« agosto 2003 | Entrada | outubro 2003 »
setembro 30, 2003
A nova casa das Crónicas da Terra
Por aqui vão continuar a passar as músicas do mundo.
Publicado por Luís Rei às 11:11 AM | Comentários (3)
setembro 29, 2003
AS SETE VIDAS DOS DAZKARIEH
Não sei onde é que eles foram arranjar o nome. Mas na capa do disco de estreia deste colectivo lisboeta, pode ler-se que Dazkarieh é "uma palavra mágica de origem praticamente desconhecida. Talvez signifique o arrebatar de energias que se dê quando vários mundos, essências e influências se tocam, capaz de nos fazer fluir por entre momentos intimistas e outros de grande expansividade". Palavras certeiras que funcionam como um adequado "Mission Statement" da banda. Quem os viu a semana passada ao vivo no antigo Cine Plaza da Amadora e quem escuta o seu disco de estreia, é levado pelo ar, por vários universos, como se tivesse sido arrebatado por um furacão que passa repentinamente pelo Mediterrâneo, pela Europa de Leste e por África. A música dos Dazkarieh sente o pulsar do universo. É apátrida e intemporal. Vagueia por todo o lado, por várias épocas, não se fixa em lado nenhum. É um encanto e um arrebatamento de contradições. Assenta na comunhão entre a veia tribal de Filipe Neves, comandante de uma "orquestra" de percussões africanas e a criatividade e a delicadeza harmónica Vasco Ribeiro Casais, em bouzouki, flauta e gaitas. Louve-se o risco e a ambição de criar a música de raiz pelas próprias mãos, sem qualquer repertório de recolha, louve-se a ousadia de nada ecoar a portugalidade (apesar de Vasco prometer explorar as nossas tradições no próximo álbum que estão neste momento a preparar). Mas nem tudo o que luz é ouro. Por vezes, os confrontos entre o tribalismo negro e o "classicismo" da folk europeia ao serviço das antigas casas de dança, é inevitável. Não tanto em disco. Mas mais visível ao vivo. Isso desculpa-se, se atendermos ao facto de os Dazkarieh apresentarem na passada semana sete novos elementos (de onde se destaca o fulgor à irlandesa do violino de Maria Gonçalves), restando apenas os dois elementos e principais mentores do projecto, já referidos. No final do espectáculo houve quem os congratulasse por se parecerem com os Dead Can Dance. Também, mas essa faceta é apenas uma pequena porção do puzzle sonoro que os Dazkarieh apresentam. Há vozes femininas oníricas, que nos levam a deitarmo-nos nas nuvens e a contemplar a terra (qual Lisa Gerrard em Cly). Mas a ligação ao solo, quer através de um certo xamanismo, quer através do poder do tambor e da fantasia medieval-celto-mediterrânica (um pouco ao estilo de Ghalia Benali), ávida de tecnologia para ser o ingrediente perfeito numa pista de dança trance / house, provoca-nos estados de espírito bem mais turbulentos. Um projecto com uma grande margem de progressão que precisa apenas de tornar um pouco mais consistente o seu espectro sonoro, balizando um pouco melhor o raio de inspiração.
Publicado por Luís Rei às 06:10 AM | Comentários (2)
ENCONTROS DE MÚSICAS DO MUNDO NO AGITO
As Crónicas da Terra vão sair à rua. O repto já foi dado na lista de discussão. Este blogue vai pôr os seus leitores a ouvir a música sobre a qual fala. Todos os meses, marcamos encontro no bar Agito (ao Bairro Alto, Lisboa) para darmos conta das novidades discográficas na área da folk / músicas do mundo. O primeiro encontro ocorre já no próximo sábado, entre as 18h e as 20h.
Lista de possíveis audições no encontro de músicas do mundo (Bar Agito, 1ª semana de Outubro):
Skatalites . From Paris With Love
Vários . Electric Gypsyland (temas de Taraf de Haidouks e Kocani Orkestar remisturados por Señor Coconut, DJ Dolores, Juryman, Arto Lindsay, Shantel, entre outros)
Cordel do Fogo Encantado . O Palhaço do Circo sem Futuro
Voz de Cabo Verde . Ao Vivo
Sainkho . Who Stole the Sky?
Klezmatics . Rise Up!
Debabish Bhattacharya & Bob Brozman . Mahima
Joyce & Banda Maluca . Just a Little Bit Crazy
Bau . Silêncio
Cesária Évora . Voz D.amor
Pedro Caldeira Cabral . Memórias da Guitarra Portuguesa
Faltriqueira - Faltriqueira
Sam Mangwana . Cantos de Esperança
Africando - Martina
Parissa & Ensemble Dastan . Shoorideh
Ipanemas . Afro Bossa
Anders Norudde - Med Hull Och Har
The Poozies . Changed Days, Same Roots
L.Ham de Foc . Canço de Dona I Home
Batata Y Su Rumba Palenquera . Radio Bakongo
Publicado por Luís Rei às 01:07 AM
setembro 22, 2003
SONS EM TRÂNSITO II: EM NOVEMBRO, AVEIRO É CAPITAL NACIONAL DAS MÚSICAS DO MUNDO

Susheela Raman
O festival de músicas do mundo Sons em Trânsito quer entrar definitivamente no parco circuito obrigatório nacional que tem em Sines, Sendim e Seixal (vamos lá a ver o que é que nos reserva 2004) como pontos de passagem obrigatórios da celebração multicultural.
