guitarrista local Foy-Foy e o rapper francês Kwal.

Publicado por Luís Rei às 02:44 AM

Discos de 2003 (África#4)

4

Simentera
“Tr’adicional”
(Melodie / Megamúsica)

Um engrenagem bem oleada, onde não se encontra um único parafuso fora do sítio? Músicos que preferem ser grandes, ao invés de grandes músicos. A Simentera continua a dar etéreas e serenas canções de rara beleza, escondendo a limitação técnica de uma banda insossa em palco.
Touré Kunda, Manu Dibango, Paulinho da Viola, Maria João e Mário Laginha são os convidados de serviço que parecem, há muito, fazer parte da mesma orquestra. Mário Lúcio, o director musical, assume o cariz mestiço da música das mornas e coladeras cabo-verdianas e faz-nos acreditar numa genealogia que põe em comum as suas raízes com a música camaronesa, senegalesa, brasileira e portuguesa.

Publicado por Luís Rei às 02:40 AM | Comentários (6)

Discos de 2003 (Africa#3)

3

Manecas Costa
Paraíso dí Gumbe
(BBC Late Junction / Harmonia Mundi)

Manecas, o guineense radicado em Lisboa, depois do lançamento de “Paraíso dí Gumbe”, da aparição no festival Sons em Trânsito e de ter um contigente significativo de jornalistas europeus da especialidade rendidos aos encantos deste disco (que são muitos), continua a ser um ilustre desconhecido no nosso país. Alguém já leu alguma crítica a este disco na nossa respeitável imprensa? Enquanto aplaude unanimemente “Tr’adicional” de Simentera, assobia e olha de esguelha para “Paraíso di Gumbe” como se nada fosse com ela. O disco vale pela forma adocicada com que Manecas constrói canções carregadas de sentimento, cuja guitarra acústica ora se funde com a irrequieta harpa do venezuelano Carlos Orozco, ora convoca ritmos tribais de gumbe gravados “in loco” na Guiné. Um disco maduro que evita alguns erros do passado, como os enfadonhos teclados impregnados em “Fundo Di Mato”.

Publicado por Luís Rei às 02:33 AM

Discos de 2003 (Africa#2)

2

Rokia Traore
Bowmboï

À semelhança de Gigi, Rokia Traoré é a face mais elegante e íntima da música do Mali. Inova na diáspora ao exercitar orquestrações para violino clássico, beneficiando do contributo da Kronos Quartet, mas respeita escrupulosamente a matriz da música milenar mandinga (apesar de não ser griot). Filha de diplomata, Rokia cedo entrou em contacto com a realidade musical de vários países (da Árgélia, à Bélgica), desenvolvendo o gosto por jazz, pop e música clássica. “Bowmboï”, o seu terceiro álbum editado na Europa, mais do que o polimento de delicadas canções de índole social - parecem frágeis peças de porcelana - já evidenciadas em “Mouneïssa” e “Wanita”, é o resultado prático, mais do que satisfatório, da ambição de Rokia em “fazer música contemporânea com instrumentos tradicionais”. “Bowmboï”, concedeu-lhe, finalmente, o devido e unânime reconhecimento internacional. É, curiosamente, o primeiro registo de Rokia a ser editado no Mali.

Publicado por Luís Rei às 02:30 AM

Discos de 2003 (Africa#1)

1

Abyssinia Infinite (featuring Ejigayehu “Gigi” Shibabaw)
Zion Roots
(Network / Megamúsica)

