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setembro 17, 2003
AT-TAMBUR:A VELHA (NOVA) EUROPA

At-Tambur, teatro Gil Vicente, 13 de Setembro
Gostei de ver os At-Tambur no passado Sábado em Cascais. Além de me ter sido dado a oportunidade de conhecer mais um teatro histórico (o Gil Vicente, tão bonito quanto o Lethes de Faro), o projecto mostrou em palco todas as credenciais de se tratar, actualmente, de uma das mais interessantes propostas nacionais de miscigenação de várias correntes e épocas da folk europeia. Longe vão os tempos em que se limitavam a servir de banda de animação de bailes de música tradicional, popularizados pelo Festival Andanças. Nessa noite assistimos a uma banda personalizada. Que sabe muito bem planear um espectáculo. Foi bonito ver-se a coreografia de duas bailarinas em .Arabesca. e o sapateado à .River Dance. (às três dançarinas só faltou mesmo uma posição mais hirta e conseguirem chegar com os pés à altura das suas cabeças) em .Jig Horizonto / Dança do Urso..
Um jig? Um scotish? Um bourre? Uma mazurca? Não os podem acusar de não serem portugueses. Nem tão pouco de serem irlandeses, suecos ou franceses. Tudo soa a At-Tambur. Com os defeitos e as virtudes relevados em disco e confirmados em palco. Não é por acaso que um projecto que trabalha sobre uma matriz de música tradicional granjeia facilmente a simpatia de uma rádio como a Antena 2, sendo uma presença assídua no programa da manhã de Vítor Nobre. Os At-Tambur, tem uma abordagem clássica do seu repertório, influenciada, certamente, pela rígida formação de alguns músicos, que os torna algo formais. No entanto, a postura em palco de um certo distanciamento, não condiz com a sua vontade de inovar, de reescrever à sua imagem uma dança klezmer (.Israelita.). Sérgio Crisóstomo (violino) e Tiago Costa-Freire (Flautas), dois dos músicos mais bem formados (na escola clássica), foram os principais transgressores do formalismo que o projecto respira. Sérgio, o .carregador de piano. e o principal pirómano, foi impulsionador mor das saudáveis explosões que fizeram levantar o público das cadeiras. Tiago, o criativo que tem asas . ele voa, voa, voa . é o músico vagabundo, de toque nervoso e mais rápido que a sombra. Anda por toda a parte. Ele é uma das principais almas dos At-Tambur. Escute-se os aerofones em .Arabesca. e .Sueca.. Por aqui passa a sede que o colectivo tem de revolução. O Tiago é, pois, a candeia que os ilumina.
Mais discretos, mas não menos importantes, de realçar também o interessante trabalho da dupla bateria e contrabaixo que, em registo jazzístico, estendem o tapete rítmico, com uma grande dose de classe e subtileza, contribuindo decisivamente para a idiossincrasia dos At-Tambur. A cereja em cima do bolo.
Publicado por Luís Rei às setembro 17, 2003 04:51 AM