Os norte-americanos Klezmatics, a .sami. norueguesa Mari Boine, a indiana Susheela Raman, o finlandês Kimmo Pohjonen, o guineense Manecas Costa, a brasileira Cibelle, os catalães Ojos de Brujo e o projecto nacional At-Tambur dão corpo a um cartaz suculento e apetitoso.
A segunda edição do Sons em Trânsito terá lugar, entre 20 e 30 de Novembro, no teatro Aveirense. Em breve, as Crónicas da Terra farão uma antevisão do festival com uma análise à discografia de cada interveniente.
O alinhamento do festival está assim ordenado:
20 - At-Tambur
21 - Cibelle
22 - Ojos de Brujo
27 - Manecas Costa
28 - Kimmo Pohjonen
29 - Susheela Raman + The Klezmatics
30 - Mari Boine + Actuação de dj´s de músicas do mundo
Publicado por Luís Rei às 05:08 PM
setembro 20, 2003
AGENDA' RODRIGO LEÃO Hoje
RODRIGO LEÃO
Hoje e amanhã (22:00h): Teatro Tivoli -Lisboa
DAZKARIEH
Hoje (21:30h): Recreios da Amadora
22SET03 (17:30): Almada (Pr da Liberdade)
TUCANAS
Hoje: Entroncamento
Amanhã: Famalicão
01OUT03: Fonoteca de Lisboa
CHOCALHOS 2003 . CAMINHOS DA TRANSUMÂNCIA NO FUNDÃO
Hoje e amanhã . Fundão
Mais informação aqui
BAU + VOZ DE CABO VERDE
27SET03 (21:30h): Aula Magna . Lisboa
BAU
24SET03 (18:00h): Auditório da RDP - Lisboa
30SET03 (21:30h): FNAC Colombo
01OUT03 (21:30h): FNAC Almada
02OUT03(18:00h): FNAC Chiado
03OUT03(19:30h): FNAC Cascais Shopping
CORO DOS TRIBUNAIS: TRIBUTO A ADRIANO CORREIA DE OLIVEIRA
Com Manuel Rocha, Zeca Medeiros, Sérgio Mestre, João Domingos, Gil Alves, Paulo Borges, Luís Simões, Rogério Pires e Manuel Portugal
03OUT03 (21:45h): Auditório do CEFAS - Águeda
Mais informação no site da Associação Cultural d.Orfeu
GAITEIROS DE LISBOA
05OUT03 (21:30H): Ovibeja, Beja
CARLOS DO CARMO
11OUT03: Coliseu Dos Recreios . Lisboa
celebração de 40 anos de carreira com a participação de Sinfonieta de Lisboa, Carlos Bica, Júlio Pereira, Ricardo Dias, Ricardo Rocha e Walter Hidalgo
Publicado por Luís Rei às 03:53 PM
setembro 17, 2003
AT-TAMBUR:A VELHA (NOVA) EUROPA

At-Tambur, teatro Gil Vicente, 13 de Setembro
Gostei de ver os At-Tambur no passado Sábado em Cascais. Além de me ter sido dado a oportunidade de conhecer mais um teatro histórico (o Gil Vicente, tão bonito quanto o Lethes de Faro), o projecto mostrou em palco todas as credenciais de se tratar, actualmente, de uma das mais interessantes propostas nacionais de miscigenação de várias correntes e épocas da folk europeia. Longe vão os tempos em que se limitavam a servir de banda de animação de bailes de música tradicional, popularizados pelo Festival Andanças. Nessa noite assistimos a uma banda personalizada. Que sabe muito bem planear um espectáculo. Foi bonito ver-se a coreografia de duas bailarinas em .Arabesca. e o sapateado à .River Dance. (às três dançarinas só faltou mesmo uma posição mais hirta e conseguirem chegar com os pés à altura das suas cabeças) em .Jig Horizonto / Dança do Urso..