Gigi é a pérola negra mais apetecível que nos chega da mãe de todos os continentes. Uma jóia bem lapidada nos Estados Unidos pelo seu marido Bill Lawsell que, em (simplesmente) “Gigi”, ou em “Nagual Site”, assinado pelo projecto Sacred System, a havia “lançado às feras” num registo bem mais eléctro-jazz-funk (repleto de nomes sonantes: Wayne Shorter, Herbie Hancock, David Gilmore, entre outros), mas onde sobressaia a voz que encanta o Olimpo. “Zion Roots” é um disco conceptual, de resgate de canções de devoção da igreja cristã ortodoxa etíope. Sem possuir um timbre da força de um trovão de algumas das mais respeitadas vozes sufis, Gigi prima pela elegância e pela forma subtil com que nos transporta às entranhas da terra, enquanto permanecemos em levitação no mundo astral. Os modernos mas discretos arranjos de Laswell (electrónicas reduzida ao mínimo e ao essencial, guitarra acústica e saxofone) e a utilização de instrumentos da música tradicional da tribo Ahmara (flautas, harpa, bater de palmas) são tempero perfeito que fazem de “Zion Roots” um delicioso “doro wat” (prato de galinha temperado com pimenta cayenne, gengibre e paprika), servido segundo os preceitos da “nouvelle cuisine” francesa.

Publicado por Luís Rei às 02:26 AM | Comentários (1)

janeiro 05, 2004

WORLD MUSIC CHARTS EUROPE (Janeiro 2004)

1 - BOOMERANG
Daara-J, Senegal (Wrasse Records)

2 - LAUGHTER THROUGH TEARS
Oi Va Voi, UK (Outcaste)

3 - WHO STOLE THE SKY?
Sainkho Namtchylak, Tuva (Ponderosa Music & Art

4 - AY VALERIA
Ricardo Lemvo, Congo (Mopiato Music)

5 - THE KING IS AMONG US
Belgian Afro Beat Association, Belgium (WAM recording)

6 - BOWMBOI
Rokia Traore, Mali (Tama)

7 - ELECTRIC GYPSYLAND
Various Artists, Romania/various (Crammed)

8 - ZION ROOTS
Abyssinia Infinitive, Ethiopia/USA (Network Medien)

9 - MUNIA
Richard Bona, Cameroun/USA (Universal Music)

10 - LI TURCHI VIAGGIANO
Media Aetas, Italy (Oriente Musik)

11 - ANDE LINDRI
Romano Drom, Hungary (Daqui)

12 - CONTRASTS
Marcos Valle, Brazil (Farout)

13 - NAPOLI MEDITERRANEA
Pietra Montecorvino, Italy (L'empreinte digitale)

14 - PARAISO DI GUMBE
Manecas Costa, Guinea Bissau (BBC Late Junction)

15 - KORA JAZZ TRIO
Kora Jazz Trio, various (Celluloid)

16 - LA SEMILLA ESCONDIDA
Sergent Garcia, France (Labels)

17 - TANGO CRASH
Tango Crash, Argentina/Germany (Galileo MC)

18 - SANT ALLAH
Youssou N'Dour, Senegal (Jololi)

19 - PALM WINE A GO GO
Abdul Tee-Jay, Sierra Leone (Stern's)

20 - VOZ D'AMOR
Cesaria Evora, Cape Verde (Lusafrica)

informações mais detalhadas em www.wmce.de

Publicado por Luís Rei às 05:56 PM | Comentários (2)

Balanço de 2003: o ano dos blues

2003 foi o ano internacional dos blues. Em Portugal tal facto passou quase incólome entre os média portugueses. Quase, porque Nuno Ferreira no Público lembrou-se da efeméride. Um texto que vale a pena ser lido através do link que abaixo se apresenta, enquanto se aguarda impacientemente pela audição do disco de Corey Harris, "Mississipi to Mali" e pela série de Martin Scorsese em DVD "...Presents the Blues" que, por certo (a avaliar pela dificuldade de licenciamento dos DVDs), nunca irão ser distribuidos em Portugal.

