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abril 08, 2003
13º Intercéltico do Porto: Sinal Mais
BRIGADA VÍTOR JARA
Na antevisão, dizia-se que apesar do rigor, elegância e seriedade, a Brigada Vítor Jara dificilmente conseguiria apresentar arranjos arrojados do cancioneiro nacional. Pois enganei-me redondamente. Com a responsabilidade de abrir o festival e perante uma plateia despida de público (no primeiro dia), a Brigada deu provavelmente o melhor concerto que me recordo de ter visto deste colectivo. Arriscaram e trouxeram o sexteto Tomás Pimentel, com quem estavam a trabalhar há cerca de cinco dias, para o seu novo discon que, pelo que aqui foi revelado, promete. Se o colectivo da Brigada já é enorme, imagine-se mais uma meia dúzia de músicos em cima do palco. Uma verdadeira big band de cerca de 20 elementos que, apesar de não ter solistas, foi trabalhando o legado de mais de três décadas de canções com o requinte de um joalheiro habituado a manusear peças de filigrana, ora através de arranjos jazzísticos subtis que davam uma visão tridimensional ao legado popular, eficazmente acompanhado pelo pianista de serviço (que borrava um pouco o quadro quando optava pelos tapetes ambientais do sintetizador), ora em registos contidos de fanfarra. Um regalo para os ouvidos. Manuel Rocha, o porta-voz do grupo manteve a sua postura de excelente mestre de cerimónias, quer apresentando com à vontade os temas que se iam sucedendo, quer borrifando a assistência com um certo humor mordaz, ao explicar a génese do nome da banda, afirmando que tinham optado pelo lado dos “maus”, já que na outra trincheira estava o General Pinochet. Ainda sobre a situação crítica que se vive actualmente, Manuel Rocha afirmava ter um certo receio «de plantar um campo de trigo nas Lajes, pois temia ser vítima de danos colaterais». Mais do que pertencer a determinado eixo, a Brigada fez questão de frisar que pertence a «meio qualquer coisa».
Publicado por Luís Rei às abril 8, 2003 03:38 PM