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novembro 15, 2003
A Rádio precisa de ti, Carlos
Não é habitual falar neste blog de outros assuntos a não ser de música. Música do mundo. Geralmente, do Terceiro mundo. E da música rural e esquecida do primeiro mundo. De vez em quando, o bicho da rádio inquieta-me. Mas hoje, não vou falar da agonia do formato ditatorial das formatações, dos grupos-alvos e da castração generalizada de grandes vozes da TSF: Aníbal Cabrita, Francisco Mateus, Mário Dias. Vou falar da TSF, sim, mas acerca de um jornalista: Carlos Raleiras. Na altura em que escrevo estas linhas, encontra-se sequestrado no Iraque. Como moeda de troca. Temo o pior. Mas tenho a esperança de que se vai safar. É uma daquelas esperanças que não se explica. Sente-se. Por que o Carlos Raleiras foi para lá pelo amor que tem à rádio. Não para duplicar ou triplicar o seu salário como muitos profissionais da guerra que gostam de manchar as mãos de sangue em conflitos que não lhes dizem o mínimo respeito. E esse amor irradia-se-lhe dos olhos. Através daquele olhar que tinha, há quase vinte anos, quando éramos colegas de carteira no nono ano do liceu de Queluz, em 86 ou 87, e começávamos a ser consumidos pelo tão famigerado “bicho”. Eu na Rádio A de Tires, na Onda Livre e na Horizonte da Amadora, ele na 40 de Queluz e na Nova Antena de Odivelas. Tal como um alpinista que não pára enquanto não chegar ao topo do Everest, repórter que se preze, não descansa enquanto não fizer a reportagem da sua vida. Como jornalista especializado em desporto automóvel que é, Carlos Raleiras fez várias reportagens da sua vida. No tórrido deserto do Sara, em pleno Paris - Dacar. Na terra de ninguém. Mali. Senegal. Mauritânia. Nomes artificiais de países para Ocidental decorar. Pois, os Diabatés e os Ballakés, existem no Senegal, na Gâmbia e no Mali. Mas, Carlos queria mais, ou não fosse o tal "bicho" uma droga cuja necessidade de ser consumida diariamente, obriga-nos por vezes a agir de forma irracional. Mesmo que tenhamos mulheres e filhos a tentar ligar-nos à terra. "Para a frente é que é Lisboa" e depois logo se vê. Volta depressa. A Rádio, sim a RÁDIO (não a TSF S.A.) merece que continues a fazer as tuas reportagens, por muitos e muitos anos. Com o mesmo gosto que demostravas na Rádio 40.
Publicado por Luís Rei às novembro 15, 2003 01:29 AM
Comentários
Nestas horas difíceis, só nos resta ter essa esperança de que tudo acabe em bem...
Publicado por: Leonel Vicente às novembro 15, 2003 11:33 AM
God save the queen! ;)
Publicado por: Yggdrasil às novembro 16, 2003 08:35 PM
Junto mais um nome: Ricardo Salo, (embora o possamos encontrar na Voox).
Quanto ao C.R. justificou com conhecimento pessoal aquilo que eu intuia derivado de o ouvir nos mais diversos trabalhos: e um grande reporter.
Cumprimentos.
Publicado por: Samuel às novembro 26, 2003 02:53 PM