Cem Anos Depois, Os Blues Continuam nas Margens

Por POR NUNO FERREIRA
Terça-feira, 23 de Dezembro de 2003

Oficialmente declarado pelo Congresso dos Estados Unidos o Ano dos Blues,
2003 termina com um balanço de eventos, festivais e, sobretudo, o lançamento
de sete filmes produzidos por Martin Scorsese, mas a música, essa, continua
a ser o parente pobre do espectro da música popular norte-americana.
Nos últimos anos, entre os negros e os brancos não têm faltado novos e
revigorantes nomes de jovens artistas a manter o género vivo. O country
blues acústico reminiscente do Delta blues recebeu na década de 90 o sopro
refrescante de Alvin Youngblood Hart, Koko Taylor, Eric Bibb, Corey Harris,
Kelly Joe Phelps, Guy Davis, só para citar alguns. O blues rock eléctrico
recebeu novos e entusiastas seguidores, como Derek Trucks, Jonnie Lang,
Kenny Wayne Shepherd, Mike Welch ou Bernard Allison (filho do lendário
guitarrista Luther Allison). O naipe de nomes femininos dos blues foi
enriquecido com a voz portentosa de Shemekia Copeland, filha do falecido
guitarrista texano Johnny Copeland, ou a voz sexy da muito branca Susan
Tedeschi.
O problema, no entanto, está na exposição e divulgação. Os blues são um dos
mais fundamentais géneros da música popular americana; influenciaram a
country e o bluegrass, estiveram na génese do rock'n'roll, mas continuam a
não ter um canal de televisão próprio - a country, por exemplo, tem a
Country Music Television (CMT) - e a usufruir de pouca divulgação nas rádios
americanas.
Os blues não passam nos maiores canais musicais como a MTV ou VH1 e não
geram as receitas de géneros que ajudaram a fundar, como o rock ou mesmo o
rap. No ano passado, nomes como Norah Jones e a banda The White Stripes, só
para citar dois casos de artistas que vão beber directa ou indirectamente
aos blues, estiveram meses a fio nas tabelas de tops. O mesmo não aconteceu
com nenhum músico de blues.

Origem do jazz, pop, rock...

As comemorações do centenário procuraram, um pouco por todos os Estados
Unidos, promover os blues através de uma súmula de eventos, programas nas
rádios e nas televisões, festivais e iniciativas nas escolas. Mas o facto de
a classe política ter declarado, em resolução oficial, que havia que
comemorar os blues em 2003 não significou que o seu estatuto e situação se
tenham alterado.
"Os blues são, provavelmente, o género musical menos reconhecido dentro do
espectro da música popular americana e, no entanto, serviram de base a tudo
o que hoje é considerado música pop e rock. Já se celebrou tanto o jazz e o
rock'n'roll; é tempo que o avôzinho de todos eles receba agora a mesma
exposição", disse à "Christian Science Monitor" Robert Santelli, historiador
e director executivo do projecto "Year of the Blues".
De facto, sem os blues não teríamos tido o jazz nem o gospel nem a soul
music nem o rithm'n'blues nem o rock'n'roll. "Podemos dizer que os blues
estão na origem de praticamente todas as formas de música popular que
nasceram na América no século XX", conclui Robert Santelli. Sem a partilha
musical entre os brancos das montanhas do Sul e os negros que ora plantavam
algodão ora trabalhavam nos caminhos-de-ferros, a country não teria evoluído
da música dos colonos anglo-saxónicos para o que é hoje. O que seria da
country se o branco Jimmie Rodgers não tivesse trabalhado lado a lado com os
negros nos caminhos-de-ferro? O que é o banjo, afinal, senão um instrumento
de origem africana?"
Os blues eram e sempre foram um género musical criado, amado e mantido pelos negros, mas é indiscutível a paixão e o fascínio que a música sempre gerou
na sociedade branca, mesmo quando existia a segregação racial no Sul dos
Estados Unidos. Bill Monroe, a lenda do bluegrass, sempre reconheceu a
influência dos blues na construção de diversos temas seus. O primeiro êxito
de Elvis Presley, que na juventude era atraído para a zona negra de Memphis
como que atraído por um íman, foi "That's All Right Mama", do cantor de
blues Artur Crudup.
Ciclicamente, a cultura de massas vampiriza e apropria-se de uma parcela ou
excerto de temas de blues, como quando a Levis usou uma canção de Muddy
Waters para um anúncio em 1999 e proporcionou à então já falecida lenda dos
blues o primeiro "hit" da sua carreira no Reino Unido.
A maioria dos músicos de blues, com as excepções dos consagrados como B.B.
King ou Buddy Guy, é mal paga, vende poucos discos e tem de realizar uma
média de 200 espectáculos por ano numa rede de clubes, festivais e, desde há
uns anos, cruzeiros que juntam aficionados e bluesmen durante vários dias
num navio a circular pelos portos das Antilhas.