Um jig? Um scotish? Um bourre? Uma mazurca? Não os podem acusar de não serem portugueses. Nem tão pouco de serem irlandeses, suecos ou franceses. Tudo soa a At-Tambur. Com os defeitos e as virtudes relevados em disco e confirmados em palco. Não é por acaso que um projecto que trabalha sobre uma matriz de música tradicional granjeia facilmente a simpatia de uma rádio como a Antena 2, sendo uma presença assídua no programa da manhã de Vítor Nobre. Os At-Tambur, tem uma abordagem clássica do seu repertório, influenciada, certamente, pela rígida formação de alguns músicos, que os torna algo formais. No entanto, a postura em palco de um certo distanciamento, não condiz com a sua vontade de inovar, de reescrever à sua imagem uma dança klezmer (.Israelita.). Sérgio Crisóstomo (violino) e Tiago Costa-Freire (Flautas), dois dos músicos mais bem formados (na escola clássica), foram os principais transgressores do formalismo que o projecto respira. Sérgio, o .carregador de piano. e o principal pirómano, foi impulsionador mor das saudáveis explosões que fizeram levantar o público das cadeiras. Tiago, o criativo que tem asas . ele voa, voa, voa . é o músico vagabundo, de toque nervoso e mais rápido que a sombra. Anda por toda a parte. Ele é uma das principais almas dos At-Tambur. Escute-se os aerofones em .Arabesca. e .Sueca.. Por aqui passa a sede que o colectivo tem de revolução. O Tiago é, pois, a candeia que os ilumina.
Mais discretos, mas não menos importantes, de realçar também o interessante trabalho da dupla bateria e contrabaixo que, em registo jazzístico, estendem o tapete rítmico, com uma grande dose de classe e subtileza, contribuindo decisivamente para a idiossincrasia dos At-Tambur. A cereja em cima do bolo.
Publicado por Luís Rei às 04:51 AM
setembro 16, 2003
ATLANTIC WAVES: O PORTUGUÊS DE LONDRES
A delegação londrina da Fundação Calouste Gulbenkian promove na capital britânica, entre 27 de Outubro e 29 de Novembro, a terceira edição do Festival Atlantic Waves. Sem dúvida, a mostra mais significativa e ecléctica de artistas portugueses que ocorre fora de portas. Mais uma vez, damos os parabéns ao programador Miguel Santos (já aqui havia referido o seu trabalho, a propósito da reportagem da Folk Roots em Lisboa) que tem sido um verdadeiro embaixador dos artistas portugueses em Inglaterra.
Mariza
the new queen of fado
Monday 27 October 2003 8pm Royal Festival Hall £25 £20 £10
The Raincoats
Lula Pena
raw rock and urban fado
Saturday 01 November 2003 7pm Union Chapel £12 £10 conc.
Spaceboys (live set)
Ian Simmonds (Juryman, UK) (DJ set)
Mike Stellar (Journeys, Portugal) (DJ set)
dancefloor and funky beats
Thursday 06 November 2003 7.30pm 93 Feet East £10 £8 conc.
Rui da Silva (live set)
Chris Coco (Radio 1/The Blue Room, UK) (DJ set)
DJ Jiggy (Portugal) (DJ set)
tribal/progressive/hypnotic house
Wednesday 12 November 2003 8pm Cargo £5
Blasted Mechanism
dancefloor beat rock
Friday 14 November 2003 8pm Cargo £5 b4 9pm, £9 after
Zé Eduardo Unit with Peter King and Martin Shaw
Rodrigo Amado with Paul Dunmall, Dave Kane and Acácio Salero
cinematic jazz
Sunday 23 November 2003 7pm The Vortex £12
Pedro Carneiro with Drumstruck!
contemporary percussion
Monday 24 November 2003 7.30pm Purcell Room £12 £10 conc.
@c with Andy Gangadeen + Lia
Vitor Joaquim with Scanner + Pure
powerful laptops night
Thursday 27 November 2003 7pm 93 Feet East £10 £8 conc.
Royal Scottish Academy Brass
The Galliard Ensemble
contemporary brass and winds
Saturday 29 November 2003 3.30pm Purcell Room £12 £10 conc.
Katia Guerreiro
António Zambujo
seductive young fado singers
Tuesday 02 December 2003 7.30pm Purcell Room £15
Pangeia Instrumentos with Max Eastley and Heitor Alvelos
Rephlex DJs in the bar until 1am
experimental music and visuals
Saturday 06 December 2003 8pm ICA £10 £9 conc. £8 ICA members
Mais informações no site do Atlantic Waves.
ELLENA LEDA. O erotismo das danças do sul.
Não fui a Castro Verde este fim de semana. Com um certo arrependimento. Mas já estava escaldado de ter perdido a Lula em Monte Gordo. É Pena que o Fernando Malhalhães também a tenha perdido. Mas o texto sobre Ellena Leda merece ser lido.
Publicado por Luís Rei às 04:51 PM
setembro 15, 2003
ÍNTIMA FRACÇÃO. O Fim?
Já vai sendo um hábito. A Íntima Fracção , após quase duas décadas de vida, corre o risco de figurar no Panteão dos programas de rádio de autor, lado a lado com uma série de bons nomes que a rádio formatada e automatizada tem condenado à morte. Ou, quanto muito, a um redutora existência de cinco minutos diários. Outras Músicas (Rádio Nova), Horas Funktásticas (Rádio Nova), Costa a Costa (Antena 3), O Menino é Lindo (Voxx), Som dos Pedais (TSF), os espaços de Aníbal Cabrita e, posteriormente, Ricardo Saló na TSF, deixam-nos cada vez mais órfãos da rádio com algo para dizer, dar a conhecer e fazer sentir. É pena que os ditos programas de autor sejam uma espécie rara ameaçada de extinção. A rádio, que quase ninguém ouve em casa. Que se escuta apenas na ida para o trabalho e no regresso a casa, poderia privilegiar mais este tipo de programação dirigida às classes (A, B), que a televisão generalista tem ignorado.
