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outubro 18, 2003

To be or not to be… Misia (or Mariza)

Pois é. Os ingleses que ainda não deram pela Cristina Branco e pela Mafalda Arnauth (editaram discos antes de Mariza ter rebentado, após as nomeações para os prémios da BBC radio 3), apressaram-se agora a falar sobre o novo disco de Mísia. É bom que as vozes portuguesas tenham agora um estatuto que nunca tiveram num país etnocêntrico, virado para o seu umbigo. É triste que o jornalista do Guardian perca mais de metade do texto a comparar Mísia com Mariza, sem gastar uma linha que seja para referir a influência Carlos Paredes em "Canto".

Thanks to the extraordinary success of Mariza, fado suddenly has a new international audience. But that has brought mixed blessings to other young exponents of the mournful, passionate national music of Portugal. Record companies are far more interested in fado than they were in the past, but comparisons with Mariza are now inevitable, especially if you happen to be called Misia.
She, too, is a young, stylish contender for the crown of the greatest fadista, the late Amalia Rodrigues, but favours cropped black hair and cocktail dresses rather than crimped blonde hair and gowns. Until now, Misia was often described as "the foremost contemporary fado singer", but that title is now clearly in dispute, and this new set shows why.
She has a fine, dramatic and suitably emotional voice and can switch with ease from tragic ballads to more stately, courtly songs (there's not much here in the way of lighter material), but on this showing she doesn't have Mariza's spine-tingling intensity.
Nor is she helped by her musicians: while Mariza's small and inventive band move fado forward, Misia is backed by a decidedly old-fashioned mixture of guitars and often cloying, sweeping strings. (Guardian, Friday Review – 17SET03)

Publicado por Luís Rei às outubro 18, 2003 04:27 PM

Comentários

um texto proprio de quem não entende nada de fado nem de musica no geral-mais um tonto que ainda não percebeu que Mariza não é mais do que uma fadista "de plástico", com uma grande máquina promocional atrás,que nem AMALIA algum dia possuiu! Imagine-se...(Se fizer a fineza de ler algumnas crínicas e textos do meu blog compreenderá a razão deste meu comment)

Publicado por: Valeria Mendez às outubro 24, 2003 08:48 AM

Cara Valéria, compreendo o seu ponto de vista. Não deixa de ter razão naquilo que afirma, no entanto deixe-me refutar a sua opinião.

1. Seja fadista de plástico, tenha ela uma máquina de promoção forte por trás, a Mariza ajudou a abrir as portas em Inglaterra à música portuguesa. O que é um facto notável dado a carácter etnocêntrico do povo britânico.

2. Embora tenha achado um pouco triste o texto do Robin Denselow sobre a Mísia, prefiro que se fale com imprecisões do que se ignore. Não é fácil falar sobre música portuguesa para um inglês, em que a maior parte dos booklets não tem versão inglesa ou francesa e em que quase nada há escrito (praticamente só uns textos no Rough Guide) sobre nós.

3. Num suplemento como o Friday Review do Guardian, onde geralmente há espaço somente para cinco críticas a discos na área da pop, o jornalista Robin Denselow comete a proeza de escrever todas as semanas sobre, pelo menos, um disco de músicas do mundo. Em três meses este senhor escreveu sobre mais discos desta área (Javier Ruibal, Kristi Stassinopoulou, Mariza, Misia, Abyssinia Infinite, Rokia Traoré - que mereceu honras de capa no referido suplemento - June Tabor, Kekele, Oumou Sangare, Oi Va Voi, Festival in The Desert, Malouma, Terry Hall & Mushaq, Debabshish Bhatacharya and Bob Brozman, Susheela Raman, Manecas Costa, Yat-kha, Lo Jo, Ibrahim Ferrer) do que os todos os suplementos musicais em portugal juntos. Como sabe, estes têm muito mais espaço para crítica de discos. Tirando os portugueses ainda só vi na imprensa portuguesa textos escritos sobre o novo disco Susheela Raman.

4. Quando é que nos dá mesmo a horna de a podermos ver ao vivo?

Publicado por: Yggdrasil às outubro 27, 2003 12:15 PM