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junho 24, 2003
MANDRÁGORA O FUTURO PASSA POR
MANDRÁGORA O FUTURO PASSA POR AQUI

São uma das jovens promessas da folk de linhagem europeia, feita em Portugal. Ainda não têm nenhum álbum gravado (caminham para isso, e a Sabotage faz bem em apostar neles), mas a maqueta de cinco temas que gravaram recentemente coloca-os entre os projectos nacionais mais inovadores. Só precisam de tocar mais ao vivo, porque ideias não lhes faltam. Sabem para onde querem caminhar. A prova disso é o tema “E Pia O Mocho”, um dos melhores gravados até hoje por uma banda folk portuguesa. Aqui, os Mandrágora, à semelhança dos Hedningarna na fase do primeiro disco homónimo , vão edificando a revolução de forma discreta e acústica, numa orientação estética “drone” e xamânica (com berimbau e canto gutural), com ecos nórdicos. Se tivessem sanfona, guitarras eléctricas e uma voz de grande projecção, habituada ao exercício do “kulning” (a forma de chamamento dos animais de pasto, pelos pastores escandinavos), iria associar ao seu som toda a crueza, vigor e misticismo inscrito no EP de estreia dos suecos Garmarna.
Apesar de o seu repertório centrar-se muito em Trás-os-Montes, e de um dos temas chamar-se “Galandum”, os Mandrágora, conseguem soar de forma distinta de, por exemplo, os mirandeses Galandum Galundaina, imprimindo uma tonalidade mais etérea e progressiva, (por via do saxofone-alto e darbouca) à tradição do planalto transmontano com cheiro a terra. A descobrir com urgência.
Publicado por Luís Rei às 06:45 PM
junho 18, 2003
QUEM CONHECE MANECAS COSTA???

QUEM CONHECE MANECAS COSTA???
"Paraiso di Gumbe", o mais novo álbum deste guineense é das mais agradáveis surpresas que me foram dadas a ouvir. Há muito tempo - desde a altura em que andava siderado com as coras do Mali de Toumani Diabaté e Ballaké Sissoko - que não ouvia um tema africano tão bonito, como "Nha Name". Manecas que gravou este disco na Guiné Bissau, mantém o seu registo de virtuoso guitarrista, convida um harpista venezuelano sublime e com registo repleto de alegria só visto na mexicana Negra Graciana. Quem tem Carlos Orozco não precisa de cora. Manecas traz ainda ritmos locais gumbe em bruto e reduz à insignificância os teclados que na maior parte dos casos roubam a autenticidade à música do continente negro. Com um músico destes, que faz um álbum que irá certamente figurar na lista dos 20 melhores de 2003 (pelo menos na minha, e estou certo que na da Folk Roots e da BBC), qual é o festival nacional que precisa de ir buscar talentos (muitas vezes de qualidade duvidosa) aos confins, sobrrecarregando o seu orçamento com dispendiosas viagens? E será que os arautos da nossa imprensa especializada vão notar que Manecas existe? Humm... para isso é preciso que ele ganhe um qualquer prémio da BBC. Acordem!
Publicado por Luís Rei às 04:33 AM