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abril 08, 2003

13º Intercéltico do Porto: Sinal Mais Mais

ALTAN

Que melhor banda poderia escolher a organização para fechar com chave de ouro mais uma edição do Intercéltico senão, provavelmente, o melhor colectivo irlandês da nova geração (apesar de estes já contarem com cerca de 20 anos de estrada)? Embora os mais recentes registos discográficos já não tenham a frescura e o efeito surpresa daqueles de há dez / quinze anos atrás (como por exemplo “Red Crow” ou “Island Angel”), os Altan, perante a plateia e tribuna do Coliseu praticamente cheios, cedo começaram a desferir golpes certeiros com sets de “jigs” e “reels”, causando a rendição imediata do público que nem sequer regateou aplausos eufóricos de pé, logo no segundo embate, num Intercéltico que até aqui ainda não tinha fervido verdadeiramente de emoção como em outros anos. A arma secreta dos Altan reside no toque certeiro, ágil e contagiante do acordeonista “voador”, Dermot Byrne, mais rápido do que a sua própria sombra, em infernal despique com os violinos inflamados de Mairead, a mentora e vocalista do colectivo de Donegal, e Ciarian Tourish. Razão tinham os antigos cristãos noruegueses em queimar tal instrumento por o considerar obra do demónio. Para por água na fervura, Mairéad alterna as danças demoníacas com baladas onde o seu registo vocal parece já não ser o mesmo de há uns anos atrás (ou pelo menos aquele que escutamos nos discos), no entanto é suficiente para nos transmitir a ideia de paraíso na terra, depois de experimentarmos o Inferno. Brilhante.

Publicado por Luís Rei às abril 8, 2003 03:30 PM