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abril 10, 2003

VÄRTTINÄ: Depois da pop, em busca de raízes carelianas

Värttinä
6:12
(Resistencia / Sabotage)


Ao longo de mais de vinte anos, os finlandeses Värttinä já sobreviveram a um pouco de tudo. À perda da antiga líder Sari Kaasinen. Às constantes mudanças na formação, quer no quarteto de vozes femininas, quer no sexteto de instrumentistas. À chegada de músicos oriundos de outras paragens além Raakkylaa (a localidade natal que marcou a sonoridade da banda). À pressão de carregarem consigo pelo mundo o epíteto de principal banda da folk finlandesa (e uma das referências obrigatórias da tradição Escandinávia). E, consequentemente, à tentativa de equilíbrio de forças entre as raízes da música de Carélia e à formatação pop. As raparigas da frente continuam com o mesmo vigor e calor vocal que sempre as caracterizou, agora um pouco mais controladas relativamente aos excessos de uma coreografia algo de festival da canção. A base rítmica continua sólida como uma rocha, excessivamente eficiente, com certo prejuízo para a espontaneidade. "6:12", álbum ao vivo editado por uma das mais excitantes bandas que se pode ver em cima de um palco, surge num momento chave em que os Värttinä parecem estar a fazer uma inversão na sua carreira: a pouco e pouco vão deixando de fazer concessões às leis de mercado, deixando os arranjos pop, para mergulharem a fundo nas suas raízes rúnicas milenares (como é visível por exemplo em "Aijö"), à semelhança do que tem acontecido com os Hedningarna. O anterior álbum de estúdio, "Ilmatar" (provavelmente o melhor depois da fase mais depurada que tem em "Oi Dai" a principal referência), deu o mote. Alguns dos temas em "6:12" parecem prenunciar essa hipótese. No entanto, os laços do passado recente ainda estão bem apertados. Daí que as expectativas sejam grandes, relativamente a um próximo álbum de originais.

Publicado por Luís Rei às abril 10, 2003 01:46 PM