« Prémios de músicas do mundo da BBC Radio 3: as nomeações | Entrada | Foi você que pediu um “programão” de MPB? »

novembro 08, 2003

Encontros Crónicas da Terra #2: O rescaldo.

A oferta de discos não superou a do anterior encontro. “Zion Roots” de Abyssinia Infinite, projecto da etíope Ejigayehu “Gigi” Shibabaw e do norte-americano Bill Lawsell, foi o que mais se destacou.
A grande surpresa residiu na audição do novo disco de Lhasa, “The Living Road”, trazido pelo Jota, que acabou de o “sacar” no Kazaa. Além de castelhano, a canadiana canta agora também em francês e em inglês. Opção que dá ao disco uma versatilidade e um desequilíbrio em rota de colisão com o anterior registo “La Lhorona”.
De registar o amor e o ódio em perfeita comunhão, gerado pelo recente dos irlandeses Dervish, “Spirit”, o generalizado franzir de sobrolho ao projecto catalão Ojos de Brujo e a indiferença perante “Kalmut” de Kimmo Pohjonen.

Publicado por Luís Rei às novembro 8, 2003 11:44 PM

Comentários

Caros amigos,

Só um pequeno comentário: Os Ojos de Brujo são uma das bandas mais interessantes da actualidade. Conseguem atrair a juventude, o pessoal do hip hop e da rumba e são muito respeitados pelos puristas do flamenco da antiga geração!! E ao vivo são verdadeiramente arrebatadores. Deram o melhor concerto que eu vi em 2003 e se alguém que vier ao SET vê-los, não gostar, eu garanto a devolução do preço do bilhete!!! Sâo extraordinários ao vivo! O Kimmo é único, a Gigi é excelente, a Lhasa é enfeitiçante e os Dervish são uma lenda viva embora tb ache que já viveram melhores dias. Um abraço a todos e em especial ao Luís Rei pela iniciativa, coragem e persistência na divulgação de música do mundo.

Publicado por: Vasco Sacramento às novembro 9, 2003 03:38 AM

Gostei muito do encontro. É bom descobrir discos escolhidos com o bom gosto do Luis entre um chá de menta e vários interessados à roda do 'balcão' do DJ. Para o mês que vem espero repetir!

Luis, obrigada pelo CD. Já o ouvi e preparo-me, agora, para a segunda audição de alguns temas. Também fiquei surpreendida com “Zion Roots” de Abyssinia Infinite... Tão surpreendida que acho que vou procurar o disco!

Beijinhos,
Sara

Publicado por: Sara Figueiredo Costa às novembro 9, 2003 06:12 PM

Sobre a Lhasa, para os Srs da SPA: eu VOU comprar o CD, assim q for editado em Portugal! ;-) ok?!

Sobre o que passou no Sábado, tb gostei bastante do "Zion Roots", bem como do "Tuva Rock" dos Yat-kha.

Tb me despertou alguma curiosidade o "Oihan" dos Bidaia e o "Silta" do Markku Lepisto.

Finalmente, sobre o "ódio" ao Spirit, simplesmente me parece um disco irlandês sem novidades, q já n me desperta interesse. Sobre o Kimmo Pohjonen, faço toda a intençao de ir ao concerto do Sons em Trânsito, e despertou-me curiosidade, mas não para estar a ouvir de pé num bar. :-) Longe de "indiferença"!

Até 'a Próxima! :-)

Publicado por: jota às novembro 9, 2003 07:19 PM

O Arab do Forum Sons abriu um thread dedicado aos encontros, que merece ser lido aqui:

Antes do encontro umas palavras para: que bom é escrever umas notas breves desse encontro, depois de ouvir o programa da raquel bulha na a 3. ainda bem que na 3 alguém deu a cabeçada na parede certa, desta vez. Boas mudanças na 3 grandes regressos (a costa e m quintão e n calado ao seu horário) e este programa que há tanto tempo era pedido pelos ouvintes da 3, que ainda a ouvem e esperam que as mudanças continuem para muito melhor.

Ainda falando de rádio, e não é por acaso que falo aqui dela, já que os encontros são quase um programa de rádio, melhor ainda, é um verdadeiro programa de rádio totalmente interactivo, de profunda partilha e comunicação como a rádio já foi, às vezes ainda é, e que deveria ser sempre.

