« SUSHEELA RAMAN: entre o céu e o inferno | Entrada | Marroquina AMINA ALAOUI, hoje à noite, no Santiago Alquimista »
dezembro 05, 2003
KLEZMATICS: alegria rabina
Sons em Trânsito, Teatro Aveirense, 29NOV03
De vez em quando, excelentes músicos têm direito a fazer disparates. Os Klematics cometeram tal acto, recentemente, ao gravar o tema meio gospel “I Ain’t Afraid”, em memória do 11 de Setembro. Não é que o motivo e a letra da canção não sejam nobres - “I ain’t afraid of your Allah(...), I’m afraid of what you in the name of god”, mas os arranjos são uma verdadeira xaropada. É a veia gay de Lorin Sklamberg no seu melhor. Mas gosto imenso deste tipo, à parte dos seus tiques afeminados (que até acabam por ter uma certa graça). É um excelente acordeonista e um dos principais motores criativos dos Klezmatics. Posto isto, que dizer da actuação desta calejada banda klezmer nova iorquina? Fabulosa nos momentos mais festivos. Meio chatinha nas baladas interpretadas por Lorin e nos devaneios religiosos. Ia com um certo pé atrás relativamente aos Klezmatics, pois a única vez que os vi ao vivo foi há cerca de cinco anos atrás (não estive no Cais do Gás há 3 anos), durante a apresentação do álbum “The Well”, de parceria com a diva israelita Chava Albertstein. Aí haviam sido mornos, morníssimos. Cabaret da coxa a mais.
Em Aveiro, (como em Lisboa, segundo comentários que ouvi) mostraram todos os dotes que se lhe reconhecem: a energia da festividade casamenteira hasídica, interpretada por reputados músicos da escola “downtown” nova iorquina. “Man In The Hat”, logo de início, tema de abertura do melhor álbum dos Klezmatics (“Jews With Horns” - 94), foi um bom prenuncio para a cavalgada que se seguiu e que empolgou toda a assistência para hora e meia de celebração. Bonita a forma como o público do Teatro Aveirense chamou a banda ao palco para os encores: entoando os “oi oi ois” típicos da klezmer festivaleira em “Tepel”.
Os metais de Matt Dariau e de Frank London enchem todo o palco. Não só pela força e virtuosismo dos instrumentistas, mas pela forma de estar em palco. Matt, embora mais recatado, é extremamente eficiente e virtuoso. Sinta-se a elegância do clarinete baixo em “Perents-Tants” em despique com o trompete de London. Ele que é uma das figuras mais fascinantes do universo das músicas do mundo e que detém larga maioria do capital de carisma dos Klezmatics. Não só em palco, tocando trompete com uma mão e teclados com outra, como fora dele, sobretudo ao falar de forma mais expressiva na mímica, do que na fonética. Lisa Gutkin, violinista, é outro dos principais polos enérgicos. A sua extrema boa disposição e solos flamejantes há muito que já fizeram esquecer Alicia Svigals. Magníficos. Venham cá mais vezes.
Publicado por Luís Rei às dezembro 5, 2003 05:19 PM
Comentários
Ohh Yggdrasil,
essa do comentário:
"Não é que o motivo e a letra da canção não sejam nobres - “I ain’t afraid of your Allah(...), I’m afraid of what you in the name of god”, mas os arranjos são uma verdadeira xaropada. É a veia gay de Lorin Sklamberg no seu melhor. Mas gosto imenso deste tipo, à parte dos seus tiques afeminados (que até acabam por ter uma certa graça). "
Não era dispensável?
Até parece que os gays só fazem xaropadas... e nós até gostamos deles apesar dos tiques. Gostamos porque gostamos, não achas?
Desculpa o comentário - ainda por cima não tem haver com a música e o desempenho do concerto -mas achei que o devia fazer.
Beijinhos
Que venham mais e bons concertos como os que tivemos em Aveiro e que nos encontremos, claro!
Chilango
Publicado por: Chilango Power às dezembro 6, 2003 01:08 AM
Era de facto dispensável, Raquel. Tomei a parte pelo todo. Há bons e maus músicos, boas e más músicas em toda a parte, sejam feitas por gays ou não.
Publicado por: Yggdrasil às dezembro 10, 2003 11:22 AM