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outubro 18, 2003
O poético mundo de Filipa Pais

Filipa Pais
À Porta do Mundo
(V&A)
É um caso raro. Com uma carreira tão profícua e quase uma década após ter editado álbum de estreia a solo “L’Amar”, Filipa Pais lança finalmente o seu segundo disco, “À Porta do Mundo”. É, de facto, uma porta para um mundo imaginário e inocente (as imagens remetem-nos para o universo de Principezinho de Exupery), fantástico, belo, poético. Um universo amadurecido e com os pés bem assentes na terra. Há ecos de tradição (“Não Se Me Dá Que Vindimem”, “Altinho”, “José Embala o Menino”) e das medievais Cantigas de Amigo de D. Sancho I, moldados pela contemporaneidade dos elegantes arranjos de João Paulo Esteves da Silva, criando um luxuriante universo para a voz cristalina e, por vezes arabizada (marcas da Lua Estravagante) de Filipa. O disco é feito de subtilezas que é preciso descobrir: Há a poesia de Cesariny, Reinaldo Ferreira e Hélia Correia. Há adufes que retumbam e bandolins a saltitar como a pulga, acordeões ora alegres e festivos, ora trágicos e sombrios, uma límpida guitarra infinita que se prolonga além horizonte, uma gaita de foles que pede licença para entrar, o toque mais clássico de violino de Manuel Rocha (bem diferente do registo da Brigada Vítor Jara), o virtuosismo de Yuri Daniel (contra-baixo) e de J.P. Silva (Piano) em “Cantiga de Amigo”. É mais um daqueles discos que irá manter acesa a discussão do que é ou não é Música Popular Portuguesa. Não há fronteiras estanques. Os mais puristas que torcem o nariz às experiências mais clássicas da Ronda dos Quatro Caminhos, têm de perceber que o mundo actual é feito de contaminação e miscigenação. E nunca como aqui o universo da música tradicional se encontra tão próximo do jazz. E ainda bem.
Publicado por Luís Rei às outubro 18, 2003 06:18 PM
Comentários
vi-a em coimbra, com muita pena de estarem apenas perto de 50 pessoas a ver. no entanto foi um dos melhores concertos e mais emocionantes que vi. além disso os disco é lindo, dá vontade de ouvir sem parar.
Publicado por: daniel crespo às dezembro 3, 2003 12:22 PM
os portugueses sao cada vez mais parvos por se agarrarem á musica inglesa. e pena tambem a maioria das radios nao valorizarem o que é nosso.
la fora os estrangeiros dao mais valor á nossa lingua que nós. componho musica portuguesa e tenho que correr á inspiraçao fora d potugal pra me inspirar porque cada vez que quero ouvir musica so oiço ingles.
Prarabens Filipa Pais por preservares o pouco q ainda há em portugal. com este cd fazes renascer a musica portuguesa das cinzas
Publicado por: Agostinho às setembro 19, 2004 06:59 PM