Acerca do encontro, foi um encontro de fim de tarde, bastante agradável, que recomendo a todos. Eu próprio estava completamente à toa por vezes hehe com as referências e sons ouvidos, mas com um espírito enorme de descoberta. Que penso ser o mesmo espírito que vagueia por este fórum, por isso, espero ver mais gente para as próximas.

A descoberta ainda continua por aqui, no cd disponibilizado pelo Luís Rei. Obrigado.

Muito bem, entre boa conversa e alguns bons copos tb, a gigi legislou por completo. Completamente enfeitiçante. Houve momentos em que ninguém dizia nada, de tal forma estava tudo inebriado pelos sons de “zion roots” de Abyssinia Infinite. Deslumbrante.

Gostei também muito dos bascos, mas já me escapou o nome. : )

O Kimmo de quem eu já me fartei de ler, não me tocou como julgava que tocaria... mas vou ouvir com mais atenção os temas aqui no cd, e procurar o outro álbum.

Agora a Lhasa. Para mim um dos regressos mais esperados, que ansiava há muito. Até hoje ainda não deixei de ouvir regularmente a “la llorona”. Aliás, confissão que todos fizeram no encontro : ). Acerca do que ouvi, a 1º canção é da Lhasa. Não há dúvida. Aquela voz, o dramatismo, a emoção levada ao extremo, algo de muito próximo que não se consegue explicar. Agora os temas em inglês... eu não sei muito bem o que dizer. Um tipo estranha, não há dúvida, ainda mais se conhecer muito bem a “la llorona”, mas logo que ouvi o 1º tema em inglês, aquela forma de cantar, a voz, fez-me logo lembrar alguém. A chan marshall.

Um fim de tarde muito agradável. Abraços a todos. E mais uma vez, obrigado pelo cd, luís rei.

Para a próxima espero estar presente outra vez.

Arab

Publicado por: Yggdrasil às novembro 10, 2003 02:36 PM

Obrigado pela presença e pelas palavras do Vasco, da Sara, do Jota, do Arab e do César no thread do Forum Sons. É mesmo com esse espírito interactivo de rádio que pretendo que sejam os encontros. E o de Aveiro, no Navio de Espelhos, terá muito isso. Proponho - antes do concerto do Kimmo Pohjonen -"repescar" inovadores da folk finlandesa e nórdica (Niekku, Tuulenkantjat, Tellu Virkkala, Hannu Saha, Andrew Cronshaw - no BI dele diz reino unido mas considero-o finlandês - Heikki Leitinen, Ottopaasuna, etc), além de abrir a porta a novos discos.

Já agora, alguns reparos. Não houve indiferença no Kimmo, mas sim no disco deste. Quem o conhece prefere o "Kielo" e o "Kluster" ao "Kalmut" (franzem o nariz à orquestra).

Relativamente ao espírito Dervish e da música tradicional irlandesa, são fazes pelas quais passamos. De repente, já estamos saturados ou de folk irlandês, ou de bossa nova, ou de guitarras que certos discos que aparentam mais do mesmo acabam por ser injustamente postos de lado. A esperança é que, passada essa fase, o espírito saudosista faz-nos escutar novamente esses discos. E havemos de perguntar nós: - por que é que não descobri este fabuloso disco antes?

Publicado por: yggdrasil às novembro 10, 2003 02:43 PM

Já agora, um pequeno aperitivo acerca do disco da Gigi, sobre o qual tenciono escrever em brave, declaradamente apaixonado.

A Gigi é uma das meninas bonitas do Bill Laswell. O álbum anterior, além da produção deste senhor, teve ainda participações de Herbie Hancock e Wayne Shorter. Um disco que se ouve do princípio ao fim e sobre o qual não consigo encontrar faixas fracas. Já este "Zion Roots" eleva ainda mais a fasquia. Porque o espírito do deserto se encontra bem mais presente (em detrimento de um certo urbanismo do álbum anterior) e as raízes etiopes são também elas de maior profundidade. O Bill Laswell também produz este disco, mas deixa o "deserto" respirar. Tem um trabalho o mais "low profile" possível. Encantatório.

Publicado por: Yggdrasil às novembro 10, 2003 02:44 PM

Então em relação ao encontro, aqui vão umas notas muito desordenadas :-)

Sinal +: A Gigi mais o Bill Laswell, e a viagem instantanea para a Etiopia mais antiga e mais "religiosa". Ouvir aquelas canções intimistas, com o sabor do vento do deserto é realmente muito bom. Os Bidaia causaram-me uma excelente impressão, e no caso do Kimmo Pohjonen calhou passar o álbum com orquestra, talvez o que gosto menos, mas ainda assim tem o meu sinal +. Para a compilação da Crammed, pois então.