De realçar o trabalho de luta incansável dos blogues como a Janela Indiscreta e Retorta em prol da manutenção da Íntima Fracção na TSF. Receio que todo esse esforço seja uma gota de água num oceano. Resta-me a esperança e o desejo que o Francisco Amaral leve o programa para outras ondas hertzianas. A propósito, para quando a rádio on demand?
PESSOAL E... TRANSMISSÍVEL. A continudade.
Nem tudo são más notícias. Lê-se que a nova direcção da TSF irá implodir a anterior programação e construir uma nova a partir do zero. Estarei a exagerar? No meio dos escombros, há sobreviventes com vida. Um deles é o Pessoal e... Transmissível de Carlos Vaz Marques. Hábil na condução de entrevistas a figuras que cruzam a política, as artes, o desporto e o ensino, sempre com um cunho próprio de boa disposição, à-vontade e exímia preparação. Para quem não conhece este espaço ao fim-da-tarde na TSF, recomenda-se a pesquisa do histórico de programas e, sobretudo, a audição da história do tambor contada por Celina Pereira. A escutar ainda Susana Baca, Nuno Rebelo, Kátia Guerreiro, Mariza, Carlos do Carmo, Cristina Branco, Pedro Caldeira Cabral e António Prata da Ronda dos Quatro Caminhos, entre outros. Será que o Carlos Vaz Marques que leva para o estúdio da TSF .gente que faz a diferença. não pensou ainda em entrevistar o Barnabé?
BARNABÉ. Não há coincidências.
.O que é que tem o Barnabé que é diferente dos outros?.. Desde o passado Sábado, dia 6 de Setembro, após a apresentação ao vivo do projecto CantAutores, que esta música de Sérgio Godinho não me sai da cabeça. O mais engraçado é que, poucos dias depois, tomava conhecimento de um novo blogue de Daniel Oliveira (antigo colaborador do Blog de Esquerda). Chama-se, simplesmente, Barnabé. Será mesmo que ainda existem Barnabés por aí?
Publicado por Luís Rei às 05:57 PM
setembro 12, 2003
FESTA DO AVANTE: DOMINGO, 7SET03
RONDA DOS QUATRO CAMINHOS. Entre o céu e o inferno.
Ver a Ronda dos Quatro Caminhos apresentar ao vivo o disco .Terra de Abrigo. é já motivo mais do que suficiente para nos deslocarmos à Quinta da Atalaia. No entanto, é pena que, devido a questões puramente logísticas e de organização, um espectáculo que em circunstâncias normais seria sublime, acabou por se tornar numa frustrante experiência.
É admirável a forma como a Ronda conseguiu com .Terra de Abrigo. abanar a toda a sua estrutura e os tiques de música .pumba. (expressão inventada por António Pires do Blitz) à volta do ressoar dos bombos e das omnipresentes chulas. Não foi um prédio que caiu e outro que se ergueu dos escombros de uma certa acomodação tradicional-urbana de banda de bar, que se vinha a notar nos últimos discos. Remodelou-se, porém, uma nova fachada, com materiais semelhantes, mas com outras cores bem mais vivas. Não sendo tão ambiciosos no espectáculo como foram no disco . faltaram outras vozes como a Katia Guerreiro e Amina Alaoui, além de uma maior aproximação à música árabe-andaluz . a Ronda cumpriu aquilo que lhe competia fazer. Trouxe para o palco uma orquestra clássica . a Sinfonienta de Lisboa . para proporcionar ao cante alentejano uma maior aproximação entre o céu e a terra. Um puro exercício de levitação que a Ronda arbitrava. Aqui e ali, lá impunha as marcas do passado. Lá vinham as chulas e a dispensável voz de João Oliveira que, apesar de tudo, se conseguia tolerar.