Semelhanças com o fado

E em Portugal? Não é verdade que existem semelhanças, mesmo que ténues,
entre o fado e os blues, e que ambos são estruturas musicais populares e
simples que assentam na lamentação sobre a condição e o estado de espírito
de quem canta?
No nosso país contam-se pelos dedos os concertos de blues como o que John
Mayall & The Bluesbreakers deram em Novembro em Lisboa, Coimbra e Porto.
Anualmente, existe o festival Gaia Blues - que este ano extravasou do
auditório municipal para o Cais de Gaia, e trouxe até nós Deborah Coleman e
Saffire -; e realizou-se a primeira edição do "Coimbra em Blues", com nomes
do norte do Mississipi, como Elmo Williams & Hezekiah Early, ou o soul
bluesmen Little Milton.
Agora, à beira de 2004, os blues continuam, como sempre, a ser a música
popular americana das ruas e das franjas. "É um velho género musical, mas
continua tão vibrante como dantes", diz Santelli. "Começou por ser música
negra, mas, à medida que se foi espalhando, tornou-se verdadeira música
americana", salienta o historiador.

"Um Tesouro Histórico Americano"

Por N.F.
Terça-feira, 23 de Dezembro de 2003

Algures em 1903, numa desolada plataforma de uma estação de caminho de
ferro, em Tutwiler, no Estado do Mississipi, o compositor W. C. Handy
encontrou "um negro, com uma guitarra, a tocar a música mais estranha" que
ele alguma vez ouvira, "com a ajuda de uma navalha". A música, o ritmo, a
toada, ficou-lhe para sempre marcada na mente, e Handy, que hoje em dia
todos os manuais escolares apontam como o "pai dos blues", haveria de gravar
mais tarde, em Memphis, um tema semelhante ao que ouvira, chamando-lhe
"Yellow Dog Blues". Handy não inventou nada, é certo, mas foi o primeiro a
compor e publicar a música que agora conhecemos como os blues, e ainda hoje
os prémios mais prestigiados do género chamam-se "W.C. Handy Awards".
Um século depois daquele mágico encontro no Mississipi, o Congresso
americano proclamou 2003 o "Ano dos Blues", proclamando o género como "a
mais influente de todas as formas da música popular americana, cujo impacto
se ouve em todo o mundo na forma de rock'n' roll, jazz, rythm'n' blues,
country e até música clássica". O texto do Congresso classificou mesmo os
blues como "um tesouro histórico nacional, que necessita de ser preservado,
estudado e documentado para as gerações futuras".
Além dos concertos de celebração, dos habituais festivais, da produção de
documentários, programas nas rádios e televisões e exposições "on line" como
a "Year of the Blues Art Gallery", 2003 foi marcado pela edição, em DVD, da
colecção "Martin Scorsese Presents the Blues", um conjunto de sete filmes de
90 minutos cada coordenado pelo realizador de "A Última Valsa", e realizados
por ele próprio e também por Charles Burnett, Richard Pearce, Wim Wenders,
Clint Eastwood, Marc Levin e Mike Figgis.
"Os blues são ao mesmo tempo americanos e mundiais", disse Martin Scorsese a propósito deste seu projecto, no qual trabalhou ao longo de seis anos. "São
uma forma de contar histórias tão universal que inspirou pessoas em todo o
mundo e continua a influenciar música na América e no exterior. Espero que
esta série ajude a introduzir novos públicos para os blues e inspire os
jovens, quer gostem de rock ou rap, a comprender melhor a música que está
por detrás do que ouvem hoje."
Música

