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outubro 22, 2003
BIDAIA: Vespeiro basco

Bidaia
Oihan
(Resistencia / Sabotage)
Nem só de trikitixas e txalapartas é feita a folk basca. A par destes dois instrumentos, a alboka (que, curiosamente, dá nome ao interessante grupo de Joxan Goikoetxea) assume tão ou maior protagonismo no Euskadi. A sua sonoridade estridente, semelhante à bombarda bretã, casa na perfeição com a sanfona ocitana de Caroline Philips, oferecendo-nos um autêntico vespeiro a azamboar os nossos ouvidos. Ressonância amplificada pela acção do cordofone percutido local e milenar, Ttun-ttun (da família dos saltérios), feita com um nervo próprio do rock sem, contudo, ceder à tentação de amplificar instrumentos. Pequenos pormenores suficientes para falarmos da filiação Blowzabella e Hedningarna (apenas no pendor dançável e ressonante, se bem que não haja quaisquer vestígios de uma fusão acústica – eléctrica, mas a atitude paira por cá). Contudo, os Bidaia vão mais longe. Não há frente sem dorso. Não há música profundamente arreigada sem olhar para o resto do mundo. Apesar de cantarem em euskera, marcando firmemente a sua identidade, a música dos Bidaia viaja pelo mundo e pelo tempo. O saxofone e o contrabaixo imprimem um pendor mais jazzístico. As percussões de Jabi Area – darbouka marroquina e, sobretudo o cajon andaluz – dão-lhe uma cadência árabe-andaluz, que serve um propósito comum: o apelo irresistível à dança. Uma banda perfeita para o Andanças. (8/10)
Publicado por Luís Rei às outubro 22, 2003 07:11 AM