Completamente inexplicável foi a decisão da organização da Festa em programar um concerto destes no pequeno palco do Auditório 1º de Maio. Será que o palco 25 de Abril estaria assim tão inacessível a um projecto responsável por um dos melhores discos de 2003 na área da música tradicional? Apesar de tudo, deu-se um milagre de física. Sessenta pessoas em palco, bem aconchegadas entre si, não foram suficientes para partir o estrado. A bancada da assistência também não caiu por acaso. No meio dos palavrões e dos encontrões (por sorte não chegaram a vias de facto) que alguns membros da assistência de meia-idade iam trocando entre si, devido a questões mínimas do deixa ou não deixa passar lá para cima, não se conseguia escutar NADA. Primeiro, porque estes singelos cidadãos . aptos de imediato a criticar a .malta jovem. do seu mau civismo, seja por que razão for . perturbaram, com um burburinho ensurdecedor, durante mais de um quarto de hora (tempo que demoraram a chegar os Seguranças), todos aqueles que estavam no interior do recinto. Segundo, porque o som também tinha as suas debilidades. As vozes demasiado elevadas, a orquestra demasiado baixa. Além disso, quem estava cá atrás . não se podia ir para a frente dado que a assistência deixou-se ficar sentada, não se levantando para permitir aqueles que ficam engalfinhados na entradas, pudessem também ir lá para dentro . levava com um som enrolado, de lata. Resta-nos a expectativa de vermos este espectáculo numa sala apropriada para a dimensão do projecto, com condições técnicas decentes e com um público minimamente educado. Tenho esperança que isso aconteça no CCB, no princípio do próximo ano.
REALEJO. A menina dança?
A seguir à Ronda, foram os Realejo que, apenas com cinco elementos, encheram e de que maneira o palco do Auditório 1º de Maio. Parece que Fernando Meireles concretizou aquilo que deixara subentender no tema final do primeiro disco .Sanfonia. (a .Cantiga 216.) e que desenvolvera a espaços no álbum seguinte, .Cenários.. O Realejo deixou a carapaça de frágil projecto folk de câmara, para se tornar numa banda de dança semi-acústica. A filiação Blowzabella continua a mesma. A inspiração subversiva dos Hedningarna assume-se de vez. A portugalidade no meio das composições de folk europeia para Sanfona também continua bem vincada, sobretudo nas mãos de Amadeu Magalhães. A grande surpresa que os Realejo agora apresentam é a ausência do violoncelo de Ofélia Ribeiro e a inclusão de um baixista que não se limita a marcar passo. Ele torna a música do Realejo muito mais .swingante.. Houve quem dissesse que o Realejo parecia os Shooglenifty. As raízes de ambos são bem distintas. Contudo, o projecto de Coimbra ganhou uma certa cavalgada rítmica, semelhante à desses escoceses. Pena é que o espectáculo não tenham durado mais do que uns míseros trinta e tal minutos. Soube a muito pouco.
GALANDUM GALUNDAINA E CRISTINA PATO. A desorientação à portuguesa
Houve, por parte da organização, uma tentativa desenfreada de cortar a direito, apesar dos atrasos habituais que vinham de trás. Esta não deixou a Ronda fazer o encore (o que motivou assobiadelas por parte da assistência), limitou o tempo de actuação do Realejo que acabaram de tocar às 17h25. A ideia era que não houvesse nenhuma actividade durante o discurso de Carvalhas que começou às 18h. Até aqui tudo bem. Horários são para cumprir e há que cortar a direito para recuperar o tempo perdido. O próximo concerto nesta sala começava às 19h30. Só que, a essa hora e, até às 20h30, não houve direito ao programado concerto de Galandum Galundaina. Houve sim sound checks dos músicos que vinham a seguir aos mirandeses. O facto de estes só começarem a tocar uma hora depois do previsto, alterou substancialmente aquilo que tinha programado: ver Galandum até pouco depois das 20h e ir para o palco 25 de Abril assistir a parte substancial de Cristina Pato. Tive azar. Se o Auditório 1º de Maio manteve nos três dias atrasos de uma hora, o 25 de Abril foi sempre certinho. Acabei por ver uns dez ou quinze minutos do primeiro e mais uns dez da segunda. Tive pena de ter perdido o resto de Galandum, porque exibiram a sua habitual genuinidade. O falar mirandês, a raça bruta das gaitas, do tamboril, dos bombos e das flautas pastoris. Levaram também consigo uma sanfona para interpretarem romances (dado inédito). Não tive pena nenhuma da Cristina Pato e arrependi-me de ter vindo para cima. A menina que ainda é muito verde (não de cabelo, que desta vez exibia a cor natural, mas de cabeça . isso notava-se no discurso dela) é bem pior em palco do que nos discos. Já sabia que fazia um misto de rock com folk galego. Só que há folk rock e folk rock. Resentidos e Siniestro Total são uma coisa, aquilo que Cristina Pato apresentou é outra. Bem distinta. Rock FM dos anos 80, pesado, xunga e sensaborão, ao serviço dos solos da gaiteira. Imaginem o cruzamento entre os Def Leppard e o Carlos Núñez. Prefiro mil vezes a Susana Seivane.