Publicado por Luís Rei às 03:18 AM | Comentários (3)

balanço de 2003: prémios de música

A indústria não perdoa. Há prémios para todos os gostos. Até no restrito mercado de músicas do mundo. Em anexo deixo-vos os vencedores dos kora music awards e as nomeações para os prémios da BBC Radio 3 (músicas do mundo), BBC Radio 2 (referentes apenas à folk britânica) e dos Grammys (áreas relacionadas com o objecto de divulgação deste blog):

Vencedores dos Kora Awards em 2003

Best Artist - West Africa - Male
Kojo Antwi - Nfa Me Nko Ho - Ghana

Best Artist - West Africa - Female
Suzanna - Nha Sonho sonho - Cape Verde

Best Artist - East Africa - Male
George Okudi – Wipolo - Uganda

Best Artist - East Africa - Female
Chamsia Sagaf – Loléya - Comores

Best Artist - Central Africa - Male
Douleur - Gloire aux femmes - Cameroon

Best Artist - Central Africa - Female
1 Mbilia Bel - Welcome Mbilia bel - R.D. Congo
2 Tshala Muana – Malu - R.D. Congo

Best Artist - Southern Africa - Male
Oliver Mtukudzi - Hear Me Lord - Zimbabwe

Best Artist - Southern Africa - Female
Busi Mhlongo – Umthwalo - South Africa

Best Artist Or Group Traditional
Machesa Traditional Group – Tshipidi - Botswana

Best African Group
1 Quartier Latin - Affaire D' Etat -- D.R. Congo
2 Anti-Palu – Deni - Ivory Coast

Best African Video
Jeff Maluleke – Mambo - South Africa

Best African Arrangement
Yvonne Chaka Chaka - Zibuyile Izinkomo - South Africa

Best African Gospel Female Artist
Rebecca - Iyahamba Lenqola - South Africa

Best African Gospel Male Artist
Lundi – Lundi - South Africa

Best African Gospel Group
Notre Dame de la Salette - Tata Lekumu - Gabon

Most Promising African Female Artist
Barbara Kanam - Bibi Madeleine - D.R. Congo.

Most Promising African Male Artist
Jean-Paul Samputu - Ange Noir - Rwanda


Most Promising African Group
Macase – Ojem - Cameroon

Revelation Of The Year
Eben & Family - L'hymne - Gabon

Most Promising Artist of the African American Diaspora
Ludacris - Stand up - U.S.A.

Best Female Artist of the African American Diaspora
Angie Stone – Brotha - U.S.A.

Best Male Artist of the African American Diaspora
R Kelly - Step in the name of love - U.S.A.

Best Video of the African American Diaspora
R Kelly - Step in the name of love - U.S.A.

Life Time Achievement Award
Oliver Mtukudzi - Zimbabwe

Europe/ Caribbean Diaspora
Avalon - D.R. Congo - Sweden

Special Judge Award
Soumbil and Notre Dame de la salette Ivory Coast and Gabon


Nomeados para os BBC Radio 3 Awards (2004):

AMERICAS
Ibrahim Ferrer
Omar Sosa
Os Tribalistas
Caetano Veloso

AFRICA
Dara J
Cesaria Evora
Oumou Sangare
Rokia Traore

MIDDLE EAST & NORTH AFRICA
Mercan Dede
Kazem El Saher
Khaled
Souad Massi

ASIA PACIFIC
Huun-Huur-Tu
Trilok Gurtu
Sevara Nazarkhan
Munadjat Yulchieva

EUROPA
Ojos de Brujo
Kroke
Tamara Obravac
Radio Tarifa

BOUNDARY CROSSING
Bob Brozman
Manu Chao
DuOuod
Think of One

NEWCOMER
Ojos de Brujo
Cibelle
Sevara Nazarkhan
Warsaw Village Band

CLUB GLOBAL
Mercan Dede
DJ Dolores & Orchestra Santa Massa
Panjabi MC
Zuco 103


Nomeados para os Prémios folk da BBC Radio 2 <7a>(2004)


