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agosto 07, 2003
OUMOU SANGARE: A 'CANTORA-PÁSSARO' VOA

Oumou Sangare vai editar um novo disco no próximo dia 29 de Setembro, intitulado ‘Oumou’. Uma retrospectiva em duplo CD que contém doze dos melhores temas dos três álbuns editados pela World Circuit (‘Ko Sira’, ‘Moussoulou’ e ‘Worotan’) e mais oito temas inéditos. É uma verdadeira alegria ouvir de novo os pássaros a cantar.
O RETRATO. Oumou Sangare é a principal figura do wassolou, região do sul do Mali que significa também um estilo musical próprio e distinto do universo dos Griots.
As mais notáveis vozes do Wassoulou como Sangare ou mesmo Nahawa Dumbia, não nasceram em berço de artistas. São cantoras por opção própria e demarcam-se dos músicos profissionais da corte (os Griots) ao aprofundar problemas sociais próprios de uma sociedade islâmica.
Oumou Sangaré e todas as outras cantoras wassoulou são vulgarmente apelidadas de cantoras-pássaro. Na região do wassoulou acredita-se que certos pássaros podem comunicar a sua visão do mundo aos humanos. E Oumou Sangaré tem feito um trabalho notável nesse sentido, tendo sido recentemente distinguida pela UNESCO com um prémio musical.
Oumou Sangaré é um verdadeiro fenómeno no Mali. Uma artista de garra que fala ao ouvido dos homens aquilo que nenhuma outra mulher havia feito antes. Através da música, ela tem uma acção social preponderante, lutando pelos direitos civis das mulheres.
Poligamia, arranjo de casamentos, compra de noivas e excisão são alguns dos assuntos tabu abordados por Sangare nas suas canções. A cantora que admira a sociedade ocidental pelo facto de as mulheres poderem tomar decisões próprias e terem acesso à educação, não limita a sua acção social à música. Oumou Sangare já não gravava um disco há mais de sete anos, porque tem tido um papel activo na redes de trabalho com mulheres do Mali, auxiliando-as, por exemplo, a entrar no mundo empresarial.
Sobre a possibilidade de Oumou Sangare ser confrontada com o exílio, pelo facto de a sua acção ser demasiado progressista para uma sociedade islâmica, a cantora expressa-se através de uma parábola. Afirma que na língua nativa da tribo Fula, a palavra Mali significa hipopótamo. Segundo a cantora, este mamífero pode sair da água e partir em busca de comida, mas regressa sempre ao seu habitat.
Publicado por Luís Rei às agosto 7, 2003 02:20 AM
Comentários
Estou agora a ouvir Ah Ndiya e não haja dúvida que a cantora vai directamente para a galeria das preciosidades... o Mali brinda-nos com presentes destes... e nós queremos mais!
Publicado por: Etiopiana às dezembro 6, 2003 09:08 PM