Publicado por Luís Rei às 06:28 PM
setembro 10, 2003
FESTA DO AVANTE: SÁBADO, 6SET03

CantAutores
DANÇAS OCULTAS. A magia das concertinas
No Sábado, cheguei e já os Danças Ocultas estavam em cima do palco do Auditório 1º de Maio. Perdi Segue-me À Capela. Mas a cerca de meia-hora que assisti do espectáculo das quatro concertinas encheu todas as medidas. São mágicas estas oito mãos. Como quem não quer a coisa, lá vão deambulando entre uma contemplação nostálgica de travo klezmer, servida entre um excerto sensual de bel-musette parisiense, ou entre uma composição mais lúdica que nos remete para a memória do espírito experimental e folião dos Verd e Blu da Gasconha. Volta e meia, puxa-se pelo fole, retira-se-lhe o sopro, marca-se o ritmo com a concertina como se esta fosse um baixo. Dá gosto ver a coordenação em palco dos quatro músicos. Parecem uma equipa profissional de ciclismo. Um a um, cada elemento vai à frente do pelotão puxar por ele. O esforço é bem doseado. Sabem revezar-se. Tudo isto com uma linearidade notável, embuído num espírito hipnotizante de chill-out. Damos por nós e perguntamo-nos: - O quê, já tocaram meia-hora? A .máquina. é orgânica, bem oleada, contemporânea e global. É, talvez, o projecto-lusitano-extra-vozes-de-fado que mais facilmente pode rodar pelos principais festivais europeus de músicas do mundo.
BRIGADA VÍTOR JARA. Metais de baixa
Foi dos poucos espectáculos que vi no palco principal (o 25 de Abril), gozando excepcionalmente de um concerto a começar à hora certa. Como sempre, Manuel Rocha exibiu todos os seus dotes de orador nato. Na Festa estava como peixe dentro de água, explicando (mais uma vez) a génese do nome do projecto que comemora o seu 30 aniversário, com a história do cantor chileno Vítor Jara que morreu nas garras de Pinochet. Foram, uma vez mais tudo aquilo que já tinha referido no rescaldo do Intercéltico do Porto . A única diferença é que o Sexteto de Tomás Pimentel estava tão lá atrás do extenso palco, que mal se escutava. Parecia que o som das percussões (sobretudo estas) e dos restantes instrumentos da Brigada estavam muito mais alto do que o dos metais. Perderam-se os pequenos grandes pormenores que fizeram da actuação no Intercéltico um espectáculo memorável. De facto, uma sala ou um técnico, fazem uma grande diferença.
CANTAUTORES: O nervo da canção
De novo no Auditório 1º de Maio e com um certo atraso. Que agradável surpresa foram os CantAutores. O álbum homónimo que lançaram este ano através da Associação Cultural D.Orfeu, com sede em Águeda, é um bom cartão de visita que reflecte bem o espírito do projecto em Palco. Repescando repertório de José Afonso, Fausto e Sérgio Godinho, Luís Fernandes (o director musical) evita os lugares comuns destes ícones da canção portuguesa, optado por um repertório maioritariamente menos divulgado. Sem serem muito inovadores, denota-se um certo cuidado nos arranjos orquestrais, ora mais clássicos, ora mais jazzísticos (às vezes, algo inspirados pela bossa nova . o começo de .Europa Nova Europa.). Salta ao ouvido a proximidade tímbrica entre Luís Fernandes e Fausto e entre Miguel Callaz e José Afonso, o bom gosto dos .vientos. (que expressão engraçada inventada pelos espanhóis): fagote, clarinete, trombone e flautas. Tudo isto regado com uma atitude de entrega ao espectáculo louvável, sobretudo da parte de Luís Fernandes, a transcender-se na interpretação da balada .Por Que Me Olhas Assim. e, sobretudo, em .Sete Mulheres do Minho. (que, infelizmente, não faz parte do alinhamento do disco), fazendo levantar da terra boa parte da assistência que se encontrava sentada. Um espectáculo sempre em crescendo que teve o seu climax maior com .um Homem Novo Veio da Mata., no encore. Outros destaques: .Barnabé. e .O Rei Vai Nu. (ambos de Sérgio Godinho).
Publicado por Luís Rei às 03:28 PM
FESTA DO AVANTE: SEXTA-FEIRA, 5SET03
Já não ia à Festa do Avante há alguns anos. A falta de nomes internacionais que me motivem a sair de casa tem sido uma constante. Este ano não foi excepção. Só que, esta 27ª edição dava-me a oportunidade de ver num só fim-de-semana uma mão cheia de grupos portugueses. Conhecer finalmente as Tucanas e os CantAutores. Ver pela primeira vez em palco a magia de Danças Ocultas. Reviver bons momentos do Cantigas do Maio e do Intercéltico do Porto, com as algarvias Moçoilas e a Brigada Vìtor Jará, acompanhada do sexteto de metais de Tomás Pimentel. Saborear ao vivo aquele que é um dos grandes discos da colheita de 2003 de música portuguesa: ?Terra de Abrigo?, da Ronda dos Quatro Caminhos?. Verificar a evolução do Realejo que, além de ter sofrido mudanças na sua formação, tem trilhado caminhos mais dançáveis, pondo de lado a anterior estética mais classicista.
TUCANAS. No início era o tambor.