FOLK SINGER OF THE YEAR

Bob Fox
Eliza Carthy
Kate Rusby
June Tabor

BEST DUO

Andy Cutting & Karen Tweed
Chris While & Julie Matthews
John Spiers & Jon Boden
Show of Hands

BEST GROUP

Danú
Eliza Carthy Band
Kate Rusby Band
The Waifs

BEST ALBUM

An Echo Of Hooves - June Tabor
Righteousness & Humidity - Martin Simpson
Sweet England - Jim Moray
Underneath The Stars - Kate Rusby

BEST ORIGINAL SONG

Co. Down - Tommy Sands (performed by Danú)
Country Life - Show of Hands
My Love Is In America - Chris Leslie (performed by Bob Fox)
Underneath The Stars - Kate Rusby

BEST TRADITIONAL TRACK

Early One Morning/Young Collins - Jim Moray
Hughie Graeme - June Tabor
Lord Bateman - Jim Moray
Prickle Eye Bush - John Spiers & Jon Boden

HORIZON AWARD

Dr Faustus
Jim Moray
John Dickinson
Whapweasel

MUSICIAN OF THE YEAR

Andy Cutting
Dave Swarbrick
John McCusker
Martin Simpson

Grammys 2003. Nomeações com relevância para as músicas do mundo:

9. Pop Instrumental Performance: "Patricia," Ry Cooder and Manuel Galban; "Marwa Blues," George Harrison; "Honey-Dipped," Dave Koz; "Seabiscuit," Randy Newman; "The Nutcracker Suite," The Brian Setzer Orchestra.

10. Pop Instrumental Album: "Peace," Jim Brickman; "Mambo Sinuendo," Ry Cooder and Manuel Galban; "Wishes," Kenny G; "N.E.W.S.," Prince; "Night Divides the Day: The Music of the Doors," George Winston.

51. Latin Jazz Album: "Cuban Odyssey," Jane Bunnett; "Live at the Blue Note," Michel Camilo with Charles Flores and Horacio "El Negro" Hernandez; "Birds of a Feather," Caribbean Jazz Project; "Isla," Mark Levine & The Latin Tinge; "New Conceptions," Chucho Valdes.

," Fresh I.E.; "Jekyll and Hyde," Petra; "Unclassified," Robert Randolph & The Family Band; "Two Lefts Don't Make a Right ... But Three Do," Relient K.

53. Pop/Contemporary Gospel Album: "Furthermore -- From the Studio: From the Stage," Jars of Clay; "Adoration: The Worship Album," Newsboys; "Stacie Orrico," Stacie Orrico; "Worship Again," Michael W. Smith; "Offerings II," Third Day.


54. Southern, Country, or Bluegrass Gospel Album: "Wondrous Love," Blue Highway; "The Walk," The Crabb Family; "A Cappella," Gaither Vocal Band; "Always Hear the Harmony: The Gospel Sessions," Engelbert Humperdinck, The Blackwood Brothers Quartet, The Jordanaires and The Light Crust Doughboys; "Rise and Shine," Randy Travis.

55. Traditional Soul Gospel Album: "It's Your Time," Luther Barnes & The Sunset Jubilaires; "Go Tell It on the Mountain," The Blind Boys of Alabama; "Shirley Caesar & Friends," Shirley Caesar & Friends; "Believe," Aaron Neville; "Songs to Edify," The Sensational Nightingales; "Gotta Serve Somebody: The Gospel Songs of Bob Dylan," Various Artists.