Sinal -: para os Ojos de Brujo, um projecto francamente comercial e pouco interessante. O Bulgaro cigano que passaste também me pareceu fraco.

Sinal + ou -: para os Dervish, parece mais do mesmo, deixou-me assim/assim. Para a Lhasa, bela a cantar em castelhano, normal a cantar em inglês. Mas é disco para comprar, ainda assim. Para o Manecas, que poderá ter qualidadesm mas a música dele deixa-me indiferente. Para a compilação de música da India: um tema muito mau, e 2 que não desgostei. Para o Marcos Valle, são canções boas, mas vinha acabado de ouvir Tom Zé em casa, assim tudo o resto que vem do Brasil parece pálido.

Acho que me esqueci de algo. Vai para o "sinal neutro", sinal de que não prestei atenção :-)

Abraços para todos, que vou conhecendo. O Luis e o Arab já conhecia, o Jota e o Tó conheci-os melhor neste encontro.

César

Publicado por: César Laia às novembro 10, 2003 03:45 PM

Olá pessoal; aqui ficam tb as minhas impressões do Encontro:

- o que mais gostei foi o tema do Mahmoud Ahmed (que é decididamente um nome que quero conhecer melhor) e tb do Markku Lepisto. Sem me terem convencido totalmente, achei alguma piada aos Yat-kha. O búlgaro e o Marcos Valle deixaram-me mais ou menos indiferente. O resto não me deixou uma impressão muito definida. Não gosto muito desse disco do Kimmo. A Gigi.. bem, não me deixou uma impressão tão forte como a vocês, decididamente :) Achei um som muito 'limpinho'... Mas tenho que ouvir melhor, porque as primeiras impressões às vezes enganam-me redondamente.

A Llasa... pois, fazer um La Llorona II era praticamente impossível, por isso até pode ter sido boa ideia ter feito algo bem diferente. É esperar para ouvir; ainda me lembro de que as primeiras duas vezes que ouvi o La Llorona torci um bocado o nariz, porque a intensidade com que ela cantava alguns temas bulia-me com os nervos :D depois é que se entranhou, e quando isso acontece, torna-se um disco para nos acompanhar sempre. Vamos ver que tal será este.

Saudações para todos (prazer em conhecer a Sara e o Arab - e tb o César, porque da outra vez falámos sem saber quem era quem, eheh...)

Publicado por: às novembro 10, 2003 06:31 PM

Tinha-me esquecido do Markku Lepisto!! Sim, gostei muito do tema passado :-) Também leva um "sinal +", não é sinal neutro!

E um sinal + ou - para Lunasa (a pouco e pouco relembro tudo).

E realmente da outra vez não consegui fixar os nomes... desta vez correu francamente melhor, nesse aspecto :-) O facto do Luís chegar atrasado ajudou um pouco!

Abraços!

César

Publicado por: César Laia às novembro 10, 2003 06:51 PM

Não fui, nem me parece possível que tal venha a ser possível devido à distância, mas ouvi os discos apresentados e gostava de acrescentar três coisas.

O disco do Manecas Costa é uma surpresa muito boa. Bem produzido e sem truques "world" para papalvos.
A guitarra do Manecas e a harpa do músico venezuelano combinam muito bem. Além do esmero sonoro, muito bem actualizado sem ser aquela coisa modernaça que por vezes estraga tudo.

Também gosto bastante dos dois discos dos Ojos de Brujo. Só demonstram que o flamenco e a rumba catalã podem ter outras nuances e evoluir para outros caminhos, ou não fosse o próprio flamenco uma grande viagem de influências que começou na India.

Os Dusminguet da catalunha também se movem por zonas semelhantes , embora sejam muito mais abrangentes nas influências. Uma festa.

Também já ouvi a Lhasa e gostei. A mulher não ficou presa ao disco anterior.

O Kimmo é um génio e não digo mais nada.
Só espero vê-lo em Aveiro.

Já agora, parabéns pelo excelente cartaz apresentado pelo Sons em Trânsito.

Publicado por: Rui C às novembro 20, 2003 01:43 PM