A noite de sexta-feira foi aziaga. Tinha saído de casa pouco antes das nove, com esperança de ainda ver a Filipa Pais. Só que a ponte 25 de Abril e a falta de estacionamento na Amora não me deixou chegar antes das dez e meia. Mesmo a tempo de ver as Tucanas de início. Elas que arrastam consigo uma considerável audiência que sobrelotou o Auditório 1º de Maio, onde era dificílimo de entrar, em parte, por culpa daqueles que se sentavam no chão, roubando espaço ao interior e provocando um ajuntamento caótico nas saídas. Uma constante nos restantes dias.
Com uma agenda de concertos sobrecarregada e sem qualquer disco gravado, as Tucanas constituem um verdadeiro fenómeno de popularidade, construída palco a palco. O ?grupo de percussão criativa?, como elas próprias se autodefinem, apresenta-se extremamente bem oleado. Irrepreensíveis ao nível coreográfico. Sente-se que há trabalho de casa exaustivo (e quilómetros de estrada em cima), quer quando estão a bater na chapa e no plástico, quer quando vêm para a frente do palco e percutem com as mãos nas pernas, no peito e nos braços umas das outras. Bonito de se ver. O projecto é ambicioso. Explora ritmos tribais do coração de África. Resgata aos anos 80 o espírito pós punk e industrial de Neubauten e de Test Dept. Ecoa a Japão, através dos tais bidons de plástico, tocados como se fossem gigantes taikos. O ritmo é tribal, é ancestral, é primário, é agressivo e arrebatador. É lúdico, inocente e infantil. Como conceito é excelente. Só que, nestes moldes, dificilmente farão um disco audível do princípio ao fim, a não ser que convidem outros músicos, com outros instrumentos (aerofones e cordofones). Ah! Já agora, trabalhem mais essas vozes, sff!
MOÇOILAS. O encanto rural
Injustamente, as Moçoilas foram vítimas dos atrasos e do mau alinhamento do palco do Auditório 1º de Maio, tocando para dezenas de pessoas, num espaço que pouco antes tinha rebentado pelas costuras. Os resistentes, esses, regozijaram com a graça das Mêçoilas na sua interpretação idiossincrática da tradição de repertório oral, maioritariamente, oriundo da Serra o Caldeirão. Singelas, donas de um divino encanto rural, de um delicioso sotaque do sul e um humor fresco e alcoviteiro, as quatro vozes enchem todo o palco. Instrumentos para quê? Não Precisam. Elas entram de mansinho, metem a primeira, segunda, terceira, quarta, quinta e disparam com um corridinho. Além de recuperarem repertório regional, as Mêçoilas chegam mesmo a adaptar versos para a realidade urbana actual (dando conta de vizinhas que vêem o canal 18) e propositamente para a Festa do Avante, cantando uma espécie de cartão de visita. Que pena não ter a letra aqui à mão. Levem-nas para o estrangeiro que elas merecem.
MARIA ALICE para quê complicar?
Não gostei de Maria Alice, apesar da calorosa voz desta. O desfilar de mornas e coladeras provenientes sobretudo do seu último disco, ?Lágrima e Súplica?, foi frio e distante do pouco público. Nota-se que há bons músicos, mas a atitude destes é demasiado previsível. Tentam construir uma sonoridade sumptuosa. Para quê um baterista e um percussionista na mesma banda? É que o som é demasiado linear para tanto aparato. De vez em quando, lá se chega à frente o guitarrista. Com um solo excessivamente cerebral, pouco emotivo. É a típica banda de animação nocturna, cujo fraque que envergam prende-lhes os movimentos. Oxalá perdessem metade da ?cagança? e tocassem com os pés descalços e de fato de macaco.
Publicado por Luís Rei às 04:50 AM
setembro 05, 2003
A CLASSE ECONÓMICA DE KEPA JUNKERA

Finalmente escrevo sobre o concerto de Kepa Junkera que ocorreu no passado fim de semana, na Fábrica da Pólvora. Não há dúvida que a Internet veio revolucionar a forma como se comunica e se informa. Poucas horas após o evento já circulava pela lista de discussão das Crónicas da Terra várias opiniões ao concerto do Kepa, muito tempo antes de qualquer jornal poder exibir o seu artigo (curiosamente, coisa que não vi em nenhuma publicação).
Daí que, passado quase uma semana e após várias críticas e refutação de críticas de assinantes e das opiniões veiculadas em blogs como a Janela Indiscreta e o Juramento Sem Bandeira, a minha visão acaba por ser muito redutora e complementar. No entanto, há muitos aspectos extra do concerto-de-sábado-à-noite que merecem ser abordados. Vamos por pontos.