56. Contemporary Soul Gospel Album: "Follow the Star," T.D. Jakes and Various Artists; " ... Again," Donnie McClurkin; "Make Me Better," Ann Nesby; "The Gospel According to Jazz Chapter II," Kirk Whalum; "Bringing It All Together," Vickie Winans.

57. Gospel Choir or Chorus Album: "Blessed by Association," New Life; "CeCe Winans Presents ... The Born Again Church Choir," Born Again Choir; "Live in Nashville," Chicago Mass Choir; "Speak Life," Colorado Mass Choir; "A Wing and A Prayer," The Potter's House Mass Choir.

58. Latin Pop Album: "Sincero," Chayanne; "Lo Que Te Conte Mientras Te Hacias La Dormida," La Oreja De Van Gogh; "Natalia Lafourcade," Natalia Lafourcade; "33," Luis Miguel; "No Es Lo Mismo," Alejandro Sanz.

59. Latin Rock/Alternative Album: "Proyecto Akwid," Akwid; "Cuatro Caminos," Cafe Tacuba; "Siempre Es Hoy," Gustavo Cerati; "Superriddim Internacional," El Gran Silencio; "Dance and Dense Denso," Molotov; "President Alien," Yerba Buena.

60. Traditional Tropical Latin Album: "Buenos Hermanos," Ibrahim Ferrer; "Poetas Del Son," Septeto Nacional Ignacio Pineiro; "Pasado y Presente," Soneros De Verdad Presents Rubalcaba; "Barbarito Torres," Barbarito Torres; "Bajando Gervasio," Amadito Valdes.

61. Salsa/Merengue Album: "Regalo Del Alma," Celia Cruz; "Latin Songbird: Mi Alma y Corazon," India; "Le Preguntaba a La Luna," Victor Manuelle; "Tequila y Ron ... A Tribute to Jose Alfredo Jimenez," Ismael Miranda; "Perseverancia," Tito Rojas; "Musica Universal," Truco & Zaperoko.

62. Mexican/Mexican-American Album: "Siempre Arriba," Bronco El Gigante De America; "Nuestro Destino Estaba Escrito," Intocable; "La Reina Del Sur," Los Tigres Del Norte; "Imperio," Los Tucanes De Tijuana; "Afortunado," Joan Sebastian.

63. Tejano Album: "Frijoles Romanticos," Frijoles Romanticos; "Un Poco De Cambio," Eddie Gonzalez; "Si Me Faltas Tu," Jimmy Gonzalez y El Grupo Mazz; "Despues De Todo," Milagro; "Montame," Bobby Pulido.

68. Native American Music Album: "Reveal His Glory," Tom Bee; "Flying Free," Black Eagle; "Brotherhood," Black Lodge Singers; "Sanctuary," R. Carlos Nakai; "Still Rezin'," Northern Cree.

69. Reggae Album: "Friends for Life," Buju Banton; "Freeman," Burning Spear; "Dutty Rock," Sean Paul; "Ain't Givin' Up," Third World; "No Holding Back," Wayne Wonder.

70. Traditional World Music Album: "Kassi Kasse," Kasse Mady Diabate; "Jibaro Hasta El Hueso: Mountain Music of Puerto Rico," Ecos De Borinquen; "The Rain," Ghazal; "Capoeira Angola 2 -- Brincando Na Roda," Grupo de Capoeira Angola Pelourinho; "Without You," Masters of Persian Music; "Sacred Tibetan Chant," The Monks of Sherab Ling Monastery.

71. Contemporary World Music Album: "Voz D'Amor," Cesaria Evora; "The Intercontinentals," Bill Frisell; "Nothing's in Vain (Coono du Reer)," Youssou N'Dour; "Specialist in All Styles," Orchestra Baobab; "Live in Bahia," Caetano Veloso.

Publicado por Luís Rei às 03:05 AM | Comentários (5)