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julho 03, 2003

DISCOGRAFIA ESSENCIAL (5) GJALLARHORN - "CALL OF THE SEA WITCH"

Gjallarhorn
Call of the Sea Witch
Finland Innovator / Warner

Com sede em Vaasa, os Gjallarhorn fazem parte dos seis por cento de fino-suecos a viver na Finlândia, mas cuja língua nativa é o sueco. Daí que a música que este grupo pratica, denuncie bem as marcas que este povo deixou aquando da sua ocupação. Apenas uma das baladas é de raíz fino-úgrica que reporta aos tempos medievais do Kalevala. Todas as outras são cantadas em sueco, e também em norueguês. Enquanto grupos como Värttinä e Hedningarna parecem agora sofrer do síndroma "já-fizemos-o-álbum-da-nossa-vida-e-agora?", os Gjallarhorn, sem uma pesada cruz como “Oi Dai” ou “Kaksi” para carregar, apresentam-se como uma fresquíssima revelação da folk destas gélidas paragens, sem necessitar de recorrer às novas tecnologias. Desprovidos de pretensões em atingir uma plenitude criativa e subversiva de um Kaksi, os Gjallarhorn arquitectam um disco totalmente acústico, mas não menos inovador, que possui uma capacidade ímpar de nos surpreender. Ateus como os Hedningarna, vão buscar a essência da sua música às raízes da terra e ao mar profundo da Yggdrasil (árvore de sabedoria) Viking. Eles, que estão, na costa Finlandesa, a dialogar com a outra costa Sueca através do golfo da Ostrobótnia. Daí que, ao longo de Ranarop - Call of The Sea Witch, não nos seja de todo estranha a presença de temas e ambientes marinhos. Um disco praticamente voltado para o mar, erigido na cidade marítima de Vaasa, onde nos encontramos (de barco) a três horas da Suécia. Veja-se o título do disco que é dedicado a Ran, a deusa dos oceanos na mitologia nórdica e protectora deste trabalho, ou "Herr Olof", uma balada sobre um Rei que se apaixona por uma sereia, musa que o convida a descer ao fundo do mar para visitar o seu condado, sem esquecer Sjöjungfrun och Konungadottern/The Mermaid and the Princess que aborda a mesma temática. Aqui, Jenny Wilhelms (a voz e um dos violinos) tem o dom de nos hipnotizar com o seu sumptuoso e cândido canto, próprio de uma menina de 23 anos, qual sereiazinha de Hans Christian Andersen, acompanhada pela melodia compassada das marés que se confundem na suavidade da harpa e na gravidade do didgeridoo de Jakob Frankenhaeuser (que aprendeu a tocar o fálico instrumento na Austrália).

Publicado por Luís Rei às julho 3, 2003 05:48 PM