1. Foi um concerto em crescendo, que não acrescentou nada àquilo que já tínhamos visto em outros palcos. Começou morno, acabou menos morno. Kepa continua a exibir todo o seu virtuosismo, mas desta vez houve menos gozo (além de o ouvir) em vê-lo tocar. Na Fnac, nos showcases que deu por altura do lançamento de Bilbao 00:00h, foi muito mais acutilante e imprevisível. Tocava com muito mais nervo. Sozinho, com a sua trikitixa, oferecia-nos um espectáculo simples, mas cheio de vitalidade e espontaneidade. Um regalo para os nosso olhos e ouvidos. Aquilo que se viu no Sábado, parece ter sido mais um (entre tantos outros) concerto de um músico cansado, acompanhado por outros músicos (à excepção da dupla de percussão basca - txalaparta - Oreka TX. Vale a pena ler o que o Vítor Junqueira escreveu sobre eles) senão cansados, vulgares, que se limitaram apenas a encher o palco e a música. Apesar de ter logo aos primeiros acordes o público consigo, Kepa abusou da interacção com o público. Momentos houve de uma certa graça quando ele, ao fazer de maestro, conseguia coordenar as palmas do público com o ritmo do baixo e da bateria (outro facto bastante comentado na lista de discussão). Mas devia tê-lo feito com brevidade. A sua acção arrastou-se, o que quebrou, de certa forma, o crescendo que se sentia no concerto de Kepa, enquanto belíssimo instrumentista.
2. A Fábrica da Pólvora tem sido palco em outros anos de espectáculos menos conseguidos de outros nomes que já tocaram por diversas vezes em Portugal. Estou a lembrar-me, por exemplo, do espectáculo do ano passado dos Rádio Tarifa. Não gostei mesmo nada. Além do vento insuportável que batia nos microfones, a guitarra eléctrica estava demasiado alta, comparativamente com o resto dos instrumentos. Em Maio deste ano, em Mértola, voltei a conciliar-me com a Rádio Tarifa. Por que será?
3. É certo que as Câmaras Municipais não nadam em dinheiro. Ao programarem concertos, tentam fazê-lo pagando o mínimo cachet possível. As bandas, porque necessitam de vender concertos para sobreviverem, aceitam.
4. Como o Nuno Barros dizia na lista de discussão, trazem ?uma versão portátil? daquilo que habitualmente fazem. Eu digo que se trata de uma versão económica. Há quem prefira em Portugal tocar apenas duas vezes por ano e cobrar três ou quatro mil contos por concerto. São opções. Mas a realidade dos músicos mais rodados da folk europeia é bem contrária. É obrigatório tocar, no mínimo, 200 a 300 vezes por ano, tendo de suportar um pouco de tudo: más condições técnicas, maus cachets, público que não sabe ao que vai, etc, etc, etc. Um desgaste tremendo que facilmente origina noites menos conseguidas.
5. Apesar da actuação de Kepa Junkera ter sido a que foi. A possível. Pena é que não tivesse havido interesse de nenhum jornal em cobrir o evento. Além de Kepa ser uma das principais figuras da folk europeia, acabou de lançar um duplo álbum ao vivo, denominado K que é, seguramente, o melhor disco da trilogia marítima Bilbao 00h00-Maren -K. Porque é o consumar do espírito exploratório dos dois anteriores álbuns. Onde há mais coesão e menos desequilíbrios. É estranho que isso aconteça a quem já recebeu elogios rasgados por diversos órgãos de imprensa nacional em Bilbao 00h00. Provavelmente, a editora ainda não enviou o disco para as redacções, nem marcou entrevistas.

6. Na lista de discussão, argumentou-se a falta do bandolim e do contra-baixo como uma das razões de um concerto menos conseguido nessa noite. Argumentou-se ainda que os músicos que tocam em Espanha são os mesmos que tocaram em Portugal. Isso poderá acontecer em alguns casos, no entanto, há concertos e concertos de Kepa. Depende da classe. Se é económica (como acima foi referido) ou se é executiva (como aconteceu nas três noites de Bilbao, onde K foi gravado). Quem o viu no sábado ficou com uma pálida ideia do que é o duplo álbum K.
O instrumento Alboka
7. Pelo que me foi possível escutar de K (alguns temas sacados no Soulseek), existe uma séria tentativa de criação de uma orquestra étnica (bem conseguida em muitos casos), como ponto interessante de disfarçar a limitação da trikitixa enquanto instrumento reconhecida pelo intérprete. Brilhantes os metais dos canadianos Bottine Souriante em Herrik Shaw. Interessante o duelo trikitixa vs mandolin com Patrick Vaillant (que tem habitualmente tocado em duo com um outro intérprete de concertina, o italiano Riccado Tesi). Onírico, a conjugação das vozes búlgaras (que talvez tenham demasiado protagonismo ao longo dos dois discos), com o Grupo coral basco Donostia e a Orquestra de Cordas Alos Quartet. Destaque ainda para a sonoridade da alboka de Ibon Koteron, mais um instrumento tradicional basco. Aerofone pastoril, constituído por dois chifres de vaca, com um conjunto de buracos entre eles e que produz uma sonoridade drone, tão ressonante quanto a sanfona. A propósito de Alboka, vale a pena conhecer um outro colectivo basco que se apresenta com o mesmo nome do instrumento. A escutar os álbuns de Alboka, Bi Beso Lur e Lorius.
Publicado por Luís Rei às 03:12 PM